Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 3 Sporting

20141018 - FC PORTO - SPORTING CP

Não vou mentir, esta doeu. Perder um jogo dói sempre, rompe o coração e rasga a moral do pouco cabelo que tenho às unhas dos pés, que calçam um 42 bem medido para se transformarem num qualquer sapatinho de criança, à medida que me encolho e me resigno que não fomos melhores. Fomos acanhados, tristes, desorganizados e desorientados. Perdemos antes de começarmos a tentar ganhar, por algum experimentalismo do treinador que continua a achar que os rapazes em breve vão conseguir o que ainda não mostraram em três meses. Continuo a acreditar nestes putos, mas hoje levámos uma boa lição de como jogar um jogo grande: prático, feio, eficaz. Não fomos nenhuma das três. Vamos a notas:

(+) Danilo. Foi das poucas notas positivas da equipa, pela forma como nunca desistiu e tentou sempre cascar em cima dos rapazes de verde e branco (e verde, este ano) na defesa e no ataque. Arrisco muito ao dizer que está a ser dos jogadores mais consistentes do FC Porto 2014/2015, porque disse o mesmo de Maicon, com o resultado que hoje se vê. Penitencio-me, à vossa frente. Ainda assim estou a gostar muito da evolução mental deste brasileiro e nota-se em campo.

(+) A assistência de Quintero para o golo… é um dos motivos porque aquele cabrãozinho tem de aprender a ganhar corpo e ser mais inteligente em construção. Se assim fosse seria titular indiscutível. Fuck me, eu nem na bancada consegui discernir a linha de passe!

(-) Imaturidade competitiva e o depósito de confiança que se esvazia. This is the big one. É esta a principal razão pela qual não conseguimos manter uma exibição em condições de início a fim de uma partida. O facto da equipa ser nova, do treinador ser novo, da estratégia ser nova, de tudo parecer arrancar de um zero negativo em vez de um zero optimista, todos esses factores são importantes. Mas é a pornográfica imaturidade dos rapazes que estão actualmente com as nossas camisolas que mais fundo me escavaca o coração e que me deixa apreensivo sem fim à vista. E se eu consigo perdoar alguns truques parvos do Óliver ou atrapalhações do Tello, não consigo perdoar o facto de depositarmos confiança em três jogadores que acabam por nos minar a vida, de uma forma ou de outra: Jackson, Herrera e Maicon. Para lá dos laterais, são os três jogadores mais experientes da equipa titular do FC Porto (um conceito cada vez mais nebuloso) e se Jackson continua a marcar em jogo corrido, já nos tramou em Guimarães e este penalty falhado mostra mais uma vez que não pode ser ele o marcador de serviço. Herrera já há algumas semanas que perdeu a confiança do público e só mantém a do treinador porque aposto que é o homem obediente que todos os gestores gostam de ter nas suas equipas. Faz o que lhe pedem, mas nunca o faz bem. É para Lopetegui o que Jorginho era para Adriaanse, ou Mariano para Jesualdo. Quanto a Maicon, que desde o jogo contra o Boavista que não acerta uma bola em condições, seria ele o responsável por manter a defesa estanque, por dar fé e calma à zona recuada e por ajudar a compôr a mente e alma de uma equipa de putos. E está a mostrar, mais uma vez, mais uma puta duma inqualificável vez, que treme demais perante oposição pressionante. Cede como uma folha única de papel higiénico molhada e arrasta a equipa consigo. A culpa do segundo golo é sua, a culpa de duzentas bolas que tenta enviar directamente para Jackson em vez de gritar para o meio-campo recuar para construir com tino, com paz de espírito, com inteligência. O resto? O resto é uma amálgama infeliz de miúdos que têm nome mas pouco jogo, que têm talento a rodos mas a quem falta fibra, inteligência competitiva e que se dobram como uma mão de poker em frente a um jogador medroso. Os passes, que podiam ser orientados pelo talento daqueles rapazes que poucos têm em Portugal e pelo mundo fora, saem tortos e pouco tensos. As combinações de ataque, dispersas e individualistas. A tomada de decisão, lenta e previsível. Os remates, fracos e inconsequentes. A pressão…a pressão não existe. Há uma letargia que os possui, uma incapacidade crónica de antecipar o movimento do adversário e de se moverem como uma equipa (ver nota de baixo), e está a contagiar elemento após elemento até que tudo colapsa num conjunto de sal e sangue e fezes. Tanto talento. Tanta desorganização. Tão pouca fé. Tão pouco futebol. Tão pouco.

