O nabo

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Imaginem que trabalham num qualquer escritório e que há lá um fulano que toda a malta conhece e que é um nabo. Um daqueles gajos que por muito que tente ser um tipo perfeitinho acaba por só fazer borrada, mas borrada da grande. Mete talheres no micro-ondas, despeja café nos relatórios, apalpa a secretária do chefe, atira tabaco para as petúnias e orgulha-se por não lavar as mãos depois de urinar. Ainda por cima, esse nabo é um nabo arrogante, que assume poucas responsabilidades pelas próprias nabices e que insiste que a nabologia é a ciência do futuro e todos deveriam aspirar a ser tão nabos quanto ele.

E imaginem agora que vêem o nabo a subir na empresa, a galgar terrenos que deveriam ser estranhos para ele, a enfeitiçar chefes, colegas e malta de outras empresas com as suas nabices e mesmo a trabalhar pouco e mal, lá vai chegando para manter o emprego. Não só isso, a manter o emprego e a ser premiado pela nabalheira geral do seu trabalho. Antes dos períodos de avaliação, o nabo faz peito, mostra os dentes e exibe a nabice como prova do que sabe fazer. Do melhor que sabe fazer, aliás. E os outros, tanto ou mais nabos como ele, continuam a louvar e a exortar as nabilidades do nabo como se tivessem saído directamente de um qualquer Deus agricultor, perito no trabalho dos nabos.

E nós, os não-nabos, que olhamos de fora para esta nabilização da companhia bem limitada que é o nosso futebol, vamos tentando perceber como é que um nabo convive com tantos outros nabos e ninguém o arranca do quintal pela raiz. Ninguém percebe. E o nabo, como é lógico, também não percebe.

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Vinte e dois

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Com a chegada de Campaña, revisitemos os passados vintes-e-doizes do FC Porto desde 1995/1996:

 

1995/1996 Jorge Costa
1996/1997 Jorge Costa
1997/1998 Darko Butorovic
1998/1999 Nica Panduru
1999/2000 António Folha
2000/2001 Rubens Júnior
2001/2002 Victor Quintana
2002/2003 Paulo Ferreira
2003/2004 Paulo Ferreira
2004/2005 Giourkas Seitaridis
2005/2006 Fatih Sonkaya
2006/2007 Wason Rentería
2007/2008 Wason Rentería
2008/2009 Andrés Madrid
2009/2010 Miguel Lopes
2010/2011 Miguel Lopes
2011/2012 Eliaquim Mangala
2012/2013 Eliaquim Mangala
2013/2014 Eliaquim Mangala
2014/2015 JOSÉ CAMPAÑA
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Dragão escondido – Nº28 (RESPOSTA)

A resposta está abaixo:

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Um dos nomes mais notáveis a passar pelo FC Porto na mudança de século, Renivaldo Pereira de Jesus, conhecido no mundo da bola como “Pena“, é um nome que viverá para sempre na memória dos portistas que ainda se lembram de assistir ao lento definhar do penta-campeão nacional, como que temendo o apocalipse que afinal foi só uma promessa estúpida de meia-dúzia de monges medievais alcoolizados. Era um avançado temido pela sua eficiência…em ganhar ressaltos consecutivos que o levavam a ficar em frente ao guarda-redes sem sequer perceber como lá tinha chegado. Teve a dificílima tarefa de fazer esquecer Jardel e só o conseguiu porque até hoje ninguém conseguiu perceber como é que foi o melhor marcador da Liga Portuguesa em 2000/2001 (os rivais não foram grande espingarda, admita-se…Van Hooijdonk e Rafael – sim, esse – João Tomás, Hassan, entre outros génios). Ainda assim, mal-amado entre os adeptos que se dividiam entre os que o apoiavam e os que achavam que o homem era forte e gordo e só corria e rematava em força e mandava os adversários abaixo (no fundo o mesmo que viriam a dizer sobre Hulk, a outro nível), este rapaz marcou 42 golos em 87 jogos pelo clube (quase um golo a cada dois jogos), incluindo esta pérola aqui no video, de cujo jogo foi tirada a fotografia acima:

Entre as apostas erradas da malta:

  • McCarthy – Ainda não fazia parte do plantel na altura que este jogo foi disputado (Outubro), só chegou ao clube em finais de Dezembro de 2001, emprestado pelo “QUEM É O NOSSO AMIGO? O CELTA DE VIGO!”;
  • Chaínho – Já não fazia parte do plantel em 2001/2002, saindo no final da época anterior;
  • Clayton – Jogou nesta partida (substituído aos 69 minutos juntamente com Capucho por Söderstrom e…Esnáider) mas fisicamente era mais “Costinha” que “Pena”;
  • Costinha – Esteve presente neste jogo mas as coxas do rapaz eram, em grossura, aí um terço das de Pena…;
  • Kenedy – Quase que era ele! Se excluirmos o facto de só ter feito uma época no FC Porto…em 1997/98…;
  • Ibarra – Titular durante grande parte da época, jogou também nesta partida mas como se pode ver não era ele na imagem;
  • Jorge Andrade – Titularíssimo na equipa e também neste jogo, mas não era ele. Pensei que eram muito diferentes em termos de altura, mas o zerozero diz-me que não (Pena: 1,76m, Jorge Andrade: 1,84m);

O grande vencedor foi (um anónimo que teve azar porque sem nome não leva os props) Daniel T, com a resposta certa a ser dada às 8h40 da manhã. Vinte minutos depois do post ser publicado. Nice.

