Baías e Baronis – Benfica 3 vs 2 FC Porto

foto retirada de maisfutebol.pt

Ponto prévio: o Benfica ganhou bem. Fez por merecê-lo num bom jogo, sem chatices, sem grandes casos (se bem que aqueles puxões do Luisão na nossa área me incomodam sempre) e criou melhores senão mais oportunidades de golo. O jogo podia ter sido resolvido a nosso favor com um bocadinho mais de inteligência na posse de bola e no desdobramento do contra-ataque, mas concordo que foi justo. É evidente que o joguinho mediático do “isto não nos interessa, o que conta é o campeonato” funciona perfeitamente porque perdemos. Se tivéssemos ganho o discurso seria o mesmo mas o papo era sem dúvida diferente, como se compreende. Ainda assim não fiquei triste, não estou furioso por perder o jogo, não me lamento, não me dói muito. Custa perder contra o Benfica, claro, mas admito, como sempre o fiz, que a Taça da Liga é para ganhar se conseguirmos chegar à final sem sacrificar o resto das competições. Não conseguimos. Meh. Notas abaixo:

 

(+) João Moutinho Mais uma vez a mostrar porque é que é indispensável no FC Porto. Já o era no ano passado mas este ano ainda mais, porque faz o que Defour não consegue na sua posição e ajuda Lucho quando o argentino já se agarra às gâmbeas como hoje a meio da segunda parte. Moutinho correu novamente o jogo todo, sempre a pegar no jogo e disposto a tentar sempre ser o principal impulsionador das jogadas ofensivas e coordenador das defensivas. Se Lucho é uma mais-valia pela experiência e inteligência, Moutinho fá-lo em contínuo movimento com olhos levantados, noção perfeita de espaço e capacidade criativa. É único no plantel. Ah, e aquelas duas jogadas consecutivas “triângulo+R2” à Zidane foram um deleite…

(+) Hulk na primeira parte O FC Porto com Hulk é totalmente diferente do FC Porto sem Hulk. Goste-se ou não do estilo (sou um desculpador do rapaz na maioria dos casos, admito-o), admire-se a técnica ou o egoísmo, a verdade é que é imensamente útil para romper pelo espaço de defesas mais lentos, como hoje no caso de Capdevila ou mesmo com bisontes como Luisão ou anormais como Maxi Pereira (que está para o futebol como o Álvaro está para a economia portuguesa. É bom mas abusa da sorte…) pela capacidade física e velocidade de arranque. Faltou marcar um golo mas deu um a marcar a Lucho e sofreu a falta que deu origem ao segundo. Na segunda parte desapareceu do jogo, cansado e com poucas oportunidades de jogar como gosta porque a opção pelo jogo directo para Janko afastou-o mais do jogo. Merecia mais.

(+) A força e agressividade de Mangala Um central que consiga subir acima de Cardozo e roubar-lhe bolas de cabeça é sempre um jogador útil. E Mangala fá-lo com naturalidade, para além do facto de conseguir subir com a bola controlada como um Pepe mais escuro mas (ainda) sem a loucura do Kepler. Vinte anos tem este rapaz e ainda pode vir a melhorar bastante, porque talento tem ele que chegue e a forma como se antecipa aos avançados e usa o corpo como protecção já é a prova de um rapaz que sabe o que fazer em campo. Só precisa de aprender a passar a bola em boas condições. Ah, e o golo é muito bom, rapaz, continua a saltar assim que ainda te prendem por voares sem comunicar o trajecto às torres de controlo.

(+) Sapunaru ou a vantagem de ter um lateral que sabe subir Entre Sapunaru e Maicon na lateral direita, dêem-me um bêbado romeno em vez de uma bola de bilhar brasileira todos os dias. Gosto de Maicon no meio e gosto de Sapunaru na direita, como gosto de whiskey num copo e caril num prato e não ao contrário. Ia marcando por duas vezes. Anda doente para ver se marca um golo ao Benfica antes de se reformar, o rapaz, mas joga com garra, com fibra, às vezes com pouca cabeça mas sempre com vontade. Vamos ver se assenta no lugar até ao final da época…

 

(-) Kleber Começa a meter pena ver o nosso substituto de Falcao a jogar no FC Porto e admito que foi das apostas mais falhadas dos últimos anos, bem acima de Fabianos e Bolattis. A forma como se atira para os lances sem hipótese de conseguir chegar à bola, atabalhoado, fraco, incapaz de fazer algo de produtivo ou de remotamente ameaçador para a baliza contrária é o suficiente para não poder ser opção principal na equipa. Enerva-me com os lances em que permanentemente reclama falta do adversário só porque usa o corpo para proteger a bola e insiste em arremessar-se para o terreno com os braços esticados e a cara de anjo a olhar para o árbitro como um bébé a pedir leite. Não tem, neste momento, argumentos para ser titular no FC Porto.