(-) É a rotação, amigos. Mantenho o que já disse várias vezes: a rotação é gira e tal mas não ajuda a equipa numa fase tão incipiente da sua criação como um grupo coeso e que se quer estruturado e com automatismos. Pode parecer conversa de curso de formação de treinadores, mas na verdade não é. Vi Herrera e Ruben a calcar o mesmo naco de relva enquanto se movimentavam, todos direitinhos, cada um para o…mesmo lado. Apreciei quando Tello pensou várias vezes que Danilo ia para o centro quando o rapaz flectia para a linha. Casemiro nunca sabia a quem passar a bola porque ninguém se movimentava da forma que o brasileiro imaginava que iria fazer. Imaginem que estão em campo a jogar e não fazem ideia quem é que vai aparecer ao vosso lado, se devem ir para a direita ou para a esquerda, onde vai estar o extremo, QUEM É O EXTREMO QUE LÁ VAI ESTAR…há tanta mini-variável que se pode questionar na formação da equipa, do onze e da estratégia em campo, mas o facto de nunca lá estarem os mesmos gajos não pode ajudar. Não pode. Pode fazer com que todos tenham mais pernas em fases mais adiantadas da época, mas para os jogos do “agora”, do “já”, é uma bela duma trampa.


Uma já foi. Esqueçamos esta. Outra, bem mais importante, joga-se já na terça-feira, no mesmo estádio, com outros intérpretes. Esperemos que o desfecho seja diferente.

Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 1 Braga

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Não se faz, amigos. Um gajo tem um casamento no dia anterior e ainda vai para o jogo meio ressacado, para apanhar um heart-fucker destes. E podia tudo ter sido tão fácil, porque apesar da combativa equipa do Braga nos ter dado água p’la barba (especialmente no meio-campo, bem mais rijo e lutador que o nosso…mesmo com Ruben Micael em campo, imaginem!), há uma clara diferença de talento entre as equipas. Começa a ser um lugar-comum assinalar este pormaior, mas tem sido graças às individualidades que nos temos vindo a safar. Hoje foi San Juanfer que nos safou de um buraco por nós cavado, que poderia ter sido ainda bem pior se não houvesse um lampejo de qualidade colombiana a trazer o golo da vitória e a iluminar as bancadas do Dragão que andam mais nervosas que um adolescente antes de convidar a miúda mais gira da turma para irem ao cinema. Vamos a notas:

(+) Quintero. Quase perfeito no passe curto e médio, especialmente quando consegue rasgar o meio-campo à procura de um jogador que apareça pelo flanco. Vi grande parte dos passes diagonais que fez enquanto esteve em campo da forma mais adequada para avaliar o talento do moço: por detrás dele, no enfiamento perfeito da direcção do passe. Podiam pôr 80% dos médios do FC Porto dos últimos anos a fazer aquele tipo de passes consecutivamente e garanto que não acertavam metade para o dobro das tentativas. Excelente também no golo, provou que a jogar como “10″ é como mais rende. Que continue e não se chateie por não jogar sempre.

(+) Danilo. Continuo a gostar muito da forma como está a colocar a alma, o suor e a capacidade física ao serviço da equipa nesta época. E hoje, mesmo depois de falhar um golo feito (porque quis controlar a bola em vez de mandar um tiraço ou encostar a bola de pé aberto para o canto mais distante…seu NABO!), foi dos poucos que me deu um gozo bestial de ver a correr, a subir pelo flanco e a descer em corridas imensas, já que raramente teve o apoio que necessitava da parte do extremo que jogava do seu lado. Palmas, puto, palmas!

