Baías e Baronis – Belenenses 2 vs 0 FC Porto

foto retirada do twitter oficial do FC Porto

Uma merda. Uma bela merda. Um resultado que só não foi pior porque teria sido ainda mais fracturante ver a equipa a reduzir e a penar desesperada por mais um que provavelmente nunca chegaria. Porque há jogos assim, em que a equipa não está bem, nao se encontra e se lança sem cabeça e só com coração e com poucas pernas na busca de um resultado que não fez por merecer. Porque neste momento estamos em pleno estado de implosão e se o futuro próximo mudar alguma coisa, será uma surpresa tão grande como perceber que o Marega é um jogador fundamental na equipa. Word. Notas:

(-) Pum. Caímos com tanta força como tínhamos subido. E ainda não caímos de vez, atenção, porque ainda podemos recuperar os pontos perdidos e chegar ao final do campeonato em primeiro, como todos queremos, mas as próximas semanas parecem um longuíssimo corredor a caminho do cadafalso final, nós que tínhamos feito uma horrível gestão de expectativas desde o início da época. É isto também o que significa gostar desta merda e gostar de ganhar esta merda e gostar tanto de jogar esta merda. Porque se o futebol me eleva a um nível parvo de euforia e excitação com um drible do Brahimi, um corte do Felipe ou um remate do Aboubakar, também me deixa no profundo desespero, com as mãos a tapar os olhos para que não me permita ver a alegria do adversário e a incapacidade da minha própria equipa se acalmar e encarar o oponente sem que trema de cima a baixo. Os dribles de Brahimi são agora secos, murchos e previsíveis; os cortes de Felipe transformaram-se em atrapalhações sucessivas, balões despropositados e alívios mal conseguidos; e os remates de Aboubakar são agora frouxos, tortos e ineficazes. E uso estes três exemplos como poderia usar tantos outros, num plantel que tem opções que não são usadas, liderado por um treinador que parece não estar a conseguir levar a equipa a um nível de motivação e inteligência futebolística que mostrou (raios, mostrou!) durante vários meses. E estamos a pagar por isso, oh se estamos.


Faltam seis jogos e perdemos seis pontos nos últimos três. Yup, we be fucked.

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Baías e Baronis – Paços de Ferreira 1 vs 0 FC Porto

foto retirada do twitter oficial do FC Porto

No primeiro e potencial único jogo desta época que vejo fora do Dragão, uma banhada. Literal e metaforicamente, porque à chuvada que apanhei até chegar a Paços, enquanto estive em Paços e no regresso de Paços, somo a chuva de lances idiotas, mau futebol, um treinador teimoso, uma assustadora incapacidade de se adaptar a um relvado difícil, um adversário manhoso e um árbitro impossível de suportar. Perdemos pela primeira vez na Liga e não espero que volte a acontecer até ao final da época. Ai deles. Notas:

(+) O apoio nas bancadas. Vários milhares encheram Paços de Ferreira numa noite fria, chuvosa, ventosa, com música nas gargantas e vontade de ver a equipa a vencer. Estive lá e continuo a admirar a malta que se sacrifica para acompanhar o clube onde quer que ele vá jogar, esteja o tempo que estiver, seja para a Taça da Liga ou para a Champions. Eu, que me sinto sempre um outsider nestas situações, fico orgulhoso de haver tanta gente que se predispõe a enfrentar o inverno nos olhos e de o mandar para o mesmo sítio que naturalmente manda qualquer Bruno Paixão, gritando-o como se fosse o último jogo da sua vida. Mas não é, porque na próxima quinzena voltará à estrada. Bem hajam, rapazes.

(-) Defesa? Olha um alívio para o ar. Olha parece que está vento, é melhor dominar a bola ah espera que anda cá carago pronto já a perdi. Olha este gajo parece mais forte que eu deixa-me lá ver se ele não me tira a oh pronto já lá vai. Olha, o gajo está sozinho na área. Olha golo. Foda-se.

(-) Meio-campo?. André André e Sérgio Oliveira não têm culpa. Afinal, seria uma dupla que no arranque da época colocaria aí na nona posição de duplas possíveis no meio-campo do FC Porto, logo atrás da oitava opção, um maravilhoso duo mexicano: “Herrera / Diego Reyes”. A diferença entre eles e a dupla titular (Danilo/Herrera) é tão grande em termos de cobertura de espaços, discernimento e audácia com a bola e pressão alta sem ela que atenua a sua culpa. Mas não atenua o facto de terem sido engolidos pelo adversário e mesmo em inferioridade deviam ter sido uma barreira mais imponente. Ou até uma barreira, ponto.

(-) Ataque? Sem Marega nem Soares, Abou e Waris foram os escolhidos. E Abou falhou, como de costume, mas desta vez não tinha Marega para as segundas bolas mas um jovem ganês que insistia em mostrar que era rápido, mas tão rápido que os colegas procediam a enviar-lhe bolas vinte e trinta metros para a sua frente, achando que o homem voaria sobre a relva para as apanhar. Quando de facto conseguia receber uma bola, não produziu. Aliás foi este o produto do ataque do FC Porto, porque apenas Brahimi a espaços e depois Gonçalo conseguiram ser minimamente perigosos. Corona? Não o vi. Ninguém viu, mais uma vez.

(-) Banco? Pá, Sérgio, és um teimoso. Sim, já sei que preferes o André ao Óliver, mas ainda não viste que o homem não aguenta isto? Que ele não quer ou não sabe o suficiente e não traz mais-valia nenhuma ao conjunto, rapaz? Vá lá, experimenta um dia destes não colocar o gajo a jogar e escolhe outro. Ah, outra coisa que te queria dizer. Mexe na equipa quando aquilo está a correr mal. Estava a correr mal e continuou a correr mal e tu ficaste à espera que as coisas corressem pior e quase que acontecia. E aquela conversa com o Sérgio Oliveira também tem de te ter feito comichão, não tenho dúvida. Põe lá os tomates de volta ao rapaz que ele pode vir a precisar deles, anda lá. E vê lá se voltas a dar força aos rapazes que me pareceram tristonhos, mesmo com o cabrão do Paixão a lixar-lhes o juízo. Quero ver indignação como vi na Feira, carago!

(-) Adversário? Estimo que desçam, como fiz para o Setúbal no ano passado. Este nível de gente, que se indigna todo quando se falam dos “pequenos” mas são os primeiros a agir como se fossem crianças em idade de pré-escolar quando se lhes rouba um brinquedo. Se queimar tempo é uma arte, o guarda-redes do Paços é uma espécie de Michelangelo parolo, rodeado de todos os seus minions que faleciam de cada vez que havia mais uma falta inventada pelo flasher de apito. Adversário foram todos. Do relvado ao árbitro, da bota de Brahimi ao cabrão do guarda-redes do Paços que inventou literalmente faltas tiradas do ar e enganou (oh, le pauvre) Bruno Paixão várias vezes. Espero poder lá jogar no próximo ano mas apenas com a B. Que assim seja.


Tínhamos cinco. Ficamos com dois. Não há mais brincadeira, meus meninos, senão acabam-se os doces. Ai a minha vida.

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Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada Sérgio,

Vou a Paços. Não ia a um jogo fora do Dragão desde o Bessa no ano passado e podes imaginar a minha excitação por poder estar perto de vocês num terreno far far away. Sim, tudo que seja longe do Dragão é far far away, mesmo uma cidade como Paços de Ferreira que fica aqui tão perto. Ainda assim vou estrear-me em jogos fora e não espero menos que uma vitória. E eu também sei que tens meia equipa partida, outra meia cansada e ainda outra mei…nah, já são demasiadas meias, certo? Já dava para calçar um gajo bem avantajado com tantas meias, não dava? Piada demasiado badalhoca, não foi? Ora pois claro que foi.

É para veres o quão pito-aos-saltos estou para o jogo. Não quero sair de lá desiludido, triste, com vontade de me enfiar numa taberna e sair de lá quando o tanque de cerveja já cheirar a morto. Quero sair feliz, sorridente, mesmo que a equipa jogue mal, quero vencer o jogo. Quero que o treinador deles vá à flash com o boné da JCA e diga qualquer coisa como “é muito complicado lidar com talento deste nível, especialmente quando estão em dia bom e com a vontade de serem campeões que mostraram aqui neste campo. Mas estamos orgulhosos da nossa prestação apesar da derrota.” É por aqui que quero que as coisas corram.

Vou a Paços. Lá nos veremos, rapaz.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Paços de Ferreira 2 vs 3 FC Porto

foto retirada do Twitter (não me lembro de que conta, sorry!)

Um jogo que devia ter sido mais tranquilo a nível do resultado mas que foi bem pacífico em termos tácticos e do controlo que tivemos durante toda a partida. Bastava acelerarmos um poucochinho e via-se logo que a diferença entre os nossos jogadores e os do Paços era enorme e só pecamos pela incapacidade de enfiar pelo menos mais umas cinco ou seis bolas na rede. Notas abaixo:

(+) Brahimi. É impossível ver Brahimi e não ficar logo na beirinha da cadeira, sofá, poltrona, onde quer que estejam sentados, prontinhos para saltar depois de mais uma finta em progressão. E depois de um jogo destes, onde Brahimi mais uma vez levou pancada como se fosse um saco de boxe em frente ao Rocky, vê-lo marcar um golaço daqueles e ser o principal desequilibrador da equipa com alegria e vontade de jogar, só posso ficar babado por tê-lo moralizado e em força no nosso ataque. Continua assim pelo menos até ao fim do ano, rapaz!

(+) Herrera (até ao cotovelo maroto). Jogaço do capitão, com excelente posicionamento em recuperação defensiva e acima de tudo a pautar o jogo como era preciso, especialmente numa altura em que os centrais decidiram começar a jogar longo e Hector começou a pegar mais na bola e rodá-la para os locais mais indicados. Estou a ter um momento Guarín com este fulano, depois de o criticar tanto e durante tanto tempo, rendo-me à evolução positiva de um homem que nos pode garantir equilíbrio no jogo e tino nas acções com bola. Quem diria.

(+) Mar Azul. Com o estupendo agendamento de um jogo a um sábado à noite, dia 30 de Dezembro, com frio e possivelmente alguma chuva, houve milhares de portistas que foram até Paços de Ferreira apoiar a equipa e encheram o estádio de azul e branco, cantando durante todo o jogo e fazendo daquele estádio uma casa fora de casa. E apesar das tochas, foi uma alegria ver uma bancada completamente cheia de malta das nossas cores a incentivar os rapazes. A repetir já na quarta-feira!

(-) Demasiados golos falhados. No jogo contra o Rio Ave, para esta mesma competição, escrevi isto: “Meninos, não me lixem. Houve demasiadas oportunidades falhadas para poder ser considerado normal. Muitos remates por cima, indecisões na altura da opção de finalização e quase todos estes lances em bola corrida (sim, porque marcamos dois golos de bola corrida, huzzah!) que não se percebe muito bem se os rapazes estavam a tentar colocar a bola de uma forma mais bonita ou apenas se ficaram surpreendidos pela facilidade com que interceptavam a bola logo no início das jogadas. Ainda assim, merecia um dia de treino específico para todos.”. Só mudo os “remates por cima” para “remates à figura”. Vinham todos à Ben-Hur, amarrados atrás do autocarro até ao Olival para aprenderem.

