Baías e Baronis – Sporting vs FC Porto

Foto retirada do MaisFutebol

Vi o jogo em casa de amigos, com uma emissão via internet que soluçava tanto como Maicon na defesa portista. Depois de chegar a casa, revendo o jogo, fiquei com a mesma ideia: correu bem. Correu particularmente bem porque esta equipa do Sporting que jogou hoje não foi a mesma que tinha vindo a jogar nas partidas anteriores. Foi mais rija, mais agressiva e mais matreira, factos aos quais não serão alheios a presença de dois jogadores bem mais experientes no onze como Pedro Mendes e Liedson, que cada um à sua maneira trataram de dar cabecinha ao resto dos colegas. Ainda assim não posso dizer que jogamos bem, longe disso. Fomos uma equipa mais lenta, menos solta e incapaz de conseguir superar as falhas individuais que foram muitas e que quase davam a primeira derrota oficial da época. Ou seja, o FC Porto ganhou um ponto, não perdeu dois, por muito que queiram pintar o quadro desta forma. E nem o golo de Valdés em fora-de-jogo pode mudar isso. Vamos a notas:

(+) Falcao Foi o melhor jogador do FC Porto. Marcou mais um golo à ponta-de-lança, a aparecer no sítio certo na altura certa, e andou todo o jogo a recuar para vir buscar a bola e a lutar para a receber mais vezes e com mais espaço. Devia ter marcado logo no início do jogo.

(+) Hulk Não fez um grande jogo, longe disso, mas soube recuar quando era preciso, soube fortalecer o flanco defensivo ao aparecer perto do lateral que jogava por trás dele, por vezes bem perto do colega, o que ajudou a tapar a subida dos flanqueadores do Sporting. Fez mais uma assistência para golo e tentou sempre rasgar a defesa contrária, com pouca sorte.

(+) FC Porto com 10 jogadores Tal como tinha acontecido na Turquia, voltei a gostar de ver a equipa a jogar com menos um jogador. Continuo a achar que a maior parte dos Portistas exigem demais da equipa, mesmo quando era notório que o jogo não estava a correr bem, a outra equipa corria mais, mostrava uma determinação acima da média e as contrariedades do jogo obrigavam a que se estruturasse bem a equipa para evitar chatices. Esteve bem Villas-Boas, a retomar os quatro defesas e a fazer recuar as linhas. Um ponto é melhor que nenhum e o campeonato ainda é longo.

(+) Sporting Não via o Sporting a jogar com tanta garra há muito tempo. Superou o FC Porto em determinação e em vontade de jogar um futebol mais positivo, o que é obra tendo em conta o que tinha vindo a fazer há uns meses para cá. A isso não foi alheio a opção de Paulo Sérgio de colocar três caceteiros no meio-campo, prontos a acertar em tudo o que mexia que estivesse vestido de azul-e-branco. Se tivesse começado o campeonato assim, garanto que não estariam nesta posição.

(-) Fernando Não me importo que um jogador como o Fernando, que jogue na posição onde ele habitualmente alinha, acabe por falhar alguns passes. É natural tendo em conta que faz uma quantidade bem mais alta de passes que uma boa parte dos seus colegas. Ainda assim, hoje falhou demais. Perdeu muitas bolas em zonas perigosas e pôs várias vezes a defesa em risco com os buracos que abriu pelo centro do terreno com as distrações parvas que teve especialmente com Liedson por perto. Não pode continuar a falhar desta forma.

(-) Maicon Por muito que Valdés estivesse fora-de-jogo (e estava, se bem que me cheira que não vai ser dada a relevância que devia, como aconteceu com o golo de Saviola no ano passado na Luz), não pode nunca facilitar perante o adversário como fez hoje. A expulsão é na minha opinião um erro do árbitro graças à matreirice de Liedson, mas Maicon peca ainda pela lentidão quando enfrenta um adversário como aquele. E no ano passado tinha sido tão perfeito a marcá-lo no Dragão por isso desiludiu-me um pouco hoje.

