Ouve lá ó Mister – Braga

Camarada José,

Well, well, meu caro amigo. Cá estamos para o último jogo da temporada e que jogo tens tu pela tua frente. Uma repetição da final da Taça da Liga de 2012 ou da Europa League de 2011, ou até da final desta mesma Taça em 1998. Sabores misturados em relação a essas finais, mas tenho uma métrica que até agora tem funcionado e espero que me ajudes a quebrar: sempre que vou a uma final com o Braga, ganhamos. Quando não vou…bem…não temos a mesma sorte. E quando não se ganha uma final, não é propriamente uma derrota. É uma grande derrota. É o equivalente a seres ultrapassado em velocidade pelo Bolatti. Ou não defenderes um remate de longe do filho do Casillas. Esse nível, sim. E eu sei que ganhaste a última final que disputaste cá no burgo, exactamente essa do Braga contra o teu actual clube, por isso até era giro conseguires dar a volta aos pratos e sacares o taçómetro cá para o Museu, não era? Era, pois.

Não gostei da convocatória mas tu é que sabes, como sempre. Só fico triste por teres tido o Chico Ramos e o Tomás (por quem já sabes que tenho uma admiração bem grande) a treinar toda a semana e depois amandas os rapazes c’as couves e não os levas a Lisboa. É uma chatice para eles e não lhes dá propriamente a moral que merecem, mas a época está a acabar e daqui a mês e meio já estão outra vez de volta, por isso não é assim tão mau. Já tu…perdoa-me mas se for este o momento da despedida, espero que fiques bem na fotografia com um cachecol na cabeça, uma taça na mão e um sorriso na face. Para o bem de todos nós, Zé!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Boavista

Camarada José,

É a última vez que vou ao Dragão durante esta temporada e fico sempre com um sentimento de tristeza no final do jogo, sabendo que só lá vou voltar em Julho ou Agosto. É aquela nostalgia tão típica da minha geração, antecipada em relação ao timing que deveria cumprir mas inevitável dada a rápida passagem do tempo e dos tempos dentro do tempo. Velhos por antecipação, é o que somos, mas felizes. Em parte.

Como é o último jogo e como este ano não vou ao Jamor, pode ser a última vez que te vejo nesse banco. Não sei se depende de ti ou se os poderes acima de ti já tomaram alguma decisão, por isso até lá continuas a ser o meu treinador e como tal falo para ti de homem para homem ou se preferires, de Jorge para José: livra-te de não ganhares este jogo. Já temos tido demasiadas chatices para agora também termos o amargo de boca de terminar o ano ainda mais em baixo. Livra-te.

Como é um jogo num horário experimental, pensei que poderias também fazer uma convocatória experimental, para descansar alguns elementos-chave antes da Taça e para premiares alguns dos campeões da segunda Liga que deviam fazer corar vários dos que jogaram na primeira. Não me fizeste a vontade e não te censuro, afinal tu é que mandas. Por isso seja com quem for que vás à luta, ganha lá a escaramuça e prepara-te para a grande batalha da próxima semana.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Rio Ave

Camarada José,

Faltam três jogos para terminar a época e estou triste. Triste pelo momento da equipa, triste pela forma como encaramos as partidas e acima de tudo triste por chegarmos a este momento do campeonato e estarmos a jogar para aquecer. E hoje quer-me parecer que esta metáfora vai ser mesmo concreta, porque pela maneira que o tempo tem andado, um joguinho em Vila do Conde, com chuva tocadinha a vento, vai ser bem bonito de ver. Pum, bola pró ar e quem estiver a favor do vento é abrir alas e rematar que a bola pode até ir lá para dentro com um chouriço que ninguém estava à espera. É assim todos os anos e este não será diferente.

