Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 1 Académica

Foi giro ver a quantidade de putos no Dragão, vindos das escolas da Dragon Force espalhadas por esse país fora (mais focadas no Norte, pelos nomes que foram sendo chamados pelo altifalante). E que recepção tiveram os jogadores quando entraram para o relvado, que retribuíram com uma primeira parte muito agradável, com algum bom futebol, golos e níveis de criatividade e jogadas ofensivas bem interessantes. E depois foi também a altura do Dragon Force entrar em campo para a segunda parte, porque a grande maioria das imbecilidades que vi nesses segundos quarenta e cinco minutos só podem ser atribuídas à falta de experiência e juventude de miúdos de 12 ou 13 anos. Enfim, não se pode esperar consistência de um grupo que não mostra maturidade. Vamos a notas:

(+) Ghilas. Falso extremo. Parece um conceito tirado do manual de instruções de uma lancha recreativa, mas é de facto a posição que Ghilas ocupou enquanto esteve em campo. Não consegue praticar um futebol fluido como extremo, mas quando joga numa zona mais central, a arrastar o lateral para o meio e a receber as bolas nas suas costas, usa a velocidade e astúcia de avançado para perceber quais são as melhores opções que tem e é muito perigoso nessa função. Perfeito no golo que marcou, estou muito esperançado que tenha a mesma postura e que a equipa aproveite as suas características em Sevilha.

(+) Quintero e Herrera juntos ao centro (na primeira parte). Uma boa surpresa pela forma como trocaram posições constantemente e mostraram que ambos conseguiriam adicionar a tão necessária criatividade a um ataque que anda com muita falta dela. A Académica ofereceu muito espaço na zona central (mesmo, mesmo muito espaço!) e os dois aproveitaram na perfeição, seguindo com a bola constantemente a cambiar de posição e a usar bem o espaço para criar oportunidades para Jackson e Ghilas. Contra equipas mais fortes e com mais unidades a meio-campo (como o Sevilha ou o Benfica)…talvez tenhamos de sacrificar o mexicano pela força e sentido prático de Defour, mas Quintero *tem* de ficar na equipa.

(+) Reyes. Diego “Certinho” Reyes é exactamente o que o médico recomendou para uma equipa cheia de jogadores com mais altos e baixos que uma montanha russa no Dubai. Raramente falha um passe, posiciona-se muito bem perante os adversários e intercepta a bola com classe e muito pouco exagero físico. Continuo a dizer que me faz lembrar Aloísio exactamente por essa forma de cortar a bola…mas talvez seja melhor não continuar a fazer comparações desde que disse que o Carlos Eduardo me fazia lembrar o Deco. Bad Jorge, bad Jorge!

(-) Relaxar em excesso. O jogo teve pouca história mas podia ter sido uma boa exibição ao longo de noventa minutos e só não o foi porque a cabeça dos jogadores mudou-se para a Andaluzia ao intervalo e nunca mais regressou à Invicta. Esqueceram-se de um simples facto que atormenta a mente de todos os portistas há meses: a equipa não sabe jogar descansada e com confiança. Perdem-se em combinações frouxas sem progredir no terreno, assustam-se ao mais pequeno lampejo de pressão adversária, baixam o ritmo para níveis tão inconsequentes como um caracol a atravessar um campo de trigo em pleno estio e atrapalham-se tanto com a bola nos pés que mais parecem polvos a tentar controlar uma bigorna em brasa com os tentáculos. É terrível ver o FC Porto a jogar sob pressão mas consegue ser pior ver o FC Porto a ceder quando ela quase não existe.

(-) Abdoulaye. Já começa a ser complicado perceber o que dizer acerca das exibições do senegalês que veio da nossa formação e que é um bom exemplo do que um defesa central nunca deve fazer. Facilita em demasia nalgumas situações e é excessivo no approach a lances rasteiros, o que faz dele o total oposto de Bruno Alves em termos de altitude a que joga a bola, mas muito similar na agressividade. Falha passes demais a meia-distância mas o pior é que tenta fazê-los para as piores zonas que pode imaginar. Ou seja, uma nódoa na tomada de decisões ofensivas *e* defensivas. Não vejo qualquer hipótese, depois desta metade de época horrível, de o continuar a ver de azul-e-branco na próxima temporada.