(-) Belluschi Nunca conseguiu soltar-se da pressão do meio-campo do Sporting e consequentemente nunca apareceu em jogo. Com Moutinho permanentemente a levar calcadelas e pontapés mal se aproximava da bola, Belluschi teria o papel de aparecer surgir mais disponível que o colega para poder levar a bola onde pudesse. Não o fez. Era complicado contra um meio-campo de caceteiros, mas já o vi a fazer excelentes jogos contra estruturas similares que lhe apareceram à frente. Hoje não foi um deles.

(-) Maniche O que dizer acerca desta personagem? Do alto dos seus 173 centímetros de altura e 300 de largura andou a tentar atingir tudo o que via, acabando por dar uma bela duma patada JetLiana em Moutinho, culminando com um jogo inteiro de perseguição por parte do trio maravilha do meio-campo sportinguista. André Santos tentou, mas é puto e ainda não sabe acertar bem nos sítios certos; Pedro Mendes também varreu muita relva e perna à cacetada mas sem classe. Já o Gordiche, com a finesse que lhe é reconhecida, marcou a diferença da experiência…marcando os pitões na coxa de Moutinho. Expulsão? Nada disso. Comentário de Miguel Prates na SportTV: “É uma jogada de Maniche por trás, perigosa.”. E mais nada.

(-) Liedson É um grande jogador, não tenho dúvidas. Enerva-me vê-lo a correr a todos os lances, como um Derlei mais magro ou um Lisandro mais brasileiro, nunca dá uma bola como perdida e é vital na equipa do Sporting, nem que não marque golos. Parece que me falta alguma coisa aqui…ah, sim, é a inteligência de conseguir sacar faltas que o árbitro (seja este ou outro qualquer) consistentemente dá como a favor dele quando o máximo que aconteceu foi uma leve brisa que o abanou e da qual soube tirar partido. É ridículo que depois de tantos anos a criticarem os jogadores que pervertem a lei do jogo continuem a dar guarida a este mulato anorético e a permitirem que roubem jogadores a uma partida que, mais inocentes ou inexperientes, caiam na rede de Liedson. Não sou gajo de advogar à violência, mas se é para tirar faltas, então que se lhe acerte com força. Pode ser que para a próxima pense duas vezes antes de se lançar para o terreno sem ninguém lhe tocar com a força que simula ter sido exercida…

Um empate em Alvalade não é um mau resultado e custa-me ver que muita gente pensa assim. Neste tipo de jogos interessa não perder e esta foi mais uma batalha em que não saímos derrotados e que nos continua a suportar no caminho da vitória final. Podíamos ter jogado melhor e mais soltos, especialmente na primeira parte que acabou por ser aborrecida e sem chama, mas alguma inépcia indiv
idual somada a diversos erros de arbitragem em alturas chave do jogo acabaram por tornar a tarefa mais complicada. Não foi bom mas também não foi mau de todo.

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Baías e Baronis – Moreirense vs FC Porto

Foto retirada do Record

Seria um bom jogo para rodar jogadores, pensaria muito dragão antes do confronto no Minho. Quem assistiu ao jogo, quer ao vivo ou via SportTV, ficou com a ideia que o jogo foi muito complicado tanto pela inépcia criativa do FC Porto como pela agressividade ultra-defensiva dos verdes de xadrez. Foi difícil, foi suado mas foi uma vitória e isso é que interessa em competições a eliminar. Siga lá para as notas:

(+) Belluschi Acho que já ninguém tem dúvidas de quem merece ser titular no meio-campo ao lado de João Moutinho. Belluschi está a jogar cheio de garra e luta, vem atrás recuperar bolas e descai muito bem no apoio ao flanco direito, avançando com a bola e tentando sempre a melhor solução. Num jogo em que nenhum jogador criativo esteve particularmente inspirado, o argentino foi o menos fraco de todos, sempre a colocar o sentido prático na relva e a tentar servir os inócuos Ukra e Hulk. Está em forma e isso faz dele vital no onze titular.

