Ouve lá ó Mister – Boavista

Camarada José,

É a última vez que vou ao Dragão durante esta temporada e fico sempre com um sentimento de tristeza no final do jogo, sabendo que só lá vou voltar em Julho ou Agosto. É aquela nostalgia tão típica da minha geração, antecipada em relação ao timing que deveria cumprir mas inevitável dada a rápida passagem do tempo e dos tempos dentro do tempo. Velhos por antecipação, é o que somos, mas felizes. Em parte.

Como é o último jogo e como este ano não vou ao Jamor, pode ser a última vez que te vejo nesse banco. Não sei se depende de ti ou se os poderes acima de ti já tomaram alguma decisão, por isso até lá continuas a ser o meu treinador e como tal falo para ti de homem para homem ou se preferires, de Jorge para José: livra-te de não ganhares este jogo. Já temos tido demasiadas chatices para agora também termos o amargo de boca de terminar o ano ainda mais em baixo. Livra-te.

Como é um jogo num horário experimental, pensei que poderias também fazer uma convocatória experimental, para descansar alguns elementos-chave antes da Taça e para premiares alguns dos campeões da segunda Liga que deviam fazer corar vários dos que jogaram na primeira. Não me fizeste a vontade e não te censuro, afinal tu é que mandas. Por isso seja com quem for que vás à luta, ganha lá a escaramuça e prepara-te para a grande batalha da próxima semana.

Sou quem sabes,
Jorge

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Dia do Clube

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Três portistas à conversa num café, num agradável início de noite primaveril em 2012. Os temas aparecem naturais, orgânicos, fruto da boa disposição e energia dos convivas.

Discutem-se jogadores, equipas, as redes das balizas de futebol e as cores das bolas de andebol, os novos e os eternos, a paz e a euforia, as alegrias e tristezas que acompanham quem vive o desporto e o clube como se fosse uma segunda natureza. Discutem-se assuntos do clube, de onde viemos e para onde iremos, com a consciência que temos todos um objectivo em comum, que nunca muda apesar das barrigas aumentarem, os cabelos tombarem e os olhos se raiarem: trabalhar para melhorar o clube. Algumas horas depois surgia pela primeira vez a ideia dos Encontros da Bluegosfera, que se realizaram por quatro anos consecutivos desde então. E têm sido quase uma extensão dessa mesa de café, onde as vozes podem ser ouvidas na partilha de experiências em comum com tantos outros portistas que polvilham este mundo.

O trio de portistas passou a um quarteto e depois para um quinteto…e este ano, para lá de expandirmos o grupo, vamos expandir o evento. Porque os organizadores são mais do que autores e escritores e sempre houve vontade de acolher gente de bem que não está apenas nos blogs e nas redes sociais. Portismo quer-se e em grandes quantidades e por isso cortámos as amarras da virtualidade e prosseguimos, de bandeira em riste, a caminho da globalidade.

Não queremos ser um grupo de bloggers. Queremos ser um grupo de portistas a viver um dia que nos encha de alma e de portismo. Um dia que nos acompanhe com calor no coração e que sirva para unir e para que todos juntos possamos erguer o nosso clube até ao topo mais alto que só é limitado pela nossa imaginação.

Um Dia do Clube. Pelo clube. Para o clube.

http://diadoclube.porta19.com

INSCRIÇÕES ABERTAS AQUI!

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Just B

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Acompanho a equipa B desde que foi reconstituída e faço-o por vários motivos, todos eles naturais. Vi a grande maioria dos jogos, em directo ou diferido e se não falei mais neles durante a época (e nas épocas anteriores) devo-o à preguiça ou à falta de tempo. E só não fiz o mesmo com os sub-19 porque foram exibidos menos jogos durante o ano, mas vou seguindo e evolução de muitos destes rapazes há vários anos. E vejo esta malta da mesma forma como ouço uma música de uma banda desconhecida, pondo o meu melhor chapéu hipster e inventando um postiço bigode à Dali, ao mesmo tempo que penso cá para mim: “eu estava cá quando começaste a jogar, rapaz, lembro-me bem de ti.”.

