Ouve lá ó Mister – Académica

Señor Lopetegui,

Pelas minhas contas, precisamos de uma vitória no jogo de hoje para passarmos à próxima fase desta treta sem nos preocuparmos com resultados de terceiros. Continuo a olhar para esta pseudo-competição de soslaio, sem grande interesse mas com uma vontadinha extra de chegar mais longe do que alguma vez chegámos em virtude daquele brilharete em Braga que mesmo não tendo acabado com três pontos deste lado e a garantia que estaríamos na próxima fase sem grandes preocupações, a verdade é que houve algo naquele jogo que me deixou com tanta garra e sangue na guelra que até fiquei todo contente por esta taça existir. E olha que não é fácil entusiasmar-me com isto! Eu que até nem vi a final disto em directo no ano passado, vê lá tu!

E mesmo o facto de nem tu nem os teus rapazes conseguirem ter confirmado os bons sinais desse jogo no Domingo passado, continuo a apoiar-vos. Continuarei sempre, sabes, porque não sei ser de outra maneira e porque acredito que os erros acontecem e que há jogos que correm melhor que outros. E porque sou um gajo mais calmo que era aqui há uns anos, talvez por fazer a catarse de um mau resultado através do teclado do portátil…e olha que ajudou bastante depois do jogo com o Marítimo. Não queria ter de fazer a mesma coisa hoje, Julen.

Já agora, uma dica: dá uma oportunidade ao Gonçalo a titular. Quem sabe, talvez deixes de pensar em trazer mais malta para o plantel? Vá lá, o puto merece.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Marítimo

Señor Lopetegui,

Não há um jogo que o FC Porto jogue na Madeira que não me faça lembrar dos bons tempos que lá passei de qualquer uma das vezes que estive naquela ilha. Para lá das noites de copos, tardes de copos e até algumas manhãs de copos, a estadia é excelente e recomenda-se com toda a intensidade de um remate do Hulk ou um passe curto do Guarín. Só há normalmente um ponto em que os dias são constantemente transformados em versões badalhocas de um fim de tarde bem passado em frente ao Atlântico com um ou doze copos de poncha no bucho: o estupor do jogo nos Barreiros. Deve ser karma hepático, a punir-me por tanto ter agredido o órgão (sem piadinhas) mas é dos jogos que mais me chateiam durante o ano e a par dos “grandes” e do Guimarães, aquele que antecipo com maior violência emocional e temor pelo resultado que por aí possa vir. Aparece-me tudo na cabeça: os livres do Heitor, os remates do Alex Bunbury, as fintas do Edmilson (o moreno deles, não a nossa loirinha), as defesas do Everton, as movimentações do Gaúcho, as cabeçadas do Van Der Gaag e o Briguel. Só o Briguel. Esse asno. (cuspidela para o chão). Isso.

Sejam quais forem os nomes que apareçam na cabeça de cada portista que acompanha este feudo com o Marítimo desde há sei lá quantos anos, a verdade é que são sempre (ou quase) jogos tramados, digam lá o que disserem as estatísticas. E tu que andas desde o início do ano a dizer que cada merdeira de cada equipa que apanhamos pelo caminho é um jogo de “máxima” ou “alta” ou “tremenda” dificuldade, acredita que este vai ser mais um desses. Ainda por cima pode haver muitos portistas na Madeira mas estou disposto a apostar contigo que a grande maioria dos adeptos do Marítimo não o são. Ou seja, espera ambiente hostil com um português asotacado que não vais perceber nem metade. É giro, acrescenta ao pitoresco local, vai por mim.

Ganha lá isso. Eu apostava num ataque com o Quaresma e o Jackson mas dava uma hipótese ao Ricardo para ver se o Tello rende mais quando vem do banco. E no meio-campo volta a pôr o Casemiro, fazes favor, porque o Ruben ainda deve subir as escadas do autocarro agarrado à coxa.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Braga

Señor Lopetegui,

Bem vindo a mais uma ronda do “Who gives a fuck about this?”, com os actores principais “Julen Lopetegui” como “The Rotation Man” e outros actores secundários! E este, ainda mais que o jogo da semana passada, é uma armadilha à espera de acontecer, por isso tem muito cuidado com a forma como o jogo se vai desenrolar. Explico.

