Ouve lá ó Mister – Nacional da Madeira

Companheiro Nuno,

Ao contrário do jogo de Inglaterra, onde todos os deuses normandos, saxões e beckhamianos estão contra nós, este jogo tem o histórico firmemente a nosso favor. O facto de ser o segundo jogo consecutivo disputado numa ilha é apenas uma coincidência e não deve ser levado em conta. E não estou com isto a pretender usar qualquer tipo de metáfora sobre “estarmos à deriva” ou que estás a ficar “isolado”. É apenas uma coincidência. Espero.

E esta seria uma excelente oportunidade para recuperares a nossa forma para que pelo menos do ponto de vista doméstico não percamos mais pontos para os outros concorrentes ao título. Cada ponto que se desperdiça é mais uma pedra que temos de empurrar a subir o monte e acho que já tens calhaus que chegue no bandulho até chegares ao cume. E nem vou fazer piadas com o cume, vê lá tu quão sério estou eu a falar disto. Por outro lado, também é uma oportunidade para fazeres lembrar ao Marcano que não pode repetir o jogo de ano passado, que no meio da imbecilidade de ter acabado no dia seguinte por causa do nevoeiro, ainda houve aquela extra imbecilidade do penalty que ele fez. Ele lembra-se, está descansado.

Acima de tudo, é jogo para ganhar e para os moços irem descansados para as selecções. E tu vai lá aperfeiçoando o modelo e o sistema, que isto de equipas em formação é giro e tal mas os resultados têm de ir aparecendo!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Leicester

Companheiro Nuno,

Vamos lá ver uma coisa, antes que a gente se chateie. Eu sei que a equipa está a ser construída e que as rotinas ainda não se ajustam naturalmente e é preciso tempo até que a máquina esteja oleada por forma a conseguirmos ter a formação que queremos a jogar da maneira que queremos. Uso o plural porque estamos todos na mesma demanda e as setas estão apontadas todas na mesma direcção. Mas não tem ajudado mesmo nada a constante mudança no estilo de jogo e na forma de encarar as partidas, Nuno. Acredito que estejas a adaptar os teus homens às situações que enfrentas mas se os tipos não se conhecem muito bem e tu insistes em mudar as camisolas e os corpos que as usam, ainda se torna mais complicado, não? Vê lá se assentas num onze base e começas a cinzelar o teu David para que tenha uma mão em condições e a pilinha seja um majestoso falo que rebente com a força contrária, seja lá quem ela tiver que ser.

Hoje, por exemplo, é uma prova grande. Nunca ganhámos em Inglaterra, rezam os números. So what? É hoje? Será hoje que vamos acabar com este estupor deste empirismo que nos toma de assalto e nos entristece? É, pois! Tem de ser! Tenho confiança em ti e nos teus para que consigamos encostar estes one-hit wonders e trazer o doce sabor da vitória para casa de uma forma que pode ou não ser categórica mas que seja decente, trabalhadora e empenhada. Porque se não ganhares é apenas mais um jogo. Mas se venceres…oh homem, entras para a história do teu clube! Queres mais incentivo que este?!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Boavista

Companheiro Nuno,

As coisas não estão famosas, pois não? Este empate em Tondela, para lá de ter sido um jogo tão interessante como ver um presunto a adquirir sabor num fumeiro, acabou por te fazer perder algum capital de confiança que tinhas junto dos adeptos. É uma amante cruel, esta vida de treinador, não é? Tanto te leva a patamares de êxtase como os que tiveste em Roma como no minuto seguinte te enfia num poço de depressão onde a luz é tão difusa e longínqua que faz os cabrões na alegoria da caverna pensarem que são holofotes que criam as sombras. É tramado ser treinador do FC Porto nos tempos que correm.

