Baías e Baronis – Nacional 1 vs 1 FC Porto

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Os bombos. Os cabrões dos bombos deviam ser proibidos, barrados da entrada em qualquer estádio de futebol pós-1980s, onde a malta do Minho (Famalicão, Tirsense e amigos) trazia quarenta adeptos e o que pareciam 700 bombos para a bancada e davam cabo dos tímpanos de qualquer ser humano, bem mais que o Sr. Lourenço e a sua corneta. E estes, na Madeira, com aquele vibrar fatídico que aponta o caminho para a morte, a rampa que dá acesso aos domínios de Hades e do qual estivemos tão periclitantemente perto, são dos piores que me lembro. E o som do tambor continua, marca o passo e a marcha que não conseguimos manter, numa equipa que tem tanto de talento como de cansaço e pressão acumulada e que cedeu hoje depois de tantos jogos estóicos, soçobrando perante uma equipa com mais força, mais agressividade e muito menos a perder. Não foi mau, podia ter sido melhor. Vamos a notas:

(+) Tello. Muito bem em quase todo o jogo mas especialmente na primeira parte, onde para lá do golo fez meia-dúzia de boas jogadas de entendimento com Danilo que podiam (e nalguns casos deviam) ter tido melhor aproveitamento. Foi o Tello que me dá gozo ver jogar, um rapaz cheio de audácia ofensiva, sem parar, em constante movimentação pelo flanco e a fazer diagonais sempre que possível. O golo é exemplo disso, aproveitando uma jogada em tudo idêntica feita pouco tempo antes, optando por trocar as voltas aos defesas e rematar sem defesa possível. Ágil e rápido, é assim que Tello tem de continuar. Acabou o jogo exausto.

(+) Danilo. Fez com Tello um flanco direito de criar inveja a muitos clubes por essa Europa fora, com uma empatia quase perfeita na temporização e no endosso da bola, a fazer com que o outro lado, por muito que Alex Sandro tenha tentado (e tentou, oh se tentou!), nunca conseguiu funcionar com Brahimi como o compatriota fez do outro lado do campo. E ainda mandou mais um petardo ao poste. Merecia ter entrado.

(+) Quaresma. Fez em vinte minutos o que Brahimi não conseguiu fazer nos outros setenta. Inusitadamente objectivo no 1×1, foi mais prático, mais inteligente e criou várias situações de perigo (apesar dos cantos, quase sempre mal marcados, não é, Ricardo?) que podiam ter dado golo se não estivéssemos novamente em dia não na finalização. E é a prova que é melhor tê-lo no banco para que entre cheio de força, porque apesar de não poder fundamentar com uma base estatística, parece ser melhor aproveitado nestas circunstâncias.

(+) Helton. Há uma diferença muito grande com Helton em vez de na baliza do FC Porto. A facilidade com que o jogo flui mesmo passando pelos pés do guarda-redes não tem rival em Portugal e poucos terá pelo Mundo fora, fazendo com que a bola saia rápida, prática e prontinha para os jogadores de campo prosseguirem com o seu trabalho. A somar a isso teve duas ou três saídas complicadas bem resolvidas e um voo a defender um livre directo que ia direitinho para a baliza. Mais uma bela exibição.

(-) O estouro físico. Pouco antes do golo do Nacional, começou-se a notar. Herrera, que até tinha feito uma primeira parte jeitosa, começava a falhar passes. Alex Sandro continuava a correr mas com um ritmo mais baixo. Marcano parecia que estava pronto a vomitar e Brahimi perdia-se na 400ª rotação sobre o seu próprio eixo. No final do jogo, por muito que os rapazes tentassem, já não havia mais nenhuma gotinha para espremer da camisola e as pernas não respondiam, os joelhos dobravam a custo e a cabeça já tinha desaparecido. Mérito para o Nacional por ter (quase) conseguido aproveitar a nossa quebra física, compreensível depois dos esforços dos últimos tempos, mas há que fazer descansar algumas peças-chave num ou noutro jogo. Se for possível, claro.

(-) A ineficácia ofensiva, mais uma vez. Não condeno a falha defensiva que deu origem ao golo porque foi fruto de um lance inteligente e de um posicionamento globalmente deficiente, não havendo um culpado mas vários. Condeno sim a aparente impossibilidade de marcar mais que um golo com várias situações de remate fácil travado pela lentidão de Herrera, a trapalhice de Aboubakar e o nervosismo de Quintero. Somem-se mais uma bola na trave e outra no ferro e temos mais um jogo em que criámos oportunidades que chegasse para sairmos da Madeira com um sorriso nos lábios. Não conseguimos em grande parte por culpa própria.