(+) Emídio Rafael e Sapunaru Mais um jogo e mais uma boa exibição do romeno. Subiu bem mais no terreno do que é habitual, apareceu a tabelar com Hulk e Belluschi e esteve inexcedível na entrega e na luta contra os rápidos alas contrários. Emídio esteve a bom nível do lado esquerdo, apesar de ter falhado vários passes e de se notar que não está com ritmo para 90 minutos ao mesmo nível. Acima de tudo nota-se uma diferença enorme em estilo e na maneira de arrancar em corrida pelo flanco quando comparamos Rafa com Álvaro…mas aí não há nada a fazer, cada um tem a sua própria personalidade e há que rentabilizar o melhor posicionamento defensivo do português.

(+) Guarín (a defender) Tem mostrado uma evolução notável no posicionamento defensivo e na recuperação de bolas em frente aos dois centrais. Ainda hoje foi mais um desses jogos, em que o colombiano usou sempre o corpo com inteligência e alguma audácia, tal foi o abuso de jogo de braços por parte da malta do Moreirense. Muito bom a parar os ataques frontais do adversário mas quando pegava na bola…é só fazer scroll para baixo e ver o Baroni que Guarín hoje também mereceu em termos ofensivos.

(+) Falcao Mal entrou em jogo começou imediatamente a fazer-se notar. É evidente que tem uma capacidade de jogar no centro dos defesas que Walter ainda não tem e provavelmente não terá por muito que trabalhe. É muito mais pivot que o brasileiro e o FC Porto tem muito a ganhar com isso porque consegue enfiar dois homens na área para conseguir pressionar um pouco mais os defesas contrários, como se tornou necessário por exemplo no jogo de hoje. O golo é 90% seu já que depois de um excelente trabalho a arrastar os defesas para o flanco ainda conseguiu aparecer no meio e aproveitar as sobras do potente remate de Belluschi. Muito bom, como de costume.

(-) Ukra Convenhamos que a lesão de Varela trouxe dúvidas na constituição do onze titular. Rodríguez está em forma digna de um tio gordo de 60 anos, James está ainda a ser laboratoriado pela equipa técnica e a escolha óbvia recairia em Ukra. Mas…o puto parece insistir em ser português. Falha muitos passes, toma habitualmente as decisões erradas, não aproveita a velocidade natural que tem e que devia ser suficiente para ultrapassar os laterais adversários e os cruzamentos têm saído muito fracos e para a zona do guarda-redes. Tem de subir muito a produção para poder chegar perto do nível de Varela.

(-) Guarín (a construir) Dr.Fredy e Mr.Guarín. É absurdo ver o rapaz a fazer passes de 30 metros quando ainda consegue sentir o hálito do colega para quem está a passar a bola, e parece haver uma certa maldição dos médios defensivos do FC Porto desde há 3 anos a esta parte, que rodam impecavelmente a bola para as laterais mas quando tentam fazer um jogo mais vertical…falham de uma forma catastrófica.

(-) Concentração do jogo pelo centro Este jogo estava a ser complicado e o FC Porto ainda o tornou mais complicado. Quando os espaços nos flancos eram tapados com uma consistência semelhante a um muro de cimento e a nossa equipa tentava mudar para o jogo para o centro do terreno, o muro era retocado com uma extra camada exterior de titânio. É difícil jogar contra 10 defesas mais um guarda-redes e hoje não conseguimos os melhores métodos para furar essa barreira. Outros jogos semelhantes virão aí e vamos continuar a ter estes mesmos problemas que vimos hoje, há que tentar encontrar uma alternativa para melhorar a produtividade.

Ninguém saiu de Moreira de Cónegos entusiasmado com o resultado nem tão pouco com a exibição. Houve muita luta mas pouca inspiração e o golo surgiu numa altura quase perfeita para limpar a cabeça dos rapazes e impediu um prolongamento que começava a ficar cada vez mais próximo e que ia carregar as pernas dos nossos guerreiros com mais 30 minutos de peso e stress. Ainda bem que Falcao entrou em jogo!

