Baías e Baronis – Sporting 2 vs 1 FC Porto

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Primeira coisa, logo para começar: o Sporting ganhou bem. Foi melhor na luta do meio-campo, aguentou com mais força durante mais tempo, aproveitou as nossas falhas defensivas e a permissividade do árbitro para impôr um jogo mais duro que nós e conseguiu ficar com a bola em momentos-chave da partida. Saímos de Alvalade sem pontos mas houve uma pequena luzinha que não se apagou ao contrário do que tinha acontecido noutros anos em que parecíamos ajoelhados a um místico poder verde sobre nós. Não temos ainda equipa, mas estamos a caminho. Estamos a caminho, meninos. Esperem pela volta. Vamos a notas:

(+) Voltamos a jogar em Alvalade para ganhar. Nos últimos três anos que visitamos a sanita mais conhecida do país, saímos com um ponto no total, com apenas um golo marcado (nesse mesmo jogo, há dois anos). As exibições foram incrivelmente frouxas, sem vontade e garra, sem força física e acima de tudo mental para bater o adversário em jogo de tripla. Desta vez não vi essa ausência de alma. Vi uma equipa que deu o que tinha e lutou para conseguir um resultado positivo apesar da ausência de opções válidas em sectores importantes e da ineficácia que é fruto da falta de rotinas. Vi um grupo de homens que não são de combate porque não têm físico para isso mas que tentaram o que puderam (e o que lhes deixaram) para vencer o jogo. E nestas circunstâncias não posso pedir mais que isso. Dizem-me que estamos demasiado confortáveis com a perspectiva da não-vitória este ano, mas pelo que tenho visto até agora, há algo de novo: vontade. E pela amostra dos últimos anos, é um passo em frente.

(+) Pressão alta no meio-campo, enquanto houve pernas. Mais uma vez afirmo o que já disse no passado recente: não temos andamento para estas coisas, pelo menos por agora. E notou-se que quando os homens do centro quebraram (André² e Herrera deram o litro que para eles anda aí pelos 674 mililitros) houve um recuo na equipa e a pressão, que até aí tinha funcionado, desmoronou-se e o Sporting tomou a dianteira para não mais a largar. Nuno mexeu (tarde, mas compreensível tendo em conta a pouca profundidade de opções centrais lutadoras no banco) mas não conseguiu elevar a equipa a melhores níveis e a pressão desapareceu. Boa tentativa, de qualquer forma.

(+) Danilo. Não foi gigante mas fez tudo o que conseguiu para evitar que o Sporting subisse em bloco pelo meio-campo fora e não fosse o facto de estar sempre bastante recuado no terreno e teríamos conseguido ser mais assertivos na recuperação da posse de bola. Ainda tentou algumas vezes sair com a bola controlada sem grande sucesso e por isso acabou por recuar e tentar jogar de trás para a frente deixando os colegas para o trabalho mais subido. Precisávamos de outro Danilo lá mais para a frente…mas não temos nem teremos.

(-) Falta de força no meio-campo. Podemos exigir trabalho, equilíbrio táctico e colocação de peças em campo por forma a taparem linhas de passe ou construção avançada do adversário. Podemos exigir que passem bem a bola, que sejam práticos e eficientes durante o jogo. Mas não podemos exigir que o André ganhe em corpo ao William ou o Otávio ao Marvin. Isso é quase impossível e por muito que tentem forçar o contacto vão perder 99 em cada 100 vezes. Como se resolve isso? Fácil: ter a bola e rodá-la entre os nossos e quando a perdermos, conseguir interceptá-la mais depressa que o adversário a conseguir passar. Fácil, não é? É, pois, mas precisamos de trabalhar exactamente esses vectores, porque uma equipa pequena e franzina tem de saber os terrenos que ocupa de uma forma mais inteligente do que uma que usa canastrões (com beneplácito arbitral, ainda por cima) para levar a sua avante, sob pena de perder todas as bolas e ficar de braços no ar a pedir falta, que aconteceu hoje por várias vezes sem grande motivo.

