Baías e Baronis – Chaves 0 vs 4 FC Porto

foto retirada do zerozero

Simpático. Quando comparamos este jogo com o jogo de Moreira, vemos uma diferença muito grande: pernas. Pernas de alguns jogadores que, não tendo o mesmo nível dos homens que costumam ocupar o lugar, fazem a diferença porque a maior parte das vezes o facto de estarem a 100% significa que consigam fazer o mesmo que os outros, num nível bem inferior de pernedo, já não conseguem. Soares, Maxi e Otávio (sim!) deram à equipa um boost muito importante num jogo que foi bem mais fácil do que seria previsível. Vamos a notas:

(+) Soares. Dois golos (um dos quais num remate estupendo que seria ainda mais notável se o Sérgio Oliveira não tivesse iluminado metade de Trás-os-Montes com o golo dele) e uma exibição de trabalho, de constante luta e empenho em ajudar os colegas e a tentar limpar a imagem dos últimos tempos. Parecia o Soares que cá apareceu aqui há um ano e que quase sempre que tocava na bola criava perigo. Pois seja bem vindo de volta, caríssimo!

(+) A primeira parte de Otávio. Não tenho outra hipótese senão congratular-me por ter mexido com ele. Fui eu, obviamente, que peguei pelos virtuais colarinhos do super-saiyan e lhe disse para man-up-ar o jogo dele. E ele, diligente ao ponto de me fazer sentir mal por ter criticado tanto a sua performance contra o Sporting, procedeu a fazer um jogo bem acima da média do ano, a jogar primeiro em 4-3-3, depois em 4-whatever-thefuck-coiso e finalmente como segundo avançado, sempre em bom nível e acima de tudo prático e objectivo. Gostei de ver e este Otávio pode aparecer sempre, mesmo com aquela coisa na cabeça. Fuuuuuuuuuuusão para ti também.

(+) Sérgio Oliveira. Para lá do golão que marcou, está cheio de moral e nota-se em campo, porque se mexe mais e melhor. Porque se empenha nos lances a 100% e parece querer mostrar ao treinador que é ele que vai continuar a jogar mesmo depois de Danilo estar em condições. Não vai acontecer (a não ser nalguns jogos mais pontuais, aposto) mas é muito bom saber que Sérgio está aí como uma opção válida para o onze ou para o banco. Suplentes perto do nível dos titulares. Oh brother, don’t let this end.

(+) Reyes. Sim, eu sei, levou ali com um nó do Mattheus que ainda deve estar à procura dos rins, mas esteve muito bem nas dobras, excelente na intercepção e quase perfeito na capacidade de ler o jogo que é, ou parece ser, a sua maior mais-valia que aplica nos jogos. Se na quarta-feira não houver Marcano, será uma dupla Reyes/Osório no centro da defesa. Só espero que se entendam bem.

(-) Há faltas fixes e depois há as faltas do Maxi. Até nem fez um mau jogo, longe disso. Mas fez algumas imbecilidades que me enervaram, primeiro com um possível penalty onde Maxi estica o braço de uma forma muito evidente para o lado e para cima do adversário e depois com algumas entradas e puxões que podiam perfeitamente ter feito com que levasse um cartão e depois outro. Não tenho grandes dúvidas que na decisão de colocar Ricardo em campo com um resultado tão fácil pesou também a eventualidade do uruguaio ser mandado para o balneário mais cedo…

(-) Marega. Chiça. Ei pá. Porra. Oh. Foda-se. Tudo isto são pequenas expressões que soltei ao ver Marega hoje em campo, num dos piores jogos que fez pelo FC Porto, incluindo a primeira passagem. Incapaz de pensar com a bola nos pés e sem velocidade e grande capacidade para criar perigo, foi exactamente o Marega que aprendemos a odiar. Pouco prático, esteve trapalhão e aposto que até agora não faz ideia como é que a bola que “rematou” acabou por entrar na baliza. Enfim, mesmo num mau jogo acaba por marcar…


