Balancemos – Q1 2013

Numa altura em que se fazem mais balanços que um puto num baloiço depois de beber uma lata de Red Bull, junto-me à carneirada. Numa série de quatro posts, aqui vai o que por aqui foi escrito de mais importante, parvo e razoavelmente sonante no passado ano. Comecemos pelo primeiro trimestre:

Janeiro

“Proponho mudarmos o nome do rapaz de uma vez por todas para Mangalho. Mangalhão, para os mais excitáveis.”

“Não sei como é que não chamaste o Paulinho e lhe disseste: ‘ó caxineiro, queres dar uma perninha? dá uma fueirada ali no catorze. vai, querido, dá-lhe amor.'”

“Sou portista, e razoavelmente fanático para continuar a ver um jogo que tinha quase tanta excitação como um quadro de ardósia numa escola primária às escuras.”

“É um campeonato fraco, tão fraquinho, cheio de equipas a sobreviver ano após ano, rodeados do fausto de três ou quatro equipas que conseguem brilhar um bocadinho acima da medíocre média que pauta a nossa liga. Uma miséria, que nos rouba a motivação, a alma e de vez em quando o campeonato.”

“Mangala viu um cartão amarelo tão escusado como um retrato a óleo do Manuel Vilarinho de corpete a dançar o can-can”

Fevereiro

“[sobre Moutinho] Já começa a ser complicado falar de ti sem que me comece a babar e a agradecer a Deus e ao Sporting por te ter “despachado” para o nosso seio.”

“Ninguém é acarinhado mais tempo do que faz por merecer, e se por algum motivo calha de ter um mau jogo, logo as biqueiras de aço estão apontadas directamente ao escroto do infeliz.”

“Uma parte de mim, uma enorme e maioritária parte de mim, fica feliz quando João Pereira falha. Torço como um louco para que faça um penalty desnecessário, que tropece sozinho sem a bola perto, que dê uma Zidanada num adversário ou que, como ontem, tente atrasar a bola para o guarda-redes (na direcção da baliza, mind you) e falhe com um estrondo de doze Torres dos Clérigos a tombar em cima de uma montanha de porcelana. (…) “Vocês viram o que aquele imbecil fez? Mil rinocerontes paneleiros me fodam se não vou gravar aquilo e pôr à entrada de casa por cima do móvel para que as pessoas se sintam bem ao entrar e ver aquela parvoíce!”.”

“A Taça da Liga que ninguém liga, como todas as Taças deste ano, interessam pouco. Passam em parangonas excitadas para jurista ler e adepto conversar no café durante os cinco minutos da praxe para matar o tempo enquanto o café não chega para cedo passar às perfeitas incongruências de um mundo que nem é nosso. É um paradoxo, é o que é, saber que estamos envolvidos sem o estarmos.”

“E é olhando para ele que percebo a pouca importância que Addy alguma vez teve no FC Porto, como tantos outros antes dele. São rodapés na história de um clube, nomes perdidos na mente de tantos adeptos que nunca ouviram falar do Kaviedes mas sabem em que dia o James tem agenda na pedicure.”

“Bravos adeptos que acompanharam a equipa a um terreno que é ligeiramente menos hostil para as nossas cores que Berlim para um negro homossexual nos anos 40″ (…) “Nunca gostei do Vitória, admito, há qualquer coisa de visceral na relação entre mim e aquele clube que os coloca ao nível do desprezo que tenho pela couve-flor, a palavra “corrimento” e o vocalista dos Keane.“

Março

“São estas as vozes escolhidas a dedo por um canal de televisão para defenderem as cores dos seus clubes em frente a um público televisivo de tal maneira vidrado no enaltecimento da carneirada nacional que ainda se dá ao trabalho de ouvir o chorrilho de idiotices que se lembram de proclamar naquele ou em qualquer outro dia.”

“Parece fácil pensar que os rapazes vão entrar em campo com a confiança de Thor com o martelo nas mãos, mas a verdade é que se nota que há uma tristeza latente na forma de jogar, no passe, até no festejo dos golos e dos lances mais bem conseguidos.”

