Ouve lá ó Mister – Sporting

Companheiro Nuno,

Um arranque de temporada destes tinha de culminar com o jogo mais complicado do ano, pelo menos no plano teórico. Não, não é o jogo na Luz que considero o mais difícil, por muito que os gajos sejam tricampeões, porque podiam ter quarenta e sete (cruzes, canhoto e um dildo com rebites no esfíncter) e não me lixava tanto as contas como jogar em Alvalade. Há qualquer coisa naquele campo que me desinquieta e me deixa de alma nas mangas e coração a roçar a úvula de cada vez que lá vamos, porque parece que os gajos se exaltam todos contra nós e gostam mais de nos ganhar do que o Rochemback gostava de picanha ou o Cadete de Vidal Sassoon. É uma loucura quando lá vamos e como ainda por cima têm saído por cima há vários anos, habituaram-se a esta boa vida e não querem outra coisa.

NO MORE. Estou farto disto e estou farto de lá ir e sair a pingar dos olhos e a desejar que houvesse um buraco onde me pudesse enfiar cheio de vergonha de estar vivo. Ouviram, Janelas, Furas, Mini, Barros, Perguntas, Zé e outros imbecis verdes-e-brancos com quem partilho a minha vida pelo menos duas horas todas as semanas a jogar futebol? (já viram a minha cruz?!) It ends today, bitches!!!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Roma

Companheiro Nuno,

Depois da partida da passada quarta-feira lamentei as indecisões e as mudanças tácticas que surgiram aparentemente apenas da tua cabeça mas como faço neste tipo de coisas, dou-te o benefício da dúvida apesar de não concordar contigo. É certo que os gajos são bons, que têm uma estrutura e umas rotinas que os teus (ainda) não têm, que há ali talento e alternativas bem simpáticas que nos acabam por tolher as esperanças e te fazem olhar para o banco sem saber muito bem o que fazer. Percebo tudo isso. Mas não me roubam a esperança e nem os factos do jogo passado me tiram a vontade de ganhar.

O jogo vai ser complicado, ah vai. Ninguém está à espera que chegues ao Olímpico e enfies sete batatas nos gajos, mas estamos à espera que tentes. Estamos todos, os que aí vão estar nas bancadas e os que por aqui vão ficar a ver o jogo pela televisão (acho que dá na RTP, com os comentadores bem oleados no escárnio e na crítica rápida a ti e aos teus…já sabes do que a casa gasta, a nossa e a deles…), com vontade de acreditar em ti. De olhar para uma equipa que não é mais que uma amálgama insegura de jogadores, alguns com traquejo e outros que ainda tremem das perninhas nestes palcos, vestir a camisola e saltar para cima dos italianos como se fossem a Monica Bellucci de vestido curto.

Dizem que em Roma se deve ser romano. Nada disso. Em Roma, sê dragão. Fogo nas ventas e mandar aquela merda abaixo à Nero. Um remake, como está na moda. Força!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Estoril

Companheiro Nuno,

Vamos esquecer por momentos o jogo de terça-feira porque este vai pintar uma história bem diferente. Temos 100% de vitórias na Liga e é assim que vamos continuar porque o Estoril não mete medo a ninguém, não é verdade? Tem de ser assim, Nuno, porque sabes que nesta casa é sempre assim: ganhar. Não pode haver problemas com pequenos adversários e estes jogos são o suminho que se vai espremendo devagarinho para que possas chegar aos grandes jogos e ter bagagem suficiente para estares mais confortável mesmo que as coisas corram menos bem. E o próximo jogo grande é já…o próximo depois deste, por isso toca a ganhar para limpar a cabeça e começar a pensar na Roma só no Domingo de manhã.

Já vi que agora é hábito novo não haver convocados para os jogos. Vai ser assim toda a temporada, rapaz? Vais deixar a malta a salivar para saber quem é que vai poder estar no banco e quem é que entra para o relvado com os tiques todos e as superstições tão próprias daquela malta? Ou é só um truque de marketing que se vai esbater como um balão com um furinho pucunino? Deixas-me curioso, com mil Nunos Luzes aerofágicos!

