Ouve lá ó Mister – Lille

Señor Lopetegui,

Parece que ainda aqui estivemos, neste mesmo sítio, a dizer as mesmas palavras, aqui há uma semana. O título era idêntico e tudo, já viste?! Mas a disposição, essa está um bocadinho diferente. Não para pior, não penses isso, apenas mais confortável do que estava na semana passada, porque aquele golinho do Herrera pode ter ajudado e muito a colocar a malta na fase de grupo da Champions e limpou-te a primeira gota de suor “à animé” que podias pensar em verter da tua testa. Mas o trabalho ainda não está terminado, meu caro, por isso mãos à obra e vamos perceber o que temos de enfrentar hoje.

Os gajos são rijos. Já viste isso na semana passada, gostam muito da pisadela e do empurrão, são daqueles que a malta gosta de mandar abaixo com estrondo, se percebes o que quero dizer. E vi os teus moços com calma suficiente para perceberem que era essa a táctica do adversário e que não precisavam de baixar a esse nível. Continuaram a jogar o que sabem e lá marcaram e lá ganhámos e isso é que importa. Não interessa nada se os gajos são melhores que nós – neste caso, não são mesmo – mas mesmo que sejam, a mentalidade é que é preciso estar sempre em modo-vencedor. Hoje, quando entrarem em campo, lembrem-se dos jogos contra franceses no nosso passado. Da vitória em Lyon, a outra nas Antas contra o Marselha, naquele jogo sofrido com o Drogba a ganhar tudo que era bola aérea nos últimos vinte minutos. Mas lembrem-se do Nantes, que nos deu água p’la barba, e do Paris Saint-Germain, esses estupores que já nos lixaram várias vezes. Já sei que a malta não tem grande experiência (afinal, quando vi o primeiro jogo do FC Porto ao vivo contra uma equipa francesa, o Nantes, em 1995, o Ruben Neves era um brilho nos olhos do pai e o Óliver ainda andava de fraldas…), mas é preciso começar a meter-lhes na cabeça que aqui não há empatanços. É sempre, mas sempre para ganhar.

Tenham noção da nossa história e foquem-se em ganhar o jogo. Porque as minhas 3ªs e 4ªs têm de levar hino de Champions e o FC Porto tem de lá estar. E eu. E todos nós. E vocês também.

Sou quem sabes,
Jorge

Link:

Old habits die hard

No site oficial do Lorient: http://www.fclweb.fr/info/flash_info/vincent-aboubakar-s-engage-au-fc-porto

aboubakar_lorient

Uma venda, anunciada no site. Com desejo de boa sorte para o jogador no seu novo clube.

No site oficial do West Bromwich Albion: http://www.wba.co.uk/news/article/porto-winger-varela-seals-hawthorns-move-1863303.aspx

varela_wba

À hora que escrevo este post, nada no site oficial sobre Varela.

Nova temporada, os mesmos hábitos. As redes sociais proliferam em posts e tweets. Informação oficial, no único canal web que a pode transmitir, nada. Amadorismo, com um soupçon de desrespeito para com o jogador e os sócios.

Link:

Baías e Baronis – Paços de Ferreira 0 vs 1 FC Porto

211661_galeria_p_ferreira_v_fc_porto_primeira_liga_j2_2014_15.jpg

Ao contrário do que dizia Freitas Lobo, no final da partida, não acho que tenha sido um grande jogo de futebol. Foi um jogo sofrível, com uma equipa a jogar na retranca durante 45 minutos enquanto que outra, ainda a atravessar uma fase de construção que vai durar meses até chegar a porto seguro, tentava tudo o que podia, com calma mas empenho, para furar os onze mânfios que jogavam em 30 metros. O golo foi o momento alto de uma partida que não deixa saudades mas que vencemos com mérito apesar de praticarmos um futebol que, a espaços, fez lembrar o segundo ano de Vitor Pereira. Chato, mas eficaz. Três pontos, é o que interessa. Vamos a notas:

(+) Casemiro. Posicionamento impecável na saída da bola a partir da defesa, nunca será um trinco à antiga (definindo “antiga” como: desde os anos 90) mas talvez seja exactamente o que precisamos para aquela posição de arranque de lances ofensivos. Ruben é melhor em posse mas Casemiro dá mais corpo e uma acuidade defensiva mais acertada, apesar de raramente aparecer nos últimos trinta metros com a bola controlada, preferindo rodá-la para os flancos sempre que possível. Excelente técnica, bom nos passes longos, mostra um discernimento acima da média e entende-se já bem com os centrais, essencial para garantir boa cobertura do terreno. Ah, e parece estar todo o jogo a sorrir. Kinda creepy.

(+) Evandro. Às vezes, as coisas mais simples são as mais interessantes e as mais eficientes. Evandro mostrou isso mesmo, já depois de Ruben Neves o ter feito em Lille, que não é preciso jogar cheio de fintas e corridas loucas para mostrar que um jogo de futebol é 10% inspiração e 90% transpiração. Pelo menos na sua zona do terreno e para a grande maioria dos jogadores. Foi sóbrio, prático, com sentido de conjunto e a trabalhar para que a equipa pudesse jogar sem que notasse a sua presença. Lembrou-me um pouco do que Defour poderia ser, se tivesse a cabeça no sítio durante a maioria dos jogos que por cá fez…

(+) O lance do golo. Impensável de acontecer em 2013/2014, apesar dos três intervenientes terem feito parte do plantel no ano passado. Três jogadores com técnica acima da média, três toques de pé esquerdo, três excelentes componentes de um lance que tem tanto de simples como de estupendamente bem executado. A bola é atrasada para Alex Sandro que sem a dominar coloca na direita para Quintero, o puto recebe a bola na perfeição, adianta-a meio metro e cruza para o outro lado da área onde Jackson encosta de primeira para a baliza. Faz lembrar o puto que responde à tradicional pergunta do “2+2=?” com 4, ao que a professora responde: “Muito bem”, para receber a resposta do miúdo: “Muito bem, nada. Perfeito!”.

