Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Camarada José,

Depois do jogo da semana passada, fiquei sem conseguir acreditar muito bem na nossa capacidade de jogar futebol. E quando ia saindo do Dragão, a caminho do carro, só pensava: “juro que se fosse comigo, a lista de convocados mudava quase toda para Paços e levava os Bês!”, opinião partilhada por muitos portistas nas mesmas circunstâncias. E chamava-os todos, do José Sá ao André Silva, passando pelo Garcia e pelo Chico e pelo Tomás, o Ruben Macedo e o Graça, o Chikhaoui e o Palmer-Brown, o Omar e o Gleison…até o Cláudio e o Rodrigo era capaz de lá espetar na lista, só para veres o quão lixado estava. E ao ver a lista de convocados, acho que pecaste por defeito, mais uma vez. Se os As não querem, os Bs agradeciam a oportunidade. Mas se calhar sou eu que sou um lírico e pessimista ao mesmo tempo, combinação que não funciona muito bem mas são as linhas com que me coso. Más, mas minhas.

Podes achar que sou um parolo mas a última memória de um jogo nosso em Paços é da vitória lá por dois-zero num proto-penalty sobre o James e uma expulsão do Danilo que me enervou até ao final da partida, que se disputou uma semana depois da Kelvinadela no Dragão. E antes disso lembro-me do jogo de abertura da época 2009/2010, onde empatámos com um golo do Falcao depois de um jogo em que falhámos tantos golos que a temporada começou logo mal para acabar ainda pior. Gostava imenso de ficar com este jogo como uma memória positiva mas os últimos jogos da nossa equipa fazem-me temer que consiga esse objectivo mas pelos piores motivos. Já nem sei o que te possa dizer mais, rapaz. Só espero estar bem enganado.

Sou quem sabes,
Jorge

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Cláudios Ramos e Dollys Mengas – FC Porto 0 vs 1 Tondela

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Um jogo sem história, como muitos que a equipa tem feito neste campeonato. Uma primeira parte mais defensiva, com algumas saídas para o contra-ataque sem grande perigo, mas uma segunda parte sofrida, a mostrar que a melhor equipa consegue sempre brilhar quando enfrenta um adversário inferior e com a capacidade de ripostar e lutar pelo resultado ao nível de um tetraplégico gangrenado. O resultado é natural depois de vermos o que as equipas mostraram em campo e a vitória assenta bem. Vamos a notas:

(+) Brahimi. Sempre estupendo no drible e na progressão no terreno, foi constante o perigo que causou na área adversária, com fintas incríveis e olhos sempre postos na baliza. Fica na memória a forma como conseguiu passar aí umas doze vezes pelo lateral e a maneira como controlava bolas aéreas com uma leveza tal que se estivesse a agarrar um ovo atirado por um pitcher da MLB era capaz de impedir que partisse. Lindo, Yacine.

(+) Corona. Se Brahimi traz o perfume magrebino ao nosso ataque, os aromas centro-americanos também se elevam para o nosso centro olfactivo como uma panelona de feijão preto e cheddar prontinho para um taco à maneira. Fresco como uma alface iceberg, irreverente como um abacate bem moído com salsa picante, é Jesus que nos salva e Jesus que nos entusiasma e nos faz viver na beirinha da cadeira, sempre sem saber qual será o próximo genial coelho que tirará da sua imaginária cartola. Hoje, como que de smoking vestido, deambulou e rasgou todo o flanco com a velocidade e imprevisibilidade das suas acções. Uma pérola!

(+) A agressividade durante todo o jogo. Quem se atreve a colocar o pé quando confrontado por gigantes como os que hoje puseram os pés no Dragão? Quem ousa tocar na bola, nem que seja uma fugaz roçadela (upa!) com a intensidade de um dente-de-leão desnudo, sabendo que terá pela frente os titãs do confronto físico, homens que nunca desistem e (ai deles!) chamam covarde ao Roy Keane nos olhos? Quem, pergunto?! QUEM?! Ninguém, claro!!!

(+) Jogar de olhos fechados. A organização táctica faz lembrar um jogo de Risco em que as peças estão colocadas exactamente no sítio certo para que não seja necessário reforçar exércitos com mais de duas regiões de diferença. Uma espécie de Civilization sem hexágonos visíveis…mas apenas para os mortais, porque os homens que jogam e os que mandam são os mesmos, numa simbiose perfeita de jogadas treinadas incessantemente e executadas com a perfeição de um Mondrian ou de um Rubens, se gostarem mais desse estilo. É um orgulho e um privilégio poder assistir a toda esta incrível paleta de arte geométrica com jogadores empenhados e livres de preocupações, como pequenas Heidis a correr pelos montes verdejantes ou Tómes Sóyers a perseguir barcos a vapor no Mississipi. Oh, viver sempre neste Dragão seria decerto alegria eterna!

