Votação: Jesualdo deve ficar?


Tenho andado para me pronunciar sobre o estado futebolístico da nação portista desde a passada 3ª feira, mas opto por esperar mais alguns jogos por forma a acalmar a equipa e deixar os rapazes (e os líderes dos rapazes) descansados neste período difícil. Não que eles leiam o meu pasquim mas, ainda assim, mais achas na fogueira dispensam-se. No entanto, no dia seguinte à derrota em Alvalade coloquei este inquérito para tomar o pulso da malta quanto à permanência ou não de Jesualdo. Naquela que foi a maior votação na história do blog (com mais de 100 votos), as respostas dividiram-se assim:
  • Sim, é o nosso mister: 6%
  • Sim, se mudar a equipa toda: 1%
  • Não, é um medroso: 15%
  • Não, obrigado, acabou o ciclo: 76%
Devo dizer que estou incluído na opção mais escolhida. Mais sobre isto num post que ainda aí virá…

Próxima votação: Deve Jesualdo descansar os titulares para a final da Carlsberg Cup?
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Antevisão Googliana do Clássico

Há um site que me tem fascinado nos últimos tempos: Autocompleteme. Para quem como eu acompanha as últimas notícias e inovações da web, sabe que a Google utiliza os items mais procurados como dica para as pesquisas que sejam feitas a partir do seu motor de busca. Assim sendo, quem procurar por “o natal”, é provável que vejam conceitos como “o natal do ruca”, ou “o natal das bruxas”, temas sugeridos pelo algoritmo de pesquisa como prováveis ideias sobre as quais o utilizador pretenderia obter mais informação. Por vezes os resultados são ridículos e é exactamente essa redução ao absurdo que é retratada no site que mencionei.

Como associo quase tudo que vejo a futebol e mais concretamente a temas que posso usar aqui no estaminé, tentei comparar os dois treinadores que se vão defrontar agora no clássico, e eis os resultados para Jesualdo:
Ao passo que Jorge Jesus…
Aqui está uma boa imagem do que se pesquisa por essa internet fora. Jesualdo está permanentemente na ante-câmara do despedimento, ao passo que Jesus é mais procurado de um ponto de vista jocoso, com as calinadas, as foto-montagens e as bicadas com o lipo-aspirado Manuel Machado a serem alvo de grande interesse. É possível extrapolar estes pseudo-factos para ideias absurdas como o centralismo miópico dos benfiquistas ou a cultura de espectáculo inócuo que é propagandeada pela imprensa, tanto a desportiva como a generalista, ou até pelo simples facto do estilo de ambos ser bastante diferente.
Enfim, deixo a opinião para o leitor. Somos diferentes e espero que possamos mostrar em campo que somos melhores! Até lá, vamos ver no que dá a luta via Google. Quem sabe se segunda-feira, quando digitar Jesualdo Ferreira, não verei escrito “jesualdo ferreira vai ser campeão”?
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Cabelos brancos


É um facto inegável que a maior pressão que se verifica dentro de uma equipa de futebol recai sobre o treinador. Os jogadores estão lá para fazerem o que se pede deles, mas acabam por obrigados, uns mais que outros, a seguir as indicações daquele que alguns apelidam com ternurenta simpatia de mister.

É também um facto estatístico, de acordo com um estudo feito pelos criadores do Football Manager, o arqui-famoso jogo de futebol onde o jogador encarna a personagem do líder da equipa, do balneário e até um certo ponto, do próprio clube, que os treinadores tendem a ver o seu cabelo adquirir um tom grisalho aproximadamente 312 semanas após tomarem as rédeas de um clube. E esta é que me lixou.
Como a minha própria capilaridade craniana é diminuta, relaciono-me pouco com os problemas dos outros. Sempre que vejo um anúncio a champôs com bifidus ou zinc-piritióne ou lá o que raio é que espetam no frasco para vender mais produto, estou-me nas proverbiais tintas. Mas este problema é de facto interessante. Ora se um treinador ao fim de 312 semanas (aproximadamente 6 anos) já nota algumas brancas, que problema se colocará aqueles treinadores que nem 312 dias estão ao comando das respectivas equipas? Aposto que anseiam por ganhar o agrisalhamento (isto existe?) do cabelo, ostentando-o como uma marca de sabedoria e experiência.
Uma coisa é certa: Jesualdo já tinha o cabelo branco quando chegou ao Porto. E o look salt-and-pepper que já teve está a ficar bem mais salgado que apimentado. É o que dá ter de aturar Quaresmas e Hulks…
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Carta aberta a Jesualdo

