Ouve lá ó Mister – Nacional

Companheiro Nuno,

Os jogos contra o Nacional têm sempre alguma coisa de interessante. Pelas camisolas que os rapazes gostam de usar cá pelo burgo, do branco, preto, amarelo ou violeta; pela possibilidade do fantasma do zero-quatro estar sempre no horizonte à espreita da possibilidade de nos enfiar mais um prumo com rebites pelo recto acima; pelo facto de estarmos a encarar cada jogo como “só-mais-um-até-à-Luz”; por tantos outros potenciais vectores de interesse que nos podem despoletar a vontade de levantarmos o rabo do sofá e irmos encarar a chuva de frente, há um que se sobrepõe aos outros: o regresso de Paixão. Tem tudo para ser um destaque positivo, o único homem que conseguiu defrontar Vitor Pereira e vencer e um dos poucos que permitiu que Jardel levasse uma coça como se tivesse galado a namorada do Bonucci numa discoteca com o italiano a ver. O Porto a ganhar, a equipa a jogar e a marcar…e o Paixão no Dragão. Achas que as pesoas precisam de mais incentivos para ir ao jogo?!

Ah, e decide lá a táctica de uma vez por todas. Se os rapazes continuam a deixar o meio-campo tão pouco povoado durante os jogos, ainda nos expropriam a relva ao abrigo de uma qualquer reforma agrária. Felipe e André Silva voltam, certo? Óliver fica, certo? Isso.

Sou quem sabes,
Jorge

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Baías e Baronis – Boavista 0 vs 1 FC Porto

Fui um dos milhares de portistas que estiveram hoje no Bessa a assistir a mais um derby da Invicta. E foi um espectáculo tradicional de derby, com luta intensa ao longo de todo o jogo, espírito de luta mostrado por todos os jogadores, dividido bem entre o nosso espírito e a luta por parte do Boavista. O típico instinto de lenhador boavisteiro foi mais uma vez dominador na mentalidade agressiva à Jaime Pacheco e só um FC Porto muito empenhado conseguiu sacar os três pontos. Contra tudo e todos. Vamos a notas:

(+) Mais de dez mil adeptos portistas num jogo fora do Dragão. Estive no topo norte do Bessa e apesar de não estar habituado a deslocar-me aos jogos fora do FC Porto, senti-me à vontade. As conversas coincidiam, a forma de ver o jogo era a mesma e a emoção assolava todos da mesma forma. Foi genial ver grande parte do estádio ocupado com as nossas cores num estádio que não é nosso e ver e ouvir o nosso povo, o nosso brilhante povo, a conquistar terreno alheio e hostil de uma forma tranquila, usando apenas as armas mais correctas: a voz e as cores que adornaram o espectáculo e o tornaram num momento a recordar mais tarde. Invasão!

(+) Soares. Muito lutador e empenhadíssimo na maneira como conseguiu encontrar espaços no meio dos centrais do Boavista durante todo o jogo, aparecendo até em zonas mais laterais sempre que foi preciso. O golo é um excelente movimento de Óliver e Corona e a finalização na mesma baliza onde há tantos anos Paulinho César tinha enviado a bola para o céu foi a metáfora perfeita para o que deve ser um avançado: um goleador. Vai com cinco jogos consecutivos a marcar para o FC Porto. É obra.

(+) As três intervenções maravilhosas de Marcano, Boly e Casillas. Casillas fez uma defesa extraordinária e salvou-nos num dos poucos remates do Boavista na primeira parte; Boly tirou a bola da cabeça de um avançado contrário e salvou-nos de um dos poucos lances de verdadeiro perigo na nossa área na primeira parte; Marcano conseguiu salvar um mau corte de Boly que isolou o avançado do Boavista e com um carrinho conseguiu desviar a bola da baliza. Se conseguimos três pontos no Bessa, devemos a estes três rapazes.

