Ouve lá ó Mister – Tondela

Camarada Sérgio,

Vou tentar não falar da bancada. Vou tentar não pensar na bancada quando estiver na bancada. E vou tentar acima de tudo focar-me na bola, no relvado e nos teus moços, enquanto pela enorme cabaça que suporto em cima dos ombros me vão passando imagens de lesões, castigos, mercado, facilitismos, tristezas, esperanças no futuro e broas de mel mornas. Um gajo tem de comer, que queres?

Não gosto de adversários que jogam de amarelo. Pá, não gosto, que queres? Mesmo quando o próprio FC Porto usa amarelo como cor alternativa, há um turn-off imediato que tento contrariar com graus variáveis de sucesso. E este Tondela, que ousa imiscuir-se na dominância cromática amarelo-verde do Paços de Ferreira, é uma equipa que devia falecer. Metaforicamente, claro. Devia descer de divisão e enfiar-se em posição fetal no meio do campeonato nacional de seniores, enquanto ia levando pontapés nos rins de um qualquer Atlético de Santaconense. É isto que lhes desejo, que comecem a espiral que os leve a serem escarnecidos em todo o país e apanhados a roubar esmolas da igreja e latas de atum do Banco Alimentar. E que leve, muito levemente, vão pedir dinheiro ao Benfica e até aí lhes fecharem as portas. É este o nível que eu desejo para este Tondela. E mais que isso, espero que vingues as injustiças atiradas para cima de ti e dos teus. Podes começar já hoje.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Tondela 0 vs 1 FC Porto

Jogo difícil, sofrido e de qualidade sofrível, contra uma equipa que exemplifica bem o que já estamos habituados a apanhar no campeonato: malta que gosta de acertar nos pés e nas pernas e em tudo o que mexa, que pressiona o que pode dentro do espaço que cobre, que é sempre muito porque a vontade é imensa. Como em qualquer arranque de época, o que interessa é ganhar, seja por quatro ou por meio a zero. Sigam as notas:

(+) Óliver a pensar. Vai estar muito mais exposto à falha durante a época e isso é bom sinal, porque vai ter a bola nos pés muito mais tempo. É um deleite vê-lo a construir de cabeça levantada e a forma como tenta orientar o jogo da equipa é notável tendo em conta a dupla função que tem de desempenhar, servindo também como elemento defensivo e de recuperação de bola. Hoje esteve bem no passe com poucas excepções, bem na recuperação e…saiu mais cedo para entrar um sucedâneo de jogador que não fez nem uma coisa nem outra em condições. Precisamos de reforços, não precisamos? Sim, precisamos.

(+) Danilo a tapar. Mesmo estando abaixo a nível físico, é pivotal na equipa pela força que dá no meio-campo e na recuperação defensiva, em particular pela forma como consegue varrer a sua zona e ajudar a fazer o mesmo na rectaguarda. E pensar que até 31 de Agosto temos de esperar que ninguém bata a cláusula…ou que ele queira ficar pelo menos mais um ano. Brrrr, tremo só de pensar…

(+) Marcano a limpar. E quando a bola passava para a zona defensiva, lá tínhamos Ivan, o capitão. Não consultei os números antes de começar a escrever mas quase que aposto que sofreu mais faltas que os dois avançados juntos e lutou como sempre para desfazer os ataques do Tondela sempre que conseguia. E conseguiu. Sempre.

(-) Corona a (não) assistir. Tal como José deve ter dito depois do filho voltar dos proverbiais quarenta dias no deserto: “continuamos na mesma, não é, Jesus?”. É uma discrepância a um nível cósmico verificar a capacidade técnica de Corona e a forma como faz o último passe quase sempre sem olhar, sem critério nem selecção apropriada do que fazer ou para onde enviar a bola. Esteve bem durante o jogo, lutador e empenhado, mas faltou sempre acertar aquilo que deve ser uma das suas tarefas mais importantes depois do desequilíbrio: a assistência.

(-) Brahimi a (não) passar. Drible curto tão bom. Arranque tão bom. Outro drible maravilhoso, passa pelo defesa e…lá mete as antenas na relva e começa à procura do próximo defesa. Nunca conseguiu perceber o timing certo para passar a bola aos colegas e apenas serviu para raspar mais um pedaço da nova relva do estádio. Foi um Brahimi inconsequente e a equipa perdeu com isso.

