Ouve lá ó Mister – Setúbal

Companheiro Nuno,

ALL IS WELL, SON! Estamos todos entusiasmados com a visita ao Sado com o festival do choco frito a encher panças e o grande FC Porto a passear em Setúbal enquanto vence um jogo que tem sido bastante acessível nos últimos anos e esperamos que continue a sê-lo. Mas…

Mas é uma bela trampa quando a malta está bem disposta e depois leva uma lança no lombo quando ao fim de noventa minutos verificamos que todas as coisas que poderiam correr mal, vão correr mal. O Murphy é um cabrão do carago e quando se lembra de se virar contra nózes, a trampa atinge a ventoínha com uma pujança que faz com que milhões de viciados em splatter porn se vinguem dos olhares que recebem na rua com risos malévolos e atitudes de desprezo que não ficam bem a ninguém. Nem a splatterpornófilos. Continuando.

O que interessa é acalmar um bocadinho a malta, dentro e fora do campo. Uma vitória jeitosa como a de semana passada não chega para ganhar o campeonato e aquele nível de exibição, aquela energia e qualidade de jogo tem de ser repetidas semana após semana, seja contra quem for, Setúbal ou Arouca, Belenenses ou Benfica. Por isso estou a contar com um jogo sério, com intensidade, boas trocas de bola, inteligência na frente de ataque e um alheamento geral da sorte. Nós é que temos de fazer a nossa própria sorte, de uma forma muito simples: marcando mais golos que os outros. Parece-te bem? Força nisso!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Arouca

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Estes são os jogos que ajudam a criar equipas, que rotinam os jogadores e as movimentações pela tentativa, erro e tentativa subsequente com ligeiras diferenças em relação à primeira. Sim, o adversário foi fraco, mas a equipa mostrou-se empenhada, apesar de algo emperrada nalgumas alturas do jogo mas sem nunca facilitar nem travar em demasia. Gostei de ver, mesmo com a chuva que me encharcou à chegada e depois da saída. Pobre Iker, a apanhar aquela tromba de água sem ter nada para fazer. Notas, bem molhadinhas, já de seguida:

(+) Danilo. Foi o principal responsável do ritmo da equipa se manter em alta e da bola estar quase em permanência no meio-campo do Arouca, tantas foram as bolas que recuperou em posições chave no meio-campo. Óliver esteve bem a criar, menos bem a lutar, ao passo que Herrera parecia ter, passo a citar o meu amigo da cadeira ao lado, “duas posições no intensiómetro”, porque não conseguia fazer passes normais. Mas Danilo esteve acima de todos e só tenho pena que a sua presença acabe por sentar Ruben no banco, mas numa altura em que a equipa precisa de músculo, jogo aéreo e um homem que cubra vastos terrenos para tapar o miolo, Danilo está a ganhar aos pontos.

(+) Jota cria, André mata. Adorável o entendimento destes dois moços, que começam a assinar uma parelha que só não me vai chatear ver desfeita porque imagino que irão ambos sair no fim do ano e ninguém fica a chorar por cá. É muito interessante ver a forma como Jota deambula pelo campo como segundo avançado que por vezes parece um box-to-box, a arrastar o jogo para a frente e a ser um elemento importante na construção ofensiva tanto pelas possibilidades de tabelinha com Óliver e André Silva mas também pela velocidade que imprime ao jogo. Já André, depois de mais um jogo esforçadíssimo (o homem ainda corria aos 90 minutos e corria bem) soma mais dois golos com duas assistências de Jota e mostra que um ponta-de-lança nem sempre se compra. Às vezes pode-se mesmo formar.

(+) Aqueles talentos, bem aproveitados… As duas jogadas que começaram e terminaram o encontro são paradigmáticas do que temos e do que podemos vir a agradecer aos céus de ainda termos. São lances que definem partidas, que mostram que a capacidade técnica, criatividade e audácia podem gerar frutos e trazer alegrias enormes ao povo e à equipa. O lance de Corona é prova da audácia em pouco espaço, com o trabalho do “twinkle-toes” mexicano que depois de um domínio de bola complicado consegue passar por dois homens e vê o poste a abanar o dedo indicador naquele tradicional gesto de “não, não, meu menino, ainda não vai ser desta”, um azar que impede um dos golos do ano de se concretizar. Já o golo de Brahimi é a audácia em velocidade, em drible contínuo e sem medo, fugindo de uma locomotiva arouquesa e desfazendo rins alheios para enfiar a bola lá dentro, isto depois de perder dois ou três lances quase idênticos. E Brahimi, já chateado pelos assobios que já começaram a vir da bancada (*suspiro*), lá fez a vontade ao povo e marcou um belo tento. Estes dois homens podem ser vitais até ao final da época, é só quererem.

