Baías e Baronis – Tondela 0 vs 0 FC Porto

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Mais ou menos pela hora que o jogo estava a ser disputado, estava eu a acabar de dar banho à catraia e a responder pela milésima vez a uma das perguntas-tipo cá em casa: “Estás bem, pai?”. E estava, estava mesmo bem. Agora se ela me perguntasse a mesma coisa à hora que escrevo estas palavras, a resposta seria qualquer coisa como: “Claro que não, minha linda ingénua, não vês que o clube que o teu pai apoia está a desmoronar-se num marasmo de ideias e incapacidades que não conseguem sequer mandar abaixo uma das equipas mais fracas da história da humanidade futebolística? Sim, querida, outra vez. Pois, eu sei, não consigo explicar, um dia mais tarde talvez percebas. E sofras.” Sigam as notas já abaixo:

(+) Casillas. Safou a equipa de uma derrota inconcebível e tentou comandar uma dupla de centrais que não se entenderam nada bem durante o jogo.

(+) Otávio. Em particular na primeira parte, foi talvez o único jogador que conseguiu furar entre o que parecia uma loja de camisolas verdes e amarelas com manequins plus-size que davam pancada em tudo que viam. E ele levou, oh se levou, mas levantava-se e continuava a lutar. Não chegou.

(-) Zero. Zero de ideias. Zero de capacidade de luta a meio-campo. Zero de remates perigosos de meia-distância. Zero de situações de perigo construídas em condições. Zero de entendimento. Zero de técnica na recepção da bola. Zero de atitude perante a absurda tentativa de perda de tempo do adversário. Zero de pressão sobre o árbitro que permitia toooooooooooooooda a agressividade e o abdicar de jogar futebol de uma equipa que coloca a sua equipa a jogar de uma forma tão feia quanto o seu espelho lhe mostra todas as manhãs. Zero de opções convincentes na troca de bola pelas laterais. Zero de entradas na área em combinações quando há tanta gente no meio-campo com talento. Zero na parte física onde anda tudo a arrastar-se pelo campo. Zero de mentalidade competitiva prática e intuição de golo. Zero. Zero. Merecemos o zero.


Zero-zero contra o Tondela. Zero-zero. Zero. Zero. Não será uma noite fácil para adormecer, garanto.

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Companheiro Nuno,

 

Ora viva mais uma vez. Rica trampa o jogo de quarta-feira, não foi? Foi, pois. Apesar dos gajos não serem nenhumas espingardas fantásticas para a Champions, lá nos roubaram dois pontinhos que nos podem vir a fazer muita falta mais tarde e se não conseguimos vencer um dos dois jogos mais fáceis do grupo, quem nos garante que vamos conseguir ganhar os mais complicados? Pois é, rapaz, eu sei que são jogos difíceis e que o Copenhaga não é nenhum Tondela, mas as coisas complicam-se quando deviam ser simples e tens de arranjar maneira de resolver isso na próxima jornada, em Inglaterra. Cavaste o poço, agora sai dele. Mas hoje a conversa é diferente.

Estes filhos de mãe incerta, liderados pelo seu treinador que foi durante vários anos uma das figuras mais desprezadas que jogou em Portugal, pelo menos do nosso ponto de vista, vieram no ano passado gamar três pontos no Dragão. E ainda estou a espumar um bocadinho de revolta e com vontade de os empalar num prumo cheio de rebites, por isso deposito toda a minha confiança em ti e nos teus muchachos para conseguires sair da terra deles com o mesmo saco cheio que eles levaram em 2015/16. Acredito que vais conseguir e só te dou um conselho: luta. Oh pá, convence-os de que maneira quiseres que o meio-campo vai funcionar, os laterais vão estar atentos e práticos e que os avançados estarão eficazes e prontos a enfiar a bola na baliza. Seja o Depoitre, o André ou até o Felipe a ponta-de-lança, quero lá saber. Só me interessa é ganhar o jogo para voltarmos a estar confiantes e prontos para a próxima jornada que é de derby e que também quero ganhar com todas as forças. Vamos lá continuar a quebrar a má tradição amarela do ano passado. Abaixo e adiante!

Sou quem sabes,
Jorge

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Cláudios Ramos e Dollys Mengas – FC Porto 0 vs 1 Tondela

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Um jogo sem história, como muitos que a equipa tem feito neste campeonato. Uma primeira parte mais defensiva, com algumas saídas para o contra-ataque sem grande perigo, mas uma segunda parte sofrida, a mostrar que a melhor equipa consegue sempre brilhar quando enfrenta um adversário inferior e com a capacidade de ripostar e lutar pelo resultado ao nível de um tetraplégico gangrenado. O resultado é natural depois de vermos o que as equipas mostraram em campo e a vitória assenta bem. Vamos a notas:

(+) Brahimi. Sempre estupendo no drible e na progressão no terreno, foi constante o perigo que causou na área adversária, com fintas incríveis e olhos sempre postos na baliza. Fica na memória a forma como conseguiu passar aí umas doze vezes pelo lateral e a maneira como controlava bolas aéreas com uma leveza tal que se estivesse a agarrar um ovo atirado por um pitcher da MLB era capaz de impedir que partisse. Lindo, Yacine.

