Ouve lá ó Mister – Moreirense

Companheiro Nuno,

Podem faltar noventa minutos para acabarmos a nossa participação na Taça da Liga deste ano e não podemos dizer que estamos a ser brilhantes na competição. Longe disso. E não sei se será hoje que vamos dar esse salto de qualidade extraordinário para conseguirmos ser notavelmente superiores ao…Moreirense, depois de não termos conseguido fazer o mesmo nem ao Belenenses nem ao Feirense. É neste nível que estamos a falar, Nuno, não serão propriamente Barcelonas ou Dortmundes, são equipas menores que não deviam sequer causar mossa numa equipa com algumas rotações na formação. Mas causam e continuam a causar e o povo continua sem confiar.

Aspiraremos a algo mais que um magro triunfo perante o Boavista verde? Ou seremos erguidos para uma rampa exibicional que passará pela eliminação da Juventus e terminará em crescendo numa vitória na Luz daqui a uns meses? Ou, em alternativa, teremos mais uma confirmação da forma inconstante da equipa e saímos de cena com a cabeça baixa mais uma vez? Tens a palavra, Nuno.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Feirense

Não foi o melhor regresso de férias nem tão pouco um bom jogo que o FC Porto fez hoje à noite no Dragão. Mas foi maisdo que suficiente para conseguir vencer um jogo que esteve tão inclinado para o nosso lado que a culpa para este empate só pode ser nossa. Temos de fechar os jogos mais cedo e nem as várias alterações explicam esta incapacidade de enfiar a bola na baliza de uma forma consecutiva até que o resultado esteja de tal maneira indiscutível que até podemos atirar com o Sá para ponta de lança. Vamos a notas:

(+) Teixeira. Não temos um novo Óliver, mas podemos ter uma alternativa interessante ao nosso espanholito maravilhosito. Rápido na finta, intenso no drible e no entendimento com os colegas, foi dos poucos a procurar o remate à entrada da área (junto com Ruben e Herrera, a fazerem o que os médios devem procurar sempre fazer quando possível) e agitou o jogo ofensivo da equipa enquanto aguentou. Baixou de produção na segunda parte e saiu para a entrada de Óliver. No futuro, talvez aconteça mais vezes o inverso.

(+) José Sá. Fez duas defesas extraordinárias, ambas pelo ar e a impedir que o resultado fosse ainda mais injusto. Continua a mostrar que é nos postes que se sente melhor e que a elasticidade e reflexos fazem dele um elemento activo e válido no plantel.

(+) O público. Quarenta e uma mil pessoas numa quinta-feira fria de inverno para ver um jogo contra uma equipa mediana a contar para uma competição desinteressante é um excelente número. Aproveitamos bem o regresso pontual de muitos emigrantes que decerto se deslocaram ao Dragão à espera de uma vitória e só podem voltar da próxima vez que por cá estiverem. Espero que com um melhor resultado.

(-) Fechar os jogos mais cedo. Não podemos continuar a ter tantas oportunidades de golo sem conseguir fechar os jogos. Não é possível criar tanto caudal ofensivo e não concretizar quase nenhumas das chances que criamos. O jogo parece fechar-se, a baliza tapa-se e começamos a horizontalizar tanto o jogo que a bola acaba por não conseguir chegar à baliza em condições. Não é um problema que tenha começado em Dezembro e apesar da expectável falta de entrosamento dos rapazes que hoje estiveram em campo, foi mais um jogo em que não conseguimos acabar com o jogo em tempo útil e lixamo-nos à grande.


Dois jogos, dois empates, apuramento a meio. Temos de vencer o Moreirense e esperar que o Belenenses não vença o Feirense. Enfim, mais matemática, nada a que não estejamos habituados…

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Ouve lá ó Mister – Feirense

Companheiro Nuno,

Espero que tenhas tido um Natal impecável, com bom vinho a acompanhar uma bela refeição, miudagem com prendas (os que se portaram bem, claro) e boa disposição em geral. Não sei se posso dizer que o mereceste totalmente, mas haja esperança num futuro melhor e se essa esperança se pode manifestar nalgum momento, que seja no Natal. Dito isto, vamos a assuntos mais importantes: a bola.

Já sabes que nem eu nem a grande maioria da malta se importa muito com a Taça da Liga. Sim, é uma competição nacional que até dá um prémio monetário jeitoso mas ninguém se preocupa muito com isso a não ser que esteja na final, um bocado como a Taça, a verdadeira e original. Mas como já fomos corridos dessa, talvez tenhamos de ligar um poucochinho mais a esta só para não parecer mal seres eliminado já de mais uma competição. É que só faltam mais duas e numa delas vamos a alguns pontos do primeiro, para não falar da outra onde vamos jogar contra um clube que…vá, digamos que o histórico não é o mais favorável para nós, correcto? Por isso tenta não desprezar em completo este jogo e ao menos dá uma alegria à malta que lá vai estar hoje no Dragão a apoiar-te e aos teus. Não contes comigo que estou a tentar dar um pontapé na gripe ou resfriado ou constipação do tamanho dos Clérigos que se abateu sobre mim desde o Natal. Dá-me uma alegria a mim também, sim? Agradecido.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Chaves