(-) Falhas defensivas nos golos. Ambos os golos foram absurdos e foram a prova evidente que ainda há trabalho a fazer, especialmente na mioleira da malta. O primeiro golo surge porque a equipa ficou estática no recuo para apanhar uma bola perdida, com os centrais a abanarem os braços a pedir uma mão que pode ou não ter acontecido…mas o que aconteceu de facto foi um alheamento do lance para tentar pedir uma falta, o que não faz sentido a este nível. Não podemos (e ao que parece cada vez menos) estar dependentes de árbitros, minha gente! Já o segundo golo foi pior, porque o corte de Felipe foi o contrário do que deveria ter feito, independentemente da bola ter ou não ido ao braço do adversário. Rapaz, ouve lá, uma bola daquelas corta-se para o ar. Pões a mona debaixo da trajectória da bola e quando ela embater no teu crânio tem de subir. É dinâmica básica de objectos, tens de jogar mais snooker em vez de andares a ver gajas na net e vais ver que percebes do que falo!

(-) Arbitragem, logicamente, em Alvalade. Não é nada de novo e não me parece que alguma vez o seja: o árbitro lixa-nos em Alvalade, de uma forma ou de outra. Falemos das mãos nas bolas ou bolas nas mãos. Não me parece evidente nenhum dos lances à vista desarmada e é só assim que consigo ver o jogo, porque essa imbecilidade de ver os lances com repetição e analisá-los a posteriori é uma bela duma trampa…mas também é verdade que o próprio Sporting anda a reclamar o video-árbitro desde que o Sansão foi ao corte e que me enfiem sete SCUDs no rabo se pelo menos um daqueles lances não seria considerado que a mão ou o braço desviou a trajectória da bola. Com mísseis anais ou não, passemos às trancadas. Sim, amigos, porque o Sporting as deu com mais força que um proverbial vizinho num apartamento com paredes finas. Bruno César, que tem a boca aberta mais vezes que uma pêga na Via Norte, tratou de andar a arrancar raízes de amarelo vestidas durante todo o jogo, Slimani e William adoraram os queixos dos nossos rapazes e se o Adrien pode andar a dar patadas à vontade, também devíamos ter uma palavra a dizer sobre isso. São estas as arbitragens que nos lixam e que dão cabo dos jogos, aquelas que deixam passar tudo para um lado e o outro raramente tem um free pass. Se um certo polaco que visitou Roma há uns dias tivesse estado hoje em Lisboa, garanto que o Sporting não teria acabado o jogo com onze. Nem dez. Talvez nove. Talvez.


Ninguém morre depois de perder em Alvalade. O campeonato ainda está no arranque e se a única derrota da época tiver acontecido à terceira jornada, não me faz comichão nenhuma. Há que recuperar a malta durante a pausa para a Selecção e voltar em grande na próxima ronda. Força, rapazes.

Baías e Baronis – AS Roma 0 vs 3 FC Porto

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Fui Huno durante duas horas e festejei a vitória como se fosse uma conquista. Precisava desta sensação de triunfo, algo que não sentia com o meu clube há tempo demais e que me deixou a gritar para o céu como se tivesse acabado de vencer um troféu qualquer. A noite romana transformou-se num festival de Baco com menos vinho mas com níveis de celebração a condizer e apesar de não ter sido um jogo genial (ficaram a nu muitas das dificuldades que vamos sentir durante o ano contra adversários mais rijos e mais dinâmicos em campo), já se conseguiu ver muito bom trabalho táctico no meio-campo, vontade de vencer e esforço compensado com uma vitória que fica para a história. Vamos a notas:

(+) Felipe. É ESTE o Felipe que quero ver sempre e era este rapaz que me dá vontade de gostar dele e de esperar que cá deixe a sua marca. Mas das boas, ao contrário de outro central brasileiro que andou por aí a socar portas. Adiante. Excelente no jogo aéreo e muito prático nas bolas rasteiras, esteve impecável na primeira parte porque para lá da brilhante cabeçada que deu o golo foi um defesa quase intransponível. Com Marcano também bastante seguro ao seu lado, Felipe jogou simples, sem inventar e apenas uma ou duas entradas pelas costas (não duras, apenas desnecessárias) são motivos para preocupação e melhor discernimento. Para lá disso foi um imperador em Roma (habituem-se, vai haver várias destas ao longo do texto).