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Baías e Baronis – FC Porto vs Portimonense

Ninguém no seu perfeito juízo podia esperar que tanto resultado como exibição poderiam igualar o que se fez na semana passada. É natural um pequeno travão, a mentalidade é sempre a mesma e não se pode censurar o que acontece com toda a gente depois da épica vitória contra o Benfica. O jogo não foi fácil mas acabamos por ter alguma sorte num período do jogo em que o ritmo baixou em demasia, com o FC Porto a não conseguir impôr o melhor futebol que tem. Foi duro e o Portimonense tentou lixar-nos a vida, mas a vitória assenta bem. Sigam as notas:

(+) Walter Um excelente golo e vários remates perigosos, mas acima de tudo foi um jogo de luta constante, de bom controlo dos defesas contrários e de pressão sobre a zona mais recuada dos algarvios. Correu bastante e mostrou que pode ser alternativa a Falcao. Falta-lhe o sentido de ponta-de-lança do colombiano mas tem outros atributos que podem fazer dele um jogador importante para o resto do campeonato.

(+) Otamendi Foi o primeiro jogo em que gostei de ver o argentino a jogar com a nossa camisola. Rápido nas dobras, rijo nas intercepções, foi o melhor elemento da linha defensiva e talvez de toda a equipa. Gostei particularmente de o ver a sair com a bola, bem controlada e sem exageros, recuando rapidamente quando era necessário. Maicon tem estado muito bem mas Otamendi não desiste de mostrar serviço quando é chamado, como era de esperar.

(+) Guarín Mais um jogo sóbrio do colombiano. Não sou fã dele, como sabem, muito menos quando joga na posição 6, mas à imagem do que fez contra o Benfica esteve muito bem na rotação da bola, bem acima dos seus colegas de sector. O que é dizer muito.

(+) Portimonense Gostei dos rapazes de amarelo que vieram do sul do país. Não são nenhuns Messis e Iniestas, mas têm um meio-campo muito rijo e positivamente agressivo, saem rápidos para o contra-ataque e o sentido prático à entrada da área podia-nos ter complicado a história. Do que já tenho visto este ano, mereciam estar alguns lugares acima na tabela.

(+) 40418 Enfrentar uma noite fria de Domingo, com chuva e granizo, não é para qualquer um. Foram mais de quarenta mil nestas condições, mais ou menos agasalhados mas com alegria e boa disposição quanto baste para ver mais uma vitória do FC Porto. A promoção dos bilhetes a 1 euro resultou numa casa muito boa quando as perspectivas não seriam as melhores. Excelente.

(-) Ruben Micael e Belluschi Já não é a primeira vez que jogam juntos mas hoje foi muito fraquinho. Tanto um como outro fizeram jogos muito abaixo do que podem e devem fazer. Muitos passes falhados e acima de tudo não conseguiram pautar o jogo, obrigando ao tradicional recurso de enviar as bolas para os extremos, o (hoje) insipiente Hulk e o (sempre) inócuo Cebola. Raramente resultaram lances de perigo dessa opção e não fosse o toque inspirado de Walter e o penalty cavado por Rodríguez e teríamos sofrido muito para vencer o jogo. Notou-se igualmente que Belluschi é um jogador diferente quando não tem Moutinho ao lado…diferente para pior, entenda-se.

(-) Cristian Rodriguez Apesar do penalty que sacou (pareceu-me muito forçado), a sua produtividade é quase nula. Continua a enfiar os olhos na relva e a progredir em fintas curtas longe do defesa, não irrompendo para o centro do terreno e preferindo arrastar-se até à linha para ganhar um canto ou um lançamento. Neste momento não tem qualquer hipótese de desafiar Varela na titularidade e se dependesse de mim nem no banco o colocava.

(-) Incapacidade física do meio-campo Mais uma vez, quando somos colocados perante um meio-campo adversário que privilegia o físico em detrimento da técnica, a vida complica-se. É natural que aconteçam brechas em termos de jogadas aéreas ou até na ruptura de bolas pelo centro e é algo com o qual vamos ter de viver e aprender a contornar. Quando se retira desse meio-campo o elemento mais inteligente, que consegue rodar a bola como poucos e sabe quando parar e quando fazer avançar a equipa como Moutinho…o meio-campo desmorona-se, como se viu hoje.

(-) Ritmo da 2ª parte Foi um filme que já vimos dezenas de vezes, quando damos a uma equipa mais fraca a hipótese de jogar de igual para igual contra nós no nosso terreno, simplesmente porque o ritmo que é imposto ao jogo…deixa de existir. A iniciativa de subir no terreno é posta de lado pela posse de bola simples, que acaba por ser um retardador a jogadas de construção ofensiva. É um risco, com apenas um golo de vantagem, apostar na não-falha da defesa e na segurança do guarda-redes. Já nos custou caro no passado e pode voltar a acontecer.