Há jogos assim. Certo, já usei esta frase várias vezes este ano, especialmente quando tentávamos acertar na baliza e parecia mais fácil fazer uma cratera na Lua com um ponteiro de laser a partir da minha varanda. Mas este foi um jogo estranho, com uma primeira parte muito má e uma segunda parte muito boa, ao mesmo tempo que o Chaves mostrou tudo o que uma equipa pequena tem de ter para tentar roubar pontos a um grande: intensidade, contra-ataque rápido, garra, capacidade tremenda para anti-jogo e a complacência do árbitro para que isso aconteça. Pesando os prós e contras, a vitória é justíssima e só podia ser nossa. Vamos a notas:

(+) Casillas. Iker salvou o FC Porto hoje, muito à imagem do que tinha feito no jogo do ano passado na Luz. Um jogo tremendo, com celebrações conjuntas, uma defesa quase impossível, outras de elevadíssimo nível e uma presença sempre permanente no comando da defesa e da equipa. Os campeões são feitos disto mesmo, de jogos complicados onde brilham e mostram porque têm o nome nos livros de histórias até à eternidade. Grande.

(+) Maxi. Lutou, atacou, conquistou terreno contrário como um mouro (historical pun intended) e esteve sempre na busca de um melhor resultado. Apanhou com adversários pouco complicados na defesa, o que fez com que ajudasse bem nos ataques da equipa, acabando num deles a sofrer um abalroamento não autorizado que devia ter sido causa justa para penalty. Não foi porque Vasco Santos fez vista mais grossa que as pernas do central que abalroou o nosso defesa direito.

(+) Os golos. Danilo devia procurar aparecer à entrada da área para criar desequilíbrios e rematar, ou pelo menos tentar fazê-lo. Já Depoitre fez talvez o melhor jogo com a nossa camisola, com uma cabeçada a enviar a bola com a força de sete Guaríns chateados para dentro da baliza. E ambos chegaram no melhor momento possível.

(+) O público. É tão fácil não assobiar os nossos, não é? Quando todos funcionamos unidos num objectivo comum, com a equipa em campo a ajudar mesmo quando não joga bem mas que dá imagem de trabalho e empenho contagiando a audiência. Trinta e cinco mil no Dragão a uma segunda-feira à noite é uma boa casa e com o frio que estava foi uma agradável surpresa depois da miséria da assistência contra o Marítimo. E esses trinta e cinco mil levaram a equipa às costas com apoio de início a fim. Gostei de ver e de contribuir.

(-) Zero de empowerment nas substituições. Nuno toma uma de duas opções possíveis quando se vê perante um resultado tremido: a mais fraca. Retira jogadores criativos e coloca organizadores defensivos, atrasa a equipa e age como um treinador de equipa pequena, partindo-a entre blocos de defesa e contra-ataque, que no fundo acaba por dizer à equipa que não confia neles o suficiente para os manter em campo até ao fim, procurando em alternativa minimizar a possibilidade do adversário criar estragos. A outra opção seria a de manter os homens em campo, fomentando a união e convencendo-os de que são capazes de manter um jogo consistente, organizado e controlando o jogo com ou sem bola mas com a estrutura assente nas mesmas peças, trocando um ou outro jogador por homens que façam o mesmo papel. Talvez não sinta que tenha profundidade suficiente no plantel para esse approach, mas desagrada-me que estejamos sempre a fazer figura subalternizadora em momentos críticos do jogo.

(-) A primeira parte. Estava a enervar-me tanto ver aquela equipa em campo. Tudo corria mal, desde as fintas consecutivamente mal inventadas por Corona às impossíveis combinações de Jota e André, passando pelas cabeçadas tortas de Felipe e pela incapacidade de Brahimi em endossar a bola a um companheiro depois de passar pelo defesa. Tudo em esforço, tudo com pouco discernimento e uma incrível falta de sorte que parecíamos condenados ao regresso da seca. O golo do Chaves é prova disso mesmo porque tudo lhes corria bem, em completo contraponto com o que nos ia acontecendo. Óliver corta a bola para trás e Felipe escorrega sem a conseguir alcançar, onde o avançado do Chaves a recupera, inclina para o interior e remata, a bola ressalta em Danilo e passa metros por cima de Casillas, entrando na baliza. Enervante. Impossível. Azarado.

(-) Aquele penalty sobre o Maxi…é tão evidente e foi de tal maneira ignorado pelo árbitro que se vestíssemos um rinoceronte com um fato de rena e lhe puséssemos um nariz vermelho aposto que Vasco Santos continuaria a dizer que era o Rodolfo.


Dois jogos complicados, duas vitórias arrancadas com garra, algum saber e muita, muita vontade. Agora, férias. Não 100% merecidas, mas esperemos por melhores momentos depois delas acabarem. Ou pelo menos momentos mais tranquilos. Boas férias, rapazes!

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