(+) Pressão no meio-campo. Olha que bela estrutura que se arranjou aqui, hã? Os nomes podem mudar mas a disposição das peças é muito útil para jogos grandes como este e o 4-2-3-1 mostrou que pode funcionar se houver entre-ajuda e capacidade de cobertura da zona central quando é necessária. Os três homens que jogaram mais subidos, somados a André Silva (hoje um pouco em baixo mas também pouco apoiado pelos alas), foram pivotais na forma como controlaram o centro do terreno e enervaram a Roma e os seus centuriões (eu avisei) não conseguiam soltar-se a não ser usando o físico, que fizeram mais vezes do que deviam e com intensidade absurda (ver abaixo). Tivéssemos nós mais um ou dois Danilos e faríamos lembrar um meio-campo de equipa francesa, com a mesma força mas com mais qualidade. Assim, fico-me pela qualidade…se for para manter.

(+) Os dois golos mexicanos. O primeiro foi uma pequena obra de arte de gestão de movimentação brusca, persistência e visão de baliza, com o timing perfeito para aproveitar a imbecilidade do Szczesny (onde ias tu, meu menino?) e ultrapassá-lo para depois rematar. Textbook perfection. Já o Jesus…só me fez lembrar Hulk no Calderón contra o Atlético em 2009 (lembro-me pela camisola, acreditem ou não) num jogo que acabou…acertaram, 0-3. Finta para um lado, finta para outro e balázio de pé esquerdo. É este o Corona que podemos ver até ao final da época? Oh, Júpiter queira.

(-) Aqueles minutos entre a segunda expulsão e o segundo golo. Ora foi a única coisa que me enervou hoje e que fez com que a minha filha aprendesse mais algumas palavras que jurarei a pés juntos que só pode ter aprendido no colégio. Um golo de vantagem e dois gajos a mais em campo…e a equipa tremeu. Tremeu porque ficou surpreendida e não se conseguiu adaptar rapidamente a essa nova e estranha realidade? Tremeu porque achou que estava tudo ganho e podia deixar o resto da legião romana atacar à vontade? Tremeu porque as pernas não responderam e optaram por descansar um pouquinho até aguentar o final da partida? Não sei, mas aborreci-me com a atitude até que tudo estabilizou com o golo de Layún e a equipa começou (finalmente!) a trocar a bola e a forçar o adversário a correr atrás dela. Algo que teria sido obrigatório fazer logo depois de Emerson ter ido para o balneário e algo que o próprio Nuno provavelmente tentou forçá-los a fazer, sem resultados práticos. Não caiu mal ao mundo…mas…e se a Roma tivesse empatado? Ia ser bonito, ia…

(-) Il sont fous, ces romains! Não consigo perceber a forma como De Rossi e Emerson entraram daquela forma durante um jogo tão importante. Se Emerson ainda é um rapaz jovem, já o italiano abusa deste tipo de jogo viril e raramente é punido, por isso apesar da surpresa que é ver dois adversários expulsos em casa no mesmo jogo (venham agora dizer que somos sempre os coitadinhos da Europa, que estão todos contra nós e yadda-yadda-outras-coisas-provincianas-que-eu-também-já-disse-no-passado-yadda-yadda…), nada há a dizer quanto à justiça das decisões. E o que me deixa parvo é a forma como fomos nós que os levamos a isso, pela forma como conseguimos enervar aquela malta tão arrogante e sabedora. Pois façam o favor de ir mostrar o vosso futebol de Adónises brutos às quintas-feiras que a correr bem não voltamos lá este ano.


Um dos grandes obstáculos da época foi ultrapassado se não com brilhantismo exibicional, ao menos com uma elevadíssima dose de pragmatismo e sentido de responsabilidade. Lucrámos com a estupidez da excessiva agressividade e aproveitámos muito bem para entrarmos na Champions. Não sei do que se queixam os turistas. Foi bem bom ir a Roma em Agosto!

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Estoril

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Ufa. Depois de um jogo intenso mas nem sempre bem jogado, o golo de André Silva deixou o Dragão libertar toda a tensão que acumulou durante minutos que pareciam tão curtos e comprimidos perante a aparente incapacidade de marcar um único golinho à equipa do Estoril. E conseguiu-o depois de um jogo em que a equipa lutou, mostrou vontade e espírito combativo e também mostrou que o plantel é curto para grandes aspirações. Bem, bem curto. Siga para as notas:

(+) André Silva. Vai haver momentos durante a época em que André Silva não vai conseguir acertar com um berlinde numa porta de igreja, mas este não é um deles. Apesar de vários lances falhados, uns por demérito próprio e outros pela estupenda exibição de Moreira, André mostra sempre trabalho. Desmarcações impecáveis, sentido de baliza e uma tremenda capacidade de ir ao choque e de mostrar o peito aos adversários para conseguir o que no fundo é o pão que o alimenta: os golos. Continua a ter de melhorar na decisão quando está sozinho (acontece vezes demais) mas está em grande forma e temos de aproveitar isso. E ele também.

