Ouve lá ó Mister – Copenhaga

Companheiro Nuno,

Grande tomateira. Enormes cojones. Severíssimos apêndices testiculares. Gigantescas orbes escrotais. Majestosas esferas pendentes. Sumptuosas jóias da família. Tudo coisas que pensávamos que ias ter mas que aparentemente ficaram no bolso de qualquer casaco que deixaste godknowswhere e que talvez tenhas corrido meio mundo à procura sem grande sucesso a não ser uma pequena manifestação de punho erguido mas braço recuado, sem chama nem pujança portista e, vamos lá ser honestos, humana. Porque não é preciso ser um Clough, um Holloway ou um Robson para chegares a uma conferência de imprensa e em vez de tratares aquela merda como o teu TEDx pessoal, desatares à estalada com qualquer jornalista que tivesse a distinta lata de dizer que qualquer um daqueles lances em Chaves não era penalty! Só te pedimos que sejas mais sanguíneo, homem!

E hoje, contra mais uns fleumáticos que nos enfiaram um falo DESTE tamanho ao empatarem no Dragão, vamos pagar-lhes numa moeda ainda mais tramada: ganhando-lhes, lá na casinha deles. Mostrar que Copenhaga só serve para cerveja e gajas e que isto de vir ganhar a Portugal tem consequências para todos e que a vingança se serve fresquinha, tão fresquinha como está a abóbada celeste em Copenhaga. Vamos fazer com que o último jogo não seja tão importante, sim? Vamos fugir das contas, sim? Por favor, sim?

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Chaves 0 vs 0 FC Porto (3-2 em penalties)

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A derrota em penalties não é justa. Ou melhor, a derrota não é justa. O FC Porto fez mais do que o suficiente para conseguir vencer o jogo nos cento e vinte minutos mas uma combinação de ineficácia, anti-jogo e um senhor careca de verde acabou por ser letal para as nossas expectativas. Nada está perd…ah, espera. Aqui já está perdido. Só posso esperar que se vinguem na terça-feira. Notas já abaixo:

(+) Felipe e Marcano. Pelo chão ou pelo ar, estiveram impecáveis. Quer na marcação ao bisonte do avançado do Chaves ou aquele exemplo de Homo Oxigenadus que aparecia sempre pelo flanco esquerdo da nossa defesa, houve sempre dois centrais rijos e sem inventarem problemas para a defesa que raramente foi testada.

(+) Danilo. Cento e vinte minutos de esforço, recuperação de bolas e a noção de que o meio-campo, contra equipas deste género, é todo dele. Sozinho.

(+) Varela e André². Os dois elementos “novos” na equipa, para lá de José Sá, trabalharam muito e apesar de produzirem pouco estiveram quase sempre em rotação alta durante o jogo. André começou mal, com um amarelo no segundo minuto, mas esteve quase sempre bem na criação de jogo pelo centro. Varela também não arrancou bem mas cresceu à medida que o jogo foi avançando e se não consegue a velocidade de aqui há uns anos (sim, eu sou do tempo em que o único jogador mais rápido que o Varela era o…Hulk) foi menos trapalhão do que era normal e até gostei de o ver em campo. Só aguentaram noventa minutos, o que é compreensível.

(-) Depoitre. Um jogador na posição dele e da forma como joga e como pode contribuir para o bem da equipa não pode falhar tantos golos. Não é possível poder contar com um homem em quem depositamos as esperanças de conseguir reter a bola na área e enfiar a bola na rede quando esse mesmo homem não consegue acertar na baliza.

(-) Capela. Não é um mau árbitro. É um árbitro horrível. Aquela grande penalidade do central do Chaves é tão clara como o interior de um ovo sem a gema e só não a marcou porque não quis. Soma-se mais uma na primeira parte onde André Silva foi abraçado (creio que pelo mesmo fulano) e mais uma boa defesa do Assis dentro da área onde, mais uma vez, nada foi apontado. Três penalties. TRÊS! TRÊS, FODA-SE! E quase tão mau como isso é a quantidade de faltas que marca que é inversamente proporcional à força usada pelos jogadores que cometem as mesmas e só serve para incentivar à fita dos pseudo-lesados. Muito abaixo do que devia alguma vez ser um árbitro em condições, francamente.


One down. Three to go. Enfim.

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Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. E se menina não paga e também não anda, temos aqui uma sopinha bem gostosa de contradições, porque se tu estás a meter moedas na máquina e depois te portas como uma menina, perdes pau e bolas e vais todo choroso para casa. Não me interessa absolutamente nada jogar à campeão durante sessenta minutos para depois estar os outros trinta a lamentar-me num cantinho, com medo de um ídolo com patas de argila podre que não fez nada para amedrontar o David em que transformaste o potencial Golias. Não pode ser, homem, não pode mesmo ser assim que vamos continuar a gerir os jogos daqui para o futuro e as próximas semanas são demasiado importantes para as encararmos com cagaço. Nem com cagança, mas muito menos com cagaço.

