Ouve lá ó Mister – Moreirense

Companheiro Nuno,

Vão ser os noventa minutos mais difíceis da época, pelo menos para mim. Não consigo deixar de ver o FC Porto a jogar seja onde estiver, vou ver o jogo e vou torcer para a nossa vitória, porque por muito que deseje ver o Tondela a descer de divisão, a verdade é que quero ganhar todos os jogos em que a minha equipa participa. Chama-me fanático, obcecado pela vitória, triunfo-compulsivo, o que te apetecer. Mas é assim que vivo e é assim que também gostava que vivesses.

Ainda ontem de manhã discutia com um amigo (discussões ao sábado de manhã podem parecer exageradas – apesar desta ter sido amigável – mas é o que acontece entre portistas que não ganham nada há quatro anos), que me dizia que tu até nem fizeste um mau trabalho, que a equipa até jogou bem e se tivesse vencido os dois jogos em casa contra o Feirense e contra o Setúbal, tinha conseguido ser campeã. Verdade, disse eu, mas também não me esqueço que houve esses e outros jogos que podíamos e devíamos ter vencido e não conseguimos. Hoje, naquele que pode ser o teu último jogo com as nossas cores, vê se sais de lá com uma vitória. Mesmo que não fiques, ao menos não dormes com remorsos. Se é que vais conseguir dormir. Talvez consigas. Eu é que raramente o faço em condições quando perdemos.

Bom final de época para ti, Nuno. E até á próxima, seja onde for que estejas para o ano que vem.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Paços de Ferreira

Companheiro Nuno,

Acabo de ver uma fabulosa conferência de imprensa de um puto que venceu uma competição europeia e que não consegue deixar de ser normal. Sem formatações excessivas, sem palavras empacotadas cheias de pequenos nadas, com um discurso fluido e directo e sem pensar muito no que vai dizer porque, francamente, não é preciso. Sabes porque é que não é preciso? Porque quando se é bom, as coisas saem de uma forma natural, orgânica, pura. E isso é tudo o que a tua/nossa equipa não conseguiu ser este ano e como tal acabou por ficar num segundo lugar que, apesar de acima das expectativas no início do ano, fica curto para o que poderíamos fazer se tivéssemos tido alguém a comandar a equipa com um discurso…pá, natural. Alguém que liderasse em campo e fora dele, alguém que estivesse no local certo a fazer a coisa certa. E tu, homem, não conseguiste ser natural na tua função e a equipa também pagou por causa disso. A responsabilidade não é só tua, é verdade, mas podias e devias ter feito mais. Hoje não peço muito. Uma vitória para dizermos “até já” ao Dragão e esperar que haja mais tino no próximo ano. Teu e de muitos outros.

Assim sendo fica a homenagem ao rapaz que me conseguiu fazer ligar a televisão no meio de um triunfo vermelho e branco e como ele fez (e bem) em inglês, vou usar a mesma língua para te dizer uma frase que ouvi pela primeira vez há muito tempo, em separadores no meio do Flying Circus dos Monty Python: GET ON WITH IT!

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Marítimo

Companheiro Nuno,

Imagina um programa de televisão onde se acompanha, semana após semana, a história de um fulano que se vê à rasca para se conseguir manter à superfície depois de ser atirado a um lago. Não sabe nadar, o pobre, e depois de abanar com os braços e as pernas de uma forma aleatória, procede a terminar cada um dos episódios a afundar-se enquanto a pantalha mostra um “fade to black” enervante e nos pede para voltarmos daqui a uns dias. Pois esta época tem sido qualquer coisa parecida com isto e se ainda tenho alguma esperança que o rapaz se salve, a verdade é que vejo o fundo do lago bem mais próximo do que a chegada à margem em boas condições.

Hoje é mais um daqueles jogos em que tudo é importante. Desde o momento em que escolhes o onze inicial ao primeiro segundo da partida, tens de estar em campo para vencer. Faltam três braçadas para o jovem se salvar dos tubarões que estão no fundo do lago (não me lixem, a história é minha e se eu quiser enfiar tubarões num lago, eles estão lá!) e que o comem direitinho de uma só vez se ele engole água a mais. Três. Mas garanto que se falhar uma delas…especialmente depois de já ter dado algumas em falso…pois, glu glu, não é, menino? Glu fucking glu.

Vamos manter o sonho vivo mais uns dias, por favor. Com água ou com álcool.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Chaves

Companheiro Nuno,

Sabes que obraste no bolo, não sabes? Tens a noção que acertaste com o equivalente de um sofá no esterno da grande maioria de portistas que ainda sonhavam poder chegar-se à frente e pisar os calcanhares ao Benfica, não tens? Apercebes-te que agora vai ser progressivamente mais complicado ganhar esta trampa, certo? E também sabes que lixaste o resto das hipóteses de ficares cá para o ano, porque não quero acreditar que um ano zero dure de facto um ano, estou a falar bem?

Pá, Nuno, eu sei que a época ainda não acabou e que faltam quatro jogos e nunca se sabe o que pode acontecer. O Benfica pode escorregar duas vezes em quatro jogos e pode perder os pontos suficientes para que sejam ultrapassados por nós e percam o título mesmo na recta final. Ninguém acredita (nem tu, aposto) mas é possível. E enquanto for possível há que ter alguma esperança, mas é muito triste olhar para os teus rapazes e perceber que por muito que acreditem, parece que fica sempre a faltar alguma coisa e tremem tanto durante os jogos que não sabem se norte é sul, gajo é gaja ou azul é branco. Estavam bem em Bangkok, sem dúvida.

Hoje é o ante-antepenúltimo jogo do ano. Para eles e para ti, acabem ou não vencedores. Quero quatro vitórias até ao fim. Para que fiquemos sempre a lamentar as quatro vitórias que devíamos ter tido nos cinco jogos anteriores. #NeverForget and whatnot.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Feirense

Companheiro Nuno,

É uma trampa quando ficamos dependentes de terceiros, não é? Roemos as unhas com o nervosismo que nos invade o corpo e nos tolhe o raciocínio e a vontade de vencer por intermédio de outros é uma situação que não me agrada nadinha. Mas é o buraco em que estamos e se queremos sair dele temos de fazer o nosso trabalho e esperar que os outros não façam o deles. Não adianta chorar, Tibi, como dizia o outro.

Este é mais um jogo desses, em que temos de vencer para conseguirmos encostar mais um bocadinho ao Benfica e criar a ilusão que ainda podemos chegar lá. E eu acredito, Nuno, a sério que acredito, mas tens de me dar motivos para isso. Tens de colocar os jogadores em campo sem medo, sem preocupações excessivas com os jogos dos outros e focar a malta para que consigam levar a estúpida da água ao tal moínho de que todos falam e que parece ficar sempre tão longe que me enerva só de pensar na viagem. O Feirense não é uma Juventus (está perto, afinal jogam com camisola e calções e…ficamos por aí, vá) mas são meninos para nos lixar a vida se não formos competentes. E se o Barge jogar, vê lá se alguém lhe rapa a barba ao estalo porque aquele gajo é do tipo de jogadores que faz o Schelotto parecer o Dani Alves. Ugh, Brigueis, pá.

Sou quem sabes,
Jorge