Porta19 entrevista Pedro Magalhães (gilistaferrenho.blogspot.com)

É sempre uma boa forma de conhecer os nossos rivais e em particular os que não têm o imenso holofote da imprensa virado para eles. Com a visita do FC Porto a Barcelos decidi entrar em contacto com Pedro Magalhães, um bi-blogger autor do Bola no Pé e do Gilista Ferrenho, adepto do Gil Vicente e nosso anfitrião para o jogo de amanhã à noite:

 

Porta19: Como está a ser o regresso à primeira liga? Tem valido a pena?

Pedro Magalhães: Após uma descida de divisão injusta na secretaria, o regresso à elite do futebol português é motivo de muito orgulho para todos os barcelenses. Custou bastante, o clube esteve perto de acabar, mas com muito esforço conseguimos voltar. A cidade está a apoiar a equipa como nunca e contamos sempre com bastante gente no estádio. Por isso, sim, está com certeza a valer a pena.

 

Porta19: Quem são os jogadores mais em destaque até agora?

Pedro Magalhães: Destacaria o guarda-redes Adriano Facchini, um verdadeiro achado no União da Madeira. Sempre muito seguro e com reflexos impressionantes. Há rumores de que o Braga está interessado nele. Ressalvaria também o nosso defesa central Cláudio, que ao vê-lo jogar nem se repara que tem 34 anos. Há por último o médio Richard e o extremo Luís Carlos, outros jogadores interessantes de se seguir.

 

Porta19: Paulo Alves é um treinador da casa, com histórico no clube e boa relação com os adeptos. É para continuar?

Pedro Magalhães: Desconheço se há consenso entre os adeptos mas, quanto a mim, Paulo Alves é para continuar. Sem grandes valores individuais conseguiu formar uma boa equipa. A excelente exibição no passado domingo, ante o Benfica, prova isso mesmo.

 

Porta19: Hugo Vieira: valor seguro ou irreverência sem produtividade?

Pedro Magalhães: Vieira é um verdadeiro ‘case study’. Tem características únicas, é rápido, tem relativa técnica e finaliza bem. Não é, ainda assim, na minha opinião, metade do que aquilo que as pessoas pensam. Colectivamente é muito limitado, não levanta a cabeça e desliga-se do jogo várias vezes. Quando não assiste ou marca, a sua produtividade reduz-se a nada. As suas declarações afirmando que é o ídolo e melhor jogador da equipa para os adeptos revelam também que a humildade não o acompanha. Sucintamente, não, Vieira não é um valor seguro mas no futebol nunca se sabe. Se rumar ao Panathinaikos, uma das equipas, ao que consta, interessadas nele, com certeza que Jesualdo Ferreira, como provou com Cissokho ou Fernando, o tornará num melhor jogador.

 

Porta19: A Taça da Liga ainda está em aberto. Depois da eliminação na Taça de Portugal, vai haver uma aposta clara para tentar chegar a uma final?

Pedro Magalhães: Creio que a Taça da Liga é uma excelente competição para os clubes pequenos granjearem algumas receitas, além do prestígio. Por isso, o Gil está na luta, mas todos sabemos que não será fácil. Julgo que dependerá muito desta fase de grupos, onde estamos com o Sporting, porventura o ‘grande’ que mais investirá nesta competição…

 

Porta19: O Gil Vicente tem uma relação histórica com o FC Porto, com vários jogadores a serem trocados no passado. Seria de esperar que essa relação continuasse? Os jogadores do Gil não interessam ao FC Porto e vice-versa?

Pedro Magalhães: As relações do Gil com o FC Porto mantêm-se. Ainda esta temporada temos um jogador emprestado (o médio Pedro Moreira), e outro que veio a título definitivo (o avançado Yero). O problema, quanto a mim, é que é muito raro algum deles provar qualidade e mostrar-se como uma mais-valia no Gil. Mas há que referir que o FC Porto sempre foi muito correcto connosco e não tenho dúvidas de que se surgir alguma proposta sobre algum jogador gilista e o Porto estiver interessado nele, a proposta azul-e-branca prevalece.