(+) Corona. Se Brahimi traz o perfume magrebino ao nosso ataque, os aromas centro-americanos também se elevam para o nosso centro olfactivo como uma panelona de feijão preto e cheddar prontinho para um taco à maneira. Fresco como uma alface iceberg, irreverente como um abacate bem moído com salsa picante, é Jesus que nos salva e Jesus que nos entusiasma e nos faz viver na beirinha da cadeira, sempre sem saber qual será o próximo genial coelho que tirará da sua imaginária cartola. Hoje, como que de smoking vestido, deambulou e rasgou todo o flanco com a velocidade e imprevisibilidade das suas acções. Uma pérola!

(+) A agressividade durante todo o jogo. Quem se atreve a colocar o pé quando confrontado por gigantes como os que hoje puseram os pés no Dragão? Quem ousa tocar na bola, nem que seja uma fugaz roçadela (upa!) com a intensidade de um dente-de-leão desnudo, sabendo que terá pela frente os titãs do confronto físico, homens que nunca desistem e (ai deles!) chamam covarde ao Roy Keane nos olhos? Quem, pergunto?! QUEM?! Ninguém, claro!!!

(+) Jogar de olhos fechados. A organização táctica faz lembrar um jogo de Risco em que as peças estão colocadas exactamente no sítio certo para que não seja necessário reforçar exércitos com mais de duas regiões de diferença. Uma espécie de Civilization sem hexágonos visíveis…mas apenas para os mortais, porque os homens que jogam e os que mandam são os mesmos, numa simbiose perfeita de jogadas treinadas incessantemente e executadas com a perfeição de um Mondrian ou de um Rubens, se gostarem mais desse estilo. É um orgulho e um privilégio poder assistir a toda esta incrível paleta de arte geométrica com jogadores empenhados e livres de preocupações, como pequenas Heidis a correr pelos montes verdejantes ou Tómes Sóyers a perseguir barcos a vapor no Mississipi. Oh, viver sempre neste Dragão seria decerto alegria eterna!

(-) Herrera. Quando os outros andam devagar, tenta andar depressa. Quando os outros desistem, procura empenhar-se mais. Faz lembrar aqueles miúdos chatos no recreio que se o jogo não for de acordo com o que estão a dizer desde o início da semana, se as equipas não estiverem alinhadas mesmo assim, não jogam. E Herrera é isto, porque não procura linhas de passe, não roda o jogo para o flanco e oh inclemência e martírio, não age como capitão a procurar mostrar ao árbitro onde acha que errou. Mais uma acha para a fogueira das suas próprias vaidades.

(-) Danilo. É incrível que a sua capacidade física seja um portento de tal maneira fabulástico que o impeça de chegar até às bolas todas que quer. E é ainda mais inacreditável que funcione apenas como tampão físico e nem sequer tente recuperar defensivamente de uma forma que ajude o resto da equipa, porque várias vezes foi o único a recuar, estragando toda a união dos colegas em torno do mesmo objectivo. Vive para estragar o jogo dos companheiros. Inadmissível.


Ainda haverá hipótese de fazer alguma coisa decente neste campeonato? Não creio e já devemos ir tarde para essa missa, por isso é preciso começar a pensar no próximo ano. Com ou sem Petit, ou uma espécie parecida, no comando.

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Camarada José,

Nem sei muito bem por onde começar. Talvez uma prosa curta e com vernáculo controlado acerca da hora a que o jogo de hoje se realizar a uma hora que serve tanto para aquecer o espectáculo como uma gota de água morna no meio do Ártico. Podes agradecer aos teus chefes e aos fulanos da Liga e da Sport TV e sei lá a mais quem é que podes enviar fezes num envelope, porque se o obejctivo final é ter a menor assistência possível, acho que estamos no bom caminho. Se eu conseguisse perceber isso era menino para tentar ensinar o Varela a controlar uma bola de primeira e ambas as tarefas me parecem roçar o impossível.

Mas o que interessa mesmo para a equipa é que vamos aparecer de novo em frente à previsível meia-dúzia de milhares de adeptos com algumas ausências e a moral que está quase a descobrir petróleo. Vi que convocaste o Tomás e não creio que tenha sido apenas pelo golaço que marcou no sábado, mas será uma recompensa pelo trabalho feito nos Bs. Sempre gostei muito deste puto e apesar de ter jogado muitas vezes a central, vejo ali um futuro Moutinho como já disse algures no passado. Não creio que o ponhas a jogar mas fica com o rapaz debaixo de olho, há ali talento.