(-) Os centrais a nanar. Oh minha gente, o jogo tem quarenta e cinco minutos multiplicados por duas partes e vocês passaram uma boa parte da primeira numa indolência terrível, com maus passes longos e curtos, desconcentrações a rodos e uma doentia soneira na altura de fazerem alguma coisa para interceptar bolas do adversário na área. Demasiada passividade nos dois golos do Paços que, aposto, levou a que o Sérgio lhes ganisse aos ouvidos durante o intervalo, porque vieram mais atentos e afoitos para a segunda parte.

(-) A expulsão de Herrera. Foi bem expulso, nada a dizer. O capitão de equipa não pode fazer aquele gesto e colocar em risco a sua continuação em campo e a participação no próximo jogo, porque nem o próprio João Pinto ou Jorge Costa, dois dos capitães que identifico como maiores símbolos do clube a usar a braçadeira (do meu tempo, atente-se) poderiam fazer aquilo sem arriscar um puxão de orelhas de quem quer que seja que mande na equipa. E eu já vi o Jorge Costa a arrancar um escroto com as mãos, regá-lo de bagaço e assá-lo num espeto ao lado da baliza! Pronto, não vi, mas imagino que poderia acontecer cmo alguma facilidade! Foi desnecessário e só pecou pela ineficiência, porque se ia fazer aquela parvoíce, ao menos que tivesse servido para fazer com que o gajo do Paços tivesse de ir para o hospital para lhe tirarem os pré-molares do estômago…

(-) A não-expulsão de vários gajos do Paços. …e continuando com o ponto acima, vamos passar para o outro lado. Gian fez pelo menos quatro faltas que mereciam amarelo com aviso que a reincidência daria mais um. O André Leão passou o jogo a acertar o que via (com uma coerência incrível, ele que só sabe jogar assim há tantos anos), esse mesmo André que amarrou o Herrera como se o fosse raptar fez o mesmo em vários lances e o Mateus entrou para bater em gente de azul e branco. Só, porque nada mais fez em campo. Não discuto o lance do Herrera (nem há nada para discutir) mas vários homens do Paços teriam de ir para a rua mais cedo. Como de costume, foi o nosso que seguiu para tomar banho antes dos outros, tal como Danilo na jornada anterior. Não devia haver um livro de regras para nós e outro para os outros…pero que lo hay…


Final four. Não me consigo entusiasmar muito com isto, apesar da meia-final ser contra o Sporting e um clássico é sempre para ganhar e viver e sofrer…mas ainda há muito campeonato para jogar até lá chegarmos. E é bem mais importante.

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Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada Sérgio,

Como vai essa pança? Da maneira que te imagino, tu és gajo para alapares a peidola na cadeira, arrastares a dita para a mesa enquanto te acomodas para receber o repasto natalício e depois de mastigares o equivalente à dívida externa da Papua em forma de bacalhau ainda és menino para mamares mais uns quantos single malts ao mesmo tempo que gritas para a família “Oh Marega, oh Marega o caralho que se não fosse eu era oh marega vai pró caralho oh moço aí ao canto bota mais uma gotinha que ainda preciso de mais um digestivo!”. Pelo menos é isso que acontece na minha cabeça, se assim não for, as minhas desculpas e parabéns pela vida de asceta que levas, oh worthy one.

Começa a ser altura de te arranjarmos um título à futebol. Tem de ser qualquer coisa acabado em “one” porque…eh pá, porque vende e cola ao ouvido e porque sim. Proponho: “The Recycling One” tendo em conta a quantidade de gajos que foste re-buscar, os Abous e Maregas e Reyeses e afins, que ainda nos dão alegrias e podem (devem!) continuar a dar. E hoje é dia de regressar ao trabalho e nada melhor que um jogo decisivo que nos obriga a ganhar e a fazer pela vida para passar a fase de grupos desta coisa da Taça da Liga. Vê lá quem está em melhor estado, quem tem as perninhas cansadas e quem comeu como um Walter, escolhe bem o onze que eu vou acreditar que é possível jogar à Boxing Day em Portugal. Pá, deixa-me sonhar um bocadinho. Olha, sonhos…volto já!

Sou quem sabes,
Jorge

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