 

Porta19: Tu és um exemplo de bi-bloggerismo, com o Gilista Ferrenho e o Bola no Pé. Há tempo para tudo?

Pedro Magalhães: Há tempo para tudo porque eu não sou um blogger exemplar…. Limito-me a escrever textos esporadicamente, embora queira fazer do jornalismo desportivo o meu futuro. Aproveito desde já para convidar os estimados leitores a comprovar que estou errado em relação ao meu futuro ao visitarem o Bola no Pé e o Gilista Ferrenho!

 

A cooperação nesta grande comunidade blogosférica (eina) é salutar e se há muito anormal a escrever gigantescas parvoíces, às vezes dá gosto parar para conversar sobre futebol sem as clivagens que se criam naturalmente entre adeptos de clubes adversários. Menos durante o jogo, senão dá molho…mas fora dele, tudo bem disposto, tragam as febras e o vinho tinto e siga o paleio!

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Mais putos

Quando li que Christian Atsu tinha sido blindado com uma cláusula de rescisão de dois milhões de contos (ou dez milhões de euros, para os mais jovens), só me vieram à cabeça exemplos como Helder Barbosa, Ivanildo, Vieirinha, Candeias ou Bruno Gama, como falei aqui há uns tempos. Qualquer um destes moços, cada qual com o seu estilo e talento e elogiados por toda a gente quando eram the next big thing nos escalões de formação, foram injustamente feitos alvo primário de assobiadores compulsivos nas bancadas das Antas e do Dragão, muitos deles os mesmos que exigiam a sua inclusão nos plantéis das épocas onde os putos tinham 19 ou 20 anos e que os tratam como se fossem rapazes com a experiência de um Sérgio Conceição ou de um Capucho. E quando leio tanta gente empolgada com a nova pseudo-blindagem do talento ganês que temos emprestado ao Rio Ave e que ganhou o prémio de melhor jogador do Blue Stars/FIFA Youth Cup (aqui representado na foto com o troféu entregue pelo homónimo com apelido Karembeu), o meu cérebro reptiliano não consegue evitar a memória destes rapazes que já cá tivemos e que eram erguidos como bandeiras de combate para alinharem no onze “porque não se aposta nos jovens neste clube”, só para serem assobiados ao segundo passe falhado.

A pressão que os miúdos sofrem no FC Porto é intensa, criada de fora para dentro e nem todos conseguem aguentar. Espero que Atsu prove a todos que tem estaleca moral para lidar com ela.

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Os putos

Estes foram os jogadores que figuraram em quatro jogos aleatórios entre FC Porto e Vitória de Guimarães. As épocas escolhidas: a primeira de Oliveira, a última de Mourinho, a última vitoriosa de Jesualdo e a primeira de Vítor Pereira.

Para lá das vitórias nos quatro jogos que são sempre um consolo para a alma, saltam à vista as médias de idade dos onze titulares e dos suplentes. É notório o acréscimo da juventude do plantel e mesmo que não tenha feito parte desta equipa um dos essenciais – Hulk – a sua adição ao onze no lugar de Kleber faria com que a subida na média fosse negligenciável (0.2 anos) mantendo-se abaixo dos 23. Se olharmos para os números excluindo os guarda-redes, vemos que a média é habitualmente ainda mais baixa.

A experiência é importante a este nível e alguma da ineficácia e inconstância exibicional até pode ser atribuída a uma menor tranquilidade em pontos-chave de uma partida ou nervosismo pela presença de tanta juventude em campo. É verdade também que uma boa parte desta miudagem não será propriamente novata neste tipo de andanças, porque se até James e Iturbe estiveram já em competições internacionais em clubes e selecções, muitos dos outros nomes são recorrentemente convocados para as suas selecções e já representaram diversas equipas na Champions e na Liga Europa. A junção de todos os nomes numa só folha de jogo é que pode de facto provocar alguma instabilidade no tradicional fluxo mental e moral de um jogo de futebol.