(-) As pernas. No jogo contra o Boavista, disse o seguinte: “Estamos na 5ª jornada e já vejo vários rapazes do meio-campo para a frente a vomitarem-se todos para acabar um jogo. Sim, jogámos muito tempo com dez jogadores. Certo, estivemos quase sempre com a bola nos pés, o que cansa mais. Compreendo, Ruben Neves tem 17 anos, Herrera e Brahimi estiveram no Mundial. Mas não é bom sinal quando chegamos a meio da segunda parte e os dois jogadores mais importantes na construção ofensiva da equipa estão agarrados às pernas e o desequilibrador principal da equipa não aguenta mais que duas ou três corridas. Começo a pensar que a rotação imposta por Lopetegui se deve mais a factores físicos que tácticos…“. Não percebo muito de músculos nem das métricas que são idealizadas para a constituição de um corpo humano perfeito. Nem tão pouco sou um perito na percepção do que faz um jogador de futebol conseguir correr noventa atrás de noventa minutos em alta pressão e alto rendimento. Mas posso inferir que se a rotatividade pode permitir que alguns rapazes descansem e se sintam mais capazes para enfrentar o próximo jogo com mais capacidade física, também posso entender que haja alguns rapazes que têm dificuldades em manter um ritmo constante se não jogam todas as semanas. É uma questão de ser encarcerado por possuir um canino ou por abdicar da mesma posse, mas será que a rotação de jogadores não ajudará a que a equipa não aguente mais de 70 minutos em condições? Ou estarei apenas a arranjar desculpas para um plantel que tem tanto de qualidade como de falta de capacidade física?

(-) Macios da defesa para a frente. Houve muitas, imensas, DEMASIADAS progressões com a bola por parte do Braga sem oposição credível por parte dos nossos médios e extremos. Excluindo Jackson deste grupo, ele que tantas vezes vem atrás para cortar bolas de carrinho na perfeição, temos um grupo de rapazes extremamente talentosos mas que não parecem muito dispostos a usar de um jogo mais físico (não violento, atenção!) para chegar aos seus propósitos. Não sei se Tello tem medo de se lesionar de novo na coxa, se Óliver receia magoar o ombro de novo, se Brahimi se amedronta de perder algum do seu imenso talento ao encostar o corpo ao adversário ou se Herrera percebe que não chega cravar as pernas no chão e esperar que o adversário não o contorne. Agora que as zonas de pressão parecem mais bem estruturadas, é definitivamente necessária mais agressividade na recuperação da bola na zona média.

(-) Repetir Marcano no onze. Compreendi a entrada do espanhol contra o Shakhtar, já que precisávamos de um “holding midfielder” para recuperar a bola em força quando fosse necessário frente ao meio-campo menos brasileiro do mundo, apesar de ter três ou quatro brasileiros. Mas no jogo de hoje não consigo perceber a vantagem. A posse seria quase de certeza nossa de início a fim, obrigando os médios a recuar para construírem o jogo de trás para a frente. Herrera, o aguadeiro responsável por trazer a pelota a partir da zona central, atrasa-se no terreno e obriga a que o outro médio bascule enquanto o médio mais ofensivo fique mais à frente a criar linhas de passe. E Marcano, le pauvre, não sabe mais do que agir como parede para receber a bola de costas para a baliza adversária e atrasá-la para os colegas. Não desequilibrava, não recebia a bola em posse e não criava espaços para a receber em condições. E ninguém esperava que o fizesse…a não ser Lopetegui. A saída dele e de Herrera (mais um jogo fraquinho do mexicano) vieram 45 minutos mais tarde do que deviam.

(-) Alex Sandro. Mal nos cruzamentos, mal no controlo da posse em zona defensiva, mal na subida pelo flanco e particularmente mal no endosso da bola em situações de recuperação de bola, com dois ou três passes absurdos e direitinhos aos pés dos adversários. Notou-se bem o estouro das pernas quando começou a pontapear o esférico na direcção da arquibancada. Um jogo para esquecer.


