Ouve lá ó Mister – Marítimo

Companheiro Nuno,

Por esta não esperava eu. Um jogo para o campeonato a uma quinta-feira à noite, seguido por outro a uma segunda-feira, também à noite. Não há feriados, não há quaisquer finais da Champions para as quais estamos a descansar, com o campeonato já ganho. Não há previsões de extermínio da humanidade num futuro muito próximo, a VCI não vai romper-se numa chuva de alcatrão e prumos afiados nem a torre dos clérigos está em risco de tolher a malta a pedir um latte no Costa. Ou seja, não faço puto de ideia porque é que estamos a enfiar os jogos todos num espaço tão curto antes do Natal até porque nos arriscamos a lixar a boa sequência que temos vindo a ter. Temos pernas para isto? Para esta sequência à inglesa? Ou vais começar a inventar e a rodar a malta? É que nesta altura podemos lixar tudo que temos vindo a (re)construir e são dois jogos seguidos em casa que nos podem dar seis pontos e manter na luta…ou arrumar-nos de vez. Outra vez.

Pá, tou ansioso e sou um pessimista do carago, não sou, Nuno? Convence-me do contrário.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Feirense 0 vs 4 FC Porto

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Não há fome que não dê em fartura, mas não estava à espera de um resultado tão positivo hoje na Feira. A expulsão de Ícaro ajudou e muito mas hoje houve mais uma vez eficácia, sentido prático e inteligência em jogo, algo que faltou em vários jogos até ao confronto contra o Braga. É de notar exactamente isso, a tranquilidade com que a equipa esteve em campo e a forma como encarou o jogo de uma forma séria mas sem o peso da necessidade de obter um resultado positivo durante uma hora e meia…talvez por ter conseguido chegar lá aos três minutos. Foi jeitoso e merecido. Bora lá a notas:

(+) Óliver. Gostava de ter os teus pés, Óliver. E também gostava de ter a tua visão de jogo, a tua capacidade de rotação em posse e a tua inteligência em campo. Gostava também de ter uma máquina para poder extrair essas tuas mais-valias e colocá-las na cabeça de tantos outros moços que por cá passaram e que não conseguem mostrar em campo um microscópica parte do que tu fazes regularmente no relvado com tanta naturalidade. Perfeito, perfeito!

(+) Danilo. Quando virem uma bola do adversário a ser enviada para a frente em ataque organizado ou em lançamento longo e virem uma enorme parede núbia a deslocar-se rapidamente para a intercepção, é possível que estejam a fazer contas e a acreditar no insucesso da iniciativa. Porque Danilo estende-se pelo campo e consegue colocar entraves suficientes à construção de lances ofensivos de uma forma constante, especialmente na cobertura do espaço que tão bem tem vindo a fazer. Mais um excelente jogo.

(+) Brahimi. Dinâmico e acima de tudo dinamizador, esteve muito bem na criação de lances ofensivos individuais (um golo e várias outras tentativas) mas também brilhou na forma como se entendeu com os colegas e com o “seu” lateral, que o apoiou sempre muito bem. Presumo que Nuno já tenha decidido de vez que Otávio não pode ser opção daquele lado…mas estou à espera de saber quem lá vai jogar quando o Yacine for para a CAN em Janeiro…

(+) Defesa a zeros. Montanhas de minutos consecutivos sem sofrer um único golo para o campeonato; cinco golos sofridos em treze jogos; sem sofrer um golo fora desde Agosto. São números interessantes de uma defesa que se está a mostrar segura, prática, intensa e rija. Marcano e Felipe em bom destaque mas Maxi e Telles (com Layún também ao barulho) em bom plano até agora. Só posso esperar que continuem assim.

(-) Não podemos lamentar a sorte e passar a depender dela. Vários jogos sem golos, com penalties roubados e/ou não concretizados, ineficácia absoluta e superioridade no relvado a não se fazer reflectir no resultado. Depois, milagre, tudo se encaixou, os golos começaram a entrar, os penalties também e a superioridade numérica, que no período negro já se tinha visto (em casa contra o Belém para a Taça da Liga) e não tinha ajudado, tem sido figura omnipresente nos últimos dois jogos do campeonato. Curiosamente, vencemos ambos. Não questionando nenhuma das expulsões (ambas semelhantes e legítimas, do que me lembro, se bem que me podem sempre relembrar a tripla punição e o facto de poder ou não ser usada), é preciso reaprender a jogar contra onze e não contar com este facilitismo numérico. Sim, posso estar a exagerar mas fica já o aviso.


