Só preciso de uns dias para descansar do Dia do Clube. Obrigado a todos os que estiveram presentes, mais uma vez. Análises e outras tralhas muito em breve, ainda não é desta que se vão ver livres de mim!
Baías e Baronis – Moreirense 3 vs 1 FC Porto

Hesito. As opções são: fazer uma crónica com (tentativa de) humor; escolher a via do “rant” e desbravar caminho até ao primeiro jogo amigável do próximo ano; ignorar o que se passou hoje em Moreira de Cónegos. Vou optar pela terceira com recheio da segunda e cobertura da primeira. É que só assim é que consigo manter a sanidade. Vamos a notas:

(+) O golo de Maxi. Fizeste de propósito, seu demente? TU FIZESTE AQUILO DE PROPÓSITO?! Ou estavas só a tentar dominar a bola à Bergkamp e saiu-te a sorte grande quando o cabrão do ex-russo viu a bola a passar por cima dele? Carago, pá, agora vou ter de me lembrar deste jogo por causa da imbecilidade de golo que tu marcaste! Não se faz, Maxi, que vergonha, pá!
(+) Herrera. Foi dos poucos que na primeira parte parecia interessado em fazer qualquer coisa que não fosse olhar para o relógio e esperar que a Custódia tivesse colocado os calções da moda na mala para a fuga imediata para férias. E até tentou, com meia dúzia de arranques e um ou outro remate. Menos mal.

(-) NES. Há ali um lance em que Danilo falha um golo depois de um lance de bola parada mesmo em cima da linha da pequena área. A bola vai por cima e imediatamente a realização muda para Nuno, no banco do FC Porto…e aposto que numa tarde em que tivessem distribuído morfina pelo banco, não haveria tanta calma nos olhos e na atitude do nosso treinador. Um ar derrotado, depois de apresentar um onze só porque tinha de o fazer, sem vontade de incentivar alguns dos jovens do clube, sejam eles jogadores menos utilizados do plantel sénior ou alguns até da equipa B, que jogava quase à mesma hora mas que aposto um tomate que muitos dos rapazes dariam esse mesmo tomate para poderem jogar um bocadinho no escalão superior. Mas não, Nuno mostrou apenas mais um onze típico de alguém que nem pareceu muito interessado em jogar, quanto mais ganhar. E isso não é “ser Porto”. É só ser. E não chega.
(-) Felipe. Ui. Alguém está já com a cabecinha nas férias, não está, meu amor? Alguém está a sonhar com um jarralhão de mojitos e uma ou oito mulheres polinésias a abanar o cagueiro com uma saia de palha que mostra aquele ínfimo nível de nalguedo que deixa o povo a salivar…não está? Só pode, porque a quantidade de parvoíces que t fizeste hoje levou-me a pensar que o Stepanov ainda por cá andava e tinha acabado de deixar crescer uma barba simpática. Vai de férias, Felipe. Volta, oh por favor volta, mas por agora vai dar as tuas voltas e depois falamos. Sim, porque tens de pagar por teres, no fundo, oferecido ao Moreirense a permanência na Liga sem ser esse o plano. I think.
Fim de época. Fim de ciclo?
Ouve lá ó Mister – Moreirense

Companheiro Nuno,
Vão ser os noventa minutos mais difíceis da época, pelo menos para mim. Não consigo deixar de ver o FC Porto a jogar seja onde estiver, vou ver o jogo e vou torcer para a nossa vitória, porque por muito que deseje ver o Tondela a descer de divisão, a verdade é que quero ganhar todos os jogos em que a minha equipa participa. Chama-me fanático, obcecado pela vitória, triunfo-compulsivo, o que te apetecer. Mas é assim que vivo e é assim que também gostava que vivesses.
Ainda ontem de manhã discutia com um amigo (discussões ao sábado de manhã podem parecer exageradas – apesar desta ter sido amigável – mas é o que acontece entre portistas que não ganham nada há quatro anos), que me dizia que tu até nem fizeste um mau trabalho, que a equipa até jogou bem e se tivesse vencido os dois jogos em casa contra o Feirense e contra o Setúbal, tinha conseguido ser campeã. Verdade, disse eu, mas também não me esqueço que houve esses e outros jogos que podíamos e devíamos ter vencido e não conseguimos. Hoje, naquele que pode ser o teu último jogo com as nossas cores, vê se sais de lá com uma vitória. Mesmo que não fiques, ao menos não dormes com remorsos. Se é que vais conseguir dormir. Talvez consigas. Eu é que raramente o faço em condições quando perdemos.
Bom final de época para ti, Nuno. E até á próxima, seja onde for que estejas para o ano que vem.
Sou quem sabes,
Jorge
Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 1 Paços de Ferreira