Mais um jogo, mais uma vitória. Ao fim de 11 jornadas vamos com 10 vitórias e uma média de quase 3 golos por jogo. Tem sido um percurso quase sem manchas e é preciso continuar este ritmo em Moreira de Cónegos e depois em Alvalade. Se vencermos o jogo no maior WC do país (da parte de fora, claro) podemos finalmente começar a pensar que o campeonato está a ficar mais perto. Vamos lá, equipa!

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Baías e Baronis – FC Porto vs SL Benfica

Foto retirada de fcporto.pt

Demorei um pouco até escrever esta crónica. Cheguei a casa, estacionei o carro e fiquei sentado uns bons 20 segundos, a acalmar a respiração e a sorrir. A sorrir muito. Agora que estou sentado em frente ao computador, com uma chávena de chá e uma fatia de pão ao lado, vou revendo o jogo e percebendo que não havia necessidade de estar nervoso à chegada ao estádio. Era um clássico, porra, e em clássicos não há facilidades, por muito forte que a nossa equipa esteja, a outra também o é e pode-nos lixar a vida com um simples lance fortuito ou uma falha que, humanamente, acontece a qualqeur um. Hoje não foi um desses dias. Não houve falhas, não houve lances fortuitos. Houve uma equipa de azul-e-branco a demolir uma outra de vermelho, a mostrar que neste momento somos a melhor formação do país. Podemos vir a perder esta alegria de jogar, esta máquina de futebol em que se está a transformar a equipa do FC Porto, mas neste momento, neste singelo momento, somos os melhores. E ainda mais importante: provámo-lo em campo. Vamos a notas:

(+) FC Porto Todos os jogadores estão de parabéns, por um ou outro motivo. Da baliza até ao jogador mais avançado, a equipa do FC Porto hoje jogou com um entusiasmo, uma vontade férrea de ficar com os três pontos em disputa e conseguiu-o com todo o mérito. Desde a dupla de centrais, rijos e certos, passando pelos laterais, agressivos e implacáveis, continuando por Guarín, improvável esteio à frente da defesa e importante na rotação de bola, seguindo para Moutinho, esse trabalhador incansável e inteligente no passe, ou Belluschi, um misto de esforço e génio, com Varela e Hulk a romper pelas alas cheios de vigor e querer, ou Falcao, o rapaz que está no sítio certo mais vezes. Foi bonito, foi harmónico, foi futebol.

(+) Villas-Boas Quem saiu mais satisfeito deste jogo, para além dos adeptos e dos jogadores, é ele. A forma como conseguiu manter-se fiel aos princípios que advogou para a equipa, a rotação de bola constante no meio-campo, a marcação do tempo de jogo qual metrónomo, acelerando só quando é preciso e travando quando não adianta ir em correrias loucas, os lançamentos bem pensados e melhor efectuados, a troca constante de posição dos centro-campistas, a pressão constante mal a bola atravessa a linha que divide o ataque da defesa…tudo isto são conceitos de Villas-Boas que a equipa parece já ter interiorizado e que se vê em campo. Villas-Boas, para além de ter conseguido incutir estas ideias nos jogadores, conquista o público com as conferências de imprensa lúcidas, correctas, intensas, ricas, cheias de dialéctica correcta e ausentes de retórica barata. É bom treinador, o moço.

(+) Hulk Compreendo como se deve sentir David Luiz. E Fábio Coentrão. E Salvio. E Gaitán. Todos eles foram ultrapassados por Hulk em velocidades impróprias para um jogo de futebol. Hulk está em grande forma e conseguiu um feito “Capuchiano” que nem Quaresma tinha conseguido: a malta já lhe perdoa uma ou duas parvoíces por jogo. É que a produção no resto do tempo é muito, mas muito acima da média.

(+) Belluschi Já fez mais neste terço de temporada que em toda a época 2009/2010. É um jogador diferente, moralizado, empenhado, com génio no ataque e esforço na defesa. Dilacerou os rins a David Luíz e Sidnei no 2º e 3º golos respectivamente, mostrando que por vezes os bons jogadores precisam de se adaptar e de ganhar novos ritmos e rotinas. Precisam, portanto, do treinador certo.