Vou estar lá, como de costume, a apanhar chuva e a torcer pelos nossos. E como nunca vi o Tondela a jogar ao vivo, ajuda a que a minha estreia seja simpática. Uma vitória era giro, uma vitória com vários golos marcados e nenhum sofrido ainda era melhor. Não me digas que não está ao nosso alcance, por favor!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Tondela 0 vs 1 FC Porto

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Pobre, muito pobre. Estamos na versão Lopeteguiana dos tempos de Fevereiro de 2012, quando Vitor Pereira tentava colocar a equipa a jogar em condições e os resultados eram os mesmos. Ou Jesualdo em Dezembro de 2009. Ou Fernando Santos em 2000. Ou Ivic em 1993. Ou Quinito. Sem data certa, porque Quinito não precisava de ano para ser tolo. E Julen também não parece necessitar, porque a gestão da equipa está a ser ridícula e a maneira como temos vindo a jogar é um pedacinho abaixo do equivalente a onze Adamastores com botas coloridas. Muito fraco, valeu o golão de Brahimi e a boa colocação de Casillas no penalty defendido. Muito pouco para quem quer ser campeão. Notas, abaixo:

(+) O golo de Brahimi. Fez lembrar, com as devidas diferenças e distâncias no tempo e no mito, a jogada de Madjer que deu origem ao golo de Juary no Prater: um “one-two” com o mesmo pé (direito) e o pontapé (neste caso remate, no outro cruzamento) com o pé esquerdo a fazer a bola entrar direitinha na gaveta, impossível para qualquer guarda-redes defender a não ser que tivesse sido avisado por um qualquer oráculo, e mesmo assim duvido que lá chegasse. Um golo para correr mundo e logo com o feioso do segundo equipamento. A New Balance estará a esfregar as mãos.

(+) Casillas. Aposto que Iker se atira para o seu lado esquerdo aí umas 90% das vezes, quando está a tentar defender um penalty. Entramos pois naquela parvoíce teórica da teoria de jogos, onde o marcador sabe que o guarda-redes sabe que o jogador sabe e por aí fora. Ainda assim, teoria dos jogos aparte, foi uma boa defesa e teve o condão de fazer com que conseguíssemos sair de Aveiro com três pontos, eu que já me preparava para lamentar a perda de mais dois pontinhos porque não via a equipa com força anímica e estrutura consistente para dar a volta aquilo…

(-) Criação de lances ofensivos. Meia-dúzia de remates para uma posse de bola tão alta é sintomático da incapacidade de gerar lances de verdadeiro perigo para a baliza do Tondela, uma equipa fraquinha que corre e bate mais do que joga. Não parecemos capazes de ter um fio de jogo consistente, jogando com não-extremos colados à linha, não-trincos recuados em demasia e não-criativos sem criar. Somos uma equipa previsível para quem defende, lenta para quem trabalha no centro e medrosa em zona de recuperação defensiva. Não tapamos os espaços certos, raramente conseguimos.

(-) A expulsão de Lopetegui. Não faço ideia do que o homem terá dito ao árbitro, mas juro que já vi tantos outros a fazer o mesmo tipo de gesticulação e protesto que me leva a pensar que Lopetegui emitirá sons numa frequência que prejudica os tímpanos da arbitragem portuguesa com uma intensidade digna de experiencia do exército americano. E mesmo achando que estava a fazer de propósito para ser expulso, pareceu-me exagerado.

(-) Lopetegui como Guardiola. Ma non troppo. Pep, aqui há uns tempos, experimentou colocar uma zona recuada com apenas três defesas, dois dos quais eram os “mínimos” Lahm e Rafinha. E gosta de trocar os jogadores, experimentando com algumas nuances tácticas para agilizar a sua formação em campo e fazer com que, pegando no jogo, encarem o adversário de uma forma diferente e inovadora. Julen, por seu lado, agita as águas de tal forma que ninguém parece compreender o porquê de o fazer de uma maneira tão brusca, alternando posições com uma absurda facilidade que eles próprios devem ficar a pensar no que raio anda o mister a pensar. A forma como retira Marcano do jogo, entrando Ruben Neves para o seu lugar e baixando Danilo para a zona mais recuada, para que dez minutos depois regresse ao meio-campo depois da saída de Brahimi para a entrada de Maicon…desafia o maior analista táctico a tentar entender o porquê de tal agilidade mental em alturas cruciais do jogo, transmitindo uma sensação de inconstância e nervosismo à equipa como raramente vi em tantos anos de futebol. Era giro ao início mas tornou-se incompreensível e, francamente, penoso tentar perceber as alterações do treinador que servem bem mais para destruir a confiança e entrosamento da equipa do que para melhorar o seu alinhamento em campo. Mais um jogo, mais uma explosão de criatividade táctica que não é criativa…e quase não chega a ser uma táctica.


Não há muito mais que se possa dizer perante exibições deste calibre. Somos, neste momento, uma equipa perdida, sem rotinas nem capacidade de lutar contra adversários remotamente perigosos, dependentes de talento individual. E quando ele não aparecer, estamos tramados.

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