Venha o que vier da Luz…nunca será mau de todo. Fizemos o nosso trabalho e estamos de parabéns por isso. Agora, venha o Marítimo na quinta-feira para continuar a boa onda!

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Ouve lá ó Mister – Feirense

Companheiro Nuno,

 

Papo cheio. É assim que estamos depois daquela tareia que demos nos ingleses na quarta-feira e se a pança ficou inchada com a quantidade de golos que conseguimos marcar depois de uma terrível seca, vai sentir muito a diferença quando voltarmos a situações normais, que prevejo possa acontecer hoje. O Feirense não é uma equipa de topo, longe disso, mas é com estes mini-clubes, honrados e lutadores, que costumamos perder pontos e moral. Como um homem que atravessa um deserto e enfarda cinco latas de limonada de uma só vez quando chega a um oásis (com máquinas de vending, só para compor a metáfora), também temos de assumir que este jogo vai ter a sua dificuldade e que nos vamos ver lixados para enfiar um ou mais golos hoje à tarde.

Por isso há que acalmar a turba e partir para o próximo encontro. Dezembro está a correr melhor que os outros meses mas não é razão para nos sentarmos a relaxar em demasia e a agradecer as bênçãos que nos foram atiradas para cima nos últimos dois jogos. Este é tão importante como qualquer outro que jogues até ao final do campeonato e nada melhor do que uma vitória para podermos ver o derby no sofá, cientes de que qualquer resultado é bom para nós, com os três pontos bem guardadinhos.

Não desperdices esta bagagem moral, Nuno. Vai para cima deles, ganha o jogo e depois podes descansar até quinta-feira. Só aí podes descansar, ouviste?!

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Braga

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Lá para o meio do jogo diz-me um dos meus colegas de bancada: pá, “a um gajo sem sorte até pelo cu lhe entra a morte”. E a morte esteve ali à espreita, visível perante mais noventa e tal minutos de ataque contínuo, oportunidades desperdiçadas e uma sensação de desastre iminente que enervou toda a gente, dos jogadores às bancadas. Até entrar Rui Pedro, com elegância e determinação, a mostrar uma versão microscópica do que foi o momento Kelvin a muitos portistas que não estiveram presentes nesse outro jogo. Ufa. Vamos a notas:

(+) Rui Pedro. Acredito que os próximos dias vão ser cobertos de análises, de entrevistas aos pais, às vizinhas e à professora da escola primário onde o rapaz andou. Mas merece, pelo menos por agora. Rui Pedro é jovem, é portista, marcou dezenas de golos desde que joga com a nossa camisola e mostrou que vale a pena apostar na malta cá de casa. É certo que ainda tem muito para aprender e que pode um dia vir a seguir o caminho do miúdo com bigode incipiente ao lado do qual hoje jogou, mas já deixou a sua marca ao quebrar esta ridícula sequência de jogos sem vitórias nem golos. Só por isso merece ser convocado mais vezes.

(+) Maxi. Um jogão, como não o via fazer há algum tempo. Abnegado, sem desistir de um único lance, foi rijo em todas as vezes que teve um papel activo no jogo e apareceu muitas vezes na área, numa das quais a rematar à queima-roupa para (mais) uma defesa de Marafona. Tentou de tudo para a equipa conseguir a vitória e foi dos que mais a festejou, merecidamente.

(+) Brahimi. Agora que o Otávio se lesionou (não faço ideia se será grave), estarás agora pronto para jogar sempre, Yacine? Para ser titular e tentares a finta ou o remate durante noventa minutos. Diz que sim, rapaz, porque precisamos de ti. Precisamos desse talento, dessa capacidade de ruptura, desse bocadinho extra que mais ninguém parece conseguir atingir a jogar nas alas deste FC Porto (ver abaixo) e todos sabemos que consegues. É só quereres, porque nós já queremos há que tempos.