Jornada tranquila. À tarde. Uau, memories…

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Ouve lá ó Mister – Chaves

Camarada Sérgio,

Uma Taça já foi. A outra ainda vamos ver se vai ou se vamos. E ainda há mais uma Taça a disputar e essa é daquelas grandinhas que é tão mas tão grandinha que só nos pode preocupar é se não lá estivemos para a jogar. E como estamos e vamos estar daqui a uns dias, esquece isso e foca-te neste jogo. Porque não tenhas a menor das dúvidas, meu caríssimo berrador: nós estamos na luta a três. Não vale a pena pensar que estamos em primeiro e temos um jogo a menos. Nhac nhac, nada disso. Estamos sempre com outros atrás de nós a morderem (esperemos) o pó que a tua equipa levanta e se deixares de levantar pó…lá está, passas a ser tu a mordê-lo e garanto que nenhum de nós quer ter dentes para isso.

Descanso é para os fracos e como tu não tens fracos (tens mas não admites ter, o que até é fofo da tua parte), toca lá de meter os melhores. Eu aposto, como fiz no último Cavani, no seguinte onze: Iker, Ricardo, Felipe, Reyes, Telles, Herrera, Sérgio Oliveira, Corona, Paulinho, Soares e Moussa. Só para descansares o Brahimi e evitar que o gajo entre na espiral de parvoíce e fique desiludido por não ter pernas para tudo. Só por isso. Se for preciso entra na segunda parte para ganhar ritmo. Ou o jogo, nunca se sabe.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Chaves

Um jogo entre muitos outros jogos que vamos ter este ano (e que temos todos os anos, há que admitir), onde as coisas não parecem correr bem até que aparece um rapaz com alguma sorte e abre a lata de vez. Mal jogado em grande parte do tempo, foi uma vitória que assenta bem mas que não mostra as dificuldades que tivemos para lá chegar, em grande parte por culpa da nossa própria inépcia física e criativa. Merecíamos vencer, mas os três golos parecem exagerados. Ah, e Marega foi o MVP. Yup, esse mesmo. Notas já abaixo:

(+) Marega. Começo a questionar seriamente a minha capacidade para analisar jogadores de futebol. Este homem, o mesmo que na primeira parte caiu sozinho tentando fazer um passe a meio de uma arrancada, num choque neuronal a fazer lembrar um acidente em cadeia (implicando que teria mais do que dois a funcionar, o que parece absurdo em conceito teórico aplicado ao rapaz), acabou o jogo como melhor jogador em campo. E nem merece discussão, tal foi a excelente segunda parte que fez, com Master Moussa a devastar tudo que era jogador do Chaves, desgastando-lhes o corpo e roubando-lhes metros atrás de metros, com investidas pela direita e algumas pelo centro que acabaram por marcar a diferença para os demais. Marega é titular do FC Porto e desde que isso aconteceu vemos um homem que trabalha, luta, produz e concretiza. Não percebo nada disto.

(+) A defesa aérea. Nem Marcano nem Felipe tiveram um jogo estelar do ponto de vista ofensivo, com várias falhas no passe e algumas hesitações na transição ofensiva, expectável e já aqui analisado tendo em conta a exposição ao erro a que estão sujeitos no esquema do Sérgio. Mas a defender estiveram quase perfeitos pelo ar e quase perfeitos pela relva, muito embora tenham permitido que o Chaves criasse dois lances de muito perigo pelo centro, um deles com Layún a colocar o adversário em jogo e no outro…bem, porque não dá para cobrirem o espaço todo se o resto não fizer o seu trabalho, não é? Ainda assim gostei das intervenções aéreas contra malta bem grandita.

(+) Cinco jogos, cinco vitórias, zero golos sofridos. Um dos melhores arranques que me lembro de ver apesar do futebol não ser (ainda) de elevadíssima qualidade. Nem prevejo que venha a ser, mas uma coisa é certa: os resultados estão a aparecer e por agora sem termos precisado sequer de um único Jonalty.