(-) A ingenuidade de Mangala O primeiro golo é culpa dele. Ponto. Quando um defesa tem uma bola na sua posse e está numa situação de 2×4 contra si, não pode…repito, NÃO PODE passar a bola para o colega que está rodeado de adversários. O que acontece? Quando a equipa está a começar a subir para receber o passe ou pressionar a zona mais recuada do adversário e tentar ganhar a segunda bola…qualquer perda de bola resulta num desiquilíbrio enorme e em falhas de marcação. Os absurdos comentadores da SIC culparam Álvaro. Não, Álvaro não teve culpa. A culpa é de Mangala. E sê-lo-á mais vezes, como por vezes acontece a Maicon e no passado a Bruno Alves ou Ricardo Carvalho ou Aloísio. As pessoas falham. Têm é de aprender com os erros e Mangala, que cometeu vários desta índole durante todo o jogo, ainda vai bem a tempo para os corrigir.

(-) A soberba de Jesus É raro, como sabem, comentar declarações de técnicos adversários. Mas quando colocaram o meu homónimo em frente ao rapaz da SIC (o “go home, now”, sim, esse mesmo), fiquei a ouvir, ainda a picar uma fatia de presunto com o meu pai. E ouço o treinador do Benfica a dizer que este jogo é que comprova quem é a melhor equipa. Cada cabeça, sua sentença, mas aquela farta cabeleira estará talvez lentamente a pingar tinta para o cérebro. Então o homem que perde quatro dos cinco últimos clássicos antes deste jogo (se somarmos 0-5 no Dragão e 1-2 na Luz para a Liga, 1-3 na Luz na Taça, 2-3 na Luz há umas semanas…comparando com o 2-0 no Dragão para a Taça no ano passado e o 2-2 também no Dragão este ano para a Liga) acha que este é que decide tudo? É como dizer: “Eu faço dieta rigorosa há dois anos!!! Sem contar com as feijoadas que como todas as quartas e umas noitadas de rodízio às terças e sábados, claro!”. A arrogância de Jesus, principalmente nas conferências de imprensa, é insuportável. Se o jornalista que lá estava em frente não fosse aquela bestinha (que depois de Jesus lhe dizer que o Benfica está em três frentes e que a prioridade é a Liga em primeiro e a Champions em segundo…vai-lhe perguntar qual é a terceira…) mas um homem de tomates, tinha-lhe citado estes exemplos. Levava um arroto nos dentes, mas ficava feliz.

 

E agora, pergunto eu? Os rapazes ficaram em condições para jogar no Domingo na Mata Real? Lucho, Moutinho, Álvaro, esses rapazes todos estão aptos fisica e moralmente para serem o que precisamos que sejam? Não faço ideia. Mas sei que não atirámos o metafórico toalhete à relva antes do jogo e fico satisfeito por ver que mais um vez conseguimos dar a volta a um resultado negativo naquele estádio. É de louvar a capacidade de esforço dos jogadores e dou-lhes os meus parabéns por isso. Não gostam de vitórias morais? Esperem até ao final do campeonato e vamos ver se valeu a pena ou não.

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Ouve lá ó Mister – Benfica


Amigo Vítor,

Ah, carago, lá voltamos nós às trincheiras em frente ao Colombo! E parece que o jogo que lá fizemos para o campeonato já foi há tanto tempo, rapaz, sinceramente, com tudo que já se passou desde então, do empate em casa com a Académica à vitória na Madeira, a água que correu debaixo dessa ponte já dava para encher duas albufeiras do Alqueva e ainda sobrava para remendar a seca. Enfim, vamos lá outra vez e isso é que importa.

Já deves ter lido que estou ambíguo quanto a esta partida em particular. Eu sei que é contra o Benfica, sei-o perfeitamente. Tenho noção plena que o jogo é daqueles que dá para andar semanas a falar do mesmo, ganhemos ou percamos, e não vale a pena iludir as massas ao dizer que “a competição é diferente e não nos interessa tanto como o campeonato”. É treta, porque se o jogo fosse contra o Rio Ave e tivéssemos quinze pontos de avanço na Liga, estávamos agora cheios de moral e prontinhos para degolar os infames borregos que se pusessem à nossa frente. Mas não temos e por isso estamos com medo.

