Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Sabes que obraste no bolo, não sabes? Tens a noção que acertaste com o equivalente de um sofá no esterno da grande maioria de portistas que ainda sonhavam poder chegar-se à frente e pisar os calcanhares ao Benfica, não tens? Apercebes-te que agora vai ser progressivamente mais complicado ganhar esta trampa, certo? E também sabes que lixaste o resto das hipóteses de ficares cá para o ano, porque não quero acreditar que um ano zero dure de facto um ano, estou a falar bem?

Pá, Nuno, eu sei que a época ainda não acabou e que faltam quatro jogos e nunca se sabe o que pode acontecer. O Benfica pode escorregar duas vezes em quatro jogos e pode perder os pontos suficientes para que sejam ultrapassados por nós e percam o título mesmo na recta final. Ninguém acredita (nem tu, aposto) mas é possível. E enquanto for possível há que ter alguma esperança, mas é muito triste olhar para os teus rapazes e perceber que por muito que acreditem, parece que fica sempre a faltar alguma coisa e tremem tanto durante os jogos que não sabem se norte é sul, gajo é gaja ou azul é branco. Estavam bem em Bangkok, sem dúvida.

Hoje é o ante-antepenúltimo jogo do ano. Para eles e para ti, acabem ou não vencedores. Quero quatro vitórias até ao fim. Para que fiquemos sempre a lamentar as quatro vitórias que devíamos ter tido nos cinco jogos anteriores. #NeverForget and whatnot.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Chaves

Há jogos assim. Certo, já usei esta frase várias vezes este ano, especialmente quando tentávamos acertar na baliza e parecia mais fácil fazer uma cratera na Lua com um ponteiro de laser a partir da minha varanda. Mas este foi um jogo estranho, com uma primeira parte muito má e uma segunda parte muito boa, ao mesmo tempo que o Chaves mostrou tudo o que uma equipa pequena tem de ter para tentar roubar pontos a um grande: intensidade, contra-ataque rápido, garra, capacidade tremenda para anti-jogo e a complacência do árbitro para que isso aconteça. Pesando os prós e contras, a vitória é justíssima e só podia ser nossa. Vamos a notas:

(+) Casillas. Iker salvou o FC Porto hoje, muito à imagem do que tinha feito no jogo do ano passado na Luz. Um jogo tremendo, com celebrações conjuntas, uma defesa quase impossível, outras de elevadíssimo nível e uma presença sempre permanente no comando da defesa e da equipa. Os campeões são feitos disto mesmo, de jogos complicados onde brilham e mostram porque têm o nome nos livros de histórias até à eternidade. Grande.

(+) Maxi. Lutou, atacou, conquistou terreno contrário como um mouro (historical pun intended) e esteve sempre na busca de um melhor resultado. Apanhou com adversários pouco complicados na defesa, o que fez com que ajudasse bem nos ataques da equipa, acabando num deles a sofrer um abalroamento não autorizado que devia ter sido causa justa para penalty. Não foi porque Vasco Santos fez vista mais grossa que as pernas do central que abalroou o nosso defesa direito.

(+) Os golos. Danilo devia procurar aparecer à entrada da área para criar desequilíbrios e rematar, ou pelo menos tentar fazê-lo. Já Depoitre fez talvez o melhor jogo com a nossa camisola, com uma cabeçada a enviar a bola com a força de sete Guaríns chateados para dentro da baliza. E ambos chegaram no melhor momento possível.

(+) O público. É tão fácil não assobiar os nossos, não é? Quando todos funcionamos unidos num objectivo comum, com a equipa em campo a ajudar mesmo quando não joga bem mas que dá imagem de trabalho e empenho contagiando a audiência. Trinta e cinco mil no Dragão a uma segunda-feira à noite é uma boa casa e com o frio que estava foi uma agradável surpresa depois da miséria da assistência contra o Marítimo. E esses trinta e cinco mil levaram a equipa às costas com apoio de início a fim. Gostei de ver e de contribuir.