Seja lá qual tiver sido a tara dos convocados, o que me interessa mesmo é o jogo. Enfia três ou quatro batatas nos gajos, descansa o André e o Otávio e amanda com os gajos da linha lá para baixo de cabeça caída e lamentos acerca da profissão que escolheram. Simples, não é?

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Roma

Companheiro Nuno,

Não querendo lançar mais pressão do que aquela que já deves estar a sentir, mas este jogo tem alguma importância. Tu sabes disso e não haverá nada que te possa dizer aqui nestas linhas que te possa elevar o nível de concentração e de empenho que tu e os teus terão de mostrar quando os cabrões dos italianos entrarem em campo e vos olharem direitinho nas pupilas com fome de Champions e vontade de nos mandarem abaixo. Tens de ser um pré-Huno para arranjares as coisas de tal maneira que quando lá formos para o jogo da segunda mão poderes ser um Huno a entrar por ali dentro a rebentar aquela treta toda como o Aníbal aqui há coisa de dois mil anos. Com menos elefantes e um bocadinho mais de troca de bola a meio-campo, mas o princípio é o mesmo: bater em romanos.

Para continuar a metáfora, neste jogo tens de ser Asterix, Obelix e outros “ixes” que te lembres. “Ils sont fous, ces Romains!”, certo? Estes gajos não sabem com quem se metem e nem com Tottis nem Naiggolans nem sequer com De Rossis cá vêm buscar o que quer que seja. Entra lá com o Andressilvix, o Coronacorix e o Danilipovix, inventa os apelidos todos que soem vagamente a gaulês (meio celta, meio francófono, pronto) e entra em campo com vontade de lhes enfiar um tento nos queixos que até lhes mande o capacete ao ar. E já agora, se puderes, não sofras baixas. Golos, perdão.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Rio Ave

Companheiro Nuno,

Ora então cá vamos nós. Prontinhos para mais uma época que nos vai encher de alegrias, tristezas, semi-ataques cardíacos, pequenas pinguinhas de urina com lances entusiasmantes no ataque e mãos erguidas para o peito com falhsa defensivas. Nada de novo, apenas na necessidade imperiosa de ganhar. E para isso precisamos de começar bem, já hoje em Vila do Conde. É um campo complicado? Não faço ideia, nunca lá joguei. O único campo de futebol em que já alguma vez joguei foi o Campo S.Miguel em Gondomar (agora Estádio São Miguel, porque é relvado e tal) e na altura o pelado era bem fixe para quem queria ficar sem joelhos. Uma espécie de lixa com 100×50 metros, bem catita. As coisas são diferentes e os hábitos também, até para nós. Especialmente para nós.

Disseste a meio da semana que o FC Porto não pode estar quatro anos sem vencer títulos. É para isso que aí estás, Nuno, para vencer. Vou-te dar a mesma ladaínha que dei aos teus antecessores: ninguém se vai preocupar se jogar A ou B, se a equipa tem um futebol extraordinário, guardioliano na construção ou sacchiano na concretização. O que os sócios, adeptos, raios, tudo que usa o azul-e-branco por dentro, juntinho ao coração, o que essa malta vai querer é ganhar. E se fizeres por isso, se tiveres os tomates que o Peseiro não teve, que o Julen parece ter guardado num cofre até que um dia pudesse vir a precisar deles e que o Fonseca ainda não conseguiu arranjar…se tiveres as bolas enormes de um Vitor Pereira na Luz ou de um Villas-Boas durante toda a época (só para dar exemplos recentes e não ser exaustivo, até porque daí para trás estavas bem presente e viveste as coisas na pele, não foi, senhor “Somos Porto”?), a malta não quer saber de mais nada.

Força, rapaz. Estamos todos contigo, os fortes, os fracos, os cínicos e os adeptos das vitórias, os indefectíveis e que vão ao Dragão às segundas à noite à chuva. Todos. É para ganhar. Que role a bola!

Sou quem sabes,
Jorge