(-) Porquê Quaresma e não Kelvin? Não percebi a entrada de Quaresma em vez de Kelvin. Todos temos visto que Quaresma está mais esforçado este ano, mais disposto a ajudar a equipa, até a correr para trás em auxílio defensivo. Mas também todos sabemos que é neste tipo de jogos que Quaresma menos se interessa pelo jogo em si e mais se foca na economia de suor e empenho, preferindo brincar em vez de produzir algo mais prático. E se Kelvin, até por ter tantos dos seus mais directos admiradores nas bancadas que se lembrarão para sempre do que o puto fez em Maio de 2013 como talvez o maior momento das suas vidas portistas, não entra num jogo que estava mais que decidido e pronto para embrulhar e mandar para a Liga ratificar o resultado, ele que deve estar com fome de bola porque não joga nem na A nem na B há meses…então não vejo outra oportunidade para o rapaz este ano.


E se o Benfica vencer esta segunda-feira, o título está matematicamente longe demais para conseguirmos lá chegar. Não é nada que não estejamos já à espera, mas sempre fecha essa porta de uma vez por todas. Ahhhh, to be young and foolish again.

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Baías e Baronis – Nacional 2 vs 1 FC Porto

 

foto retirada de MaisFutebol

Torna-se muito difícil assistir a um jogo do FC Porto para o campeonato a partir do momento em que é quase certo que nada fará com que consigamos vencer a prova. Ao mesmo tempo há uma espécie de desinteresse activo, onde o jogo ganha mais importância e o resultado cada vez menos, em que se começa a assistir às partidas numa fugaz esperança que a vitória calhe para o nosso lado sem grande convicção que tal venha a acontecer. Este foi mais um exemplo da forma como o FC Porto está desligado desta competição há algum tempo, preocupado com os jogos das taças e desconsiderando a prova que é mais importante para todos que estão da parte de fora do relvado. Cansaço, físico e mental, levam a isto. E até Capela ajudou, porque este jogo podia ter acabado numa vitória para o Nacional por vários motivos, mas aquele golo anulado a Jackson…enfim. Seis derrotas para o campeonato. Não me lembro de tal coisa. Para as notas, tout suite:

(+) Jackson. Já começa a ser azar ter dois golos anulados pelo mesmo motivo em dois jogos consecutivos. Se o que marcou ao Belenenses ainda pode ter sido precedido de carga sobre o avançado, este foi limpo, com Jackson a subir bem mais que o defesa do Nacional antes de cair por cima do adversário, que saltou bem depois de Jackson. Um erro que nos custou um ponto, mas que em nada mancha a boa exibição de Jackson, incansável na procura de espaços e na cedência da bola aos colegas que a pediam pelas laterais. Parece rejuvenescido depois do jogo contra o Benfica e espero ter um Jackson em forma até ao final da época e pronto para um Mundial em grande.

(+) Reyes. Continua a trabalhar bem este mexicano, com bom nível no passe, atenção na intercepção e bom posicionamento defensivo. Não tem culpa de estar emparelhado com um dos centrais menos fiáveis da história recente do FC Porto, tendo de tapar a sua zona e ajudar a cobrir a zona do colega…

(-) Indolência e descompressão competitiva na primeira parte. Há uma espécie de desinteresse que se apodera dos jogadores em alguns momentos que me parece incompreensível. A primeira parte deste jogo é um enorme deserto de 45 minutos, sem ideias, velocidade, agressividade e ritmo competitivo. Foi como se o jogo contra o Benfica tivesse consumido toda a força, a moral e a inteligência táctica da equipa, anulando um meio-campo que tão bem esteve na quarta-feira (foram os mesmos Fernando/Defour/Herrera que jogaram a meio da semana?!) e tornando qualquer saída de bola da defesa num muro intransponível, com passes falhados, péssimos controlos de bola e uma intensidade que se tornou dramática ao fim de meia dúzia de minutos, quando se percebeu que poucos estavam ali para jogar mas acima de tudo ganhar. Danilo e Quaresma foram a imagem mais evidente deste desnorte e alheamento competitivo, porque apesar de terem a bola dezenas de vezes nos pés, o 2 nem sequer tentava e o 7 tentava demais. Um Herrera lento demais, um Defour desaparecido e um Fernando trapalhão faziam o meio-campo afundar, e apenas Jackson parecia querer contrariar a parvoíce que grassava na mente de todos os jogadores. A segunda parte trouxe melhorias mas mais uma vez oferecemos dois golos e uma parte inteira ao adversário…só porque sim. E eu já nem me chateio com isto como fazia no início, com a diferença de estar a ver o jogo no sofá, porque se estivesse em campo podem ter a certeza que tinha corrido mais que aqueles gajos todos, nem que tivesse de romper o outro menisco.

