Uma grande diferença

Quando no passado Sábado vi Varela a acabar de aquecer e a aproximar-se do quarto árbitro para entrar, pensei que estava tudo bem. O Hulk estava talvez no jogo da despedida, se calhar o Vitor queria dar a oportunidade do povo de saudar o rapaz com uma salva de palmas das grandes para que soubesse que vai sair mas fica sempre nos nossos corações – se sair, porque se ficar é só uma questão de voltar a jogar como no ano passado para que ninguém lhe aponte o dedo e lhe chame mercenário como fazem a outros – e até ficava bem. Mas não foi o 12 a sair, mas o 27. E em boa hora também, porque Atsu já estava a começar a mostrar algum cansaço e não era preciso estar a queimar as pernas do rapaz que têm de estar sempre em boas condições porque vamos precisar dele a breve prazo. E quando Varela entra…há uma espécie de sono intenso que se abate pelo flanco esquerdo do ataque, que nem Alex Sandro conseguia mandar abaixo com as correrias, ele que também já estava em modo de descanso.

Gosto do Silvestre mas o rapaz está a perder as qualidades que fizeram dele um dos alvos dos meus aplausos. O mesmo Varela que se lançava por cima dos laterais em 2009, que chegou com uma fome tremenda em 2010 e ajudou (e de que maneira) a cascar no Benfica na Supertaça, tem vindo em trajectória descendente desde há uns anos. Ainda se nota algum fogo nos olhos, alguma vontade, mas a velocidade não é a mesma, o sentido prático parece estar afastado e a forma como tropeça na bola faz-me lembrar o…sim, adivinharam, o Mariano.

É verdade que Atsu é o “jogador da moda” para quem gosta de futebol, ao passo que James continua a ser o “menino da moda” para todas as meninas (ouviram os guinchos quando entrou? pensei que estava num concerto dos Jonas Brothers tal foi a gritaria em timbre agudo), mas Varela não me oferece uma alternativa ao ganês quando está no banco. A mudança entre os dois não foi visualmente intensa, porque para além de serem parecidos ao longe, até as camisolas acabam em “7”. Mas se Atsu é o 27 e Varela o 17, a diferença em velocidade, ritmo e produtividade é sensivelmente a mesma dos números que usam nas costas. É como mudar de água para vinho, ou neste caso – e perdoem-me a piada rasca – é como mudar de um excelente verde tinto daqueles que deixam marca na malga…para um maduro tinto pobre em taninos e com sabor a rolha.

Desculpa, Silvestre, mas neste momento não acredito em ti. Prova-me o contrário e não me ponhas a gritar o que o meu douto colega do lado disse durante o jogo contra o Guimarães, onde se lembrou do seguinte: “Ao Varela só se tinha de dizer que se ele não jogasse em condições, começávamos a tirar-lhe peças para pôr no Atsu!”. Não ia tão longe. Mas prova-me o contrário, faz-me olhar para ti como uma opção válida, rapaz. Está nas tuas mãos.

6 comentários

  1. Parabéns Jorge, voce definiu exactamente o que tem sido Varela de uns largos tempos pra cá: Mariano Gonzalez.

    Eu desde a época de AVB que tenho escrito em alguns blogs que a média de Varela é de 1 jogo BOM(nunca disse EXCELENTE, apenas BOM) para 10 absolutamente MEDÍOCRES.

    Eu cheguei a usar os mesmos 3 “adjectivos” com os quais definia Mariano, que quase sempre eram inoperante, displicente e irritante, para exemplificar as actuações de Varela.Parece que entra a dormir nos jogos e não há maneiras de acordar.

    Não sei o que se passa, mas é bom Varela acordar e abrir o olho antes que seja tarde demais, porque Atsu, Kelvin e mesmo Iturbe estão “cheios de gás”, doidos pra mostrar serviço e são praticamente 10 anos mais novos.

    Abraço.

  2. Boa tarde.

    Completamente de acordo com o artigo, mas o que me custa mais é ver jogadores com um potencial tremendo como iturbe e kelvin e que este treinador insiste em não dar hipotese… para mim tb é claro que nenhum dos dois pode ser titular hj em dia no porto, mas deviam ser lançados aos poucos porque a qualidade está lá e é muita, é preciso é dar-lhe oportunidades!

  3. Como é possível falarem tão mal de um jogador como o Varela. Parece que estão esquecidos do que ele fez e da importância que teve na época do Libras Boas.
    Quando teve um grande treinador, tornou-se num craque. No própio europeu esteve bem, pq tinha quem lhe desse animo e acreditava no seu potencial.
    Saudações azui

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