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Moreirense

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Pela quinta vez consecutiva (noutros tantos jogos oficiais que já foram disputados esta época), o resultado é melhor que a exibição. Mas se na primeira parte tudo parecia frouxo, com pouca movimentação, espaços enormes não ocupados na zona defensiva do Moreirense e muitos passes directos mal efectuados, a segunda parte trouxe melhorias e o futebol subiu de qualidade e acima de tudo de eficácia. No fundo foi mais do mesmo: Brahimi a romper, Óliver a rodar, Jackson a marcar. Ah, e um penalty falhado, para não destoar com o que tem acontecido nos últimos anos. Enfim, vamos a notas que se faz tarde:

(+) Jackson. Já leva quatro golos no campeonato (mais um na Champions) e subiu a média para um golo por jogo. Não se pode pedir mais a um ponta-de-lança que continua moralizado e que é um deleite para os extremos quando recua para lhes endossar a bola em corrida. Prova disso foi o tremendo toque de calcanhar a isolar Quaresma no início da segunda parte, a somar a uma data de outros passes em que depois de controlar a bola no chão consegue vislumbrar quase sempre a melhor trajectória para fazer o jogo rolar em direcção à área do adversário. E o primeiro golo é brilhante pela elevação que consegue no meio dos dois centrais do Moreirense, depois de um balão de José Ángel. Nota 20 (ou 10, em versão Football Manager).

(+) Maicon. Sem grandes brincadeiras, com sentido prático acima da (sua) média, Maicon esteve quase perfeito durante todo o jogo. Raramente se atreveu nos passes longos verticais (deixou essa tarefa para a desgraça que foi hoje Casemiro), foi milimétrico em vários cortes e impediu muitos ataques do Moreirense pela antecipação e bom jogo posicional. Está a ser o patrão de que precisamos, pelo menos nesta altura da época.

(+) Danilo. Um dos melhores jogos que me lembro de ver deste rapaz com a nossa camisola. Apareceu em apoio do ataque sempre que possível, audaz, sempre a pedir a bola mas mantendo-se bem posicionado para evitar contra-ataques do adversário. Tapou muito bem o flanco e fez as diagonais necessárias para tentar o remate, que conseguiu por várias vezes com boa ajuda de Quaresma, mas serviu fundamentalmente para abanar a dupla Óliver/Brahimi, que não pareciam conseguir furar pelo centro. Foi Danilo, com diversas intercepções no meio-campo adversário, quem mais trabalhou para empurrar o Moreirense para a sua área, especialmente na primeira parte. Excelente.

(-) O meio-campo durante toda a primeira parte. Raramente houve uma jogada com entendimento acima de uma triste mediocridade, muito abaixo do que podem e sabem fazer. Para arranjar desculpas podemos culpar a rotação posicional de Óliver e Brahimi, que não têm rotinas a jogarem próximos um do outro; podemos atribuir as culpas à bebedeira intelectual (vamos assumir que foi dessas) de Casemiro; podemos elogiar o posicionamento do Moreirense, astuto e voluntarioso na pressão alta; até podemos criticar a colocação de Adrián e Quaresma, ambos demasiado longínquos das áreas de influência e com pouca intervenção no jogo ofensivo da equipa como um todo para lá dos rasgos individuais, também eles pouco produtivos. Mas sejam quais forem os verdadeiros culpados pelo jogo pastoso e arrastado, houve enormes buracos no meio-campo ofensivo, viram-se demasiados passes errados (a fazer lembrar o primeiro ano de Guarín e o seu trademark “passe/remate” para rodar de flanco), excessiva confiança no passe longo vertical e pouco discernimento na organização de lances ofensivos. Talvez faça bem a Lopetegui assumir de vez um onze-base, ou pelo menos uma estrutura de meio-campo consistente para que possamos atravessar esta fase embrionária com mais tranquilidade, caso contrário podemos ter muitos jogos sofridos como este.

(-) Casemiro. Diz-me a verdade, rapaz: tu ontem foste para os copos, não foste? Bebeste uma cervejinha ou doze a mais, afinal está um calorzinho porreiro e a noite ontem até estava propícia para uma copada com os amigos…e ficaste distraído com as horas e com os “finos”, achaste piada ao nome e não paravas de pedir. É que não vejo outra explicação (se quisesse ir para a badalhoquice também podia, mas hoje estou a tentar ser “PG” e não me deu para a porcalheira) para a miséria de jogo que fizeste hoje, pá. Sempre distraído, lento, incapaz de reter a bola nos pés durante mais de um segundo, passes tortos, com força a mais ou a menos mas nunca adequada à situação. Vai para casa, enfia duas pastilhas de Guronsan num copo alto cheio de água, bebe tudo de golada…e dorme. Amanhã vais sentir-te um homem novo. Que remédio.


Três jogos para o campeonato, seis golos marcados, zero sofridos. Não estamos a jogar um futebol deslumbrante, deixo isso para mais tarde, o importante é continuar a ganhar. E não receber jogadores mancos vindos das selecções, também dava jeito.

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