(-) Boavista. Pacheco está vivo e ainda está no Bessa. Uma cambada de empurradores, pontapeadores e imbecis em geral, com uma constante pressão física em cima dos nossos jogadores, entradas a rondar a tentativa de assassinato e uma permanente, enervante e enojante forma de estar em campo, procurando agredir antes de cortar, puxar antes de interceptar e bater antes de jogar. E uma palavra para Alfredo, aquele idiota que conseguiu fugir a levar com um autoclismo nos dentes há muitos anos naquele mesmo estádio (também estava lá e lembro-me desse momento como se fosse hoje), ao defender o seu menino que tentou acabar com a carreira do Corona, já tinha idade para ter o juízo que nunca mostrou ter como jogador. Um homem à imagem do clube que representa.

(-) Arbitragem.  (NOTA: não vi repetições de lances na televisão. Para alguns dava jeito, para outros nem foi preciso). Fábio Veríssimo foi aquilo que muitos parecem mostrar ser sem que se consiga perceber muito bem como. Explico. A grande maioria das más arbitragens, as que sempre critiquei desde que comecei a ver futebol, não são as que se escusam a marcar penalties ou que deixam passar foras-de-jogo de quilómetros. São aquelas que empurram uma equipa para trás, que não as deixam sair do seu meio-campo para criar oportunidades na área oposta, que seleccionam as faltas a marcar e oscilam o critério com critério. Sempre com mau critério. Sempre a permitir calcadelas, empurrões, puxões, encostos, permissividade excessiva para com uns e autoritarismo sujo para os outros. Foi assim que depois da natural subida de forma do Boavista a roçar o final da primeira parte, um fulano com quadrados na camisola enfiou os pitões no tornozelo do Corona e recebeu um cartão amarelo. Amarelo. E outros tiveram entradas não tão duras mas punidas sem critério nas faltas nem nos cartões. Ah, e o Maxi foi expulso. Expulso. Leram bem. Expulso. Ao fim de uma espécie de travessia no deserto onde Maxi procurou durante anos a fio receber um cartão daquela cor, conseguiu-o finalmente com um duplo amarelo em que no primeiro fiquei com a sensação de ter sido travado e no segundo foi um puxão igual a vários outros feitos por jogadores boavisteiros (nas mesmíssimas situações) que não foram punidos. Extraordinário.


Mais uma semana, mais três pontos. Já vamos em sete vitórias consecutivas e esta tem sempre o sabor especial de poder empurrar o Boavista mais lá para o fundo. Sweet, sweet taste of victory.

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Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Tondela

Um jogo em que o resultado é melhor que a exibição, em particular na primeira parte, onde fomos pouco soltos no meio-campo e quase incapazes de manter um ataque apoiado em condições de princípio a fim. Algum facilitismo que foi transformado em amarelagem geral, um penalty que francamente não me parece penalty nenhum (já nos roubaram tantos na primeira volta bem mais claros que este e não gosto de compensações tardias), uma expulsão justíssima que só peca por tardia e um jogo que se tornou fácil depois destes lances e que ainda nos brindou com três golaços e uma segunda parte bem jogada. Vamos a notas:

(+) Os golos. Não sei qual deles o melhor, tirando o penalty que por acaso até foi bastante bem marcado. O míssil de Ruben é estupendo pela colocação e acima de tudo pela confirmação da vontade que eu tenho que este moço jogue mais vezes (já vamos em dois golos de fora da área com remates dos…trincos, algo que raramente acontece com qualquer outro elemento da linha mais avançada) e o faça enquanto usa a braçadeira; uma bela jogada de entendimento colectivo, com Óliver a assistir André Silva de cabeça (!) e este a amortecer para um balázio de pé esquerdo de Jota; e a cerejinha em cima do muffin com aquela Ronaldinhada do Soares, como que a perguntar ao guarda-redes: “ah é aí que a queres? pumbas, já está!”. Um prazer.