(+) A multiplicidade de escolhas. Sai Tello, entra Quintero. Sai Evandro, entra Óliver. Sai Ruben, entra Herrera. Quaresma e Danilo nem foram convocados e Brahimi ficou no banco. A quantidade de opções à disposição de Lopetegui assusta em termos de qualidade (uns mais que outros, é verdade, mas nenhum destes nomes pode ser considerado fraquinho) e se a rotação pode ter arrancado um pouco cedo, a verdade é que podemos estar relativamente descansados em termos de quem pode ou não jogar. É que ao forçar este tipo de escolhas, Lopetegui está ostensivamente a mostrar aos jogadores que todos vão poder jogar numa ou noutra altura e que todos têm de estar preparados para ficar no banco ou na bancada de vez em quando. Ou, pelo menos, foi assim que li as decisões do treinador.

(-) A condição física, principalmente dos “velhos”. Vi um Alex Sandro que parecia cansado ao fim de quarenta minutos, um Herrera que pareceu entrar sem força e com os tradicionais blackouts que marcaram a época passada, um Quintero a abanar demasiado a cabeça a meio da segunda-parte e um Adrián sem poder de explosão nem capacidade de arranque. A pré-época foi dura, com muitos dias a terem três treinos e as cargas físicas foram, ao que parece, bem pesadinhas. Compreendo que se comece a rodar o plantel mas quero acreditar que as pernas dos rapazes vão aguentar até chegarmos à fase de grupos da Champions, porque aí ninguém vai pensar na pré-época e nos três treinos por dia. Aí, é a doer, e se a rotação pode servir para ajudar, não explicará se os rapazes não correrem por falta de pernas…

(-) Mais uma vez, pouco jogo na área e poucos remates. Sim, o Paços enfiou dois comboios cheios de gado nos últimos vinte metros. Certo, o nosso meio-campo ainda não está oleado. Ok, os extremos eram ambos novos, um deles esteve off e o outro estourou-se ao fim de meia-dúzia de minutos. Mas a bola chegou poucas vezes a Jackson em condições de remate, Quintero preferia quase sempre fintar mais um, Ruben agarrou-se em demasia à bola e Casemiro parece ter medo da baliza. Há que trabalhar mais e melhor para colocar a bola na área com maior eficiência, ou pelo menos para assustar mais o guarda-redes contrário.

(-) Adrián. Muito pouco para um nome tão grande. Passou muito ao lado do jogo e nas poucas oportunidades que teve, não mostrou capacidade no 1×1, não se entendeu muito bem com Alex Sandro e raramente foi perigoso para a baliza adversária. É certo que ainda é cedo e que vai haver muitas oportunidades para jogar e brilhar, mas para um homem com tanto talento fazer recordar tempos de Mariano González…não terá sido o melhor arranque, fico-me por aqui.


Dois jogos do campeonato, duas vitórias, zero golos sofridos. Em Agosto, não peço mais.

Link:

Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Señor Lopetegui,

Vai aí um rebaubau-pardais-ao-ninho que mais parece que anda tudo numa alcovitice doida. Bocas sobre avançados, porque o Jimenez afinal não vale os dez milhões e o Clasie se calhar já não vem ou até já o vi a comprar uma casa em Valadares mas o Aboubakar chumbou nos testes porque lhe fizeram o carbono-14 e afinal tem a idade de uma sequóia adulta, mais o Quaresma que chamou anão estúpido ao Rui Barros ou afinal não foi nada disso mas parece que até foi e nem sei se houve cena ui parece que andaram todos ao molho como é que sabes isso sei lá não vi o que se passou mas disseram-me e olha que é um gajo que até sabe das coisas…e por aí fora.

Don’t care. O que me interessa é a bola e devo-te dizer que gostei do jogo com o Lille. Gostei da organização e da mentalidade, apesar do futebol ter sido fraquinho e com poucas oportunidades, mas ainda assim o que interessa nestes jogos é mesmo um gajo chegar-se à frente e entrar em campo com a cabeça no sítio e focada no resultado. E hoje tem de ser a mesma coisa, porque começar a perder pontos tão cedo no campeonato é uma atitude de sportinguização que não me assenta mesmo nada bem. E independentemente da convocatória e das tuas escolhas, acredito que estamos todos convencidos que o resultado vai cair para o nosso lado. Mas deixa-me que te diga (comecei a tratar-te por tu, espero que não leves a mal) que a ausência do Quaresma, seja lá por que motivo possa ter sido, não me incomoda muito. A do Danilo, sim, essa acho estranha. Já está cansado, o rapaz? É que usar o Ricardo a defesa direito devia ser uma solução alternativa de última hora, daquelas que se fazem a meio da época quando o titular está de rastos e o suplente lesionado ou castigado ou parecido…fazer isso no segundo jogo do campeonato parece-me exagerado, mas tu é que sabes.

Acima de tudo, como disse, é preciso entrar com a cabeça no sítio. E depois meter a bola no Jackson. O Jackson resolve. Acredita.

Sou quem sabes,
Jorge

Link: