Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Companheiro Nuno,

Isto está bonito, está. Barulho há que chegue mas nunca dos sítios certos nem com a intensidade que é preciso. Podemos estar aqui a berrar do topo das nossas guelras que não vamos conseguir, instituição e adeptos, mexer com um mínimo da estrutura que nos anda a roubar a alma e os pontos em tantos jogos este ano que nem consigo perceber se estamos a ser roubados ou se é este o novo status quo da bola tuga. E como nada muda, tentemos pois mudar nós.

Mudemos a forma de encarar os jogos, desfaçamos a ineficácia através do trabalho, troquemos a infelicidade pelo empenho e cambiemos o Herrera por um cone de estrada. Já sei que o jogo é complicado, que o Danilo vai continuar suspenso e que o Corona não parece meter a terceira quando é preciso. Já sei que o campo é apertado, o relvado é digno para plantar batatas e o árbitro levou um safanão. Já sei que o amarelo é uma cor horrível, que o Maxi ainda não foi expulso mas não falta muito e que o André ainda tem dores nos rins. Mas temos de mostrar que em campo vamos ser melhores que os outros, excluindo a malta do apito. Vamos fazer com que os erros dos gajos dos cartões só condicionem a goleada e nunca a vitória. Dá-lhes a força que lhes têm faltado, Nuno!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Paços de Ferreira 1 vs 0 FC Porto

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A proverbial pá sempre estava lá no poço. E nós, trabalhadores incansáveis na demanda de enterrar a nossa própria alma num local mais profundo, sempre mais profundo, logo tratamos de cavar a terra amolecida com as lágrimas dos adeptos e penetrar mais um recanto de tristeza que agora podemos trazer cá para fora sem qualquer problema. E mesmo hoje, num jogo em que estivemos aí uns doze mil pontos percentuais acima do que tínhamos feito contra o Tondela, acabámos por perder sem grande mérito para o adversário, apenas demérito nosso. No ataque, no meio-campo e mais uma vez na defesa. Suspiro por tempos melhores, só não sei é quando é que vão aparecer. Notas, abaixo:

(+) Sérgio Oliveira. Tentou construir quando os adversários procuravam destruir e conseguiu-o pela intensidade e empenho que colocou em cada lance em que esteve envolvido. Caiu de produção na segunda parte e muitas vezes parece proteger a bola com os olhos em vez de usar o corpo, mas quando pega na bola sabe o que fazer com ela e tenta fazê-lo bem. O facto da titularidade ter vindo num momento em que metade do meio-campo está no estaleiro não o ofuscou e continua a trabalhar com afinco. E só não marcou por algum azar porque tentou o golo mais vezes que o resto da equipa toda junta.

(+) Danilo. Foi dos poucos que mostrou ser rijo, mais uma vez. Parece um jogador tão diferente dos demais pela forma como usa o corpo para proteger a bola, pela maneira como procura arrastar o jogo da zona de construção defensiva e atirar a bola para os mais-que-mortais jogadores pela sua frente. Pena que haja poucos como ele no FC Porto 2015/16.

(-) A defesa de manteiga, seja por que lado for. Ou é Maxi fora da posição, ou Layún a cortar para os pés dos adversários, ou Chidozie a falhar a intercepção ou até Indi a ficar expectante nos lances aéreos. Não se aproveita um lance colectivo de uma defesa que não parece feita para jogos competitivos contra qualquer tipo de equipa que consiga trocar a bola e que apareça em zona de finalizar com o mínimo de oportunidade e vontade de marcar. O que outrora já foi o nosso ponto forte é agora um dos muitos pontos fracos. Talvez o maior.

(-) Ineficácia no ataque. Se somarmos o desnorte defensivo à incapacidade ofensiva temos uma receita para este triste terceiro lugar que ocupamos actualmente, que todos compreendem e ninguém pode dizer que é injusto. Porque criámos poucas oportunidades em condições, porque o futebol é pobre e triste e pouco envolvente, porque aparecemos mais vezes com os laterais na área que os médios e os extremos e porque, para ser muito directo, desaprendemos de marcar golos. Aboubakar ficou de fora para dar lugar a um Suk que está mais vezes em fora-de-jogo que McCarthy, com bem menor nível de álcool no sangue; um Corona que sabe tanto e mostra tão pouco; um Brahimi que só consegue uma ou duas das vinte fintas que procura durante o jogo e um Varela que…bem, que é tão Varela como foi nos últimos anos. Safou-se o André, que continua a entrar em campo nas piores alturas possíveis e que nem sorte tem tido apesar de se posicionar e movimentar bem melhor que qualquer um dos outros avançados que temos. Se isto não pede uma mudança radical no esquema de jogo ou nas peças a usar…não sei o que mais possa servir.

(-) Grande-área vs Meio-campo. Aquela imagem do Suk a ser agarrado vai-me ficar na memória algumas semanas. E pode ser verdade que um árbitro na Premier League não marcaria o penalty a não ser que o coreano fosse pontapeado nas têmporas, mas se um árbitro português, a apitar em Portugal, marca todas as faltinhas a meio-campo com o mesmo nível de agressividade, gostava tanto de saber porque é que não o faz quando a falta acontece dentro do rectângulo vital. Não compreendo, a sério que não.


Aparentemente qualquer equipa que nos defronte com mínimo pinguinho de amarelo na camisola tem uma excelente probabilidade de nos bater. Do Arouca ao Dortmund, passando pelo Tondela e agora o Paços. Dizem que o amarelo é a cor da loucura. Diria que está mais para o desespero.

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Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada José,

Depois do jogo da semana passada, fiquei sem conseguir acreditar muito bem na nossa capacidade de jogar futebol. E quando ia saindo do Dragão, a caminho do carro, só pensava: “juro que se fosse comigo, a lista de convocados mudava quase toda para Paços e levava os Bês!”, opinião partilhada por muitos portistas nas mesmas circunstâncias. E chamava-os todos, do José Sá ao André Silva, passando pelo Garcia e pelo Chico e pelo Tomás, o Ruben Macedo e o Graça, o Chikhaoui e o Palmer-Brown, o Omar e o Gleison…até o Cláudio e o Rodrigo era capaz de lá espetar na lista, só para veres o quão lixado estava. E ao ver a lista de convocados, acho que pecaste por defeito, mais uma vez. Se os As não querem, os Bs agradeciam a oportunidade. Mas se calhar sou eu que sou um lírico e pessimista ao mesmo tempo, combinação que não funciona muito bem mas são as linhas com que me coso. Más, mas minhas.

Podes achar que sou um parolo mas a última memória de um jogo nosso em Paços é da vitória lá por dois-zero num proto-penalty sobre o James e uma expulsão do Danilo que me enervou até ao final da partida, que se disputou uma semana depois da Kelvinadela no Dragão. E antes disso lembro-me do jogo de abertura da época 2009/2010, onde empatámos com um golo do Falcao depois de um jogo em que falhámos tantos golos que a temporada começou logo mal para acabar ainda pior. Gostava imenso de ficar com este jogo como uma memória positiva mas os últimos jogos da nossa equipa fazem-me temer que consiga esse objectivo mas pelos piores motivos. Já nem sei o que te possa dizer mais, rapaz. Só espero estar bem enganado.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Paços de Ferreira

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Podiam ter sido seis, sete, mil, se o FC Porto tivesse tido o tino e a paz de alma para conseguir enfiar a bola na baliza do Marafona mais que as duas vezes que o fez esta noite no Dragão. Desde o golo sofrido depois de (mais) um destrambelhamento defensivo, seguiu-se um festival de golos falhados por Aboubakar & Cª, que não evitaram ceder a cabeça depois das pernas já terem ido. A equipa não jogou mal, fez um jogo bem superior ao que tinha feito contra Tondela e União, mas o resultado peca por escasso e o final da partida, a defender e a atirar bolas para a bancada, só mostram que a equipa está intranquila numa altura em que devia estar a carburar em pleno. Sigamos para as notas:

(+) Corona. O melhor jogo com a nossa camisola. Não foram muitos, mas este teve algo de diferente porque vi-o a correr atrás da bola depois de a perder com uma vontade que até agora parecia escondida. Ágil e mais confiante no 1×1, parece no entanto ser no meio onde melhor rende e o golo é prova disso, com uma boa desmarcação, finta e gesto técnico para enviar a bola por cima do guarda-redes para a baliza. Ainda assim o que mais me impressionou foi a capacidade de recuperação da bola, a garra com que ia para cima do adversário para a tentar ganhar de volta. Assim sim, Tecatito!

