Lá em casa mandam eles

Em Junho de 2013 tive o prazer de conhecer pessoalmente a C. Sem peneiras, de discurso simpático, assertivo e agradável, foi uma das participantes do II Encontro da Bluegosfera, onde mostrou que o portismo não tem idade, morada ou número de polícia.

Aqui há uns tempos, soube que estava a preparar o lançamento de um livro sobre o blog que gere com o gajo dela (Esposo. Cônjuge. Amantizado. Marido. Mouro. M. É, ficamos por M.), adepto tão ferrenho quanto a C. mas pelo lado do Mal. E como me habituei a ler as aventuras dos mesmos ao longo dos anos, sempre me pareceu intrigante que não houvesse já um livro nas bancas, pelo que só consigo entender a sua aparição pela criação da massa crítica que leva a que um Benfica campeão massifique o interesse no futebol neste país. E a C., que sofre tanto como eu neste tipo de lamentos clubístico-caseiros, porque também tem de chegar a casa com a lágrima a cair pela face depois de um ou outro desaire da nossa equipa (com maquilhagem mais borrada que a minha, presumo), lá terá que aguentar um arranque da sua vida literária de uma forma menos entusiasmante do que seria previsível. Enfim, coisas da vida que nós, que aturamos infiéis no nosso próprio ninho, sabemos bem como doem. E ao mesmo tempo, pelas empatias e alegrias conjuntas, também sabemos ultrapassar.

Assim sendo, fica a sugestão e a oportunidade de vencerem um exemplar do dito, bastando para isso participar neste passatempo, onde a resposta a duas simples perguntas garante a entrada para uma tômbola virtual de onde vou sortear um nome de um(a) felizardo(a) que irá receber em casa um exemplar do livro! É só clicar no link aqui abaixo:

PASSATEMPO “LÁ EM CASA MANDO EU”

O livro é bom, como seria de esperar. A prosa escorrega pelos seus dedos como sempre fez, com natural e reconhecido sentido de humor, uma excelente forma de percebermos que podemos todos ser tão ferrenhos como quisermos. Desde que percebamos que por detrás dessa loucura, há outra ainda maior: o amor. Bate esta, Nicholas Sparks!

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Baías e Baronis – Benfica 3 vs 1 FC Porto

Dói, dói muito. Dói mais porque a eliminatória esteve ali, ao nosso alcance, por muito que possam reclamar de penalties e jogo rijo e perdas de tempo e fitas. Ali, naquele relvado, estão os culpados de mais um naufrágio nesta eterna travessia do longo oceano de adamastores que se transformou esta temporada. Ali, onde no passado saímos tantas vezes de cabeça erguida para os céus, a mostrar a força da nossa identidade, da nossa imagem, do nosso querer, foi onde caímos com estrondo, sem que tivéssemos tido a cabeça e o coração para evitar a queda. O Benfica venceu bem, foi melhor, mais eficaz, mais inteligente, mais equipa. Nós, ficamos com a imagem de um conjunto de jogadores fracos na cabeça, lentos nos pés e amorfos na alma. Dói, vai doer mais durante meses…e esta puta desta época nunca mais acaba. A notas:

(+) O golo de Varela. Na única vez que Silvestre conseguiu fazer alguma coisa de jeito, foi brilhante. Esqueçamos que passou o resto do tempo em campo a tentar receber bolas pelo ar enviadas pelos colegas ou a fugir da marcação dos adversários sem que conseguisse produção ofensiva digna de um shot de limoncello. O golo é dos bons, desde a finta de corpo à aceleração em flecha para a área, acabando com um remate perfeito pelo meio das perninhas de Artur. Pena que não tivesse feito mais nada durante todo o resto do jogo.