Mas convenhamos que hoje pode ser um jogo diferente. Eu sei que o “processo de formação” está em curso e que a “eficácia” não é a melhor ou até que a “mentalidade competitiva” demora a assentar. Mas hoje é dia de derby, Nuno. Derby, carago, contra aqueles tabuleiros em forma de camisola que ousam colocar as patinhas no nosso estádio, conspurcando-o com a lama que pinga da alma suja e vil que detém. É calcá-los como se fossem trampinha de cão. Enfiar-lhes os dedinhos pelo esfíncter acima para que lamentem a existência e façam com que as mães chorem para os céus ao perceberem o destino que os filhos terão.

E no meio deste desterro, vê lá se ganhas o jogo. Um espectáculo dantesco sem uma vitória não vale de nada.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Tondela

Companheiro Nuno,

 

Ora viva mais uma vez. Rica trampa o jogo de quarta-feira, não foi? Foi, pois. Apesar dos gajos não serem nenhumas espingardas fantásticas para a Champions, lá nos roubaram dois pontinhos que nos podem vir a fazer muita falta mais tarde e se não conseguimos vencer um dos dois jogos mais fáceis do grupo, quem nos garante que vamos conseguir ganhar os mais complicados? Pois é, rapaz, eu sei que são jogos difíceis e que o Copenhaga não é nenhum Tondela, mas as coisas complicam-se quando deviam ser simples e tens de arranjar maneira de resolver isso na próxima jornada, em Inglaterra. Cavaste o poço, agora sai dele. Mas hoje a conversa é diferente.

Estes filhos de mãe incerta, liderados pelo seu treinador que foi durante vários anos uma das figuras mais desprezadas que jogou em Portugal, pelo menos do nosso ponto de vista, vieram no ano passado gamar três pontos no Dragão. E ainda estou a espumar um bocadinho de revolta e com vontade de os empalar num prumo cheio de rebites, por isso deposito toda a minha confiança em ti e nos teus muchachos para conseguires sair da terra deles com o mesmo saco cheio que eles levaram em 2015/16. Acredito que vais conseguir e só te dou um conselho: luta. Oh pá, convence-os de que maneira quiseres que o meio-campo vai funcionar, os laterais vão estar atentos e práticos e que os avançados estarão eficazes e prontos a enfiar a bola na baliza. Seja o Depoitre, o André ou até o Felipe a ponta-de-lança, quero lá saber. Só me interessa é ganhar o jogo para voltarmos a estar confiantes e prontos para a próxima jornada que é de derby e que também quero ganhar com todas as forças. Vamos lá continuar a quebrar a má tradição amarela do ano passado. Abaixo e adiante!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Copenhaga

Companheiro Nuno,

Descobri uma coisa recentemente e quando digo recentemente é coisa de vinte segundos: sou disléxico a escrever o nome da cidade de onde vêm estes moços que hoje jogam contra nós. Tenho de pensar bem e olhar para o que estou a escrever para não sair, e não estou a brincar: Compenhaga. O dedo desloca-se ali para o “m” como se fosse uma gaja boa no cinema e estivesses a tentar açambarcar o encosto do braço ao mesmo tempo que ela. Mais dedo menos braço, a verdade é que não consigo escrever o nome em condições. Vou atribuir a este comportamento o facto de não ser um hábito escrever o nome da cidade (nem do clube) porque, convenhamos, nem um nem outro estarão habitualmente nas bocas do mundo.

Mas essa é uma atitude arrogante que temos de saber contrariar, por muito que possa parecer natural tendo em conta a diferença de histórico. Porque já houve vários Artmedias no nosso passado e foram suficientes para percebermos que nada é ganho à partida e que tens de fazer pela vida para conseguires desfazer estes e os outros que por aí virão. Sejam dinamarqueses, bretões, gauleses, hunos ou powatan. Entrar em campo com mentalidade de vitória, cabeça focada no desafio e noção que pelo menos no arranque são todos iguais. Ódespois os resultados terão de ditar as diferenças.

Sou quem sabes,
Jorge