Ouve lá ó Mister – Sporting

Estimado Professor,

Imagino como deve ter sido a sua semana, mas fique já a saber que andei mais ocupado que uma putéfia com cinco snaitas. O meu caríssimo amigo não andou a trabalhar menos que eu, com considerável pressão que resultou, estou certo, numa sensação de dever cumprido que passou para os adeptos deste seu clube de uma forma que já não esperávamos fosse possível este ano. E a culpa é, em parte, sua. E como já tratou de devolver alguma esperança a uma época moribunda, que tal continuar com o trabalho? Essa terá sido talvez o melhor resultado destes dois últimos jogos em que o tivemos ao comando da embaração: antes o desespero era grande e a descrença quase completa. Agora, como a fé do povo é volátil e surge quando menos se espera, já se começa a crer que temos hipótese de fazer um bom jogo em Alvalade e sair de lá com os três pontos.

O Sporting passou a semana num exercício público de auto-comiseração e tentou reunir todo o apoio que pôde antes deste jogo. As lágrimas falsas que jorraram dos olhos do colectivo verde foram suficientes para encher quatro ou cinco albufeiras do Alqueva e aquele lagartismo tão tradicional fez-se sentir mais forte que nunca. E todos lhes deram capas de jornais, com o enfoque necessário no protesto pelo doce perdido, pela tristeza do preconceito e pela infelicidade do prejuízo. Chuiff. E, se me permite, só gostava que fossem severamente prejudicados dentro de campo pela ausência de futebol da parte da sua equipa, ao mesmo tempo que eram cilindrados por uma excelente exibição da nossa. Depende de si, depende dos seus e depende da sorte. Vamos fazer com que todos esses vectores se alinhem para a nossa vitória.

Estamos a torcer, Professor. Não há duas (vitórias) sem três (vitórias)…

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Napoli

Enquanto passeava pelos arredores do Dragão, nas horas que antecediam a partida, acompanhado por um grupo de vários lusos e quatro americanos, que por cá andam a trabalhar no mesmo sítio que eu e que acedi a acompanhar até ao jogo, ia vendo o ambiente e dizendo aos estrangeiros: “não me parece que seja um jogo especialmente bonito e bem jogado. vai ser duro mas acho que vão achar que a atmosfera dentro do estádio vai ser morna e que o jogo em si não vai ser nada de especial.”. Estava, como é hábito, completamente equivocado. Foi um jogo tenso, difícil, com um Nápoles firme e prático nas trocas de bola e com extrema facilidade em lançar bolas nas costas dos nossos defesas. Mas o FC Porto, este FC Porto de Luís Castro que começa a mostrar algo de diferente do de Fonseca, este FC Porto parece diferente, mais audaz, mais inteligente e acima de tudo muito mais lutador. Fomos homens, hoje, fomos gente a sério e conseguimos uma vitória (a primeira na Europa este ano) com alguma sorte e azar à mistura para os dois lados mas que nos pode embalar para um final de época bem melhor que o arranque. Vamos a notas:

(+) Defour. Aplaudi-o de pé quando Luís Castro o tirou e fez entrar Herrera, que o afastou do onze durante muitos (demasiados?) jogos. Steven esteve em grande, a lutar todo o jogo num meio-campo que foi mais móvel pela sua presença. E que presença, amigos, porque o estupor do tolinho andou a correr em todo o lado como se Derlei e Lisandro tivessem sido juntos e fechados num invólucro de chocolate belga. Esforçou-se imenso e deu o impulso de força e de combatividade que o nosso meio-campo tão desesperadamente precisava há alguns MESES a esta parte. Os últimos dois jogos que fez pelo FC Porto foram talvez os melhores que já o vi a fazer com a nossa camisola e só espero que as pernas aguentem e este derradeiro push do rapaz para ser convocado para o Mundial seja premiado com o mérito que ele está a fazer por merecer.