(-) Todos a (não) finalizar. Ei lá, Moussa, que queda desde a semana passada. Sim, também essa queda na área com o nosso ex-biscateiro defensivo, que podia e devia ter sido marcada, mas a queda na eficácia foi ao nível de chegar um gigante à Invicta e começar a usar os Clérigos como palito. Trapalhão, torto, ineficaz na frente. Valeu-nos Aboubakar que também não esteve famoso…e aposto que Soares tinha marcado um ou outro golito que estes dois matulões falharam.


Dois jogos, duas vitórias. Nada mau. É para fazer a terceira no Domingo, rapazes, vamos a isso!

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Camarada Sérgio,

Tenho uma pedra no sapato em relação a estes gajos, rapaz. Tenho eu e aposto que terão todos os portistas, porque para lá do penalty que nos foi roubado no ano passado (quando o Boly foi empurrado com muito mais força que o Bas Dost e o penalty ficou nas couves), fizemos um jogo fraquinho mas enfrentamos o equivalente a um exército mongol todo comido com anfetaminas, tal era a vontade de nos arrancar pela raiz e rebentar as costuras todas. Perdemos dois pontos e podíamos ter perdido mais alguns meniscos aleatórios, por isso tem cuidado com estes lenhadores, nunca se sabe o que dali vem. Tens noção que aquela malta quer sacar-nos pontos, certo? E roubar-nos a alma, a vontade e a vida, certo? E obedecem em grande parte aos papás lá de baixo, certo? Certo. Muito certo.

O primeiro jogo foi relativamente fácil especialmente depois do primeiro golo, mas até lá chegar ainda andamos a penar com passes falhados, combinações jeitosas no papel mas raquíticas na relva e remates, muitos remates, muito ao lado. Há que continuar a melhorar, há que prosseguir no plano de vencer os jogos todos que pudermos e estes são aqueles que mais tarde nos lamentamos de ter perdido pontos se não fizermos o nosso trabalho em condições. Se Soares não pode jogar, o Marega está aí cheio de vontade e o Rui Pedro ou o Otávio também devem estar prontinhos para aproveitar a oportunidade. Faz como achares melhor mas ganha o jogo e dá a esses gajos a prova que o ano passado foi um happening. Um one-time happening. E, por definição, não volta a acontecer.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Tondela

Um jogo em que o resultado é melhor que a exibição, em particular na primeira parte, onde fomos pouco soltos no meio-campo e quase incapazes de manter um ataque apoiado em condições de princípio a fim. Algum facilitismo que foi transformado em amarelagem geral, um penalty que francamente não me parece penalty nenhum (já nos roubaram tantos na primeira volta bem mais claros que este e não gosto de compensações tardias), uma expulsão justíssima que só peca por tardia e um jogo que se tornou fácil depois destes lances e que ainda nos brindou com três golaços e uma segunda parte bem jogada. Vamos a notas:

(+) Os golos. Não sei qual deles o melhor, tirando o penalty que por acaso até foi bastante bem marcado. O míssil de Ruben é estupendo pela colocação e acima de tudo pela confirmação da vontade que eu tenho que este moço jogue mais vezes (já vamos em dois golos de fora da área com remates dos…trincos, algo que raramente acontece com qualquer outro elemento da linha mais avançada) e o faça enquanto usa a braçadeira; uma bela jogada de entendimento colectivo, com Óliver a assistir André Silva de cabeça (!) e este a amortecer para um balázio de pé esquerdo de Jota; e a cerejinha em cima do muffin com aquela Ronaldinhada do Soares, como que a perguntar ao guarda-redes: “ah é aí que a queres? pumbas, já está!”. Um prazer.