Hoje perdemos dois pontos. Sim, podíamos ter perdido três. Até podíamos ter sido goleados. Mas também podíamos ter feito o mesmo e a meia-dúzia de quilómetros do outro estádio onde aqui há uns meses perdemos outros três. A ilha definitivamente não nos dá sorte em 2015…

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Ouve lá ó Mister – Nacional

Señor Lopetegui,

Já passou a fezada depois do sorteio? Já estamos todos mais calmos depois de percebermos que vamos jogar contra um tubarão que faz o do Spielberg parecer um carapau que nem é de corrida? Já falaste com os teus muchachos e disseste-lhes que isto da Champions é para homens e se estão com medo é melhor começarem a telefonar aos agentes porque aqui não temos medo de nada nem de ninguém? Bueno. Vamos ao próximo adversário que esse ainda vem longe.

Na altura em que o árbitro apitar para o início do jogo, já vais saber como ficou o benfas em Vila do Conde. Não me parece que estejam ventos ciclónicos, por isso podemos prever que os gajos até nem se vão safar mal e que vamos arrancar para a jornada com sete pontos de atraso. Podem ser quatro ou cinco, é verdade, mas o mais provável é serem sete. E não faz mal nenhum, porque continuamos com a mesma missão que tínhamos há duas ou três ou mais semanas: ganhar. E tens de continuar a ganhar, independemente do adversário, do estádio ou do relvado. Temos de manter o sonho aceso, Julen, especialmente numa altura em que lá em baixo estão todos a torcer para que percas pontos, eles que já começam a sentir a pressãozinha a morder-lhes os tornozelos e a cravarem as unhas nos gémeos. Continua a ganhar e vais ver que os gajos vão ceder, mais tarde ou mais cedo vão ceder!

Não sei quem é que vais colocar a jogar mas pensa que vais ter duas semanas para trabalhar os rapazes de maneira a que estejam em forma para um Abril que vai ser uma parvoíce de jogos. Mas tudo começa hoje na Madeira e nesta segunda vez que botas as perninhas na ilha, faz lá o favor e ganha pela primeira vez. Estamos contigo, hombre!

Sou quem sabes,
Jorge

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A pergunta da praxe

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Quem vem lá?

  • O Real, para vingarmos o duplo 1-2 de 1987?
  • O Bayern, para vingarmos o gamanço em 1999?
  • O PSG, para o Helton limpar a cara da frangalhada de 2012?
  • O Mónaco, para revivermos 2004?
  • O Atlético, para recuperar o prestígio depois da dupla derrota no ano passado?
  • O Barcelona, para oferecer a Aloísio depois da grande lateralesquerdização robsoniana de 1994?
  • A Juventus, para finalmente vingarmos 1984?

PS: o FC Porto, para clube regional, demónios me sodomizem se não joga neste nível há tempo suficiente para ser temido.

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Shift right, shift left, shift again

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Foi uma semana de mutações. Alex Sandro e Herrera convertidos em laterais direitos por circunstâncias diferentes em jogos bem diferentes, Fabiano transformado de inseguro em Neuer e de volta a inseguro uns dias depois, Indi colocado à esquerda e depois ao centro, Evandro a fazer de Brahimi, Aboubakar a fazer de Jackson e Helton a agir como se tivesse menos dez anos no lombo. Muitos nomes, muitas mudanças, muitas alterações forçadas. E a grande maioria durante os jogos, que mostra a facilidade com que Lopetegui põe e dispõe das peças em campo, até agora com respostas variáveis mas em alto rendimento. Curioso, porque algumas destas alterações, especialmente na defesa, são estruturais e podem abanar com uma equipa de cima até baixo se não tiver malta responsável e empenhada nos lugares onde são colocados.