(-) As limitações de Telles. O rapaz até se esforça, não me levem a mal. E é tecnicamente interessante no controlo de bola pela linha, suficientemente forte pelo ar para ganhar duelos e empenhado na defesa do 1×1. Mas é tão exasperante vê-lo a cruzar bola atrás de bola com força a mais ou a menos, nunca com o arco, o efeito e a força certas para criar perigo. E é limitado (ou limita-se, talvez) na forma como não faz as diagonais “à Alex Sandro” que nos habituamos a ver e que são tão importantes no futebol actual. Percebo que Nuno o use quase como ala à antiga, quando a equipa se transforma naquela espécie de 3-5-2 na construção ofensiva enquanto a bola está nos flancos, mas esperava que fosse um rapaz menos…limitado. Não encontro um termo melhor, desculpem as repetições.


Trabalho feito, mais três pontos e definitivamente recuperada a derrota em Alvalade na classificação. Passo a passo, amigos, passo a passo.

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Ouve lá ó Mister – Arouca

Companheiro Nuno,

Ufa que lá nos safámos na terça-feira pelas pontinhas dos cabelinhos, rapaz! É sempre engraçado polvilhar alguma emoção nestes jogos da Champions contra as equipas mais fracas por isso compreendo perfeitamente a entrada em jogo e as deliberadas desatenções defensivas, somadas à inépcia no meio-campo e ataque, tudo bem calculado para que a partida tivesse aquele soupçon extra de emotividade, foi um plano muito bem delineado e executado e de certeza que as audiências subirão em flecha, porque sabe-se lá o que faremos prá semana? Auto-golos? O Felipe pode ajudar-te nisso, mas talvez seja melhor limitar o entusiasmo do povo, afinal há muito mais para jogar e é preciso balancear os batimentos cardíacos para aguentar o resto da época sem o miocárdio a rebentar-se todinho.

E agora que vem o Arouca, pá…que diabos, aqui há uns anos se me dissessem que vinha aí o Arouca, o mais provável era responder: “Estes jogos da Taça contra equipas mais pequenas podem ser lixados”. Mas agora não, anda tudo ao mesmo nível e temos mesmo de lhes ganhar com a noção de que não tarda nada estamos a jogar contra o Gafanha na primeira divisão. Enfim, sic transit gloria mundi e coisas que tais. Ao menos não jogas de amarelo e azul! Hoje!

Vamos a isso, uma vitória tranquila para não enervar mais a malta. Quero uma noite de sábado descansada, pá!

Sou quem sabes,
Jorge

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Ouve lá ó Mister – Gafanha da Nazaré

Companheiro Nuno,

Já estou fartinho da selecção até à ponta dos cabelos que não tenho. Mas há uns pelos nas costas que apareceram há uns bons anos e que também estão tremendamente aborrecidos por terem de ver gajos de vermelho e verde em vez de assistirem aos jogos com o azul e branco que Deus manda! Não há direito!

Mas estamos de volta e logo num dos jogos mais absurdos do ano. Nada contra o Gafanha, com todo o respeito que me merecem tendo em conta que são um clube que nunca vi a jogar, do qual não conheço absolutamente nada e que nem sequer sei que cores usam nas camisolas. Nada contra a Taça de Portugal, seja qual for a encarnação de patrocinador que usam este ano (será sempre Taça de Portugal para mim até ao final da minha vidinha, mesmo que nunca mais a ganhe). Mas o que me lixa mesmo é este estupor deste jogo ser realizado em Aveiro. Às 21h30 da noite. Entre o FC Porto e uma equipa que joga no Campeonato de Portugal, Série Whateverthefuckaoquadrado. Newsflash, people: Aveiro não vai encher, o Gafanha tinha mais hipótese de nos envergonhar se jogasse no seu estádio e o dinheiro da televisão é a única possível justificação para esta mudança. Enfim, é o que temos, dinheiro antes do desporto, em tantas áreas desta vida à volta da tua vida, Nuno.