O presente pode precisar de algum trabalho, mas não pode haver dúvidas que o futuro já está a ser preparado há muito tempo.

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Afinal o Real Madrid tem dois canais de televisão

Quem viu o grande jogaço de hoje pela SportTV deve ter ficado surpreendido. Eu também estive nessa onda durante alguns minutos porque pensei sinceramente que o Real Madrid tinha vencido não só a partida como também a eliminatória, tal era a euforia que a dupla Lobo/Prates partilhava com os espectadores.

O Real Madrid está convertido na primeira equipa estrangeira a ser mais apoiada por toda a imprensa portuguesa que uma das maiores equipas de Portugal.

Nem quero imaginar a histeria se forem campeões.

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Desta vez, o ponta-de-lança que é ponta-de-lança não parece ponta-de-lança

“A evolução na continuidade do colectivo montado por Vítor Pereira é um caso. A pouco mais de uma semana de terminar o “mercado” de Janeiro, ainda há gente que não só não percebeu que não vem um ponta-de-lança para o FC Porto porque não é urgentemente preciso e não há dinheiro para comprá-lo nem oportunidade para acertar na escolha, rejeitando-se e bem a situação de comprar por comprar. Resta ao treinador, cuja competência nesta situação não só complicada como limitada pelas opções tem sido evidente, trabalhar e exaltar o colectivo para obter resultados, enquanto muitos esperam brilhantismo como a única forma de chegar aos títulos que sobram.
Tenho marcado a este nível mais do que nunca a minha opinião, ao arrepio da quase totalidade da bluegosfera. Não por não achar que não é preciso um pdl, porque já desde a saída de Falcao que o vinquei e a inferioridade europeia do FC Porto ficou patente no comparativo negativo face às opções das outras equipas no grupo da Champions, inclusive o excelente Ailton do APOEL. Mas por perceber as condicionantes em que se movem os responsáveis portistas. Gostando ou não apoiando esta ou aquela opção, é dever de ofício, no caso para quem escreve, perceber porque se faz ou não uma operação. E não só resta pouco tempo, como o tempo que resta não chegará para ambientar um potencial novo reforço para uma área efectivamente carenciada.”

Zé Luís in Portistas de Bancada

“Kléber nunca deslumbrou, é verdade, mas já provou que é bem melhor do que tem mostrado nos últimos jogos. O jovem brasileiro tem capacidade, margem de progressão, mas nos últimos tempos parece que bloqueou. Quando se esperava evolução, tem havido regressão, parece que desaprendeu, que nem nas bolas mais fáceis acerta. Porquê? Porque e isso para mim é claro, a juntar à instabilidade da equipa – não ajuda ninguém, muito menos os mais inexperientes e que só agora chegaram -, a pressão e a carga que lhe colocaram sobre os ombros, tem sido demasiada. Kléber precisa de calma, tranquilidade, ter uma evolução natural e não a responsabilidade de ser o avançado que substitui Falcao, com tudo que isso implica, sabendo-se das virtudes e dos golos que o colombiano facturou com a camisola do F.C.Porto. O erro não está na contratação de Kléber, não, o erro está na não contratação de um substituto de Falcao, disse-o no primeiro dia após o fecho do mercado, Fechou o mercado. É hora de dizer alguma coisa. Mas como também disse nesse post, a partir do momento que não veio ninguém, não faz o meu género, sempre que um ou outro resultado não eram positivos, vir a terreiro dizer, “já sabia, já tinha avisado, foi um erro, se tivessemos um avançado, etc,” até porque era chover no molhado, não resolvia nada. Não tinhamos cão, tinhamos de caçar com gato.
Agora é diferente, o mercado está aberto e por isso é a hora de reclamar um avançado – já cá devia estar desde o início dos trabalhos, pós férias natalícias. E a vinda ou não de um avançado pode fazer toda a diferença no que seremos capazes de fazer até ao final da época, por todas as razões e também por Kléber.
Os tempos não estão fáceis, o pilim está caríssimo, mas seria para mim incompreensível, não seríamos Porto, se perante as notórias carências que temos na frente e depois do empréstimo de Walter, não contratássemos ninguém.”