(+) Mais garra, mais luta. Se compararmos os jogos desde o início da época com quase qualquer um que se disputou no ano passado, há algo que salta à vista mais do que um par de calções demasiado curtos num rabo grande: estamos a lutar mais. Os jogadores, apesar de condicionados pela falta de rotinas e de entendimento que surge naturalmente com o tempo (havendo tempo para isso), parecem muito mais empenhados, com vontade de pressionar o adversário e de recuperar a bola rapidamente, dentes e punhos e pernas e joelhos e tudo misturado. Falta velocidade nas movimentações mas há vontade, disso não há dúvidas.

(+) Ruben na segunda parte. Depois de uma primeira parte em que os homens do meio-campo estiveram apagados, foi Herrera quem mais tentou pegar na bola para servir como transportador do jogo desde a nossa defesa. Ruben, jogando como âncora no centro do terreno e um pouco mais recuado que o mexicano, esteve pouco em jogo e apenas no final do período começou a rodar a bola com mais intenção, com vários passes de 30/40 metros a lateralizar o jogo de uma forma quase perfeita. Na segunda parte mostrou bem mais serviço quando Herrera saiu para a entrada de André² e só precisa de ser mais rijo no combate para ganhar o lugar a Danilo. Ou pelo menos para ser o líder do meio-campo contra 90% das equipas do nosso campeonato.

(+) Os centrais. Não são geniais mas parecem estar a entender-se bem. Práticos, sem inventar e a ajudar na rotação de bola de uma forma rápida, estiveram bem nas intercepções e no controlo da zona defensiva. Não tiveram muito trabalho…mas os próximos dois jogos vão ser uma prova de fogo para ambos.

(-) Varela. Trapalhão, ineficaz e completamente em sentido oposto ao que vinha sendo produzido, no seu ou no outro flanco. Dava ideia que o FC Porto conseguia construir bem, trabalhar bem a bola sem a mastigar e mal conseguia chegar perto da área…Varela aparecia para largar fezes em cima do merengue. O facto de um plantel do FC Porto estar tão depauperado que tem de depender do Silvestre como titular deveria dar muito que pensar à Direcção e especialmente aos adeptos, para perceberem a dificuldade titânica que Nuno está a enfrentar neste momento.

(-) Herrera. Mais um jogo de trampa, não foi, rapaz? Oh se foi, desde os passes que ninguém compreendia até às perdas de bola infantis que teve no centro do campo, esteve mais uma vez abaixo do exigido para um jogador fundamental no primeiro momento de construção do nosso futebol. Mais uma vez repito a frase que um dos meus companheiros de lugar tem vindo a dizer quase como mantra: o melhor que fazíamos neste momento era vendê-lo. Pelo posto que ocupa e pela importância do seu lugar, está a ser um peso morto e precisávamos de alguém…sei lá, melhor. Ou no minimo mais consistente.

(-) Ineficácia ofensiva. Certo. Ora são mais 20 e tal remates com um golo. É verdade que o Moreira fez um jogaço de grande nível (algo que nunca fez no Benfica, né?) mas o FC Porto criou muitas oportunidades de golo, a grande maioria delas dentro da grande área porque raramente houve remates em condições de fora da área. E não se podem falhar tantas bolas tão perto da baliza contrária, no nosso campeonato ou nos distritais. A diferença é que nos distritais arriscam a levar com legumes nos dentes à saída para o balneário.


Dois jogos, duas vitórias. Começamos bem, amigos.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 AS Roma

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Perto do céu mas a roçar com o rabo no inferno. Foi uma noite agridoce no Dragão, com muita malta nas bancadas a ficar desapontada pelo resultado e parcialmente empolgada pela exibição na segunda parte, apesar dos dez homens do Roma não servirem como um barómetro em condições para o que ainda poderemos vir a fazer este ano. Sim, foi só o segundo jogo oficial. Sim, jogamos contra dez homens durante muito tempo. Mas ainda estamos muito longe de vir a ser uma equipa. E os sinais que vieram do banco, ao contrário do jogo de Vila do Conde, não foram positivos. Vamos a notas:

(+) André Silva. Está cheio de confiança e até acaba por lhe lixar a vida porque parece querer enfrentar o mundo de peito aberto, pegar-lhe nos cornos e dar-lhe um tratamento taurino como um matador com seis catanas. Nem sempre o vai conseguir, mas tenta. E tentou no meio de centrais fortes e rijos, que não brincam nem deixam brincar ninguém e a quem André Silva disse: “bring it on, biatch!”. Redimiu-se do falhanço do penalty da passada sexta-feira e falhou alguns golos que podiam dar-nos o apuramento directo já hoje. Mas esteve sempre na luta e continua em alta.