Caro Professor,
Todos queremos um FC Porto mais forte, e ainda que a maioria da
imprensa não pense da mesma forma, os adeptos estão todos em
retumbante apoio a uma equipa forte que faça com que toda
aquela corja seja obrigada a engolir as palavras que profere.
O facto de estarmos a jogar menos bem, Professor, não nos demove!
Muito embora as exibições não estejam a atingir o nível que queremos,
acreditamos que com pequenas alterações pontuais, depressa vamos
recuperar a nossa condição de líderes naturais e mal acabe a
intempestiva onda de lesões, vamos regressar ao ponto onde a massa
associativa quer estar: em primeiro. Só lhe peço uma pequena
nuance na equipa para logo, uma simples alteração que provocará um
orgasmo colectivo na plateia, e que se torna simples ao ler esta carta.
Cumprimentos,
O gajo da Porta19
PS: Caso não entendam qual é a nuance que deveria ser implementada, por favor leiam a carta na vertical, ao estilo da carta de Schwarzenegger à California State Legislature.
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Teimoso

Jesualdo é um homem a sério. Tem uma espécie de pré-bigode tipo Errol Flynn, lábios finos que indiciam alguma malícia e cinismo, cabelo grisalho e gabardina comprida. Tem sido o nosso líder, mentor de jovens e general-em-campo dos guerreiros de azul-e-branco que semana após semana se colocam frente a frente com outros 11 energúmenos que têm o despudor de pensar que podem tirar-nos os merecidos 3 pontos. Porra que agora parecia benfiquista. Cruzes credo. Adiante.
De qualquer forma, Jesualdo é uma nova evolução nos treinadores portistas. Para quem, como eu, começou a ver futebol mais ou menos a partir da conquista da Taça dos Campeões Europeus em 1987, já viu diversos treinadores a passar pelo leme da equipa. Desde Artur Jorge a Jesualdo já tivemos de tudo: um louco que arriscava tudo em campo com 3 defesas, meia-bola e força; um sósia do Peter Sellars que tentou durante 3 semanas ensinar o Pepe a jogar numa defesa em linha (que está ao nível de tentar dar de comer a um rinoceronte com uma colher de café); um homem de mentalidade ultra-defensiva que punha o Kostadinov ou o Domingos à frente de 9 defesas e trincos; um tipo sisudo que não falava a não ser que lhe perguntassem 3 vezes a mesma coisa; um outro que falava demais e só dizia estrume, matéria a que, entenda-se, estava muito mais à vontade; ainda outro que quando falava era num misto de duas línguas e fazia sorrir o mais triste dos sportinguistas (este foi deliberadamente um mau exemplo!); um que se vestia como um Deus e treinava como tal; outro que tentava imitar o anterior mas só chegava perto no cabelo; outro que tinha tiques quando estava nervoso; um que nunca punha a mesma equipa 20 jogos seguidos; um que destruía balneários pelas opções; outro que destruía balneários à pancada…entre outros traços de personalidade enervantes ou cativantes, dependendo da mente de quem os analisar.
Cobrindo toda a gama de treinadores que já tivemos, creio que há uma qualidade ou defeito que acaba por ser transversal a todos: a teimosia. É isso que faz com que Jesualdo, como Mourinho, Oliveira ou Robson antes de si, esteja à cabeça da equipa e não a obedecer a ordens de terceiros. A pressão está sobre os ombros do treinador durante todos os 90 minutos de cada jogo e é exactamente o treinador que tem de prestar contas pelas opções correctas ou erradas. Quer seja uma substituição antecipada, instruções para o trinco começar a acertar nos gémeos do playmaker adversário ou para o avançado jogar mais descaído para a esquerda, ou até as conversas no balneário antes e depois do jogo, tudo está assente no treinador. E normalmente, para fazer avançar as suas ideias ou para de uma forma mais ou menos convincente conseguir fazer com que elas vinguem na cabeça dos jogadores e sejam implementadas em campo, o treinador tem de ser teimoso. Como uma mula com o período.
Percorrendo a lista de treinadores que atrás mencionei, encontramos inúmeros exemplos de teimosia. A invenção de Aloísio a defesa-esquerdo de Robson, a desistência de um número 10 invalidando o uso de Diego por parte de Couceiro, o chavascal defensivo de Ivic, a incapacidade de Fernando Santos mandar mais no balneário que Capucho, Jardel ou Sérgio Conceição, e agora a aposta recorrente em Raúl Meireles e Mariano González de Jesualdo. Normalmente as teimosias correm mal e acabam por ter resultados infelizes tanto para os adeptos como para o próprio treinador. Ivic acabou despedido, Robson levou 3 no pêlo, Fernando Santos não conseguiu vencer o Hexa e Couceiro…bem, foi para a Lituânia.
Não quero com isto dizer que todas as teimosias acabam por correr mal. Há muitos exemplos de birras de treinadores que acabam por resultar, mas normalmente não é assim. Mariano e Meireles são, quanto a mim, elementos que deveriam sair da equipa, quer por cansaço físico quer por fracas prestações, e quando terminar esta vaga de lesões há que começar a rodar o plantel. Vamos ver se nesse momento as opções de Jesualdo mudam e temos algum sangue novo que é necessário para revitalizar a equipa tanto mental como fisicamente. E é preciso fazê-lo rapidamente antes que seja demasiado tarde…
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