“Não parece haver vontade e inteligência suficiente para conseguir mandar o infortúnio para o caralho, não vejo discernimento em quantidade que nos permita alegrar pelo menos com o entusiasmo, senão com o resultado. Não vi nada. Só vi resignação com a perda da autonomia e da auto-dependência para ser campeão. (…) Curto, grosso e directo: em Março de 2013, Varela tem tanta utilidade na equipa do FC Porto como uma saca plástica cheia com água salgada no meio do Oceano Atlântico. Pensei em metaforizar com um cacto no meio do deserto, mas mesmo parado e inconsequente ainda pode ajudar a tapar vento ou a dar sombra para proteger do Sol.”

“Varela e Atsu parecem estar num eterno jogo de Arkanoid (…) Sucedem-se passes após passes com a pontaria de um rinoceronte bêbado com o corno torto a apontar para o anel de Sauron. (…) parecemos uma equipa de Marianos González com delirium tremens”

“A táctica é ambiciosa mas tem falhas. Tem falhas por um motivo muito simples: é bonito querer jogar à Barcelona. É audacioso pensar que o podemos fazer. E é utópico pensar que o conseguimos facilmente ao fim de meia-dúzia de meses.“

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Baías e Baronis – Sporting 0 vs 0 FC Porto

Nota prévia: esta crónica vai estar repleta de vernáculo. Assim cheia cheiinha como um prato de bacalhau de Natal com couves e pencas e batatas e molho fervido, como se faz cá em casa. Porque vi o jogo com um nervosismo acima do normal e porque me ia sentindo mais chateado à medida que a partida ia decorrendo. O jogo foi vivo, dinâmico, demasiadamente partido para ser visto com normalidade, apesar da baixa importância da competição. Um clássico é um clássico, goddamnit, por isso a emoção foi crescendo dentro de mim e ia saindo aos poucos sob a forma de insultos genéricos, diatribes descontroladas e palavras avulsas atiradas para o écran. E no final, uma sensação de dever cumprido mas sem a força de outros tempos. Somos uma equipa jeitosa, com pouco talento e demasiados erros, mas que ainda sinto poder ser trabalhada para vencer esta e outras provas nacionais. Enfim, vamos a notas que se faz tarde:

(+) Fabiano. Não há grande volta a dar: o rapaz deu muito bem conta de si e confirmou que é uma excelente opção para funcionar como understudy do Helton. Se tirarmos da vista algumas falhas nos cruzamentos, onde pareceu sempre apontar para a cabeça de Maicon, esteve em grande durante todo o jogo, defendendo tudo que lhe apareceu à frente (e não foi pouco). Com os pés jogou sempre simples e sem inventar, mesmo quando a tarefa não lhe foi facilitada por Alex Sandro que lhe passou várias vezes a bola para tão longe que o rapaz teve de se esticar todo para não fazer cagada. Mas aquela jogada do Carrillo onde Fabiano lhe sacou a bola dos pés, para depois defender um remate à queima do André Martins (creio) e correr para a baliza para se lançar e evitar o golo do Cedric…é estupenda e mereceria um aplauso de pé se lá tivesse estado. Grande jogo.

(+) Os centrais. Quase impecáveis na defesa da área, tanto Maicon como Mangala conseguiram evitar quase todas as situações de perigo pelo ar e pela relva. Maicon esteve excelente nos cantos defensivos, aviando tudo que lhe aparecia pelo ar, e Mangala também muito bem na marcação e no corte de alguns lances perigosos que os jogadores do Sporting, na sua forma oh-tão-rápida de atacar e de lançar bolas lá para o meio, perceberam que não seria por ali que criariam perigo e toca de mandar a bola para as alas onde se saíram bem melhor. Com dois centrais assim…não calça mais nenhum.

(+) Fernando. Enquanto esteve em jogo foi o único elemento do meio-campo portista que conseguiu lutar contra as debulhadoras de verde que por ali andaram e que jogaram mais vezes com os braços e com as pernas sem a bola (e sobre os nossos macios jogadores) do que de facto com ela. E se tivesse um poucochinho mais de talento para saber o que fazer com a bola depois de subir a cavalgar pelo terreno fora…era do carago, isso é que era.