Seja como for, escolhe os gajos que te dêem garantias, dá hipótese às segundas linhas e reza para que tudo corra bem. Nao mudes onze mas muda alguns. Afinal, se não conseguem ganhar ao Gafanha…

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Nacional da Madeira 0 vs 4 FC Porto

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Bela noite na Madeira
depois de má ronda uefeira,
com Jota a triplar
e André a fechar,
saímos com festa à maneira!

Bora lá às notas:

(+) Jota. Mas que estreia a titular que tu tiveste, rapaz! Muito mexido na frente de ataque, com entendimento acima da média com André Silva (e muito acima do que seria expectável com os médios que surgiam na sua rectaguarda) e acima de tudo com agressividade na busca do espaço e da bola. Fez lembrar Lisandro na forma como correu e como lutou para provar a oportunidade que lhe foi dada. É muito novo, só vai estar cá um ano (previsivelmente) e ninguém conta que faça um hat-trick por jogo (neste caso é mesmo hat-trick, foram seguidos), mas esta vivacidade na frente de ataque era tão pedida e tão necessária que é natural que a malta se empolgue. Pode ter sido um jogo anormal mas a verdade é que marcou mais golos em quarenta e cinco minutos do que Adrián em dois anos. E diria que tambem correu mais.

(+) O eixo central da defesa. A equipa esteve sempre em campo com ritmo elevado, mas o Nacional também. E um dos motivos do pouco perigo que o adversário nos colocou esteve na excelente partida que fizeram os três homens mais defensivos na zona central, porque tanto Felipe e Marcano como Danilo um pouco à frente estiveram impecáveis na marcação, na força no contacto, no jogo aéreo e na recuperação da bola, com Danilo a exceder-se em bolas que roubou ao ataque do Nacional. Não foi aí que começámos a ganhar o jogo mas foi aí que o seguramos sem problemas.

(+) Troca de bola no meio-campo. Com Danilo em funções defensivas, Óliver a jogar de trás para a frente e constantemente a mandar no jogo, Herrera um pouco menos activo e Otávio longe da bola na primeira parte, é surpreendente que o meio-campo tenha funcionado tão bem, mas a verdade é que funcionou. Os golos ajudaram (e de que maneira) a que os homens se soltassem e que as marcações do Nacional fossem mais largas e propensas a falhas, mas a forma como a malta trocou a bola deu-me uma ideia de que estavam a gostar do que faziam. E essa alegria, essa vontade de jogar e de rendilhar o suficiente para chegar com a bola mais próxima da baliza contrária puseram-me um enorme sorriso nos lábios.

(+) Agressividade na recuperação da bola. Jota e André na frente, Danilo e Óliver no centro e Layún e Telles na área estiveram quase sempre em constante modo “BUSCA, BOBI!” em relação à bola. Pressão a meio-campo, nada de permissividades nem permeabilidades nem tirar o pé. Foi um jogo em que todos se podem orgulhar de terem feito o que era preciso da forma que era exigido. Fosse sempre assim.

(-) Os cruzamentos de Telles. O rapaz esforça-se muito e aparece montanhas de vezes na linha, prontinho para colocar a bola na área sem grande oposição para que o cruzamento saia perfeitinho. E contam-se pelos dedos das mãos de um serralheiro alcoolizado as vezes que saem direito. É espetar com um pino em zonas diferentes da área enquanto que o põem a centrar. Cada pino que falha dá uma volta ao relvado. Por fora.

(-) André Silva no 1×1, de novo. Oh Nuno, mas não há hipótese de conversares meia dúzia de minutos com o moço e lhe explicares que ele parece um defesa central foleiro quando se põe a enfrentar outros gajos com a bola nos pés? Ele é tão jeitoso na movimentação na área que até lhe fica mal, palavra…


O campeonato vai parar mais uma vez e vamos ficar muitos dias à espera para confirmarmos se a equipa está de facto a crescer ou se este foi um resultado anormal. Sofre, dragão!

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