Eu estou, pelo menos. Estou com medo de entrar com seis pernas no meio-campo e sair de lá com 4 ou 5, no máximo. Estou com algum cagaço de apresentar o melhor onze possível e vê-los a cambalear atrás da bola. Eu sou um medricas, pá, sou sempre um medricas. E da maneira que vi a equipa na Choupana durante aquela segunda parte…homem, não os vejo com força física para aguentar um jogo destes. E a força anímica…eu não vejo.

Mas por isso é que não sou eu o treinador do FC Porto, és tu. E tu é que tens de meter na cabeça daqueles murcões que a bola é redonda e que enquanto há vida há esperança e qualquer outro cliché popular que te lembrares. Tenta arranjar um para os brasileiros e outro para os hispânicos, só para passares bem a mensagem. Ao Janko diz só: “Arbeit macht frei, der beste Torschütze sein”. É agressivo mas ele entende, vais ver. Se é para entrar para ganhar, então vamos entrar para ganhar. A sério, sem brincadeiras. Se querias brincar tinhas levado os juniores, por isso se levas os bons é porque estás convencido que tens massa crítica para ganhar o jogo. A decisão foi tua e respeito-a. Agora mostra-me que tiveste razão. Mostra a todos que tens razão.

Sou quem sabes,
Jorge

 

APOSTAS PARA HOJE NA DHOZE:

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Orgulho versus realismo


Não me consigo decidir. Vale a pena levar os grandalhões todos à Luz mesmo com a condição física nitidamente abaixo do que deveriam ser os índices para uma competição intensa como este campeonato está a ser, arriscando abanar ainda mais um plantel cheio de jogadores lesionados, cansados e pouco confiantes…ou será digno abdicar desta competição como Jesualdo fez em 2008/2009, quando apresentou uma equipa alternativa em Alvalade e o banco cheio de putos, trazendo um 1-4 no saco para a Invicta?

Como disse, não me consigo decidir. O orgulho aponta-me para a primeira opção, mas o pessimismo indica-me a segunda. Peço-vos ajuda aqui no questionário aqui ao lado direito da página.

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Os nossos rapazes não podem com uma felina pela cauda


Há vários jogos que assisto ao mesmo cenário triste. Os jogadores do FC Porto passam as primeiras partes a passar a bola de um lado para o outro com pouca agressividade ofensiva, fraca organização colectiva e uma absurda disfuncionalidade nos passes, curtos ou longos. E a falta de pernas parece-me um dos factores que levam a uma tão débil produção numa equipa que nos habituamos durante tantos anos a ver com a moral em valores variáveis mas sempre com um nível de esforço acima do que vemos noutras formações.

O meio-campo está despovoado. É evidente, já falei disso, e aconteceu aquilo que previ quando o fiz. Com quatro médios disponíveis para o treinador, o que acontece quando um deles se lesiona ou é excluído das opções por castigo? E, só para agravar, o que acontece quando o mesmo jogador (Fernando, para quem ainda não percebeu) que está impedido de jogar é o elemento mais consistente da equipa durante todo o ano? O resultado foi visível na Madeira. A equipa desagregou-se, perdeu consistência no centro do terreno, abriu espaços atrás de espaços e permitiu o domínio do adversário em situações que nunca teriam acontecido se houvesse mais um ou outro jogador que pudesse calçar as botas do ausente e estivesse de facto talhado para a partida e para a posição que ocupa.

As adaptações são perfeitamente viáveis. Só que não são. Continuando a apostar numa táctica com três elementos móveis no centro do terreno, usando a estratégia tradicional desde há vários anos de ter dois avançados mais deambulantes e um com características centrais e consideravelmente mais fixas que os colegas, as adaptações são curtas. E pelo que já vimos, inexistentes. Não concebo ver Cristian Rodriguez a “fazer” de Lucho com o argentino a “fazer” de Moutinho e o luso a “fazer” de Fernando. O mesmo com James, porque o espaço que ocupa é demasiado próximo do ponta-de-lança para o trabalho árduo que há a fazer no meio-campo. Ou acham que o meio-campo de Fernando+Moutinho+Lucho só passa a bola de uns para os outros por prazer e o resto do jogo anda a passear? Vejam o exemplo de Busquets+Xavi+Iniesta ou o clássico Cambiasso+Stankovic+Sneijder de Mourinho no Inter. Todos eles trabalham, todos lutam, todos se cansam. E com a única alternativa actual em Defour, um rapaz esforçado mas que tem tido pouca oportunidade para fazer o que sabe na posição que mais rende…temo que nos próximos jogos venhamos a ter um nó no estômago sempre que houver uma entrada dividida com qualquer um dos nossos putos.

E nem me falem do Javi Garcia na próxima terça-feira.

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