Três pontos. O equivalente ao que foi conquistado nas últimas três jornadas. Continua a ser o meu grande medo nesta equipa: que se perca grande parte do campeonato antes de a podermos apelidar como tal…

Baías e Baronis – Shakhtar Donetsk 2 vs 2 FC Porto

Shakhtar Donetsk vs FC Porto

Depois das correrias e tropelias do jogo, depois do penalty falhado, dos dois golos oferecidos e do regresso quase-triunfal em meia-dúzia de minutos, só me apetece parafrasear Samuel Beckett: “All of old. Nothing else ever. Ever tried. Ever drew. No matter. Try again. Draw again. Draw better.“. Siga para notas:

(+) Jackson. E cá voltamos nós ao mesmo. Jackson joga, Jackson marca. Apesar do jogo bem razoável de Aboubakar, há ali uma grande diferença na forma como Jackson controla a bola e apesar de ser consideravelmente mais lento que o camaronês, a forma como está na área fez hoje toda a diferença e mostrou que é o único ponta-de-lança a sério no plantel (Adrián nem para lá caminha, quanto mais não seja pela posição em que tem vindo a jogar). Não se intimidou nem teve aqueles tiques de vedeta à Quaresma. Talvez por isso seja capitão em vez do Ricardo. Talvez.

(+) Marcano, apesar de Pepe. Não sou fã de centrais adaptados a trincos. Desde que Pepe foi aí espetado por Mourinho e Queiroz, fiquei ainda com menos vontade de ver esse tipo de adaptações. Gosto de médios defensivos à Redondo ou Makélélé, dos varredores, que joguem com os dois pés e que saibam o que fazer com a bola quando a recuperam, ao contrário dos centrais que habitualmente são mais trapalhões e brutos. Mas Marcano foi o oposto do que estava à espera, com uma técnica apurada, passe simples e bom posicionamento. Manter Ruben Neves no banco foi uma boa opção, especialmente depois do rapaz ter vindo em rampa descendente nos últimos jogos, mas Marcano será sempre uma solução de recurso naquela posição. Ainda assim, há vários jogos em que pode vir a ser muito útil e acabou por somar mais uma alternativa ao plantel. “Football Manager” style.

(+) Danilo. Continua a ter um excelente arranque de época, que me motiva a elogiá-lo quase em todos os jogos. Estranho, muito estranho, especialmente depois de dezenas e dezenas de partidas em que vi um Danilo cabisbaixo, sem vontade de jogar, a hiperbolizar todas as falhas e a minimizar os seus próprios sucessos. Danilo versão 2014/2015 está mais alegre, mais entusiasmado e nota-se em campo pela forma como ataca a bola na defesa e como surge a apoiar o ataque (mais comedido mas acima de tudo mais inteligente) pelo flanco ou em incursões pelo centro. E como o último rapaz que elogiei desta forma foi Maicon…temo a exibição do lateral contra o Braga.

(-) As duas ridículas falhas defensivas. Maicon chegou ao jogo contra o Boavista como um dos jogadores em melhor forma no plantel, imperial na defesa, perfeito no corte, tranquilo em posse e sem parvoíces de maior a apontar. E depois…foi expulso no Dragão por uma entrada idiota e hoje fez uma rosca à Maurício que ia dando auto-golo e cortou a bola para os pés do avançado do Shakhtar, dando origem ao 2-0. Óliver foi apenas ingénuo, a tentar controlar a bola numa zona em que merecia que o treinador entrasse em campo e lhe desse dois tabefes na hora para entender que num jogo deste nível é imperdoável achar que aquela era uma atitude interessante e de grande jogador. Dezanove aninhos, dezanove sapatadas de mão aberta em rabo ao léu. E ficávamos conversados.

(-) Mais um penalty falhado. Já me começam a faltar as palavras para descrever o que sinto quando um árbitro marca um penalty a nosso favor. Como é bem mais normal acontecer na Europa do que cá no burgo, a importância do lance no decorrer de um qualquer jogo acaba por ser bem mais vital e faz com que cada falha seja ampliada para penalizar o seu autor. Hoje a fava saiu a Brahimi, que se dependesse de mim passava imediatamente para o último lugar na lista dos marcadores. À frente dele ainda ia o Fabiano. Sim, o Fabiano, o guarda-redes que não sabe jogar com os pés para salvar a vidinha.