(-) Abdoulaye. Se me permitem uma viagem pelo nosso passado, imaginem um jogador com a capacidade de passe de Stepanov, a excessiva agressividade de Argel, a velocidade de Ricardo Silva e o posicionamento de Matias. É esta amálgama de parvoíce que hoje ocupou a posição de titular no eixo da defesa do FC Porto. Tiago Ferreira de muletas faria melhor trabalho.

(-) Licá. Sou dos primeiros que diz que o rapaz não é extremo, tal como Ghilas também não o é e sofre com isso. Mas Licá insiste em provar que não pode sequer ser titular no FC Porto pela diferença de produtividade entre ele e Varela, deixando aqui a nota que Varela está a atravessar uma daquelas lombas de rendimento capazes de engolir três Hummers. Nem consegue mostrar o querer do início da época porque perde em velocidade, em força e em capacidade de luta contra jogadores do Nacional da Madeira. E quando isso acontece, mais vale ficar em casa a ver o jogo pela televisão.


E agora, meus amigos? A quinhentos pontos da liderança e a quase outros tantos do segundo lugar, terá chegado a altura de desistir como tantos pareceram fazer na primeira parte? Ser frio e calculista é complicado num clube que luta sempre para vencer, mas a toalha já está no chão há algumas semanas e quem a atirou primeiro foram os jogadores…

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Benfica

“É uma vitória, mas também é uma derrota“, ouvi enquanto ia saindo do estádio. Nim. É uma vitória factual, com números escassos, porque se formos a pensar bem e se ambas as equipas tivessem sido eficazes, o resultado tinha sido qualquer coisa como 4-1 a nosso favor. Mas não foi e não o foi em grande parte por culpa nossa já que houve mais uma quantidade de golos falhados que faz com que qualquer adepto se enerve e peça a Deus um poucochinho mais de benevolência divina para o nosso campo. O Benfica permitiu que jogássemos no meio-campo deles em toda a primeira até ao ponto em que já não havia nada que permitir porque o relvado era nosso e o jogo era nosso e quase que a eliminatória foi toda nossa. Não o conseguimos e a equipa implodiu fisicamente a meio da segunda parte, quase desfazendo em vinte minutos o que tinha demorado setenta a construir. Saí sorridente mas preocupado com a segunda mão. Eu e todos os outros. Vamos a notas:

(+) Finalmente, um Porto de que nos podemos orgulhar! Já cá faltava um destes, carago, depois de tantas exibições com a chama tão apagada e sem a capacidade e concentração em níveis tão altos quanto são sempre exigidos de jogadores que usam aquela linda camisola. E se é verdade que o Benfica se organizou em pleno para permitir um maior domínio da nossa parte, jogando com a estratégia típica de uma equipa que joga a primeira mão fora de casa numa competição a eliminar, não é menos verdade que a meio da primeira parte devem ter começado a pensar que se calhar mais valia terem optado por outros truques que têm (oh se têm) nas mangas. Fomos dominadores, rápidos, pressionantes, jogando com coração mas muita cabeça, rodando a bola com bom critério na zona mais recuada e furando com incisividade pelas laterais, sempre com a baliza como objectivo. E se é ainda mais verdade que foi das melhores exibições do ano, especialmente na primeira parte, também é verdade que me deixou um sabor acre na boca, pensar que podíamos ter usado esta fibra, esta organização em campo exibida pelos mesmos jogadores numa táctica semelhante à anterior…se ao menos houvesse cabecinha no sítio e vontade de mostrar que até podemos perder esta merda, mas que em nossa casa não queremos cair. Não podemos cair. Muito menos contra o Benfica, porque é uma questão de honra. Tem sempre de ser uma questão de honra, carago. Foi algo que Fonseca não percebeu desde que cá chegou e que Luís Castro conseguiu voltar a transmitir aos rapazes: nós, todos nós, somos melhores que os outros. E é em campo que temos de o mostrar. Hoje, conseguiram-no. Parabéns, rapazes!