(-) Herrera. Tem de ir rapidamente ao médico para perceber se sofre de qualquer forma mexicana de narcolepsia. Há alturas do jogo em que lhe parece parar o cérebro e alhear-se do lance que está a decorrer QUANDO TEM A PUTA DA BOLA NOS PÉS! Não consigo entender-te, coño, palavra que não, mas se não mudas rapidamente a tua capacidade de estar atento 100% do tempo em que estás em campo, vais levar muitas mais notas destas. O que custa mais é perceber que o rapaz até tem talento e é invulgarmente forte para a constituição física aparentemente débil…mas deita tudo a perder com passes falhados em demasia (e em situações perigosas para a defesa) e esses blackouts pontuais. Acorda, homem!

(-) Os laterais, especialmente a defender. Danilo até tem vindo a fazer uma época jeitosa, mas insiste em falhar consecutivamente no primeiro passe/arranque/sprint ofensivo, desiquilibrando a equipa e tornando-a permeável a contra-ataques rápidos. Diversas falhas defensivas por mau posicionamento, corrigiu e melhorou na segunda parte. Alex Sandro continua a jogar mal, sem garra e sem cabeça, com passes cruzados de trinta metros que estão destinados ao falhanço antes sequer de sairem dos pés dele e incompreensíveis momentos apáticos em que parece esquecer-se da bola. Haverá um vírus Herrera?

(-) Licá. Inconsequente. Sem capacidade de ultrapassar o adversário directo, insistiu em cruzamentos que batiam sem falha no gajo que estava à sua frente. Lutar é giro e tal mas para isso já cá tivemos um argentino (que até marcou um golaço ao Sporting) que fazia o mesmo e pouco mais. Juro que pensei que ia conseguir ser mais do que está a mostrar ser. Parece que me estou a enganar com o rapaz.

(-) A habitual filhadaputice do gamanço. Ora então vamos lá a isso. Já não é de agora que esta merda me fica atravessada (lembro aos leitores esta pérola de aqui há uns anos: https://www.porta19.com/2012/01/basta-me-pensar-um-bocadinho-lembro-me-logo-sempre-saimos-de-alvalade-sinto-como-uma-ourivesaria-na-almirante-reis/) mas parece que há uma insistência divina em fazer com que a história se repita. E acontece sempre no mesmo caralho do mesmo estádio que agora até tem nome diferente mas onde já devíamos estar habituados a ser assaltados quando lá passamos. E raramente são lances parvos de penalties, que só hoje houve praí quarenta reclamações de mãos e saltos e pinchadelas de verdes para a piscina, porque André Martins e Wilson Eduardo devem gostar mais de lamber cricas do que jogar à bola e andam sempre com os dentes a roçar na relva. Mas ao mesmo tempo, esse mesmo André Martins adooooooooooora dar pontapés nos gémeos dos adversários e safa-se com muita facilidade. Uma palavra também para o próximo trinco da Selecção, que é um jogador muito acima da média mas que hoje devia ter levado um vermelhinho por uma trancada que deu no Varela que só não lhe pôs a perna a sangrar porque não lhe acertou em cheio. E esse mesmo Varela, que foi parvinho por responder a mais um encontrão do insurrecto do defesa-esquerdo que joga naquela zona (porquinho mas normal num jogo destes) e levou um cartão amarelo, ficou à espera que o adversário também levasse um da mesma cor, mas nada acontece. E Cedric, no meio das suas quarenta e nove faltas, todas elas reclamadas com mãos na cara e lamentos de virgem fodida por doze hunos, lá se foi safando até ao final. Ou Adrien, que foi ou será lenhador noutra vida e que parece pensar que o futebol se joga acima do joelho, também escapou pelos pingos da chuva dourada que aposto deve gostar. Tudo isto para depois, inclemência nunca única e certamente repetida (como, citando os exemplos do post acima, Maicon, Emerson ou Costinha e as facilitadas de Rui Filipe, Kostadinov, McCarthy, Mielcarski, Seitaridis e Domingos), toca a expulsar Carlos Eduardo por uma falta que tantos, mas tantos, TANTOS FILHOS DA PUTA DO OUTRO LADO TINHAM FEITO ATÉ AÍ! Enerva-me, pois claro que me enerva. Enerva-me porque é sempre a mesma merda com aquela gente. Os que se queixam mais são habitualmente como o defesa que levanta o braço para reclamar fora-de-jogo. A culpa, na maioria dos casos, é mesmo dele.


