Ouve lá ó Mister – Setúbal

Companheiro Nuno,

Estou a fazer dieta. É verdade, depois de muitas agressões ao meu fígado, estômago e vizinhos abdominais, decidi-me finalmente a fechar a matraca e a fazer algum exercício para que, daqui a uns aninhos, possa finalmente olhar para baixo e ver a pixota para o espelho e ter algum orgulho no que vejo. É raro acontecer e a barba de indigente, somada à despreocupação geral para com o meu aspecto, ajuda a que me foque no interior para que se reflicta qualquer coisa no exterior.

E como em todas as dietas, o que custa é abdicar das coisas mais habituais e forçar aquelas que não são tão habituais. Arroz em vez de massa, iogurtes magros em vez de bolachas, leguminosas em vez de batatas fritas, esse tipo de tralhas que deixam um gajo deprimido e a pensar na vida. Caminhar em vez de enfardar, exercitar em vez de enfrascar, tudo actos que afastam um gajo do prazer de estar vivo e que levarão, espero, a um fim nobre mas através de caminhos tortuosos e infelizes. *suspiro*

Isto tudo para te dizer: não deixes que o meu esforço seja em vão, Nuno. Permite-me gritar e saltar com os golos do FC Porto neste Domingo porque para lá de gastar mais umas nove ou dez calorias com o entusiasmo, sempre me pode trazer alguma alegria e força para o futuro próximo. Porque na Luz, já sabes: se ganhar, que se lixe a dieta, vão finos abaixo quer a pança queira quer não queira!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Juventus

Companheiro Nuno,

Todos assistimos ao jogo do Barcelona da semana passada e o deleite de ver duas enormes equipas a batalhar num evento de luta intensa foi incrível. Foi incrível ver uma equipa que tinha sido pisada alguns dias antes a crescer e a espezinhar o adversário numa exibição cheia de querer e vontade de vencer. Foi incrível assistir ao entusiasmo dos jogadores, ao sangue a ferver com a emoção de poder chegar só um bocadinho mais longe para levar de vencido o oponente. Foi incrível constatar que mesmo um resultado tão negativo pode ser virado se houver talento, determinação e uma fé inabalável no resultado de um esforço conjunto que nos leva a repensar na nossa vida e nas pequenas escolhas temerárias que fazemos pelo “menos mau” e pelas “vitórias morais”. Foram homens, aqueles que venceram o PSG, não foram titãs de uma mitologia passada ou seres de dimensões alternativas, com quinze olhos e scuds em cada uma das oito mãos. Gente, como eu e tu, como o Herrera ou o André, o Maxi ou o Soares. Rapazes trabalhadores que com uma pontinha de sorte associada a um trabalho laborioso, esgotante e iamculado, podem conseguir o que parece impossível e trazer uma alegria tremenda na viagem de regresso para a Invicta.

Sou da opinião que é menos provável passarmos a eliminatória do que me crescer um útero cheio de gladíolos e relva cor de rosa onde o Dave Mustaine esteja a fazer um solo de harpa ao mesmo tempo que lança no ar a massa para uma pizza de queijo. Mas espero que estejas preparado para cair para o lado antes de desistires!!!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Arouca

Companheiro Nuno,

Estamos bem? Estamos impecáveis! Estamos em grande! Estamos em alta! E no entanto, estamos a um mau resultado de mandar abaixo este castelo de cartas que é uma sequência de jogos vitoriosos no campeonato, porque quando as coisas estão bem, basta uma brecha na armadura para desfazer todo o bom trabalho que se tem vindo a fazer durante meses. E se todos estão à espera de um mega-fabulástico showdown na Luz, há que chegar lá com a mesma sequência vitoriosa que temos vindo a criar até agora e acompanhá-la como se faz a um bully: respondendo à força com inteligência.

Não sei ainda quem vai jogar em Arouca, mas só te peço que não jogues na capital mundial dos passadiços a pensar no jogo de Turim. Até porque o mais provável é sairmos de Itália com uma derrota tão grande como a da primeira mão, senão maior. São universos diferentes e como o Benfica verificou ainda esta semana, há um…universo de diferença entre o nosso campeonato e o deles. Assim sendo, foca-te no Arouca e na melhor forma de os bater e sacar os três pontos na luta que está para durar. E só pode durar até ao fim se estiveres com os olhos no prémio. Mantém os olhos no prémio, Nuno!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Nacional

Companheiro Nuno,

Os jogos contra o Nacional têm sempre alguma coisa de interessante. Pelas camisolas que os rapazes gostam de usar cá pelo burgo, do branco, preto, amarelo ou violeta; pela possibilidade do fantasma do zero-quatro estar sempre no horizonte à espreita da possibilidade de nos enfiar mais um prumo com rebites pelo recto acima; pelo facto de estarmos a encarar cada jogo como “só-mais-um-até-à-Luz”; por tantos outros potenciais vectores de interesse que nos podem despoletar a vontade de levantarmos o rabo do sofá e irmos encarar a chuva de frente, há um que se sobrepõe aos outros: o regresso de Paixão. Tem tudo para ser um destaque positivo, o único homem que conseguiu defrontar Vitor Pereira e vencer e um dos poucos que permitiu que Jardel levasse uma coça como se tivesse galado a namorada do Bonucci numa discoteca com o italiano a ver. O Porto a ganhar, a equipa a jogar e a marcar…e o Paixão no Dragão. Achas que as pesoas precisam de mais incentivos para ir ao jogo?!

Ah, e decide lá a táctica de uma vez por todas. Se os rapazes continuam a deixar o meio-campo tão pouco povoado durante os jogos, ainda nos expropriam a relva ao abrigo de uma qualquer reforma agrária. Felipe e André Silva voltam, certo? Óliver fica, certo? Isso.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Boavista

 

Companheiro Nuno,

Este é o meu bilhete para amanhã. Repara no pormenor assinalado com uma rodela azul:

Se isto não é um sinal vindo directamente do PBX lá de cima, não sei o que será. É para ganhar e mai nada.

Sou quem sabes,
Jorge