(+) Sapunaru Já disse tão mal de Sapunaru que me tenho de penitenciar com galhos de uma qualquer árvore, desde que sejam rijos para marcar as costas. Que jogo fabuloso fez o romeno, sóbrio, simples, prático, imperial. Um herói na defesa ao corredor de David Luiz e Coentrão, Sapunaru hoje esteve perfeito.

(+) A galinha Ir ao Dragão com mais 50 mil pessoas? Entusiasmante. Estar lá a presenciar a destruição do Benfica às mãos do FC Porto com 5 secos no bucho? Utópico. Ver uma galinha a ser atirada para perto do guarda-redes do Benfica? Priceless.

(-) Jesus Se o FC Porto esteve forte porque se manteve fiel à estrutura que tem vindo a desenvolver e a implementar em campo, o Benfica foi fraco (não só mas também) por ter mudado radicalmente a sua filosofia de jogo. Qual Jesualdo em Londres ou Robson em Barcelona, Jesus mudou a equipa de uma forma que me surpreendeu, com David Luiz a defesa-esquerdo, Salvio em vez de Saviola e Sidnei no centro da defesa. As rotinas do Benfica rápido, prático e ofensivo perderam-se completamente, já que Coentrão nunca conseguiu o corredor para voar, David Luiz sem ritmo nem a garra do costume apanhou com Hulk e Belluschi com a confiança em alta, Salvio e Saviola só têm em comum uma certa semelhança no nome e Sidnei…é só fraquinho. Jesus, como se não bastasse o banho de bola que tinha levado, muito dele por culpa própria, deu uma conferência de imprensa a cuspir metaforicamente para o ar. Dizer que o FC Porto venceu porque teve um (sim, UM) jogador inspirado, é tão redutor como dizer que a Espanha venceu o Mundial porque Iniesta fez um ou dois bons passes. Jesus, que costuma ser bastante analítico e inteligente na análise aos lances, passou uma imagem de adepto ferrenho. Fica-lhe mal.

(-) Luisão Já na primeira parte, quando se pegou com Rolando, deu ar de quem estava excessivamente nervoso para um capitão de equipa num jogo destes. É inadmissível, à semelhança do que aconteceu com Bruno Alves no ano passado no Algarve, que um capitão de equipa tenha um comportamento como Luisão, agredindo um adversário que foi inteligente o suficiente para o pressionar até ao ponto de ruptura. A questão é que esse ponto não pode nem deve nunca ser atingido num jogo de tanta pressão, especialmente quando se é capitão de equipa. Cristian Rodríguez, na 5a feira, foi expulso contra o Besiktas. Hoje, Luisão, fez muito pior.

(-) O exército de polícias Quando cheguei à Alameda do Dragão, eram ainda perto das 17h, impressionei-me com a quantidade de polícias que estavam perto do estádio. Como assisti a quase todos os FC Porto vs Benfic
a desde 1992, já tenho alguma rodagem nestes clássicos e nunca vi nada como hoje. Um helicóptero a acompanhar em permanência o autocarro do Benfica, centenas de polícias a sair de dezenas de carrinhas e autocarros do corpo de intervenção, quase todas as passagens barradas e um ambiente de imponência a parecer uma zona de guerra em rescaldo. Tanta fachada…e não conseguiram evitar que dois ou três retardados atirassem bolas de golfe ou pedras ou sei lá o que raio atiraram ao autocarro do Benfica e partissem alguns vidros. Ah, e quem paga isto tudo? Pois, os mesmos que se queixam da crise. Carrega, lusitano.

Cheguei a casa rouco. Não me lembro de gritar muito durante o jogo, mas a minha garganta lembra-se. Este foi daqueles jogos que vai ficar na memória de tanta gente durante muito tempo. Ganhámos 5-0 ao Benfica. No Dragão. Com 50 mil almas a saltar, a exultar, a vibrar com um FC Porto demolidor, com jogadores cheios de confiança, seguros do que faziam e com uma garra, sentido de sacrifício e vontade de vencer como raramente se vê. Hoje, com a força toda que consegui reunir, gritei. Não me lembro. Só me recordo dos golos, da festa e da alegria de vencer um grande jogo a uma grande equipa que hoje não o foi. Por nossa culpa.