(-) Herrera. Quando os outros andam devagar, tenta andar depressa. Quando os outros desistem, procura empenhar-se mais. Faz lembrar aqueles miúdos chatos no recreio que se o jogo não for de acordo com o que estão a dizer desde o início da semana, se as equipas não estiverem alinhadas mesmo assim, não jogam. E Herrera é isto, porque não procura linhas de passe, não roda o jogo para o flanco e oh inclemência e martírio, não age como capitão a procurar mostrar ao árbitro onde acha que errou. Mais uma acha para a fogueira das suas próprias vaidades.

(-) Danilo. É incrível que a sua capacidade física seja um portento de tal maneira fabulástico que o impeça de chegar até às bolas todas que quer. E é ainda mais inacreditável que funcione apenas como tampão físico e nem sequer tente recuperar defensivamente de uma forma que ajude o resto da equipa, porque várias vezes foi o único a recuar, estragando toda a união dos colegas em torno do mesmo objectivo. Vive para estragar o jogo dos companheiros. Inadmissível.


Ainda haverá hipótese de fazer alguma coisa decente neste campeonato? Não creio e já devemos ir tarde para essa missa, por isso é preciso começar a pensar no próximo ano. Com ou sem Petit, ou uma espécie parecida, no comando.

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Ouve lá ó Mister – Tondela

Camarada José,

Nem sei muito bem por onde começar. Talvez uma prosa curta e com vernáculo controlado acerca da hora a que o jogo de hoje se realizar a uma hora que serve tanto para aquecer o espectáculo como uma gota de água morna no meio do Ártico. Podes agradecer aos teus chefes e aos fulanos da Liga e da Sport TV e sei lá a mais quem é que podes enviar fezes num envelope, porque se o obejctivo final é ter a menor assistência possível, acho que estamos no bom caminho. Se eu conseguisse perceber isso era menino para tentar ensinar o Varela a controlar uma bola de primeira e ambas as tarefas me parecem roçar o impossível.

Mas o que interessa mesmo para a equipa é que vamos aparecer de novo em frente à previsível meia-dúzia de milhares de adeptos com algumas ausências e a moral que está quase a descobrir petróleo. Vi que convocaste o Tomás e não creio que tenha sido apenas pelo golaço que marcou no sábado, mas será uma recompensa pelo trabalho feito nos Bs. Sempre gostei muito deste puto e apesar de ter jogado muitas vezes a central, vejo ali um futuro Moutinho como já disse algures no passado. Não creio que o ponhas a jogar mas fica com o rapaz debaixo de olho, há ali talento.

Vou estar lá, como de costume, a apanhar chuva e a torcer pelos nossos. E como nunca vi o Tondela a jogar ao vivo, ajuda a que a minha estreia seja simpática. Uma vitória era giro, uma vitória com vários golos marcados e nenhum sofrido ainda era melhor. Não me digas que não está ao nosso alcance, por favor!

Sou quem sabes,
Jorge

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Dragão escondido – Nº38 (RESPOSTA)

Cá está o moço:

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Russell Nigel Latapy , tobaguenho de origem, aqui em confronto contra o grande Tanta do Guimarães (depois de passar também pelo Famalicão) durante a época 1994/1995. Latapy é um nome que ficará eternamente associado aquele penalty falhado em pleno Estádio das Antas contra a Sampdoria, em jogo a contar para a segunda mão dos quartos de final da Taça das Taças (para os mais pequenos que nunca ouviram falar disto, era uma competição europeia entre os vencedores das Taças de cada país, que quase ganhávamos na final de Basileia onde fomos roubados pela Juventus), falhanço esse que inclinou o FC Porto para a eliminação depois de uma vitória na primeira mão com golo de Yuran e da derrota na segunda, em casa, num jogo quase perfeito da Samp que acabou aplaudida pelos adeptos do FC Porto. Latapy era um criativo, um “10” que vagueava pela linha de ataque à procura no momento certo para as assistências mortais para os avançados. Levou também a que eu fosse gozado durante meses pelo meu então professor de Biologia que sempre que me via a entrar na sala dizia: “Então, o Latapy já marcou o penalty?”. Era engraçado, o mouro. Cabrão.

Entre as diversas tentativas falhadas:

  • Aloísio – Esteve presente em Guimarães nesta partida e o tom de pele assemelhava-se, seria uma boa hipótese.
  • Artur – Já trabalhava na Invicta, mas do outro lado da cidade, com aquela camisola horrorosa preta e branca.
  • Emerson – Também esteve presente em Guimarães nesta partida e o tom de pele também era parecido, seria igualmente uma boa hipótese.
  • Esquerdinha – Só chegou ao FC Porto quatro épocas mais tarde…
  • Jardel – Estava por terras de Porto Alegre a criar nome para dois anos mais tarde chegar ao FC Porto e brilhar.
  • Semedo – Fazia parte do plantel mas não esteve neste jogo.
  • Vítor Baía – lol.

O primeiro homem a acertar foi o Adão Gomes Pinto que deu a resposta certa num comentário ao post às 8h43. Parabéns, primeiro homem com nome de primeiro homem!

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