(-) Danilo. Um jogo muito fraquinho, bem abaixo do que consegue fazer. Desde o início que pareceu lento, com acelerações inexistentes e a um ritmo que fazia lembrar Sir William Carvalho mas sem o bigodinho à capanga nos anos 20. Perdeu demasiadas bolas, distraiu-se mais vezes do que o Marega tropeçou e raramente foi um elemento útil no meio-campo. Aliás, temi que fosse por ele que o Chaves conseguisse chegar com perigo à área, porque este Danilo que hoje vi no relvado parecia outro. Estaria apenas a ressacar de uma longa e arrastada tarde de reflexão, afinal o rapaz era aniversariante e tinha chegado à constatação do etéreo que é este nosso trajecto no planeta, à percepção que a idade não é apenas um número mas uma marca indelével que nos arrasta para um infinito triste, escuro, vazio, aproximando-se cada vez mais do fundo de um poço onde cairemos com a inevitabilidade da morte, tão próxima como definitiva. Ou então estava cansado, também podia ser isso.

(-) Corona.  Marega foi o melhor em campo em grande parte graças às arrancadas pela direita no lugar de Corona, a mostrar ao mexicano que não chega controlar a bola de primeira quando é lançada da Estação Espacial Internacional: é preciso fazer alguma coisa com ela. E Corona, mais uma vez, raramente o conseguiu, com lentidão de processos Boláttica e uma incompreensível falta de sentido prático em frente ao adversário directo. Tem ajudado mais na defesa mas exige-se que faça muito mais no ataque.

(-) O exagero vertical na primeira parte. E quando não há ideias nem pernas para mais, toca a mandar bolas para a área. Já agora: really? Já não há pernas? Eu sei que houve jogos de Selecções e esteve meia equipa a jogar enquanto que a outra só treinava, mas já estão todos partidinhos?! Não é cedo para se começarem a ver jogadores com pouca velocidade e ainda menos vontade de meter o pé? Ou já estava tudo à espera do Quaresma? De qualquer forma, houve demasiada verticalidade numa equipa que pode e deve organizar muito melhor o seu jogo. Valeu Brahimi a tentar furar pela relva mas, como de costume, perdeu-se e teve pouco apoio dos colegas, que preferiam enviar a bola direitinha para os avançados. Blergh.


E agora…Champions. Que FC Porto teremos? 4-4-2 do costume ou irá o Sérgio inventar um bocadinho? É já na quarta que vamos descobrir, stay tuned!

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Ouve lá ó Mister – Chaves

Camarada Sérgio,

Já estamos todos com saudades da bola a sério, que isto da Selecção só é porreiro para um gajo ganhar Europeus e pouco mais. O que interessa é mesmo o azul e branco e o resto é conversa de treta para treteiros e adeptos ocasionais. E este jogo é mais um daqueles que me lixa a moleirinha porque é o primeiro jogo que vamos ter antes de um confronto europeu. Já sei que já não é a primeira vez que falo de “primeiras vezes”, mas estás cá de novo e garanto que no próximo ano já não vou fazer isso, até porque ainda vais por cá andar e vais andar de peito feito com o título de campeão acabadinho de ganhar e já não ligas nenhuma ao je. E é para o lado que durmo melhor, garanto-te.

Vais começar já hoje a inventar, parece-me. Com o Jesus e companhia mariáchica a chegar mais tarde e meia rotinha, se calhar vais lembrar-te de enfiar o Maxi a lateral e o Ricardo a extremo. Não me parece mal mas talvez possas mesmo apostar no Hernâni, afinal o rapaz tem de mostrar alguma coisa, certo? E na frente, o Soares volta? É desta? Ou o Moussa continua a surpreender o mundo ao manter a titularidade, faz um poker e faz capas de jornais do Porto até Ulan Bator? Está nas tuas mãos, rapaz!