(+) Otávio. Curiosa a forma como parece achar que qualquer homem que lhe surja pela frente é um alvo. Alguém para driblar, para contornar e para desanimar. Já ouvi muita gente a dizer que o diminuto brasileiro lhes faz lembrar Deco mas não concordo. Otávio tem um estilo próprio e tem tudo para continuar a crescer e se o entendimento com André Silva servir para alguma coisa, que seja para golos. Não perdia nada se ganhasse mais massa muscular, sempre ajudava na luta corpo-a-corpo.

(-) Nuno, na estratégia e no cagaço. Começo a esforçar-me para perceber o que é que Nuno quer para o FC Porto. Depois de uma pré-época inteira a jogar em 4-3-3 com algumas hesitações perante o 4-4-2, hoje entrou em campo com um 4-4-1-1 que deixou toda a gente a coçar a cabeça. A entrada de Adrian “vou-não-vou-sigo-prá-b-afinal-já-vou-olha-não-vou-ei-sou-titular-na-Champions” López também criou dúvidas e se o espanhol ajudou a tapar De Rossi na primeira parte, pouco mais mostrou que algum esforço extra comparado com o que fez desde há dois anos. Some-se isto à posição de André^2 que andou a primeira parte TODA a tentar perceber o que fazer. Foram cerca de quarenta minutos de inenarrável descoordenação ao meio, permissividade no centro e nas alas, facilidades incríveis para os romanos trocarem a bola entre eles com tranquilidade e incapacidade de sair com a bola controlada. A segunda parte melhorou até que Herrera foi encostado à direita e tudo ficou estragado de novo. As substituições foram curtas para quem estava em desvantagem na eliminatória e fiquei sem saber se Nuno queria mesmo ganhar o jogo.

(-) Herrera. Ui que joguinho herrível fizeste tu hoje, rapaz. Em conversa no fim do jogo, diziam-me que Herrera não vale nada e tem de ir embora. Não acho que não valha nada, pelo menos no momento em que vos escrevo estas palavras. O mexicano é um jogador muito interessante e influente quando está em boa forma física e psicológica. Quando lhe falham as pernas ou os neurónios é capaz de fazer jogadas que fariam Stepanov corar de vergonha e perguntar se não tem a haver alguns direitos de autor pela imbecilidade das acções. Só esteve em campo para estragar tudo em que tocou. Descansa, Hector, por favor.

(-) As hesitações defensivas Chutas tu? Chuto eu? Não, chutas tu? Eu? Oh foda-se. Casillas larga a bola, Telles salva em cima da linha. Salah remata, Casillas defende para a frente, Salah chuta de novo, De Rossi chuta outra vez, Casillas defende de novo. Houve vários lances destes durante o jogo e se ao fim de meia-hora não tínhamos já três na pá foi por mero acaso. Passes falhados na defesa, incrível lentidão na transição à saída da área pelo centro e uma incapacidade tremenda em soltar-se da pressão alta e dura dos italianos. Sei que a Roma não é o Rio Ave mas raios me partam se estes rapazes não abanam perante qualquer adversário que lhes faça frente com cara de mau.


Só falta um golo. Só falta um golo. Só falta um golo. Só. E parece demasiado complicado consegui-lo, pelo menos sem sofrer dois ou três.