(+) Jackson. Na minha cabeça, a comparação com dois lances do nosso passado é fácil e impossível de evitar apesar da diferença nas balizas e na geografia: McCarthy recebe um cruzamento de Nuno Valente e salta mais alto que Gary Neville, cabeceando para o cantinho da rede com Tim Howard batido. Sete anos depois, em Dublin, Falcao salta para apanhar um cruzamento de Fredy Guarín do lado direito, fazendo a bola passar ao lado de…guess what, Artur. Foi um golo estupendo, na senda desses outros dois brilhantes tentos que guardo na minha memória e para onde este vai direitinho. Mas não foi só pelo golo que Jackson aqui está, porque trabalhou imenso, atrás e à frente, servindo como primeiro tampulho aos ataques do Benfica pela zona central e recuando para ajudar…os laterais na cobertura defensiva. Teve azar no remate ao poste mas não mancha o que pode ser o regresso de Jackson à boa forma. Terá pernas para continuar?

(+) A primeira parte de Quaresma. Segue com a bola, aparece adversário, finta-o, continua pelo terreno fora, mais uma finta, com os dois pés, à Deco, ei que este gajo hoje está em brasa, pumba mais um túnel ao Cardozo e lá vai ele pela linha, olha mais um cruzamento, não, parou outra vez, vai ver se traça o Maxi, quase, volta para trás, passa a bola ao colega. Uff. Foram jogadas consecutivamente geniais de Quaresma, lutador na frente e esforçado na rectaguarda. Pena que tenha exagerado nos lances individuais durante a segunda parte…

(+) Aquela defesa do Fabiano… foi qualquer coisa de orgásmico para quem estava, como eu, a ver a bola já a entrar para a nossa baliza. Depois de inúmeras oportunidades falhadas, foi o nosso guarda-redes que acabou por receber um aplauso enorme do Dragão depois de uma defesa que faz Yaschin parecer um menino manco e sem elasticidade nos bracinhos. Excelente, caríssimo, excelente.

(-) Golos falhados. Num jogo deste nível, num confronto entre estas duas equipas que se pode decidir por um mero pormenor, uma distracção, um descuido posicional ou uma falha momentânea…falhar tantos golos é agonizante para quem joga e ainda mais para quem vê sem poder interferir. Varela, Jackson, Quintero, Herrera, todos eles tiveram o golo nos pés e falharam a oportunidade de entrarem para a história em mais um festival de golos que termina apenas com um pre-show interessante mas que deixa tudo em aberto para a segunda mão, com a vantagem do lado do Benfica. Sim, vencemos o jogo, mas se o tivéssemos feito com uma margem maior (e devíamos, raios!), podíamos ir a Lisboa mais tranquilos. Hélas.

(-) Ai quem me dera ser só da cintura para cima. É uma música que fez parte de um sketch do Gato Fedorento, esse grupo de talentosos e primários anti-portistas, que espelha na perfeição o que senti quando olhei para o relvado a meio da segunda parte e percebi, como Luís Castro e outros quarenta mil nas bancadas, que os rapazes andam à rasca das pernas. Como escrevi aqui há uns dias, há jogadores com minutos a mais nas pernas (casos de Danilo, Alex Sandro, Varela ou Jackson) e começa-se a fazer notar especificamente neste tipo de jogos em que o coração pede mais mas os músculos já não conseguem responder e a cabeça é habitualmente a próxima a ir. Não deverá ser surpresa para ninguém a simultaneidade da subida no terreno do Benfica e a descida no mesmo do FC Porto, precisamente numa altura em que Jesus (bem) fez entrar as peças mais importantes da equipa com a excepção de Enzo (maldição de banco que estes estupores têm e que vantagem de poderem rodar jogadores de tão alto nível! malditos, insisto!) e colocou um ataque com Gaitán, Markovic, Lima e Cardozo, que assusta qualquer equipa. E assusta especialmente uma formação com dois laterais à rasca dos gémeos, um central com pouca experiência nestas coisas (mas que se safou bem) e outro que andou a primeira parte toda a recuperar sozinho de uma lesão sofrida durante o jogo. Já devíamos ter começado a rodar jogadores há bastante tempo e o facto da segunda mão ser disputada três dias depois de irmos a Braga e seis depois de Sevilha pode (deve?) querer dizer que vai haver algumas poupanças na pedreira…