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Baías e Baronis – FC Porto vs Besiktas

Foto retirada do Sapo Desporto

Foi um jogo estranho. O FC Porto entrou, como era esperado, com cautelas em relação ao jogo do próximo Domingo contra o Benfica e tentou sempre gerir a posse de bola (raramente da melhor forma) e impôr um ritmo lento, pausado em demasia e com poucas incursões bem organizadas no ataque. Do outro lado estava uma equipa do Besiktas que se resumia a um grupo de jogadores viri…não…agressiv…não…sarrafeiros (isso) que tentaram pela força o que podiam perfeitamente ter conseguido pela táctica, tal era a desorientação geral no meio-campo portista. A somar a isto temos uma arbitragem ridícula, que permitiu aos turcos fazerem o que lhes apetecia ao lombo dos nossos rapazes, fosse com os pés, as mãos ou os cotovelos. Apelando ao pragmatismo, o resultado é mau mas aceita-se tendo em conta o que ambas as equipas produziram. Venham as notas:

(+) Fucile O melhor em campo, pelo menos do nosso lado. Foi o Fucile da África do Sul, que lutava por todas as bolas, que fazia o flanco todo em correria louca, que se lançava em carrinhos para bloquear os passes dos adversários e que apoiava o ataque com tabelas práticas e sempre a subir no terreno com a bola controlada. Está a ser um duelo interessante pela posição de lateral-direito, talvez a grande incógnita na equipa-base de Villas-Boas. Com Fucile a jogar assim, o lugar é dele.

(+) Rolando Foi dos melhores jogos que o vi fazer com a nossa camisola. Esteve prático, útil na cobertura e não teve qualquer problema em mandar a bola para longe quando era preciso. Parece ter crescido desde o início da época e só se pode esperar que continue a boa forma.

(+) Hulk Nem a meio-gás jogou. Fez uma partida pausada e saiu para descansar porque o jogo importante é mesmo no Domingo. Ainda assim, sempre que pegava na bola e arrancava pelo flanco, quer o esquerdo quer o direito, era notória a dificuldade do adversário para o parar. Domingo já podes explodir, rapaz, domingo…

(+) Fabian Ernst e Nihat O alemão pela inteligência táctica no meio-campo, posicionamento quase perfeito e a distribuir as bolas de uma forma simples e directa, sem inventar; o turco porque marcou um golaço e andou todo o jogo a correr como louco e a dar cabo da cabeça ao Álvaro. Nihat aproveitou impecavelmente a expulsão de Rodriguez para zarpar pelo flanco fora, obrigando a defesa a recuar e os indolentes médios a descer para as laterais, destapando o centro do terreno. Ainda é um excelente jogador.

(+) Claques Foi uma segunda parte complicada, com emoção e incerteza no resultado. Os Super e o Colectivo estiveram incansáveis no apoio, a cantar desde o intervalo até ao apito do fulano que andava de vermelho mas que de árbitro tinha pouco, e a resposta da parte dos turcos foi sempre à altura, inclusive ao intervalo, onde tentavam puxar pelos ensonados adeptos portistas quando começaram a cantar em apoio a Quaresma. Foram poucos os que responderam ao repto, mas ficou-lhes bem o gesto.

(-) Cristian Rodríguez Começo a perder a paciência para aturar o Cebola. É um extremo que continua a não conseguir passar pelo marcador directo, porque quando recebe a bola abaixa a cabeça, enfia os olhinhos no chão e cá vai disto, arranca como um barril a rolar sobre a relva e quando consegue chegar à linha cruza contra o defesa, ganhando canto ou lançamento. Isto acontece 95% das vezes. Das outras, anda perdido e recua a bola para o lateral. É o tradicional não copula nem sai de cima, pronto. A expulsão é do mais ingénuo que já se viu nos últimos tempos e não se coaduna com um jogador que já devia ter experiência suficiente para se alhear das provocações dos adversários. Foi parvo e infantil e a equipa pagou por isso. Villas-Boas devia mandá-lo ficar a treinar no fim do jogo, à Robson.