Escolhas quem escolheres, é um jogo para ganhar cedo e arrumar sem piedade, mesmo que do outro lado esteja o último treinador a ser campeão pelo FC Porto. Até porque do nosso lado está o próximo.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Chaves 0 vs 2 FC Porto

Vento a mais, futebol a menos. Foi um jogo aborrecido, mal jogado, com algumas oportunidades de golo mas uma eterna e enervante cerimónia no remate quando se exige sempre mais sentido prático. Continuamos a navegar à vista num campeonato que ainda pode ser nosso mas que parece cada vez mais longe. Safaram-se dois golos nas alturas certas e uma boa exibição de André², num jogo em que Nuno mexeu mais do que precisava…e fê-lo em boa altura. Vamos a notas:

(+) André². Um belo jogo do carregador de piano mais franzino que há memória no FC Porto, porque a posição que ocupa não se compadece com homens fracos e pequeninos, algo que André tenta contrariar sempre que pode. E o que é engraçado é que raramente o consegue, parecendo ficar quase sempre aquém do que deve fazer, mas não deixa de tentar, o que lhe dá algum mérito. Marcou um e assistiu outro, afirmando-se como titularíssimo neste plantel. Resta saber se continuaria a sê-lo se houvesse opções válidas para o seu lugar.

(+) Ruben Neves. É um jogo diferente quando o nosso menino está em campo em vez de Danilo. O que se perde em força ganha-se em organização, em construção sustentada e até em remate de longe. Melhorou nos livres directos e pode ser muito útil no último jogo quando o Benfica estiver a perder no Bessa e Ruben espetar um balázio nas redes do Moreirense. Leram aqui primeiro, não se esqueçam!

(+) Otávio, quando tem espaço. Belíssimo trabalho no segundo golo, onde esperou mesmo pelo momento certo para enfiar a bola pelo meio dos adversários e na passada de André². E progrediu sempre no terreno quando tinha a bola e acima de tudo com espaço pela frente, de uma forma que Óliver raramente executa e que nos últimos tempos tinha vindo a faltar. Continuo a preferir o espanhol (por um factor de sete triliões de vezes) mas ainda bem que a alternativa é razoável…apesar dos problemas que Otávio mostra quando não tem espaço e que podem ler em baixo.

(-) A entrada em jogo. OUTRA VEZ. Começa a ser complicado arrancar um jogo do FC Porto e não começar imediatamente a insultar quem quer que apareça no campo de visão. A forma da equipa entrar em campo é tão burguesa que não me admirava nada que puxassem de uma revista sobre decoração de interiores para lerem enquanto o adversário faz pela vida. Há tanta displicência, desconcentração, lentidão e pouca vontade de começar a jogar com garra que um dia destes vamos sofrer golos nos primeiro minut…oh wait.

(-) Otávio, quando não tem espaço. Leram o que escrevi em cima? Aquilo é só quando Otávio tem espaço para progredir e caminho livre, porque quando o rapaz se apanha com pernas pela frente…upa, é uma parvoíce de fintas inconsequentes, más decisões, nervosismo e uma postura de “vou ver se saco uma falta antes que perca a bola”. Não tenho grandes dúvidas que essa forma de se mexer em campo faz com que muitas das faltas (como a que teria dado um penalty a nosso favor e que mais uma vez não foi assinalada) sejam consideradas acções de interpretação cénica por parte do brasileiro. E era escusadíssimo, não era? Era, pois.

(-) Mais uma arbitragem simpática. Ora então mais um penalty por marcar. Ora então mais um ou dois amarelos por mostrar cedinho no jogo e que condicionariam os rapazes do Chaves para o resto do jogo. Ora então mais uma expulsão para o Maxi, o homem que foi expulso uma vez em mais de 250 jogos em competições nacionais pelo Benfica (fui verificar os números porque sou doente) e que teve dezenas, DEZENAS de lances iguais a este, com ou sem Xistra, acaba por ser expulso duas vezes em pouco mais de 60 jogos. A expulsão é justa, nada a dizer sobre o lance, mas é notável como a teoria das probabilidades leva uma facada das grandes quando se mete o Benfica ao barulho.


Faltam três jogos. Nove pontos. E o próximo, na Madeira, é ainda mais importante porque acontece antes do Rio Ave vs Benfica. Uma vitória coloca-os com mais pressão, mas qualquer coisa que não sejam os três pontos para nós…enfim, mais uma voltinha.

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