(-) Zero de empowerment nas substituições. Nuno toma uma de duas opções possíveis quando se vê perante um resultado tremido: a mais fraca. Retira jogadores criativos e coloca organizadores defensivos, atrasa a equipa e age como um treinador de equipa pequena, partindo-a entre blocos de defesa e contra-ataque, que no fundo acaba por dizer à equipa que não confia neles o suficiente para os manter em campo até ao fim, procurando em alternativa minimizar a possibilidade do adversário criar estragos. A outra opção seria a de manter os homens em campo, fomentando a união e convencendo-os de que são capazes de manter um jogo consistente, organizado e controlando o jogo com ou sem bola mas com a estrutura assente nas mesmas peças, trocando um ou outro jogador por homens que façam o mesmo papel. Talvez não sinta que tenha profundidade suficiente no plantel para esse approach, mas desagrada-me que estejamos sempre a fazer figura subalternizadora em momentos críticos do jogo.

(-) A primeira parte. Estava a enervar-me tanto ver aquela equipa em campo. Tudo corria mal, desde as fintas consecutivamente mal inventadas por Corona às impossíveis combinações de Jota e André, passando pelas cabeçadas tortas de Felipe e pela incapacidade de Brahimi em endossar a bola a um companheiro depois de passar pelo defesa. Tudo em esforço, tudo com pouco discernimento e uma incrível falta de sorte que parecíamos condenados ao regresso da seca. O golo do Chaves é prova disso mesmo porque tudo lhes corria bem, em completo contraponto com o que nos ia acontecendo. Óliver corta a bola para trás e Felipe escorrega sem a conseguir alcançar, onde o avançado do Chaves a recupera, inclina para o interior e remata, a bola ressalta em Danilo e passa metros por cima de Casillas, entrando na baliza. Enervante. Impossível. Azarado.

(-) Aquele penalty sobre o Maxi…é tão evidente e foi de tal maneira ignorado pelo árbitro que se vestíssemos um rinoceronte com um fato de rena e lhe puséssemos um nariz vermelho aposto que Vasco Santos continuaria a dizer que era o Rodolfo.


Dois jogos complicados, duas vitórias arrancadas com garra, algum saber e muita, muita vontade. Agora, férias. Não 100% merecidas, mas esperemos por melhores momentos depois delas acabarem. Ou pelo menos momentos mais tranquilos. Boas férias, rapazes!

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Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Podes encarar este jogo de duas formas diferentes. A primeira envolve uma boca a espumar de revolta, o doce sabor da vingança nos lábios, a sensação de cumprir o dever que foi esquecido aqui há umas semanas numa fria noite transmontana que nos tramou o espírito e nos fez salivar durante mais uns jogos por um miserável golo que parecia estar escondido das nossas mentes e das nossas almas. Essa forma de encarar o jogo é engraçada mas utópica e pode levar a chatices porque quando metes emoção ao barulho há sempre hipótese de deixares que ela comande os teus pensamentos quando as coisas não correm bem nos primeiros minutos. Há, portanto, uma outra forma.

Jogar futebol em condições. Entrar em campo com a vista focada no resultado, com tranquilidade e paz de alma, trocando a bola decentemente, furando quando é preciso furar, rematando quando houver oportunidade para o fazer e acima de tudo com eficácia na rotação do meio-campo, assertividade no controlo da zona defensiva e mais importante que tudo: não adormecer se conseguirmos uma vantagem no resultado. O Chaves pode vir sem treinador (ou com treinador a prazo, ainda não sei muito bem) mas os onze que estarão em campo vão lembrar-se do que nos fizeram na Taça e têm a lição bem estudada para o repetir. Não os deixes.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Chaves 0 vs 0 FC Porto (3-2 em penalties)

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A derrota em penalties não é justa. Ou melhor, a derrota não é justa. O FC Porto fez mais do que o suficiente para conseguir vencer o jogo nos cento e vinte minutos mas uma combinação de ineficácia, anti-jogo e um senhor careca de verde acabou por ser letal para as nossas expectativas. Nada está perd…ah, espera. Aqui já está perdido. Só posso esperar que se vinguem na terça-feira. Notas já abaixo:

(+) Felipe e Marcano. Pelo chão ou pelo ar, estiveram impecáveis. Quer na marcação ao bisonte do avançado do Chaves ou aquele exemplo de Homo Oxigenadus que aparecia sempre pelo flanco esquerdo da nossa defesa, houve sempre dois centrais rijos e sem inventarem problemas para a defesa que raramente foi testada.

(+) Danilo. Cento e vinte minutos de esforço, recuperação de bolas e a noção de que o meio-campo, contra equipas deste género, é todo dele. Sozinho.

(+) Varela e André². Os dois elementos “novos” na equipa, para lá de José Sá, trabalharam muito e apesar de produzirem pouco estiveram quase sempre em rotação alta durante o jogo. André começou mal, com um amarelo no segundo minuto, mas esteve quase sempre bem na criação de jogo pelo centro. Varela também não arrancou bem mas cresceu à medida que o jogo foi avançando e se não consegue a velocidade de aqui há uns anos (sim, eu sou do tempo em que o único jogador mais rápido que o Varela era o…Hulk) foi menos trapalhão do que era normal e até gostei de o ver em campo. Só aguentaram noventa minutos, o que é compreensível.

(-) Depoitre. Um jogador na posição dele e da forma como joga e como pode contribuir para o bem da equipa não pode falhar tantos golos. Não é possível poder contar com um homem em quem depositamos as esperanças de conseguir reter a bola na área e enfiar a bola na rede quando esse mesmo homem não consegue acertar na baliza.

(-) Capela. Não é um mau árbitro. É um árbitro horrível. Aquela grande penalidade do central do Chaves é tão clara como o interior de um ovo sem a gema e só não a marcou porque não quis. Soma-se mais uma na primeira parte onde André Silva foi abraçado (creio que pelo mesmo fulano) e mais uma boa defesa do Assis dentro da área onde, mais uma vez, nada foi apontado. Três penalties. TRÊS! TRÊS, FODA-SE! E quase tão mau como isso é a quantidade de faltas que marca que é inversamente proporcional à força usada pelos jogadores que cometem as mesmas e só serve para incentivar à fita dos pseudo-lesados. Muito abaixo do que devia alguma vez ser um árbitro em condições, francamente.


One down. Three to go. Enfim.

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Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Mais uma moedinha, mais uma voltinha. E se menina não paga e também não anda, temos aqui uma sopinha bem gostosa de contradições, porque se tu estás a meter moedas na máquina e depois te portas como uma menina, perdes pau e bolas e vais todo choroso para casa. Não me interessa absolutamente nada jogar à campeão durante sessenta minutos para depois estar os outros trinta a lamentar-me num cantinho, com medo de um ídolo com patas de argila podre que não fez nada para amedrontar o David em que transformaste o potencial Golias. Não pode ser, homem, não pode mesmo ser assim que vamos continuar a gerir os jogos daqui para o futuro e as próximas semanas são demasiado importantes para as encararmos com cagaço. Nem com cagança, mas muito menos com cagaço.

E este jogo não é um treino. É uma nova oportunidade para mostrares que a equipa não parou de crescer, porque já vimos isso em campo e queremos confirmar o que vimos. Mas também queremos que tu mostres que estás a crescer e que já lá vão os tempos em que te encostavas ao cantinho do quarto porque a luz estava apagada e havia monstros atrás das cortinas. Monstro bem pior está nas bancadas do Dragão e morde-te o rabo se não lhe fazes peito. Força!

Sou quem sabes,
Jorge

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