É natural que haja incertezas durante uma partida, mas um treinador tem de tomar uma decisão em segundos ao passo que um comentador ou opinador de bancada pensa e pode pensar o tempo que lhe apetecer para tomar a mesma decisão. Ainda mais quando estamos a falar de análises pós-jogo, onde é fácil para quem tem meio dedo de testa tomar a decisão mais acertada. Será? Nem assim creio que haja situações onde possa haver UMA única solução para um problema, onde as variáveis do jogo se apoderam do controlo das mentes e os ódiozinhos de estimação vem ao de cima e o Mariano nunca pode jogar daquele lado porque tropeça e se for o Bosingwa a defesa esquerdo perdes a velocidade porque ele não inclina tão bem nas diagonais e nem penses em pôr o Diego a jogar no meio-campo porque ele não aguenta com uma gata pela cauda e o Meireles é muito melhor e tira-lhe o sebo num instante. Alenichev ou Pedro Mendes, Fernando ou Defour, Paulinho ou Barroso, Zahovic ou Deco. Tudo escolhas complicadas e ainda mais difíceis de tomar nos breves momentos em que o estádio pára, o mundo pára e num freeze-frame que dura meio-instante, a câmara foca-se no treinador com o zoom mais rápido do planeta…o ar rarefaz-se, as respirações sustêm-se e a Terra arrepanha-se nos seus eixos: O. Que. Fazer?

Herrera entrou para a segunda parte do jogo contra o Arouca na lateral direita. Estava visivelmente cansado quando saiu para o intervalo e no regresso, Lopetegui colocou-o numa zona onde podia continuar a jogar e ao mesmo tempo ter uma menor área de influência numa altura em que o meio campo iria precisar de mais músculo e fibra, algo que o mexicano seria provavelmente omisso no contributo à equipa. Não mudou a estrutura da equipa, abdicou de queimar logo uma das duas substituições que restavam e optou pela adaptação. Podia ter tomado um sem-número de opções. Entrar Hernani ou colocar Quaresma a fazer o flanco todo, entrar Reyes e colocar Indi na esquerda trocando Alex para a direita, recuar Brahimi para o centro, fazer entrar Ruben ou Evandro para tapar o centro…qualquer uma delas com os seus méritos e os seus problemas. O mexicano acabou por cumprir, esteve mais em jogo nas alturas certas, o flanco acabou por estar bem tapado e com mais dez minutos a saída de Óliver e a entrada de Ruben ajudou a travar a velocidade do Arouca.

Lopetegui estava ciente dos riscos que corria. Abdicou de um meio-campo de construção cedendo grande parte do jogo ao Arouca. Partiu a equipa em dois, passando do 3-3-3 com que terminou a primeira parte para um 4-2-(meiocampoparaarrendar)-3 e se os passes finais tivessem sido mais bem executados, talvez conseguíssemos um resultado ainda mais positivo. É também aqui que se podem ganhar jogos, mais ou menos complicados. Na astúcia e pensamento estruturado de um treinador que está a mostrar ser mais inteligente e adaptável do que pensei a início.

Good for us.

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Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Arouca

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Lentidão, expulsão, reorganização, PENALTY!, calma, concentração, GOLO!, luta, suor, sofrimento, HELTON!, tranquilidade, PRIIIIIIIIIU, paz, descanso, massagens, sono, cama, amanhã há mais. Há dias em que a pressão se torna tão intensa e as pernas incapazes de responder que me questiono se estará alguma força divina a conspirar para que não sejamos campeões. Tudo nos acontece, desde as lesões de elementos-chave, aos dilúvios que impossibilitam o futebol, aos menores rendimentos de algumas peças importantes, e hoje às expulsões de guarda-redes numa zona tão próxima do meio-círculo como da baliza. Vamos lutando e vamos sofrendo até a gorda cantar de vez. Notas já aqui em baixo:

(+) Helton. É inegável a empatia do brasileiro com os adeptos e se houver justiça no Mundo e os joelhos do homem aguentarem, será o titular até final do campeonato. Ajuda a equipa e transmite confiança com o jogo de pés, com a elasticidade com que aborda os lances (salvou o golo do Arouca num voo estupendo) e com a inteligência emocional e a “ratice” que há tanto tempo peço que os nossos jogadores tenham. Todos estes factores fazem dele titular e não se fala mais nisso. Desculpa, Fabiano, mas há que saber quando fomos derrotados.

(+) Quaresma. Lutou desde o primeiro minuto e saiu esgotado quando a equipa precisava de mais velocidade pelo flanco e quando Brahimi, também cansado, ainda conseguia manter a bola nos pés tempo suficiente para ir deixando o relógio passar. Quaresma foi a imagem de um jogador “dos nossos”, que nunca vira a cara à luta…apesar dos adversários lha terem tentado virar à força, como no lance do penalty não assinalado (é que nem falta foi…se não achou que tinha havido contacto, não seria pelo menos jogo perigoso?!) ou em vários outros onde foi puxado e obstruído como única forma de impedir o seu progresso. Assistiu Aboubakar e ainda falhou mais um ou dois golos por mérito do guarda-redes. Bom jogo.