(+) Layún. Um bom caso de um rapaz esforçado que tem técnica apurada mas pouca capacidade natural para defender a um nível superior. Nunca será um excelente defesa mas é um lateral bem acima da média, com cruzamentos bem medidos e uma vontade de participar nos lances ofensivos da equipa com empenho e a quota parte certa de subida no terreno em apoio a Brahimi e a noção que não pode subir muito para evitar que as suas falhas se notem demasiado. Ah, e marcou um penalty, que nos últimos dez anos de FC Porto quase dá direito a estátua…

(+) O esforço de Herrera para conseguir o penalty. Ainda não vi as repetições e por isso não sei se fez falta sobre Marafona antes de ser varrido pelo defesa do Paços. Até admito que possa haver, se bem que me pareceu um confronto “de iguais” no relvado, mas a forma como Herrera procurou aproveitar o fraco atraso para o guarda-redes e depois de ver que a bola estava solta, a garra com que se lançou à procura de fazer algo daquele lance deviam ser-lhe mostradas todos os dias para que ele percebesse que aquele ritmo, aquela força, são as que tem de colocar em todos os lances que disputa. Mas estarei a ser injusto, até porque nenhum mexicano esteve mal hoje em campo, com Herrera a subir de produção na segunda parte até as pernas darem de si.

(-) Quase toda a defesa. Indi acabou por melhorar na segunda parte mas fez uma primeira parte em que parecia não acertar uma bola, desde a hesitação no golo a vários ressaltos “suaves” em que perdeu a bola à entrada da área. E Maicon não lhe ficou atrás, com cortes mal colocados e um nervosismo tão típico nele que já não prevejo mudanças nos próximos tempos. Some-se um Maxi em baixo de forma e um Layún com maior vontade de ajudar o ataque sem ter o apoio que precisava na defesa…e a primeira parte foi um chorrilho de disparates defensivos.

(-) Perninhas Foram-se, lá para o meio da segunda parte. Sim, eu sei, fizemos três jogos em oito dias, mas lembrem-se que vêm aí mais dois no mesmo período e não há espaço para falhas neste momento porque qualquer deslize pode afastar-nos de a) Champions e b) Campeonato. E atrás das pernas lá vai a cabeça, como de costume, porque o final de jogo meio tremido foi fruto da falta de cabeça e de frescura física. E isto acontece todos os anos, mesmo com mais rotação que um disco do Zé Cid numa casa de tias dos anos 70.

(-) Os golos falhados Oh Vincent, e se tirasses a cabeça do rabo e começasses a encostar a bolinha à baliza em vez de tentares marcar golos? Era mais fácil só colocá-la lá dentro em vez de apontares para os cantinhos ou forçares o remate, não era? E tu, Hector, talvez apertar os atacadores mais firmes para não te fugir a bota para cima, não? Ah, faltas tu, Cristian, que também precisavas de levar com uma rebarbadeira nas pontas do cabelo com aquele falhanço depois de uma jogada tão bonita! Raios me partam, ainda por cima o Marafona (é tão bom dizer este nome, soa a Maradona e afinal de contas também joga com as mãos) estava numa noite daquelas que defende quase tudo! E fica mais um jogo com inúmeros lances para golo que ficam por marcar. Mais um. Só mais um. Damnit.


A vitória era o único resultado que poderia ser justo e não fosse a nossa falta de eficácia e teria sido bem mais tranquila. Agora…para Londres!

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Ouve lá ó Mister – Paços

Señor Lopetegui,

Boa malha na Madeira, Julen. A equipa não esteve em grande na relva mas esteve genial pelo ar, especialmente o Herrera e o Danilo com a mona e o Corona com a bota, porque ninguém me convence que ele quis mesmo fazer aquilo. Podia estar sete anos seguidos com pêgas e vinho verde prontinhos ao lado no caso de desesperar um bocado, que o rapaz não conseguia repetir o feito. Não interessa, entrou e a cornada do Herrera também e por isso até acabou por correr bem esta viagem à Madeira. Vê lá se fazes o mesmo ao Nacional, afinal já conheces os cantos ao estádio.

Hoje a história é diferente mas acaba tudo por ir desaguar à mesma foz. É para ganhar e manter a pressão naquela malta de verde e branco que anda a ganhar os jogos pelos fios dos cabelos do Maicon. É entrar em grande, furar os amarelos e olhar para o debruado de verde nas camisolas com dentes cerrados e força nas canetas para ver se ainda conseguem mostrar ao povo que estão com garra para ganhar esta merda. Estamos todos fartos de jogos fraquinhos, Julen! Queremos uma vitória boa para moralizar a malta antes das primeiras compras de Natal!!!

Se conseguir ainda vou comer umas castanhas na alameda antes do jogo. Se passares por lá, ofereço-te uma ou duas, nada mais que isso, caso contrário faz-te mal aos intestinos e já me parece que largas demasiado em determinadas alturas…

Sou quem sabes,
Jorge

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