Como o Braga perdeu o jogo contra o União da Madeira (“o” União ou “a” União? francamente não faço ideia, esta coisa de ter géneros associados à bola é tão pós-modernista que enjoa), vão encarar os dois últimos jogos com um vigor fora do normal para poderem pensar em qualificar-se em condições. Ora se tu apanhas com uma equipa do Sérgio Conceição a meio-gás, já é motivo para te encalhares todo com a quantidade de paulada que vais levar (uma espécie de formação à José Mota com mais talento), imagina se os gajos têm de facto um objectivo para atingir! Upa, menino, tens de explicar aos rapazes que vão ter de navegar por entre um mar como na Normandia em 1944!

Já vi a lista de convocados e acho muito bem que tragas os miúdos para estas andanças. Pois é certo que o Ivo pareceu meio acanhado e não teve uma estreia de sonho, mas o Gonçalo já merecia uns minutos e até o Victor ou o Joris também podem calçar, por muito que estes já se tenham estreado no ano passado. Acima de tudo, tenta procurar aí por dentro as possibilidade que consigas encontrar para reforçar os As com os Bs, de topar quais é que te podem ajudar e quais é que, francamente, não contam. E se conseguires ganhar o jogo entretanto…nada mau!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Penafiel

Señor Lopetegui,

Uma viagem curta, esta. E tem tudo para se tornar enfadonha, porque até lá pouco há para ver e menos ainda para experienciar. Ao menos se fizesses os mesmos quarenta quilómetros para Norte podias dar um salto à Póvoa e ias comer um peixinho bem bom. Ou descias até Espinho e enfardavas uma francesinha em forno a lenha numa taverna que por lá conheço e que é “daqui” (mão a segurar a orelha). Até podias ir pelo Rio até perto de Entre-os-Rios, na margem direita, onde há um tasquinho onde tens uns bolinhos de bacalhau com umas fatias de presunto que te deixavam com eles na mão a pedir mais. Nota-se que estou com fome? Muito? Raios.

É uma viagem rápida, como te disse. E o Penafiel até é um clube amigo há uns anos, porque raramente nos deu água p’la barba. Aliás, a última vez que perdemos pontos no 25 de Abril (o estádio, não a coisa dos cravos que já te devem ter explicado) foi em 1990/1991, há mais de vinte anos!!! Nessa altura jogavam alguns rapazes que já deves ter ouvido falar…Baía, Geraldão, Kostadinov, a dupla de Coutos (o Fernando e o Jorge) e o André, o pai do André ao quadrado que agora joga no Vitória. E o árbitro, por coincidência das maiores coincidências, foi o pai do moço que vai estar aí logo à noite! Outros tempos, outras histórias e definitivamente outro tipo de mentalidade e de futebol. Hoje em dia o que conta é a eficácia e a inteligência competitiva. E os golos, isso também parece que conta muito.

Dá lá um salto a Penafiel e sai de lá com golos marcados e sem sofrer nenhum. É um desafio que te faço. Aceitas? Claro que aceitas!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – União da Madeira

Señor Lopetegui,

Não estás cá há muito tempo e muito provavelmente nunca antes do sorteio da Taça da Liga tinhas ouvido falar do União da Madeira, um clube pequeno naquela ilha de boa gente, excelente comida, maravilhosa bebida e tri-vencedores de Bolas de Ouro. Mas aqui há uns anos, quando andavam a esgadanhar-se todos para ficar na Primeira Divisão, havia um fulano que por lá jogava que fazia as delícias dos meus horrores. Era um canastrão jugoslavo (para os mais jovens, era um país que ficava onde hoje ficam a Croácia, Sérvia, Eslovénia e mais quarenta mini-países, sem desprimor para a terra do Alexandre) que jogava com a força de doze Vidigais (o Luís, não o Lito) e que tinha um pontapé com a força de sete Isaías (o barbichas, não o profeta). Chamava-se Predrag Jokanovic e antes de ir para o Marítimo e depois para o Nacional jogar e em seguida treinar, ganhou a vida a lixar o FC Porto.

Era feroz, o cabrão, usava os braços como poucos e punha aquele corpanzil à frente dos defesas e dos médios que tentavam contornar o rotundo tronco de carne e ódio e fel e fealdade, enervando toda a gente que o confrontava e mais uns milhares nas bancadas em redor. E é uma das únicas imagens que retenho de ver o União a jogar, a somar ao Marco Aurélio que acabou por se juntar ao Sporting e que era um dos melhores centrais que por cá passou nos anos 90.

Não havendo grande forma de motivares os rapazes para o jogo de hoje, ao menos ganha para que eu, na minha humilde e feliz consciência histórica, me possa virar para um hipotético Jokanovic que vive nas minhas memórias e tenha a lata de dizer: “Fode-te, gordo.”. Se não for por mais nada, ao menos ganha por isso.

Sou quem sabes,
Jorge