(+) Marcano. Destaco o espanhol pela facilidade com que parecia aparecer a saltar com os avançados contrários, ao contrário do seu colega de posição (ver abaixo), e como desarmou os atacantes do Arouca pelo chão e pelo ar de uma forma consistente e simples, sem inventar nem decorar os lances. Curioso pensar que aquele que era originalmente o teórico quarto posicionado na luta por um lugar se assume agora como titular indiscutível e a grande perda para a primeira mão dos quartos da Champions. É a prova evidente que com trabalho e simplicidade de processos qualquer um pode ser titular. Basta mostrar que tem valor para isso.

(+) Luta e espírito de sacrifício. Não foi bonito. Não foi bom. Não foi agradável. Não foi fácil. Mas foi o jogo possível para uma equipa que se viu a jogar desde o quarto de hora com dez, depois de um jogo desgastante fisica e mentalmente na passada terça-feira. É fácil arranjar desculpas para a falta de acuidade ofensiva ou para as constantes falhas nos passes a rasgar e na ai-tão-estuporada forma como cedemos o meio-campo ao adversário, mas a perspectiva manteve-se intacta de início a fim. Era um jogo para ganhar. E a equipa manteve-se fiel aos princípios quando pôde e lutadora quando não era possível. Lutou e correu e trabalhou sempre com o intuito de guardar a vantagem, subalternizando-se a um Arouca que tinha muito transpiração e pouca inspiração. E nós rebatemos esses dois vectores do jogo ao nível que era necessário. Casemiro, Alex Sandro, Herrera, Aboubakar e tantos outros terminaram o jogo exaustos mas cientes que tinham feito o seu trabalho. O aplauso das bancadas no final da partida foi o prémio merecido.

(-) Fabiano. O jogo fora da baliza não é o seu ponto forte e nunca o será. E este tipo de saídas parvas, que já nos custaram dois pontos este ano no Estoril, são exactamente o tipo de eventos que fazem dele um homem que não dá segurança necessária para um guarda-redes de uma equipa que durante tantos anos se habituou a ver nomes que nem seria preciso pensar muito para concluir que estávamos tranquilos lá atrás. Com Fabiano esse cenário raramente acontece e mais cedo ou mais tarde há uma ou outra falha que lhe tolhem ainda mais a moral e a reputação. Hoje, com a expulsão (certa, na minha opinião, porque com ou sem Ricardo na cobertura, em jogo corrido é uma decisão que aceito sem problema) e o lance que lhe deu origem, Fabiano perdeu-se aos olhos dos adeptos, que preferem ver Helton de muletas na baliza do seu clube.

(-) Indi. Relembrem-me lá quanto é que pagamos por ele? Por um internacional holandês que não ganha UMA ÚNICA PUTA DUMA BOLA DE CABEÇA AOS ADVERSÁRIOS? UMA, PARA AMOSTRA!!! E não era propriamente uma equipa de Janckers, carago! É inegável que tem força e parece que sabe o que quer quando sobe com a bola controlada, mas cedo se mostra nervoso e tão propenso a erros como um Stepanov alcoolizado. Com Maicon e Marcano a marcar pontos consecutivos, não vejo hipótese do Bruno Martins “ora cá vem a bola, deixa-a bater, ora raios” Indi voltar a ser titular tão cedo. Pelo menos até Maicon se lembrar de fazer uma finta de corpo a um adversário em cima da linha de golo, à Mangala. Se calhar nem assim.

(-) A entrada de Tello. Um flashback para os meses de Setembro/Outubro, em que Tello não se fazia aos lances, adormecia em campo e mostrava tão pouco que me fez questionar o porquê da sua contratação se o nível exibicional não subisse. Sei que esteve em Espanha por motivos familiares e o pai estará enfermo, mas se não estava em condições para jogar, devia ter dito ao treinador e pedido para ficar de fora. Caso contrário, não há desculpa para deixar o lateral passar por si várias vezes e pela incapacidade de pressionar para ajudar a equipa a tapar o flanco. Um one-off, espero.


Três pontos. Sofridos, suados. Uff.

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