Vila Pouca in Dragão até à Morte

A somar a estas duas opiniões temos a do José Correia no Reflexão Portista, que por ter escolhido usar uma resposta de Vitor Pereira não me deu material para citar mas deixou bem evidente a mensagem que percebeu ter sido enviada pelo treinador tanto aos seus patrões como aos sócios do FC Porto.

Acho sempre curiosa a forma quase antagónica de ver uma situação como a da contratação ou não de um ponta-de-lança para o nosso plantel, numa altura em que tal questão gera conversa atrás de conversa mais ou menos inflamada entre os adeptos portistas. E vejo-me, como tem sido hábito, a concordar um pouco com ambos.

É uma verdade que Kleber não é Falcao. Não o é agora e talvez nunca o venha a ser e também é verdade que o facto da aposta ter sido feita na colocação do brasileiro no lugar do colombiano não foi uma vitória no papel nem na relva. E estas duas opiniões de que me socorri em cima comprovam que olhando por que lado olhemos, poucos acreditam que a estratégia possa passar unica e exclusivamente por Kleber na frente de ataque. Seja com Hulk deambulando do centro para as alas, adaptando o tradicional esquema de 4-3-3 num harmónico com maior mobilidade entre os três avançados ou recuando um ala para o meio-campo e usando James como 10 “plus”, a convicção mantém-se: Kleber não chega.

No jogo do passado Domingo contra o Vitória foi evidente que o grupo está a procurar fazer com que o rapaz se enquadre, ele que pode perfeitamente ser o único titular que não fazia parte da equipa do passado a par de Defour. Logo após o golo de Moutinho todos os jogadores, incluindo o próprio João, juntaram-se à volta do autor da assistência (para quem não viu, foi mesmo Kleber com um excelente toque por cima da defesa contrária), Helton correu da baliza para abraçar o colega, numa demonstração que tem tanto de fraterna como de autêntica. Mas Kleber, mais uma vez, não é Falcao. E o modelo de jogo do ano passado dependia em grande parte de dois factores que se associavam na perfeição ao jogo de posse: eficácia na zona central da área e rupturas rápidas pelo flanco. À medida que Falcao ia facturando e Hulk ia rasgando, a equipa construiu-se em torno desses mesmos paradigmas e o jogo fluia naturalmente. A construção de jogo no meio-campo era essencial para trocar a bola até ao ponto em que pudesse ser enviada para Radamel ou Hulk e com Moutinho ao lado de Guarín ou Belluschi, a simplicidade de processos faziam com que a produtividade fosse elevada. Este ano, com menor eficácia no centro, Vitor Pereira optou por Hulk ao centro. Funciona, como já se viu, mas o modelo muda e as mesmas constantes não se podem aplicar.

Se somarmos a saída de Walter à equação, o panorama torna-se mais complexo. “Bigorna”, esse sim uma aposta redondamente falhada como alternativa tanto a Falcao como a Kleber, por tantos e tão variados motivos (válidos ou não) deixa uma vaga no plantel que será ou não tapada por um novo jogador. Mas seremos capazes de adquirir um jogador a um custo aceitável para a frente de ataque que nos garanta uma presença eficaz na área, entrosamento com o resto dos colegas…e acima de tudo golos? Mais que isso: valerá a pena? Uma coisa é certa: se vamos comprar só para equilibrar os números do plantel, não vale a pena. Mais vale promover o Vion.

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