Numa era em que tantas referências nos faltam dentro de campo, ver os Bês a jogar é um prazer. Não por serem geniais, pela fluidez tremenda do futebol ou pelas jogadas de entendimento cósmico que os leve a um patamar Barcelónico. Mas é a facilidade no jogo colectivo, a quase total ausência de vedetismos, onde as individualidades cedem perante a força e as necessidades do colectivo, onde cada um é só mais um dentro de um todo. O prazer de ver a evolução de homens como André Silva, Rafa, Victor Garcia, de  ou Graça, que cresceu tanto durante a época que me fez mudar radicalmente de opinião, eu que não gostava dele no início da temporada. E, porque não, assistir à reencarnação de antigas glórias com novos nomes, onde vejo um Ruben Macedo a lembrar Jorge Couto, Ismael a ter laivos de Hulk, Gleison como novo Derlei e Tomás (talvez o meu jogador preferido dos Bs já como o era nos sub-19) a partilhar o Óscar de Melhor Moutinho com Francisco Ramos. Nenhum deles é um génio mas há muito talento neste grupo e começam a escassear as desculpas para não apostar nalguns destes rapazes no próximo ano. Luís Castro fez um trabalho sério e mostrou que a estrutura de um grupo vale tanto como a sua liderança. Parabéns, mister!

É um grupo bom. Um grupo saudável. E tem feito por merecer bem mais o aplauso de todos os sócios e adeptos portistas que uma grande parte dos As. Há portistas vivos na B. É só querer aproveitá-los.

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Baías e Baronis – Rio Ave 1 vs 3 FC Porto

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Simpática, este vitória nos Arcos. Jogo complicado, rijo, sem grande beleza mas com boas trocas de bola, dois excelentes golos (um para cada lado) e a busca da subida de alguma confiança para os jogos que restam. Lutámos bem, com a defesa a jogar bem subida e os golos a aparecerem com naturalidade, apesar de termos sido obrigados a mais uma reviravolta. Menos mal. Notas abaixo:

(+) Sérgio Oliveira. Está a tentar marcar pontos para ficar no plantel do próximo ano e parece ser dos poucos que consegue conjugar um jogo mais criativo com a capacidade de remate a umas dezenas de metros da baliza, algo que não tem preço no FC Porto dos últimos tempos. E o golo que marcou é pura Sergioliveirice, à entrada da área enfia um balázio com uma força que mesmo que a bola não estivesse molhada, Cássio continuaria a não ter hipóteses de a defender. Tem estado bem e só pode continuar assim.

(+) Os regressos de Evandro e Marcano. Não que sejam jogadores de extraordinária mais-valia na equipa titular, mas são alternativas seguras para posições onde temos andado com falhas tremendas e com necessidade de alguma estabilização das escolhas e das exibições. E apenas faltam dois jogos até ao final da época, mas se estamos determinados em vencer um troféu, convém ter disponíveis todas as opções.

(+) Os adeptos visitantes. Quem foi a Vila do Conde apoiar a equipa hoje foi um herói. Naquele estádio tão aberto à natureza, com vento, chuva, frio…e estiveram ali estóicos e a cantar pelo clube. Mereceram os elogios de Peseiro e o aplauso de todos os jogadores.

(+) Os assobios a André na sua substituição. Porque o futebol é isto e tem mais piada exactamente por causa destas pequenas coisinhas. E quem não tiver entendido aqueles assobios, não percebe nada disto ou está tão entranhado na actual falta de valores que não quer saber. De qualquer forma, o sorriso dele disse tudo.

(-) Brahimi. Estou farto, estamos todos fartos, Yacine. Demasiada lentidão nos processos, muito pouca capacidade de ruptura e algum alheamento da partida durante demasiado tempo. Parece já não estar com a cabeça cá e por muito que possa ser extrapolação da minha parte, condicionado que estou por acreditar que vai sair no Verão, não consigo ter confiança nele. Espero que brilhe na final da Taça…e siga o caminho dele.


Ficam a faltar dois jogos até ao final da época. Um a feijões contra o inimigo cá do burgo e outro a sério contra um dos inimigos mais importantes do país. Já não sei o que esperar. Duas vitórias é pedir muito?

PS: parece que houve aqui um problema técnico que fez com que o “Ouve lá, ó Mister” não fosse publicado a horas. As minhas desculpas. Enfim, até o site me lixa…

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