(-) Guarín Continuo a não gostar de o ver a jogar na posição 6, muito embora a rotatividade do meio-campo acaba por fazer com que qualquer médio apareça em qualquer uma das três posições. Mas Guarín é um rapaz que até dá jeito quando entra cheio de força para acabar ou controlar um jogo pela força, numa altura em que a cabeça dá lugar ao coração, mas quando se lhe pede mais que isso…é para esquecer. Fica-me na retina um lance em que tenta fazer um chapéu ao guarda-redes do Besiktas (vá-se lá saber porquê, deve ter visto Holosko a fazer o mesmo e a enviar a bola à trave e quis tentar o mesmo) e a bola sai uns bons 10 metros acima da baliza. Fino recorte técnico, rapaz.

(-) Meio-campo criativo do FC Porto Nem Belluschi nem Ruben Micael estiveram bem hoje e essa falta de inspiração e entrega ao jogo foram demasiadamente influenciadoras do mau futebol que praticámos. Compreendo a tentativa de refrear ânimos, de descansar e de não meter o pé nos confrontos directos, especialmente com os 11 assassinos a soldo que estavam do outro lado. Ainda assim, não se cumpriu um dos objectivos que seria evidente para hoje: descansar com bola. Tanto um como outro não conseguiram furar a barreira de 4+2 homens que formavam o meio-campo turco e o FC Porto nunca conseguiu mais que enviar a bola para Hulk e pô-lo a correr. Foi pouco demais.

(-) Sarrafeirice do Besiktas O exército de Saladino esteve à solta no Dragão. Quais descendentes do antigo império Otomano, os estupores dos turcos vieram bater em tudo o que viam com uma simplicidade tão grande quanto a lata com que continuavam na senda de brutalidade ao nível da inquisição Espanhola. (menos referências histórias, não é? ok!). Contaram com a complacência do árbitro em vários lances, porque não percebo como é que alguns deles conseguiram acabar o jogo. Uma palavra especial para Guti. A foto que escolhi para ilustrar este jogo não foi por acaso. Guti é um cabrãozinho, sempre foi um cabrãozinho e continua a ser um cabrãozinho. Talentoso, o animal, mas cabrãozinho. É daqueles jogadores que usa a experiência e o estatuto para fazer o que quer em campo, com ou sem a bola perto dele, e que apetece pontapear repetidamente em vários locais do corpo só para o ouvir a ganir de dor. Nojo.

(-) Árbitro Quando os nossos comentadores desportivos, bloggers e o Rui Santos virem a actuação desta bes
ta italiana hoje no Dragão, sugiro que engulam em seco quando pensarem em sugerir que os árbitros estrangeiros são a melhor opção para os jogos do nosso campeonato. Já vi muitas arbitragens fraquinhas, tal como já vi muitas arbitragens excelentes. Mas é raro ver um árbitro que permita tão descaradamente um jogo tão violento como hoje Paolo Tagliavento se lembrou de permitir. Como Patrick Bateman em American Psycho, o rapaz não sentia nada e tudo o que via devia parecer-lhe tão normal como uma ceia de Natal com delicado bacalhau cozido, quando claramente o repasto era uma sarrabulhada de patadas, cotoveladas, chutos e empurrões. À beira desta rapaz, o Pedro Henriques era um árbitro que apitava demais. Não comento o penalty (podia não ter marcado e ninguém se chateava) nem o lance do golo/não-golo porque tenho de lhes dar o benefício da dúvida. Quando não há certezas, não se marca, ponto. Nas expulsões nada a dizer, esteve bem. Foram as únicas coisas de jeito que fez todo o jogo.

O apuramento está garantido e podemos gerir o plantel em Viena e depois em casa frente ao CSKA Sófia. Podíamos ter vencido o jogo mas acima de tudo podíamos e devíamos ter controlado melhor a partida, não fosse Rodríguez querer lixar a vida ao treinador e enterrar a equipa numa desorientação táctica e impedir que se conseguisse jogar calmamente e descansar corpo e mente para Domingo. Too bad.

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