Um jogo com tão pouco para ganhar ou perder acaba por ser um corolário lógico para uma época que nos trouxe momentos agridoces e que nos deixa com uma sensação de dever não cumprido. Vitória sobre o Paços por 4-1, com dois penalties a favor, várias decisões arbitrais discutíveis, uma táctica reinventada e uma clara separação dos adeptos perante a sua equipa. É apenas mais uma semana no tumultuoso mundo do Dragão. Vamos a notas:

(+) Otávio. Muito bem nas rupturas, na procura constante de uma linha de passe para um colega, aproveitando para ir ganhando terreno enquanto ela não aparecia. Merecia o golo que acabou por não conseguir marcar mas foi um elemento sempre imensamente activo e a marcar a diferença para Óliver na forma como consegue progredir com bola. Espero que faça uma época tremenda para o ano e seja vendido por noventa milhões para o Barcelona. What, posso sonhar, não?!
(+) André². Melhor que Otávio na primeira parte, foi-se apagando um pouco na segunda mas esteve em todo o lado com muita inteligência e capacidade de posicionamento acima do que tem vindo a fazer. Recuperou muitas bolas no meio-campo e ajudou a dinamizar o ataque enquanto teve pernas.
(+) Boly. Pode ter sido caro para o que jogou este ano, mas sempre que esteve em campo fê-lo com força, determinação e raramente teve falhas comprometedoras. Espero que fique para o próximo ano porque vamos precisar de gente com essas características, especialmente se pensarmos que apenas há três centrais no plantel sénior…e um deles tem mercado e do bom.

(-) NES. Na conferência de imprensa, NES deu os parabéns ao Benfica pelo campeonato. Vou repetir: NES deu os parabéns ao Benfica pelo campeonato. Depois do clube andar um ano inteiro a lutar contra os benefícios arbitrais ao Benfica, depois de todas as agulhas estarem apontadas ao agora tetra-campeão nacional para expôr o polvo e as ligações e os compadrios e todo o tipo de ataques que se fizeram ao clube rival, Nuno Espírito Santo, treinador do FC Porto, deu os parabéns ao Benfica. Se há exemplo de um homem que está desalinhado com as linhas condutoras do clube, é ele. E quem o mantém por lá não fica muito longe da bipolaridade.
(-) A cena com o Colectivo. Na altura não percebi o que se tinha passado e pensei que tivesse sido um protesto contra a direcção ou um memorial ao minuto X. Admito que a maior parte das vezes estou no estádio a ver o jogo e os eventos paralelos passam-me ao lado…como paralelos que são. Não liguei muito e apenas quando cheguei a casa percebi o que se tinha passado e…nem sei o que dizer. Se houve de facto censura interna à manifestação do Colectivo, é absurdo e só pode ter sido causado por exaustivamente termos andado a falar de Salazar durante tanto tempo que uma magia osmótica fez com que nos picássemos no fuso da roca dos outros. E é mais um exemplo que um clube que se quer unido acaba por disparar uma metralhadora nos pés nas alturas mais importantes, algo que tem vindo a acontecer, de uma forma ou outra, vezes demais nos últimos anos. Há que repensar algumas das atitudes que tomamos e especialmente o poder dado a algumas pessoas dentro do clube porque se uma cabeça toma decisões deste género, é sobre essa cabeça que cai a responsabilidade dos actos. Se as coisas se passaram da forma que li, este acto foi grave e é algo que me desilude de uma forma profunda.
Uma semana para acabar esta trampa e depois penso no que vou fazer a seguir. Começa a ser complicado manter a fé.
Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Companheiro Nuno,
Acabo de ver uma fabulosa conferência de imprensa de um puto que venceu uma competição europeia e que não consegue deixar de ser normal. Sem formatações excessivas, sem palavras empacotadas cheias de pequenos nadas, com um discurso fluido e directo e sem pensar muito no que vai dizer porque, francamente, não é preciso. Sabes porque é que não é preciso? Porque quando se é bom, as coisas saem de uma forma natural, orgânica, pura. E isso é tudo o que a tua/nossa equipa não conseguiu ser este ano e como tal acabou por ficar num segundo lugar que, apesar de acima das expectativas no início do ano, fica curto para o que poderíamos fazer se tivéssemos tido alguém a comandar a equipa com um discurso…pá, natural. Alguém que liderasse em campo e fora dele, alguém que estivesse no local certo a fazer a coisa certa. E tu, homem, não conseguiste ser natural na tua função e a equipa também pagou por causa disso. A responsabilidade não é só tua, é verdade, mas podias e devias ter feito mais. Hoje não peço muito. Uma vitória para dizermos “até já” ao Dragão e esperar que haja mais tino no próximo ano. Teu e de muitos outros.
Assim sendo fica a homenagem ao rapaz que me conseguiu fazer ligar a televisão no meio de um triunfo vermelho e branco e como ele fez (e bem) em inglês, vou usar a mesma língua para te dizer uma frase que ouvi pela primeira vez há muito tempo, em separadores no meio do Flying Circus dos Monty Python: GET ON WITH IT!
Sou quem sabes,
Jorge