Podia ter sido o tónico que a equipa necessitava para um final de temporada um pouco mais seguro e confiante. Mas a forma física de alguns elementos essenciais do onze, acoplada à falta de opções alternativas que assegurem bom rendimento sem falhas de maior pode ser um handicap difícil de recuperar. Pode estar na altura de começar a tomar opções pelas competições que podemos mesmo vencer…e o campeonato, lamento dizê-lo, mas está agora no fundo da lista…

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Belenenses

Não foi um bom jogo, mas foi interessante de seguir. A forma como o FC Porto raramente conseguiu criar perigo para a baliza de Matt Jones começou por ser enfadonha, passou a enervante e acabou quase em desespero, tantas foram as perdas de bola por pobre domínio do esférico ou por uma incrível incapacidade de jogo concertado em equipa. Provou-se que Ghilas não pode ser titular a qualquer custo porque “morre” na ala; que Reyes é boa opção para jogar ao lado de Mangala; que Varela e Jackson continuam em período negro (sem piadas); e provou-se acima de tudo que Quintero tem mesmo de jogar nesta equipa se queremos algo mais que um onze amorfo, sem ideias e a pedir que o campeonato acabe depressa. A vitória assenta bem mas podia e devia ter sido mais fácil. A notas, que se faz tarde:

(+) Quintero. Não fez um jogo extraordinário mas serviu como elemento equilibrador da equipa a nível táctico e claramente desequilibrador (de uma forma positiva) no aspecto técnico. A sua entrada para o lugar de Josué (de volta às exibições apagadas, mais uma vez, depois de entrar bem contra o Nápoles) fez com que Carlos Eduardo saísse do “buraco” onde se enfia quando joga na posição 10 e possibilitou que o colombiano pudesse ser patrão da equipa depois de uma primeira parte em que ninguém parecia querer assumir o papel, para lá de uma ou outra corrida de Alex Sandro e Ghilas pela ala. Adoro vê-lo com a bola nos pés porque a finta é fácil e apesar de nem sempre sair bem, quando passa por um adversário imediatamente levanta a cabeça para perceber se há linhas de passe abertas e endossa a bola na direcção do jogador que pode criar mais perigo. Por favor, mister, ponha o moço a titular e acredite nele, a equipa só tem a ganhar com isso.

(+) Reyes. Calmo, sem exageros exibicionais, bom de cabeça e com óptimo posicionamento, mesmo sem ter sido testado em grande escala pelos inertes avançados de Belém, o mexicano esteve bem na estreia como titular na Liga. Bom primeiro toque, passe simples e movimentos elegantes, pode vir a ser um excelente jogador no clube e depois de o ver muitas vezes a jogar pelos Bs, não me surpreende que tire o lugar a Maicon a curto prazo.

(-) Execução técnica dos jogadores do FC Porto. Dizem que Cristiano Ronaldo fica até mais tarde para treinar livres. Não sei se é verdade, acredito que sim, mas acho impossível isso acontecer com qualquer jogador do FC Porto. Há dois vectores principais nesta tirada que gostava de definir logo à partida: a recepção orientada da bola e o passe. Já disse dezenas de vezes que o FC Porto falha imensos passes e que esta época está a ser um annus horribilis para qualquer tipo de índice técnico da equipa, mas gostava de adicionar a primeira parcela, que atira por terra montes de jogadas antes mesmo delas começarem. Sei também que escrevo isto depois de ver um Real Madrid – Barcelona, o que acaba por tornar estas imperfeições ainda mais notórias, mas a verdade é que há alturas em que não me parece estar a ver o FC Porto a jogar mas que entrei sem querer no Unidos ao Cerco contra os Ases Valboenses, tal é o inacreditável número de maus controlos de bola, a falta de precisão com que os jogadores adiantam a bola à sua frente, a forma como a recebem e orientam mal o próximo toque…e tudo isto faz com que haja tantas jogadas que se percam, desequilíbrios que não se criam, posicionamentos que se destroem pelo simples facto de X passar mal para Y e o desgraçado do Y pensar que a bola tem picos ou que consegue mesmo correr 15 metros num segundo, arrancando do zero. É treino que falta a esta malta e pensarem que não podem aprender nada nesta idade e que estas coisas são ensinadas de base e que agora é só depender do talento para se safarem…olhem para o Ronaldo e perguntem-lhe porque é que ele treina livres até mais tarde.