Empatámos, o que nem se pode considerar um mau resultado tendo em conta que era o jogo mais complicado e que os dois próximos encontros se jogam no Dragão e onde duas vitórias podem selar a qualificação para a próxima fase. Esperava mais da equipa? Sinceramente, não. Tive o que estava à espera, algum controlo emocional perdido, inúmeros passes falhados na saída para o ataque, ineficácia ofensiva e suficiente cobertura defensiva para aguentar um jogo complicado. Meh.

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Ouve lá ó Mister – Sporting

Mister Paulo,

Que sejas muito bem vindo de volta ao burgo! Estamos todos prontos para fazer a digestão da enormidade de comida que nós, os sortudos, enfardámos neste período natalício e que melhor maneira para enfiar os bolos todos na memória que um jogaço do FC Porto? Nada, meu caro, nadinha mesmo!

Devo dizer-te, logo para arrancar, que fiquei um pedaço desiludido com a convocatória. Estava à espera de olhar para a lista e ver algumas caras novas, diversidade de nomes e de ficar já com uma imagem mental de vários gajos com números de NBA a jogar em pleno relvado de Alvalade. Compreendo que muitos tiveram jogo dos Bês na Trofa (que vi e achei muito interessante, como vários outros jogos que já vi dos putos. Tens ali material para trabalhar, Paulo, tens mesmo…), mas ver gajos com cinquentas e setentas e oitentas nas costas a roçar-se na lagartada como se os estivessem a foder em seco era algo que me podia animar a noite de Domingo, especialmente enquanto tento digerir mais uma dose de farrapo velho que insiste em sobrar para as minhas próximas refeições. Isso ou lançar-lhes o Josué. Parece que, mais uma vez, vamos apostar na Taça da Liga sem apostar de facto na Taça da Liga. Às vezes incomoda-me um bocadinho esta sinusóide de intenções, mas como não sou eu a mandar, só posso mandar a minha posta e deixar-me ficar por aí.

Assim sendo, estão os grandes menos o Helton e o Quintero. Nada mau. Ia-te pedir para dares alguns minutos aos rapazes menos rodados, mas parece que do grupo que escolheste só o Ghilas e o Kelvin é que se enquadram nesse grupo. Tu os escolheste…agora mete-os em campo!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Olhanense

Foi talvez o jogo mais fácil do ano, pelo menos do campeonato. E foi fácil não só pela inepta participação do Olhanense, digno representante da segunda Liga do próximo ano se mantiver este nível de qualidade que mostrou hoje, mas também porque o soubemos tornar fácil. Sem um futebol extraordinário, a equipa foi prática e ofensiva nos momentos necessários, com várias peças em sub-rendimento mas acima de tudo com um rapaz que está a cair bem no goto dos adeptos pela capacidade criativa, desenrascada e inteligente com que tem vindo a jogar e a fazer jogar o FC Porto. Carlos Eduardo é o homem do jogo e é um bom exemplo da forma como podemos aproveitar a equipa B para ir construindo a imagem de um jogador para que ele próprio saiba aproveitar as oportunidades quando lhe são dadas. Vitória grande que podia (e devia, não fosse o guarda-redes do Olhanense defender montes de lances de golo feito) ter sido bem maior. Vamos a notas:

(+) Carlos Eduardo. É diferente de tudo que tinha visto este ano, o que se torna ainda mais importante quando percebo que o faz a partir de uma posição que estava tão necessitada de um jogador mais irreverente que Lucho, perdido em teias defensivas que o faziam perder-se em campo e obrigavam o FC Porto a jogar quase com menos um jogador. Carlos Eduardo, que até começa a fazer lembrar Deco pelo estilo de controlo da bola e pelo remate fácil (e que grande golo marcou hoje), pode ser uma peça importante para a contínua evolução da equipa e acima de tudo para conseguir fazer o que nenhum colega até agora tinha conseguido: um meio-campo ofensivo que desiquilibre quando chega perto da área. Gostei de o ver mais uma vez e estou certo que só perde o lugar que ganhou a pulso se baixar muito de produção.