Ainda pro cima já sei que vais andar a experimentar os rapazes e a tentar arranjar o melhor onze para ainda conseguires chegar à final da Taça e sacar alguma coisa desta miserável temporada. Inventa lá o que quiseres porque o terceiro lugar já ninguém nos tira (suspiro…) e só há uma coisa que interessa até ao fim do ano: ganhar no Jamor. Já desisti de pedir que puxes pelo orgulho dos teus homens porque está mais no fundo que um naco de carne podre atirado para o Douro. Assim sendo, lutem pela vitória mas tentem perceber qual é a melhor maneira de darmos a volta ao Braga daqui a duas semanas. E se conseguirem ganhar, menos mal. É assim que estamos, mister. Na trampa.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Sporting

Camarada José,

O sol vai brilhar hoje por cima do Dragão e o jogo até começa a umas horas decentes para que um gajo possa estar a beber uns finos antes da bola, ao mesmo tempo que aprecia o ambiente tão característico de um dia grande, que acontece sempre que joga o FC Porto. Mas mesmo com os pássaros alegres a chilrear à volta das árvores, as meninas a passear de saiotes curtinhos e as fresquinhas fermentações do melhor malte à espera de serem sorvidas (sem barulho) por mim, há sempre algo que não parece bem. Não sabe tão bem ir ver um jogo destes sabendo que não há nada que uma vitória nos traga senão a reposição de algum orgulho perdido. Por isso é exactamente por esse ângulo que temos de pegar na coisa, são esses os cornos do touro que cá vem hoje ao fim da tarde.

Não há nada a temer destes gajos. É certo que têm um meio-campo estabilizado (e bem bom, é verdade), um ataque móvel e agressivo e uma defesa…pronto, têm defesas. E um guarda-redes grande. E são onze. E a relva até é verde e tudo. Podiam ser quinhentos, não consigo perceber qual é o problema de olhar estes rapazes nos olhos e sem proferir uma única palavra, dizer-lhes: “ides cair. todos. podem achar que não vão, mas vão. e vão cair com estrondo, depois de passarem a primeira metade do campeonato aos pinchinhos como adolescentes depois de verem uma boyband ao vivo. vão chorar no fim. vão telefonar aos papás a pedir colo. vão sair daqui debaixo de um coro de aplausos irónicos do público pela tentativa, enquanto choram. chorar é a chave, lembrem-se disso. tentem não chorar. tentem.”. É só isso.

E haverá maior prazer de ver o JJ a ajoelhar de novo por perder outro título neste nosso relvado? Oh please make it so!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Académica

Camarada José,

Um jogo às quatro da tarde. Senhor da Pedra me perdoe e me unte todo com manteiga de amendoim se eu me lembro de um jogo do campeonato do nosso FC Porto a essas horas. E já sei que alguém me vai dizer: “Ó parolo, então não te lembras do jogo contra o Atlético dos Coveiros, quando jogámos com 10 durante três minutos e meio enquanto o Tarik era assistido?! Começou às 15h12!!! ÉS UMA VERGONHA!!!”, mas já estou habituado a hipérboles deste género, que se lixe, continuo o meu caminho.

E esta partida é só mais uma neste degredo de época que nunca mais acaba. Ainda deve haver meia-dúzia de portistas com o proverbial pito aos saltos depois do jogo contra o Nacional, mas eu mantenho-me com níveis de infelicidade de um gajo que perdeu a lotaria por um algarismo. Estou em negação, pá, tantas vezes dou comigo a pensar que se calhar estou a sonhar e daqui a um bocadinho vai aparecer o vigilante do cemitério a dizer-me “oh amigo, ponha-se a andar que aqui não é sítio para andar a mijar em cima das begónias”. e a única coisa que me pode fazer despertar deste pesadelo é pensar que vamos ganhar à Académica. E depois ao Sporting. E o Rio Ave. E aquele clube medonho dos tigres paneleiros. E ao Braga no Jamor. E aí, depois desses jogos todos ganhos, talvez não sue tanto de noite até Agosto. E daí, para te ser sincero, se calhar vou suar na mesma.

Sou quem sabes,
Jorge