(-) Jackson. Está mesmo a precisar de banco porque está estourado fisicamente e porque a cabeça pode não estar muito melhor depois de jogos atrás de jogos a tentar criar espaço sem que a bola lhe chegue em condições. E nos últimos jogos…quando lá chega…zero. São falhanços demais para continuar a ser titular com autoridade, especialmente com Ghilas cheio de “fome” e com mais força para apimentar a linha ofensiva…

(-) Anti-jogo do Belenenses. Trouxeram a bandeira, o que já não foi nada mau e prova que as tradições são para cumprir e tal como o FC Porto depositou a habitual coroa de flores junto do memorial de Pepe, os rapazes do Restelo entraram no Dragão com a nossa bandeira bem aberta. Gostei de ver e vou continuar a gostar de ver esta tradição interessante e prova de fair-play fora de campo. Mas dentro de campo a conversa foi diferente. Desde os primeiros minutos que se percebeu que o intuito era o de queimar o máximo de tempo possível, com Lito Vidigal a aproveitar para fazer pequenas palestras a meia-equipa sempre que um dos seus meninos se atirava para o chão, talvez incomodados com o ar frio do Norte. Foi absurdo ver a quantidade de vezes que Xistra permitiu esta troça ao futebol e à competição saudável porque não parecia muito incomodado com o festival de arremesso para a relva que foi protagonizado pelo Belenenses e que levou os adeptos a assobiadelas monumentais, com toda a razão. Mantenho o que sempre disse: se dependesse de mim, a não ser que se visse um osso fora do corpo ou se as cordas vocais estivessem a vibrar a céu aberto, os jogadores do FC Porto deviam sempre seguir a bola.


Devia ser criminoso marcar um jogo para a mesma altura de um Real vs Barça que, ainda por cima, foi o que foi. Felizmente deixei o jogo a gravar em casa (e esse é o verdadeiro motivo da hora tardia desta crónica) e vi-o depois de chegar, pelo que agradeço aos meus colegas de bancada o facto de não me terem dito quanto estava o jogo e assim retirarem alguma da emoção do que foi um jogo estupendo. Se algum deles me estiver a ler, o meu muito obrigado!

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Baías e Baronis – Sporting 1 vs 0 FC Porto

Está a ser difícil arrancar esta crónica. Não pelo resultado em si, apesar de ter surgido de um lance irregular, ou pelo penalty que nos foi roubado quando Cedric empurrou Jackson, nem mesmo pela expulsão (outra, injusta, em Alvalade, uma de TANTAS e TANTOS LANCES ONDE FOMOS PREJUDICADOS NAQUELE CAMPO…mas estão a ver-me a lançar uma demanda pela purificação da visão dos árbitros? Juízo, amigos, porque não sei ser intelectualmente desonesto nem sportinguista, que aparentemente são cada vez mais verdadeiras redundâncias), mas pela sensação que podíamos perfeitamente ter ganho o jogo se tivéssemos sido um pouquinho mais eficazes. Só um bocadinho. Bastava um dos lances de Jackson, o remate de Varela, o petardo de Quaresma ou a oportunidade de Ghilas, bastava um desses ter entrado e não estaria aqui a coçar a cabeça para perceber o que é que me está a moer o estômago. Perdemos sem grandes culpas para lá dos inúmeros passes falhados, e apesar do Sporting ter exibido melhor futebol (especialmente na segunda parte), mantenho a ideia que deveríamos ter saído de lá com pontos. Um ou três, já não sei. Vamos a notas:

(+) Quaresma (especialmente na primeira parte). Continua a ser um gajo muito esforçado, diametralmente oposto ao que estaria à espera quando regressou em Janeiro. Mantém o estilo pessoal de “guloso”, passando pouco e tentando muito mas mesmo não tendo a capacidade de outros dias, lá vai insistindo enquanto tem pernas para isso e os vários nós que deu em Cedric foram mais que merecedores de um golo, que a trave tratou de lho negar. Com Varela com a produtividade equivalente a uma garrafa de água vazia em campo, Quaresma é o grande municiador do ataque do FC Porto, já que Quintero continua a sentar-se no banco. Se calhar só pode ser titular um gajo começado por “Q” em cada jogo. Deve ser regra da Liga, é isso.

(+) A expulsão de Fernando. Pode ser um Baía duvidoso, o aplauso a uma expulsão, ainda por cima uma que foi puxada pelo adversário e que resultou perfeitamente como o colombiano quis que funcionasse. Mas o gesto é necessário para mostrar à equipa que tem de ser dura, que nunca pode virar a cara à luta e que tem de combater as atitudes “inteligentes” dos adversários com os dentes cerrados e sem permitir esse tipo de facilidades. Teve azar porque Proença decidiu (exageradamente, na minha opinião) expulsá-lo, mas aprovo a atitude.

(-) Inacreditáveis falhas no passe. Compreendo que os rapazes estivessem nervosos. Até sou capaz de entender a falta de confiança que possa haver sabendo que o Sporting jogava em casa, num estádio cheio e com uma fome de títulos que faz com que um sírio num campo de refugiados pareça um americano suburbano. Mas vamos lá ver uma coisa. Quando o primeiro conjunto de passes começa a falhar, eu compreendo. O segundo, compreendo. Ao terceiro, ainda compreendo. A partir daí deixo de compreender e começo a questionar a sanidade mental da maioria dos jogadores. Hoje foram muito poucos os que se salvaram de uma espécie de milagre do passe falhado, em que cada jogador do FC Porto, especialmente da zona defensiva (excluo Danilo porque não esteve tão mal como os outros) onde Mangala, Abdoulaye, Alex Sandro e Fernando passaram a grande maioria do tempo, foram incapazes de sair de uma zona de pressão alta, com cinco jogadores do Sporting em permanência a procurar impedir passes correctos e transições eficazes para o ataque. E o FC Porto transformou-se numa equipa de bairro com a agravante de não mostrar a agressividade que um qualquer Atlético Raismafodense exibe em campo. A ausência de confiança transformou-se em excesso, onde todos pensam ser Beckenbauers e o alívio para longe parece sinal de derrota antecipada que nenhum quer admitir já ter acontecido há muito tempo. Não há ninguém que lhes ponha a mão no pescoço e diga: “Meu menino, acerta-me ali com a bola naquele poste que está aí a uns quinze metros. Cada bola falhada, siga uma voltinha ao campo. Não, não estou a brincar.”?

(-) A lesão de Helton. A par da lesão de Derlei em Alverca em 2003, onde rodou para receber uma bola e encostou-se sozinho por seis meses, foi talvez a lesão mais ridícula que me lembro de ver. Ao que parece será uma rotura total do tendão de Aquiles, o que não pode trazer boas notícias para o resto da temporada e receio que o possa afastar mesmo do futebol. Seja de que lado sopre o vento, boa sorte, capitão!

(-) Alex Sandro. Sem ritmo, sem cabeça, sem grande vontade para correr a apoiar pelo flanco, está a fazer uma época miserável quando comparada com o que fez no ano passado. Este jogo foi apenas mais um onde o brasileiro nunca conseguiu ser um jogador normal, fraquejando ao mínimo toque na bola, incapaz de a controlar em condições e a exibir-se com uma ausência quase total de velocidade e de empenho na disputa dos lances. Falta uma alternativa decente naquele flanco.


O campeonato estava complicadíssimo e agora parece mesmo inatingível. Nada que surpreenda qualquer adepto do FC Porto, tendo em conta o percurso nesta época, por isso resta-nos apostar nas restantes competições, todas a eliminar. Mas há uma inegável falta de capacidade de concentração e calma em campo que parece não conseguir desaparecer…

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