E este jogo não é um treino. É uma nova oportunidade para mostrares que a equipa não parou de crescer, porque já vimos isso em campo e queremos confirmar o que vimos. Mas também queremos que tu mostres que estás a crescer e que já lá vão os tempos em que te encostavas ao cantinho do quarto porque a luz estava apagada e havia monstros atrás das cortinas. Monstro bem pior está nas bancadas do Dragão e morde-te o rabo se não lhe fazes peito. Força!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Benfica

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Naquele que foi um dos jogos contra o Benfica em que melhor estivemos nos últimos anos, o resultado é uma valente trampa. E ninguém que foi ao Dragão esperaria que tal acontecesse depois de um jogo em que estivemos quase sempre por cima do adversário, soçobrando perto do minuto K (bonito este murro no estômago, não?) e acabando com as mãos na cabeça. A razão? Muito simples: pensar e continuar a pensar pequeno. Vamos a notas:

(+) A equipa em campo. Não há quase nada a apontar aos jogadores e nem quero individualizar porque estiveram todos bem. Sim, o Corona por vezes falhou na decisão e tremeram-lhe as pernas. Certo, o Otávio podia ter sido mais prático nalgumas situações. Maxi não conseguiu cortar todas as bolas nem Telles cruzar com acerto. Mas houve empenho, entrega máxima, luta até cair para o lado que não teve um final correspondente por algum azar, más decisões do banco (voltaremos a elas em baixo) e uma excelente exibição de Ederson. André, Jota, Óliver, Danilo e todos os colegas lutaram até à exaustão e não mereciam este resultado depois de um jogo em que dominaram o Benfica durante largos períodos e mostraram um futebol interessante, prático até ao último terço e sem grandes invenções, distracções nem paralizações. Ões foram eles. Grandalhões, apesar da estatura. Mereciam, como já disse, outro resultado e mostraram que a montanha-russa de exibições não pára mas fez uma pausa neste jogo. Encararam o jogo como um clássico e estiveram à altura dele.

(+) O público do Dragão. Se houve jogo em que todos estiveram do lado da equipa, foi este. Apoio de princípio a fim, vozes calibradas, músicas moderadamente afinadas mas cantadas em voz alta e forte, o estádio esteve sempre a empurrar a equipa para que conseguisse ficar com os três pontos no bolso. Aplausos estrondosos para os substituídos, gargantas elevadíssimas no golo e uma vibração constante a ser transmitida para dentro de campo. Fosse sempre assim e nunca haveria assobiadores que resistissem.

(-) Liderança fraca. Numa equipa de futebol o principal responsável pela forma como se apresenta em campo é o treinador. Se os jogadores não correm, é ele que não os motiva, seja lá por que método for. Se os homens correm muito, é ele que os incentiva. Se jogam em posse, é por ordem dele e se a forma de jogar passa pelas transições rápidas ou pelo jogo directo, também é o treinador que os ordena a tal. Há sempre um ou outro que não segue as indicações e vai sendo corrigido em jogo ou numa das suas pausas. É ele que coordena a táctica, a estratégia e a disposição em campo que vai mudando durante a partida. Tudo isto para dizer uma coisa: a culpa do empate e de termos perdido dois pontos é de Nuno. Não é do Herrera que chutou a bola em vez de a segurar (foi ele como podia ter sido outro, tal foi o desespero injectado na equipa), não é do Casillas que não conseguiu defender o remate de cabeça, não é de André Silva que falhou a baliza uma ou duas vezes e nem é de Jota que “só” marcou um. É do treinador. E é dele porque transmitiu aos jogadores que é preferível segurar um golo de vantagem em vez de ir à procura do segundo. A culpa é dele porque fez três substituições defensivas num jogo em casa contra um rival que, apesar do jogo ser de tripla, pouco fazia para tentar sequer recuperar o golo sofrido. É dele porque a presunção da solidez defensiva cai por terra num fortuito lance de bola parada ou num ressalto que trai o guarda-redes. É dele porque as opções que toma dizem aos jogadores que não confia neles para conseguir dar a marrada nas têmporas do adversário e talvez seja melhor ficarem à espera que nos rebentem os dentes com uma bigorna que eventualmente cai do céu. A culpa é dele porque empurra a equipa para trás com as entradas de Layun e Herrera em vez de a manter na frente com Brahimi ou Depoitre. A atitude de um treinador é mais importante que a dos jogadores porque não é individual mas colectiva. Porque transmite aos jogadores que está com medo do que o adversário possa fazer e por muito que o adversário não tenha criado grande perigo em noventa minutos (aquele chouriço do Eliseu e o remate do Samaris que Iker defendeu para canto foram as únicas oportunidades decentes), acaba por acreditar e não desiste. Para terminar, a culpa é dele porque deixa a sorte decidir o que o nosso talento poderia ter decidido. E isso, aos meus olhos, não tem perdão.


Entramos a cinco pontos, saimos a cinco pontos. Ainda falta muito mas perdemos uma grande oportunidade de ficarmos a dois. E não vão haver muitas melhores que esta.

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