(-) Otávio. Jogo fraquíssimo de Otávio nos trinta e tal minutos que esteve em campo, com incessantes falhas no passe, tremenda dificuldade de locomoção com bola e pouca força na disputa de lances individuais. Saiu lesionado mas não garanto que não tenha entrado também com dores, porque foi muito fraco o que mostrou hoje.

(-) O cabrão do azar. [modo café on] Pá, não me lixem. É verdade que andamos a falhar muitos golos e penalties e o diabo, mas eu vejo equipas a marcarem golos com a nádega esquerda só porque estava virada para a baliza e nós não conseguimos entrar com a bola pela baliza dentro porque aposto que o cabrão do jogador ia tropeçar e passar a bola de calcanhar para o guarda-redes enquanto caía. Ele é livres, cabeçadas ao poste, remates que o keeper defende porque lhe cresce uma perna nova, tudo nos acontece e não conseguimos marcar um golo em condições com calma e tranquilidade! Pois, já sei, o problema é que quanto mais falhas mais medo tens de voltar a falhar e depois começam todos a tentar apontar a puta da bola para o buraquinho mais pequenino possível para não falharem mesmo e a baliza encolhe-se até ficar do tamanho de um cubículo do tamanho das de hóquei. E os guarda-redes também defendem tudo, agarram tudo, foda-se até bolas do poste recebem e sem saberem muito acabam por agarrar outra vez! Tenham lá calma e se querem estar com uma gaja antes ou depois do jogo, escolham uma bruxa! [modo café off]

(-) Bolas paradas ofensivas, mais uma vez. Os cantos do FC Porto são um desperdício atrás do outro. Não parecemos conseguir atinar com a forma de os marcar e saem quase sempre a baixa altura para o defesa cortar ao primeiro poste ou então em larguíssimo balão que nem vale a pena saltar porque o guarda-redes, a não ser que seja ceguinho ou se chame Rui Correia, vai agarrá-las todas facilmente pelo ar. Começámos bem a época mas pouco tempo depois foi uma descida a pique na produtividade de lances que podem desboquear um jogo. E bem precisamos de desbloqueadores de jogo quando o Rui Pedro não estiver para aí virado.


Uma jornada que pode ser extremamente positiva para nós, algo que não se via há muito tempo. Agora que está quebrado o enguiço, vamos ver como estão as pernas e a cabeça na quarta-feira. Outra final. E ainda vamos em Dezembro…

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Ouve lá ó Mister – Braga

Companheiro Nuno,

Um dos meus companheiros de bancada tem uma frase que repete desde há vários anos e que se tornou uma espécie de imagem de marca das nossas viagens até às Antas (que se transferiram para o Dragão quando fizemos esse upgrade de instalações que acarretou o downgrade de alma) e que era proferida por mim ou por ele, dependendo de qual de nós se lembrava primeiro. Era qualquer coisa como isto: “Tenho frio…tenho fome…foda-se.”. Esta frase, ou sequência de frasiúnculas se quiseres, é nossa. É uma representação daquilo que sentíamos durante aqueles longuíssimos jogos invernais onde se jogava mal, onde os passes eram fracos ou fortes demais, onde o vento que uivava a partir dos topos se abatiam sobre nós com a inclemência de um professor primário à antiga. E nós, miúdos, encontrávamos aí a forma de usar o vernáculo à vontade sem vigia de adultos, ao mesmo tempo que mostrávamos a nossa frustração pelo jogo não estar a corresponder às expectativas. Mas saindo de lá, tristes ou não, imediatamente fazíamos planos para voltar no próximo jogo, com a alegria da juventude e as faces ruborizadas de excitação por vermos o nosso clube.

Hoje em dia, a frase é parecida. Graças ao meu compincha, que transformou aquele conjunto de palavrinhas em algo um pouco mais composto e bem mais adulto, para não dizer idoso. Cá vai, sempre com vernáculo: “Oh meus amigos, não fodam mais esta merda porque fodido já está que chegue!”. É neste ponto que estamos. Com lamentos e sem desistências. Com infelicidades e sem miserabilizações. Com amor pelo clube e sem pena do clube. Com vontade de chegarmos ao dia seguinte com menos três pontos de distância para o líder e a lutar para lá chegarmos ainda mais depressa. E só depende de ti, Nuno. Só.

Sou quem sabes,
Jorge

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