(+) Fernando. Com Lucho “a seu lado” mas não literalmente na horizontal do agora luso-brasileiro, Fernando solta-se. Há mais espaço, menos Defour, menos Herrera, menos Josué, menos factores que atrapalham a progressão do 25 em campo e essa liberdade, por muitos reclamada desde o início da temporada, nota-se na perfeição quando recebe a bola em balanceamento ofensivo e procura um colega na lateral, levando o jogo mais para a frente, cada vez mais para a frente. Esteve bem na intercepção mas particularmente bem na rotação da bola em posse.

(+) Olha, golos! Já não sabia o que isto era, para vos ser sincero. Sair do Dragão com quatro golos marcados já parecia uma memória antiga que se ia esfumando enquanto o tempo alegremente passa para mim, como o faz para todos, esse cabrãozinho. E ver golos a aparecerem a partir de cantos (mais uma vez, Carlos Eduardo a assistir), ou em remates espontâneos de fora da área, dão um alento extra a um futebol que já foi extremamente pobre mas que parece, a espaços, dar alguma confiança aos jogadores e mostrar que eles são capazes disto e de muito mais. É só quererem e, com alguma sorte, a bola lá vai acabar por entrar.

(-) Lucho. Aí pela metade da temporada de 2007/2008 houve um intenso abaixamento de forma de Lucho, que parecia locomover-se à velocidade de uma vela pousada numa mesa. Hoje, tal como em Vila do Conde e em Madrid, Lucho mostrou-se com muito pouca rapidez de execução, estranhíssimas falhas técnicas e uma quase total inoperância no pautar do jogo ofensivo da equipa. Questiono-me se é um abaixamento momentâneo, se está finalmente a ceder à pressão do PDI ou se ainda se está a adaptar a uma nova posição, mas é neste momento um elemento com produção nula.

(-) Licá. Insisto: o rapaz não é extremo e não me parece uma postura sã insistir em colocar o rapaz a jogar numa ala onde nunca terá o rendimento que procuramos a não ser em jogos que exijam contra-ataques em vez de um ataque permanente e persistente à baliza adversária. Continua esforçado mas as falhas técnicas e a incapacidade de driblar um defesa paralítico fazem dele mais uma peça que está desadequada à posição e que não produz pelo simples facto de não saber como o fazer. Estamos a queimar um rapaz que pode ser útil num futuro próximo, mas nunca a partir da ala.

(-) A opção por Mangala na esquerda. Sou talvez um bocado suspeito, especialmente olhando para a miríade de adaptações que se fazem no futebol actual e pelos louvores divinos que Ferguson recebeu no Manunaite, muito embora tenha sido um dos principais responsáveis por alinhar com defesas compostas por quatro centrais, que me faz uma comichão que nem imaginam. Chamem-me redutor, parvo, leigo, pouco instruído, mas prefiro ver um central a jogar como central e um lateral na lateral. Fonseca, talvez com um enorme cagaço de introduzir ainda mais entropia numa defesa propensa à falha fácil, optou pela “segurança” do francês à esquerda em vez de promvoer Quiño ou Rafa da equipa B. Discordo da opção, a equipa fica manca numa das alas e é triste ver o pobre do Eliaquim a fazer o que podia, com arrancadas tão subtis como uma divisão de Panzers numa loja da Vista Alegre, que só consegue fazer porque é mais forte e tem uma passada mais larga que os adversários. Até pode funcionar, mas nunca funcionará sempre e é uma falta de confiança também nos rapazes que trabalham para conseguirem um lugar quando a “sua” vaga está livre. Assim…mais vale não trabalharem.


A equipa parece estar numa rampa ascendente de forma e especialmente Fonseca parece começar a perceber a melhor forma de colocar as peças em campo. É verdade que Lucho está em baixo e que falta um extremo em condições para poder equilibrar uma formação que age de uma forma mais débil do que pode fazer em campo, mas os erros defensivos vão sendo corrigidos e o meio-campo, apesar de ainda não ter a rotação que é exigida, parece mais intenso na recuperação e mais prático na criação de lances ofensivos. Conseguiremos continuar a jogar decentemente até irmos à Luz? Espero que sim.

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