(+) Ruben Neves. Começou recuado e acabou a subir bem mais no terreno, o que me deixa sempre a pensar se não seria mais útil experimentar jogar com Danilo na posição que hoje Ruben ocupou e colocar Ruben um pouco mais subido. Eu sei, ele não é um transportador de jogo para conseguir jogar a “8”, mas é um desperdício tão grande vê-lo no banco, um homem que joga de cabeça levantada, que roda a bola para o local certo e que pode dar tanto mais ao clube em campo do que fora dele. É o nosso Gerrard e era tão bom que ficasse cá tanto tempo (e tivesse tanta influência na equipa e no próprio clube) como o Steven ficou em Merseyside…

(+) Corona. É raro achar que Corona está bem em campo. Talvez exija mais dele do que faço com alguns outros jogadores, mas um jogador que tem um toque de bola como ele, que controla uma bola recebida pelo ar a quarenta metros de distância e a cola às botas como se fosse gelatina, tem de conseguir complementar o gesto técnico na continuação da jogada. E hoje esteve quase sempre bem, a tentar assistir os colegas, a jogar de frente para o defesa, sem medo, sem invenções excessivas. Hoje gostei de o ver, gostava de gostar de o ver mais vezes.

(-) O eixo dos amarelos. Facilitou-se demais naquela zona central e o facto de termos ambos os centrais e o pseudo-trinco com cartões ainda na primeira parte podia ter dificultado a tarefa. O Tondela tem malta muito rápida e tanto Felipe como Ruben deixaram-se ultrapassar com demasiada facilidade e tiveram de se amarelar para evitar situações de perigo mais claro para Casillas. Felipe, com este amarelo, falha o Bessa. E teve sorte de não falhar umas dezenas de minutos hoje, porque vi ali uma falta que podia ter levado ao segundo…

(-) Linhas pouco juntas na primeira parte. Foi notória a falta de cobertura de espaços na zona do meio-campo desde que começou o jogo e a culpa foi repartida por André² e Otávio, incapazes de se coordenarem em condições para surgirem em momento de apoio para criar linhas de passe e receber a bola no centro depois de Soares ou André Silva a recolherem na frente. Melhoraram bastante na segunda parte, com mais espaço e acima de tudo menos prisão táctica a um modelo que, francamente, não creio que nos favoreça. Jogar com dois médios que sobem alternadamente mas não conseguem cobrir o espaço necessário para proporcionar linhas de assistência aos avançados acaba por partir a equipa e não fosse o bom trabalho dos avançados e seria ainda mais complicado de conseguir romper a defesa do Tondela.

(-) Muitos golos falhados. Podíamos ter assassinado o jogo à facada no arranque da segunda parte, onde tivemos pelo menos três lances de golo fácil e conseguimos desperdiçá-los a todos. Otávio, André Silva e Corona tiveram o golinho nos pés e nenhum deles conseguiu enfiar a bola lá para dentro numa altura em que o Tondela abriu um pouco e arriscou acabar logo com a partida. Quarta-feira, contra a Juventus, peço a qualquer que seja o santo responsável pela eficácia no futebol (praí o São Müller, tem de ser alemão, né?) para dar cá um salto e abençoar a nossa malta…


E agora, no sofá, a cantar alegremente: “Oh meu Braga onde a eterna mocidade!”…

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Companheiro Nuno,

 

Sinto uma mudança na forma de encarar os jogos e começou há algumas semanas. Parece que está a funcionar essa maneira mais cínica e clínica de furar as defesas adversárias sem que permitamos que façam o mesmo à nossa. Criar menos e finalizar bem parece adaptar-se melhor à filosofia que tentas injectar nos teus meninos do que a muita criação recuada e fraca finalização que tínhamos vindo a acompanhar nos primeiros tempos do teu reino. Pá, whatever works. E para te ser sincero, não estamos já em tempos de desejar lagosta suada. Chegam-me as vitórias suadas.

E hoje é mais um destes jogos de trampa que ainda por cima antecedem um confronto daqueles que deixam um gajo a salivar uma época inteira. Não tenhas dúvida nenhuma que a maioria, para não dizer todos, vão estar a pensar já na Juventus e muito pouco no Tondela, mas temos de ganhar isto antes de pensar em ganhar o outro. Quanto mais não seja para nos vingarmos daquela pouca vergonha que tivemos de aturar no ano passado, porque perder com o Tondela no Dragão foi dos momentos mais infelizes do meu clube que pude presenciar ao vivo. Não deixes que se repita, por favor.

Sou quem sabes,
Jorge

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