
Não sou o maior fã da Taça da Liga, como aposto que nenhum portista será. Mas hoje houve realmente emoção e um espectáculo bastante interessante para quem não for um adepto do FC Porto, que trouxe alegria e entusiasmo a uma prova que tem tanta razão para existir como um nazi que viola focas-bébés. Ah, mas dizem-me que foi um jogo de futebol. Não me pareceu. Foi uma competição desportiva de um qualquer desporto em que uma equipa que consta ser superior à outra, pelo menos em nome, não pareceu querer mostrá-lo em campo. Continuamos a ser uma equipa débil a agir como onze jogadores independentes, raramente funcionando como um grupo. Enfim, venha a mourada. Andemos até às notas, adiante:

(+) Josué. Marcou um dos penalties mais difíceis da carreira dele, porque desenganem-se aqueles que acham que um jogador tem é de jogar e marcar e acabou. Fui um dos que estive num épico Portugal vs Holanda nas Antas, quando recuperámos de uma desvantagem de dois golos para empatar com um penalty marcado pelo Figo já em tempo de descontos, com quarenta mil a gritar na bancada. O outro marcou. Este também. Acabo aqui as comparações porque o Figo não é portista e perde logo aí toda a vantagem que poderia ter. Para além desse lance, Josué mostrou mais em campo que Defour durante todo o jogo e quis dizer a Fonseca que ele é o sucessor de Lucho em campo, pelo menos nos próximos tempos. Sobre El Comandante falo daqui a uns dias…
(+) Os adeptos. Não haja dúvida: ainda há esperança no Dragão. As claques estiveram noventa e pico minutos a incentivar os jogadores, a puxar pelos adeptos, transmitindo toda a força dos milhares que lá estiveram e de todos os outros que estavam por fora a torcer pela equipa. Vi o jogo em diferido e tive pena de não ter lá estado, porque seria mais um dos que gritariam para os jogadores subirem, para lutarem, para terem calma e sentirem o nosso apoio. A única grande exibição da partida esteve nas bancadas.

(-) É só isto que temos para mostrar ao mundo? É fácil perceber o que achei de um jogo quando há apenas um Baroni e nem é atribuído a um jogador. A qualidade de jogo do FC Porto é baixa demais para justificar uma posição cimeira no nosso futebol e/ou a conquista de qualquer troféu. Em Portugal há um estilo predominante de futebol em passe, com uma velocidade relativamente baixa mas onde há em grande parte das equipas suficiente capacidade técnica para que se possa manter a bola na posse dos jogadores durante algum tempo até que os mecanismos que se treinam durante a semana possam entrar em acção. E aí, seja por um fácil overlap do lateral, uma combinação a meio-campo ou um entendimento com o(s) avançado(s), o jogo teoricamente flui e criam-se lances de perigo. No FC Porto 2013/2014 (e ainda mais em 2014), tem havido uma pressa excessiva em enviar a bola para o ponta-de-lança, solitário no meio de vários oponentes, mas que é alvo das boladas dos colegas desde os defesas até aos médios. Os extremos, que lhe poderiam colocar a bola em condições com maior facilidade, raramente o fazem. E falhada qualquer estratégia (existe?) pensada para o sucesso, avança-se para o lance individual, com um rácio de sucesso a tender para zero. Hoje foi mais um bom exemplo disto, tantas foram as bolas inconsequentes enviadas para a frente (e algumas lateralizações absurdas, como de costume) e os falhanços nas jogadas de 1×1. É muito pouco para o que um clube como o FC Porto deveria mostrar e arriscamo-nos a que, como já tem vindo a ser hábito, qualquer equipa que tenha mais de meio palmo de testa consiga chegar ao Dragão e pensar que pode ganhar o jogo, como o Marítimo ia fazendo hoje.
Se este foi um Marítimo “suplente” e vamos apanhar com o Marítimo “titular” no próximo fim-de-semana…da maneira que estamos a jogar com os nossos “titulares”, talvez valha a pena meter os “suplentes”…
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