(+) Espírito de sacrifício e luta. Já tinha saudades de ver um FC Porto a fazer pressão, não muito alta mas constante na intercepção de linhas de passe e acima de tudo no posicionamento e reposicionamento do meio-campo (a defesa é outra história e vai dar muito mais trabalho a reestruturar, táctica e mentalmente) mas também na entre-ajuda das peças no relvado. Apesar de Carlos Eduardo parecer um elemento perdido quando temos a bola e Varela ter estado num jogo diferente dos colegas, o resto da equipa esteve sempre a um ritmo muito alto e sem fugir às responsabilidades de uma eliminatória europeia contra um dos melhores clubes desta competição. Estaremos a recuperar o “velho” FC Porto? O tempo o dirá.

(+) O público do Dragão. O Dragão não encheu, longe disso, mas a forma como o público apoiou a equipa desde o início do jogo foi notório, como se uma nova simbiose estivesse a ser encontrada entre equipa e adeptos, muito por culpa dos jogadores e da forma como o treinador mostrou que queria vencer o jogo por mais que um golo, mostrando-o bem nas substituições que fez. O povo gostou e mostrou que percebe o estado da equipa, apoiando-os sempre que um lance do Nápoles causava mais perigo para Helton (bom jogo apesar de uma ou duas tradicionais parvoíces que o capitão tende a cometer em jogos europeus) e incentivando o grupo nas saídas para o ataque. Houve muitas bolas trocadas entre os laterais e não ouvi um único assobio. Gostei.

(+) Reina. Vai. Defender. Ao. Caralho. Se não fosses tu, o Fernando tinha marcado um golo extraordinário, meio segundo depois de eu gritar: “não chutes, foda-se!”. Chutou. E o ‘panhol defendeu. Cabrón.

(-) Varela. Esteve em campo? Não o vi, sinceramente, porque estava tão entusiasmado a ver o FC Porto a movimentar-se tão bem com as peças distribuídas elegantemente no relvado, que nem percebi que Luís Castro o trocou com Quaresma a meio da primeira parte para ver se Silvestre conseguiria fazer alguma coisa de jeito com Danilo pelas costas (e para que o cigano deixasse de se desentender com um brasileiro…para se começar a desentender com o outro). Não funcionou muito bem e Varela passou quase completamente ao lado do jogo. Temo que possa ter passado mais um dos tradicionais picos exibicionais que duram 3 ou 4 jogos, para termos um Varela trapalhão, lento e complicativo durante mais 4 ou 5. Espero que não, caso contrário mais vale colocar lá Ghilas, esse Zamboni argelino que corre como uma debulhadora mas…ao menos corre.

(-) Carlos Eduardo. Passou tempo demais preso de movimentos, sem procurar a bola e escondendo-se no meio dos jogadores de amarelo como se tivesse medo de mostrar a tromba para ser visto por um colega. Continuo a não gostar de o ver a 10, apesar dos bons dois primeiros jogos que aí fez e acho que teria a ganhar se jogasse como 8…mas com Defour a jogar desta maneira ninguém o tira da equipa.

(-) Tantas falhas. Não critico as oportunidades falhadas, algumas por azar (Quintero), outras pelo cabrón do Reina (Fernando e Jackson). Critico o tempo excessivo para reposicionamento das unidades defensivas, critico a incapacidade de entendimento entre Quaresma e Danilo, critico os passes centrais de Maicon, critico as distracções de Mangala e critico também as imbecilidades pontuais de Helton, que deve sonhar em aparecer no Watts da Eurosport ou em compilações de “Piores erros de guarda-redes” no youtube. Há melhorias na equipa e são nítidas pelo futebol que apresentamos hoje, mas há ainda muito caminho a percorrer até que possamos falar de uma equipa consistente ofensiva e defensivamente. Especialmente esta última.


Um-zero não é um excelente resultado mas se tivermos em conta as oportunidades claras que houve para ambos os lados, foi bem melhor que um putativo 3-2 ou 4-3. E a verdade é que se conseguirmos jogar em Nápoles com esta força e a capacidade de manter a bola nos pés…e se marcarmos um golinho antes deles…podemos perfeitamente passar aos quartos de final. Who’d have thunk it?