Baías e Baronis – Rio Ave 1 vs 3 FC Porto

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Primeiro jogo oficial, primeira vitória. O arranque que queríamos, com ou sem expulsões, penalties falhados ou golos sofridos. Vencer é sempre um prazer e mesmo a forma como a equipa deu a volta ao resultado só pode dar uma sensação de alegria e dever cumprido depois de algumas semanas de incertezas e que se vão prolongar por mais algumas. Ainda falta muito para que a equipa se possa chamar isso mesmo, mas para primeiro jogo, não foi mau. Arranquemos também nós (eu, pronto) para os primeiros B&Bs da época:

(+) Otávio. Visão de jogo bem acima da média, parece sempre disposto a colocar a bola direitinha para a cabeça do avançado ou para desmarcar a subida de um dos médios. Não é forte fisicamente mas lutou por todas as bolas e procurou sempre descobrir a zona mais liberta para que consiga finalmente desamarrar-se da marcação e fazer o passe certo na altura certa. Uma espécie de Quintero com menos reggaeton e mais futebol. Gostei.

(+) O golo de Corona. Se o golo de Herrera me pôs de braços erguidos e a festejar em surdina para não acordar a casa (volto a ver jogos em diferido para bem da paz familiar), o de Corona só me deixou de boca aberta. Com a bola no ar e Jesus a rodar para fugir à marcação do central, é estupenda a forma como o mexicano consegue ver que com um simples toque conseguiria desviar a bola do guarda-redes e enfiá-la na baliza. Um golo que só ele viu e que pareceu nem acreditar, tal foi a forma como ficou sentado no relvado quase sem festejar. Para lá do golo, esteve razoavelmente bem apesar do apoio de Maxi ter ficado distante do que (espero) será daqui a uns meses.

(+) A gestão táctica de Nuno. A expulsão de Telles fez com que Nuno pudesse recolocar a equipa de uma forma a que não se desequilibrasse e voltasse a tempos recentes em que uma adversidade punha tudo em risco. Já antes, na forma como a equipa nunca se conformou com a temporária derrota nem com o pontual empatem tinha notado que a formação em campo era constante: Danilo preso em frente à defesa, Herrera sempre a descer para transportar a bola, Otávio solto do flanco para o centro e Corona a furar pela direita, com André² a inclinar ligeiramente para a esquerda e André Silva móvel na área. Depois da expulsão, viu-se quase o mesmo, com menos homens, o que me agradou pela consistência já que o futebol, nem sempre bem praticado, serviu um propósito pragmático que é o maior objectivo neste arranque de época, enquanto a máquina não está oleada: não perder pontos. Villas-Boas fez isso, Jesualdo oh se fez isso e Vitor Pereira fez com que isso durasse duas épocas inteiras. As substituições também foram conservadoras e quase perfeitas, com Nuno a mostrar que dá lugar ao espectáculo para preservar a estrutura e o sentido prático. Por agora, pelo menos, agrada-me.

(-) Felipe com a bola nos pés. Não é complicado, rapaz. Tu és lento. És, não te enganes a pensar que não és. És, pronto. E és lento a pensar, que é o maior problema para quem acabou de chegar a um futebol onde há vários Yazaldes e Wakasos, para não falar de Rubens Ribeiros e vários outros do género, que te vão tentar pisar os calcanhares de cinco em cinco segundos, mal se aperceberem que tu, como já referi en passant, és lento. E como tal não há que inventar nem demorar muito. Há espaço? Despacha a bola. Não há espaço? Despacha a bola. Chegou um autocarro cheio de gajas nuas a yodelar enquanto dançam aquelas merdas irlandesas? Despacha a bola. O árbitro está à tua frente? Chut…despacha a bola. Isso. Vais ver que te enervas menos e enervas ainda menos a malta, logo tu que tens potencial para seres um belo espécimen de jogador com a nossa camisola. Anda lá.

(-) Maxi. Temos um novo Rui Filipe (salvo seja, cruzes canhoto e tal)!!! Olha o gordo!!! Olha o gajo que vem de férias com a pança cheia e vai demorar a queimar a banha! Pareceu pesado, sem mobilidade, pouco prático com a bola nos pés e lento a executar e a pensar. Melhorou na segunda parte mas ainda está bem longe da forma física ideal. Como eu, com a diferença que eu não sou titular no FC Porto. Por culpa própria, obviamente.

(-) O golo do Rio Ave Muda o ano e continua a passividade na marcação nos cantos. Marcação mista, dizem-me, é o que fazemos, em que um ou outro é marcado ao homem e cinco ou seis são marcados à zona. E se continuarem a marcar assim, quem vai marcar são os outros, várias vezes.


Quarta-feira vai doer mais. Bem mais. E vamos ver como a equipa se safa contra um adversário que joga no ferrolho. Tal como 70% da nossa Liga, mas em bom.