(+) Ruben Neves. Começou recuado e acabou a subir bem mais no terreno, o que me deixa sempre a pensar se não seria mais útil experimentar jogar com Danilo na posição que hoje Ruben ocupou e colocar Ruben um pouco mais subido. Eu sei, ele não é um transportador de jogo para conseguir jogar a “8”, mas é um desperdício tão grande vê-lo no banco, um homem que joga de cabeça levantada, que roda a bola para o local certo e que pode dar tanto mais ao clube em campo do que fora dele. É o nosso Gerrard e era tão bom que ficasse cá tanto tempo (e tivesse tanta influência na equipa e no próprio clube) como o Steven ficou em Merseyside…

(+) Corona. É raro achar que Corona está bem em campo. Talvez exija mais dele do que faço com alguns outros jogadores, mas um jogador que tem um toque de bola como ele, que controla uma bola recebida pelo ar a quarenta metros de distância e a cola às botas como se fosse gelatina, tem de conseguir complementar o gesto técnico na continuação da jogada. E hoje esteve quase sempre bem, a tentar assistir os colegas, a jogar de frente para o defesa, sem medo, sem invenções excessivas. Hoje gostei de o ver, gostava de gostar de o ver mais vezes.

(-) O eixo dos amarelos. Facilitou-se demais naquela zona central e o facto de termos ambos os centrais e o pseudo-trinco com cartões ainda na primeira parte podia ter dificultado a tarefa. O Tondela tem malta muito rápida e tanto Felipe como Ruben deixaram-se ultrapassar com demasiada facilidade e tiveram de se amarelar para evitar situações de perigo mais claro para Casillas. Felipe, com este amarelo, falha o Bessa. E teve sorte de não falhar umas dezenas de minutos hoje, porque vi ali uma falta que podia ter levado ao segundo…

(-) Linhas pouco juntas na primeira parte. Foi notória a falta de cobertura de espaços na zona do meio-campo desde que começou o jogo e a culpa foi repartida por André² e Otávio, incapazes de se coordenarem em condições para surgirem em momento de apoio para criar linhas de passe e receber a bola no centro depois de Soares ou André Silva a recolherem na frente. Melhoraram bastante na segunda parte, com mais espaço e acima de tudo menos prisão táctica a um modelo que, francamente, não creio que nos favoreça. Jogar com dois médios que sobem alternadamente mas não conseguem cobrir o espaço necessário para proporcionar linhas de assistência aos avançados acaba por partir a equipa e não fosse o bom trabalho dos avançados e seria ainda mais complicado de conseguir romper a defesa do Tondela.

(-) Muitos golos falhados. Podíamos ter assassinado o jogo à facada no arranque da segunda parte, onde tivemos pelo menos três lances de golo fácil e conseguimos desperdiçá-los a todos. Otávio, André Silva e Corona tiveram o golinho nos pés e nenhum deles conseguiu enfiar a bola lá para dentro numa altura em que o Tondela abriu um pouco e arriscou acabar logo com a partida. Quarta-feira, contra a Juventus, peço a qualquer que seja o santo responsável pela eficácia no futebol (praí o São Müller, tem de ser alemão, né?) para dar cá um salto e abençoar a nossa malta…


E agora, no sofá, a cantar alegremente: “Oh meu Braga onde a eterna mocidade!”…

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Companheiro Nuno,

 

Sinto uma mudança na forma de encarar os jogos e começou há algumas semanas. Parece que está a funcionar essa maneira mais cínica e clínica de furar as defesas adversárias sem que permitamos que façam o mesmo à nossa. Criar menos e finalizar bem parece adaptar-se melhor à filosofia que tentas injectar nos teus meninos do que a muita criação recuada e fraca finalização que tínhamos vindo a acompanhar nos primeiros tempos do teu reino. Pá, whatever works. E para te ser sincero, não estamos já em tempos de desejar lagosta suada. Chegam-me as vitórias suadas.

E hoje é mais um destes jogos de trampa que ainda por cima antecedem um confronto daqueles que deixam um gajo a salivar uma época inteira. Não tenhas dúvida nenhuma que a maioria, para não dizer todos, vão estar a pensar já na Juventus e muito pouco no Tondela, mas temos de ganhar isto antes de pensar em ganhar o outro. Quanto mais não seja para nos vingarmos daquela pouca vergonha que tivemos de aturar no ano passado, porque perder com o Tondela no Dragão foi dos momentos mais infelizes do meu clube que pude presenciar ao vivo. Não deixes que se repita, por favor.

Sou quem sabes,
Jorge

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