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Ouve lá ó Mister – Nápoles

Estimado Professor,

Está a ser uma quinzena que estou certo tao cedo não irá esquecer. A promoção, ainda que temporária, a técnico principal da primeira equipa do “seu” clube, a estreia num jogo em casa com uma vitória por quatro batatas viçosas contra um tubérculo mijão e agora vai poder debutar as suas chuteiras europeias contra uma das equipas mais fashion do velho continente. É o cabelo do Hamsik, a velocidade do Callejón, o jogo de área do Higuaín, a inteligência do Mertens, a matreirice do Pandev, a sorrateirice do Insigne e a força do Inler. É só nomes, só malta conhecida e que nos vai tentar lixar a vida ao máximo. E nós, com a sua ajuda, cá estamos para lhes fazer frente.

Já reparei que não convocou Josué nem Kelvin. Não posso dizer que esteja surpreendido, afinal quer-me parecer que a equipa-base vai ser a mesma que jogou contra o Arouca, com Mangala a voltar à raíz e Alex Sandro pela esquerda. E aprovo, mas é preciso mais. Temos sido tenrinhos nos jogos europeus e qualquer meia-equipa parece que nos encara com alguma facilidade apesar do nome que arrastamos. É que os nomes, meu caro, já não chegam para ganhar jogos, e se em campo não colocarmos o nosso melhor futebol, tenho a certeza absoluta que vamos sair do Dragão com o rabinho firme entre as perninhas e a cabeça prostrada sob o jugo de mais uma pequena grande derrota. Só lhe peço uma coisa, para lá da motivação que vai sem dúvida transmitir aos seus jogadores: não sofram golos. Por favor não sofram golos, mesmo que marquem poucos ou, que diabos, nem que não consigam marcar nenhum! Nestas andanças um zero-zero vale muito mais que um dois-dois e como já viu, este ano a equipa parece que está cheia de tremeliques quando a bola passa a linha que está atrás do Helton. Nem que seja preciso mandar a bola para a bancada de cada vez que lá chegue perto, esqueça o bonito e o estético e opte pelo prático.

Vou lá estar, como de costume, e conto consigo. Não deixe os rapazes ir abaixo da mona e convença-os que sabem muito mais do que têm mostrado. Vamos equipa!

Sou quem sabes,
Jorge

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Uma experiência ou apenas mais um jogo?

A meio do jogo contra o Arouca, enquanto conversava com alguns colegas de Porta, dei comigo a pensar que tinha percebido as intenções de Luís Castro ao alinhar com aquele onze no relvado do Dragão. Havia um ou outro sinal que me inclinava nessa direcção, mas optei por deixar de fora as conjecturas e tentar perceber o que realmente se passava. E comecei a entender que se tratava de um teste, uma prova de fogo para quem estava em campo por forma a que o treinador conseguisse perceber com quem pode ou não contar até ao final do campeonato e nos próximos jogos que têm tanto de exigente como de difícil. E fê-lo, estou convencido, da forma mais natural possível: usando as suas ideias, o seu esquema táctico, que na equipa B tem trazido bons resultados e que é uma imagem tradicional, em 4-3-3 desde os tempos de António Oliveira, com maiores ou menores nuances tácticas introduzidas por Mourinho ou Vitor Pereira, eles que foram talvez os maiores “trabalhadores” tácticos das equipas que treinaram no FC Porto (excluindo o annus demens de Adriaanse com o seu 3-3-4) e que o povo se habituou a ver. E na minha cabeça, Luís Castro estava a tentar perceber, às apalpadelas, quais seriam os jogadores que se adaptariam melhor ao tipo de jogo que quer ver implementado, pelo menos até ao final da temporada. Pareceu-me também que havia ali uma prova de desempenho, um trial, uma experiência em que a própria SAD começaria a tomar decisões para saber quem deveria ficar e quem é supérfluo aos trabalhos da próxima temporada, numa espécie de preparação antecipada do que será, estou certo, uma quantidade inusitada de vendas quando chegarmos ali a Junho (talvez depois do Mundial, quem sabe?).

Mais alguém ficou com essa ideia ou foi só parvoíce minha?

 

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