(-) Oh meu Porto da eterna mocidade. O jogo do Dragão ficou marcado por uma terrível falta de eficácia, que nos deixou à mercê do adversário. Hoje, foi a constatação mais evidente de que uma eliminatória a duas mãos tem de ser encarada no primeiro jogo como se todos os lances fossem o último, para que a vantagem possa ser suficiente para aguentar a enxurrada da segunda mão. Não o fez e deixou assim o ónus dessa ineficácia para ser colmatado com uma exibição mais eficiente neste jogo. Sabendo disso, a equipa entrou em campo com algum medo e até Siqueira ter sido (bem) expulso, pouco ou nada fez para tentar marcar um golo. Apanhando-se em vantagem numérica, mandou no jogo. Pegou na bola, rodou-a, criando pouco perigo, mas com a eliminatória empatada cheguei a acreditar que com mais alguma acutilância e velocidade pelas alas, as coisas podiam sorrir para o nosso lado. Veio o golo, de força, de garra, por um homem que nada tinha feito até então mas que poderia servir para agrupar as forças, reunir mais confiança e acabar com o inimigo de uma vez por todas. E…nada. Nada. Um enorme vazio apoderou-se de todos os jogadores, com uma incapacidade de imberbes coitados, sem capacidade para trocar a bola com perigo, perdendo duelos após duelos, desperdiçando lances ofensivos consecutivos em fugazes tentativas pelos flancos, em zonas de debilidade tremenda, sem apoio ofensivo, sem overlaps, sem mentalidade de vitória. Luís Castro não ajudou, tremendo pela primeira vez desde que o vi, enfiando Josué para parar o jogo quando apenas um golo separaria o Benfica do Jamor. Também ele teve medo, medo de uma equipa a jogar com dez, medo de um ataque avassalador de uma equipa com menos um homem, medo do que podiam os outros fazer sem acreditar no que nós conseguiríamos atingir. Josué em campo em vez de Ghilas ou Quintero. Medo, nas faces, nas expressões, nas pernas. Medo de onze contra dez. Mas foram dez homens comparados com onze meninos, dez jogadores contra onze pirralhos medrosos de tudo, desconfiados deles próprios e com a fibra competitiva de uma folha de gelatina ao vento. Quaresma, que caiu nas manhas de Maxi durante todo o jogo. Herrera, que desapareceu sem sequer ter aparecido. Jackson, perdido no meio dos centrais sem que a bola lhe chegasse. Fernando, fraco nos lances divididos (sim, até tu, Reges!). Danilo, a dar mais espaço a Gaitán que um merdas de um lateral de uma equipa amadora. Alex Sandro, sem força nem altura nem posicionamento no golo de cabeça de Sálvio. Fabiano, com culpas no primeiro e no terceiro golo. Mangala, trapalhão e permissivo. Enfim. Tantos e tão poucos, é o que somos. Uma equipa é bem mais que a soma das suas partes e o FC Porto, este ano, poucas vezes tem conseguido ser uma equipa. E isso, meus caros, é o que mais dói. Perder na Luz dói sempre, mas quando se perde desta forma pouco há a dizer e estico-me nesta prosa solta e desligada porque a tristeza vai assumindo a proporção habitual cá dentro e o discurso sai pouco fluido, como o nosso jogo. Já houve tempos em que apagámos a Luz. Hoje, fomos nós que nos apagámos Nela.


Só uma pequena nota: perdemos o campeonato para o Benfica, a Taça para o Benfica e também podemos ter perdido a Liga Europa que o Benfica pode vir a vencer. E a Taça da Liga? Esse miserável troféu…perderemos também para o Benfica?

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Ouve lá ó Mister – Benfica

Estimado Professor,

A tradição vai-se cumprir mais uma vez e vou voltar a ver o jogo fora de casa. Eu e um grupo de amigos vamos até um tasco qualquer, rodeado de portistas, boa cerveja e uma (espero) impecável francesinha, onde a degustação da ambrósia de malte e da mais extraordinária construção de carne em camadas vai com toda a certeza impelir a nossa celebração para níveis estratosféricos. Isto é, se os seus rapazes não me fornicarem o que tudo aponta possa ser uma bela noite de quarta-feira.

Já vi a lista de convocados e o Kelvin ficou de fora. É um comportamento louvável da sua parte, caríssimo, permitir que os infiéis não necessitem de ter medo de olhar para o relógio quando chegar o minuto 92, pelo que compreendo a decisão. Mas a marca mais evidente desta convocatória é mesmo a ausência de Abdoulaye. O rapaz não tem estado bem mas neste tipo de jogos pode dar muito jeito, especialmente se for preciso mandar um ou dois para as urgências (por precaução, podem vir dormir a casa sem problema e sem curativos, que eu não advogo a violência a não ser que se trate do João Pereira), por isso acho estranho que um jogo deste nível não tenha merecido da sua parte este tipo de atenção. Enfim, ainda há gente de bem no mundo.

Assim sendo, meu caro, estarei de fino em punho, a assistir a mais uma tremelicagem da nossa malta. Conto com a calma de Mangala e Cª na zona recuada, com a força do Fernando, do Defour e do (inserir-gajo-que-vai-jogar-aqui-porque-eu-já-não-faço-apostas) no meio-campo e com a capacidade criativa do Varela e do Quaresma para alimentarem a eficácia do Jackson. Agora vou ali ao lado ver se há unicórnios a comer os meus trevos de doze folhas.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Braga 1 vs 3 FC Porto

Para jogo de pré-época tinha sido um espectáculo agradável. Alguns jogadores que nunca jogaram juntos, uma defesa que até nem meteu muita água, um meio-campo com um jogador a jogar com um décimo de gás, outro invisível até marcar um golo (talvez seja uma estratégia…) e ainda outro que tentava tudo e raramente lhe corria bem. Ah, e um ataque que já venceu um troféu este ano. O ritmo foi baixo demais e houve jogadores que estiveram em Braga a passar tempo até o jogo grande de quarta-feira, que se torna cada vez maior quando comparado com o que resta desta temporada que tarda em terminar. E ainda houve tempo para Abdoulaye confirmar que está de saída do clube. Depois de tantos jogos em tudo iguais a este…não haverá outra forma de ver a carreira do senegalês. Notas, num formato um bocadinho diferente, abaixo:

(+) Quintero, pelo golo. Não tenho dúvida que tem talento. Oh se tem. Mas no golo que marcou foi evidente a capacidade de tirar três homens do caminho e fazer com que o guarda-redes não fizesse a mínima ideia para onde a bola iria ser colocada. Eduardo, naquele momento, só percebeu que a bola ia entrar, só não sabia por onde. Tem um toque de bola tão acima da média da equipa que devia ser obrigado a dar aulas práticas a Licá até que o guedelhas começasse a ter de comprar aqueles champôs com cheiro a morte para evitar a queda.

(+) Victor Garcia, pela estreia. Tenho-o visto todas as semanas pelos Bs e não me desiludiu no jogo de estreia pela equipa principal. Afoito na subida pelo flanco, prático a recuar, estável no controlo de bola e sem inventar como Danilo, que nesta altura acaba por ser um ponto positivo na estabilidade da exibição de uma equipa que treme quando perde a posse de bola. Ah, e finalmente alguém que sabe (ou tenta saber) como cruzar uma bola, porque ofereceu dois golos a Jackson e Carlos Eduardo direitinhos para as cabecinhas dos rapazes. Gostei, como tenho vindo a gostar desde o início do ano.

(+) Maicon, pela pachorra. Jogar ao lado de Abdoulaye é equivalente a pisar um campo minado na Bósnia em 1992: nunca se sabe o que vai acontecer quando se vai alegremente saltitando pelo relvado. Ainda assim, o capitão (sim, leram bem) esteve em bom plano, sem inventar bolas ridículas como noutros tempos e dando suficiente segurança à zona recuada, tirando ainda tempo para limpar algumas imbecilidades do colega do lado.

(+) Josué, pela entrega. É verdade que acerta um em cada oito passes para a frente (não fiz as contas, mas não deve fugir muito desse rácio), mas correu imenso e funcionou como um verdadeiro médio-volante, sempre a levar a bola para a frente e a fazer, mais uma vez, o que Carlos Eduardo ainda não entendeu que tem de fazer: criar espaços e ter a bola nos pés mais de meio minuto por jogo, ou em alternativa tentar fazer alguma coisa com ela.

(-) Abdoulaye, por quase tudo. Andou o jogo todo a fazer parvoíces mas a maior de todas foi mesmo a forma como facilitou pela enésima vez, com o guarda-redes na sua plena linha de visão, podendo atrasar a bola ao rapaz…mas decide fazer uma finta de corpo para o centro enquanto corria com o esférico controlado NA DIRECÇÃO DA BALIZA, perdendo a bola para Rafa que felizmente rematou fraco para Fabiano defender com facilidade…*sigh*…mas esta foi apenas um entre muitos outros lances em que um jogador da sua experiência já devia conseguir discernir pela melhor opção possível. E Abdoulaye não o faz, de uma forma consistente e enervante. Chegando ao final da época…é reunir com ele numa sala e dizer: “it’s not me. it’s really you.” E acabar a relação sem que nos tornemos a ver com a mesma camisola.

(-) Licá, pela técnica. Dizia-me um amigo por mensagem que este rapaz, bem como Josué, Carlos Eduardo e Abdoulaye podiam ficar já em Braga porque não tinham espaço no FC Porto. Não discordo de dois ou três nomes, mas eu até gosto do Licá. O rapaz esforça-se e podia funcionar bem em situações de contra-ataque e jogos em que temos de alinhar mais fechados atrás e com malta rápida na frente. Mas mandava-o ao médico primeiro. Há qualquer coisa de errado naqueles pés porque o rapaz é incapaz de controlar a mais banal das bolas que lhe são enviadas e perde tantas jogadas de ataque antes delas começarem que enerva qualquer pessoa. Para lá disso, até parece bom moço.

(-) Fernando, pelo ritmo. Há algumas coisas que detesto ver nos jogos do FC Porto desde aqui há uns anos: Helton a brincar com os avançados, Maicon a fazer passes longos a mais e Fernando a jogar sem interesse. É terrível para a equipa porque sente que o ritmo nunca vai poder ser o de um jogo normal mas é ainda pior para os adeptos, que vêem um rapaz que sabemos ter a fogosidade de doze Jayne Mansfields nos seus tempos mas que neste tipo de jogos…mais parece um Bolatti a Xanax.


Enfim, uma vitória e mais três pontos na luta pelo segundo lugar (amigos, até ser matematicamente possível…yadda yadda) que é na realidade o segurar do terceiro. Pensar que estamos a lutar por meia-dúzia de pontos contra o Estoril já é mau. Perceber que estamos em desvantagem no confronto directo ainda é pior.

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