(-) Os brasileiros do Shakhtar. Aposto que deve haver scouts a trabalhar no Brasil e que se adaptam a todos os gostos. Há os que gostam dos rapazes tecnicistas e vão buscar os Decos e os Andersons. Há aqueles que adoram o futebol defensivo e sacam os Dorivas e os Paredes. Também há os do futebol rápido e voador, os que descobrem os Artures e os Derleis. E depois há os scouts do Shakhtar, que estão interessados em tudo o que seja grande, saiba jogar com os braços e tenha planos de acertar em tudo que vê. Não me admita que Bernard não jogue. Os hobbits têm notória dificuldade em dar porrada.


Nunca tivémos o jogo na mão, mas podíamos e devíamos ter vencido estes moços de laranja e preto. Somos melhores que eles, não tenho dúvidas, e podemos acabar com eles no Dragão na última jornada. Com um golo de penalty do Brahimi, outro do Óliver e ainda outro do Maicon. Só para limparem a consciência.

Baías e Baronis – Sporting 1 vs 1 FC Porto

20140926 - SPORTING CP - FC PORTO

Um clássico que acabe em empate é sempre menos mau, especialmente fora de casa. Se tentarmos perceber a forma absurda como entramos em campo, especialmente depois do golo sofrido evidenciar a ausência de organização no nosso meio-campo e a forma como a equipa não consegue parar o adversário em zonas de construção. É essa a principal falha do FC Porto de Lopetegui, por agora, pelo menos até que a estratégia se mantenha a mesma com os intérpretes que a vão colocando em campo. Ambas as equipas tiveram oportunidades claras e o empate aceita-se. A notas:

(+) Óliver. É um jogador diferente, sem dúvida, e quando está em campo nota-se na perfeição a diferença que mostra em relação aos colegas. Raramente há passes falhados, desconcentrações na construção de jogo e desatenções defensivas. Pode trazer muito ao meio-campo (mais que na ala, creio) quando colocado a jogar por detrás do ponta-de-lança e preferia vê-lo sempre como dez recuado em vez de colocado na linha. Em forma, é titularíssimo.

(+) O controlo da posse de bola na segunda parte. Depois da entrada muito mais forte do Sporting, que nos encostou à área durante a primeira-meia hora, o jogo foi-se reequilibrando e a equipa assentou a cabeça e começou a trocar a bola de uma forma mais consistente e estruturada. Continuo a tremer quando a zona defensiva se amedronta perante o mais ínfimo sinal de pressão adversária, mas é essencial manter a calma e prosseguir na troca de bola tranquila enquanto a zona ofensiva vai criando espaços e linhas de passe coerentes, porque é especialmente em situações individuais que podemos mostrar o que valemos. Foi talvez o pior jogo que fizemos até agora, mas a segunda parte foi menos má que a primeira.

(-) A desorganização da zona de pressão defensiva. Desorganização. Alheamento. Desconcentração. Há muitas outras palavras que podia usar para descrever o que vejo na estrutura defensiva do FC Porto mas podia centrar tudo num conjunto de vernáculo que faria corar uma freira de clausura. É enervante perceber que os homens do meio-campo parecem constantemente mal colocados perante os adversários, não cobrindo os espaços de uma forma coerente e permitindo uma fácil construção de lances ofensivos com uma passividade e destrambelhamento que não parece natural numa equipa de topo. Desde o início da temporada que tem sido a área mais débil da equipa não só em termos físicos mas especialmente pela incapacidade de formar um bloco consistente para impedir que o adversário surja com a bola controlada e em progressão por uma zona onde se pode criar a maior quantidade de situações de perigo para a nossa baliza. Casemiro, Ruben Neves e Herrera, até agora, não estão a funcionar como conjunto.

(-) A ineficácia na finalização Em jogos deste calibre é uma infelicidade falhar golos feitos. Jackson e Tello mostraram isso mesmo, com os lances que tiveram na segunda parte a poderem ser decisivos na conquista de uma vitória que seria até então justa…pela maior eficácia que mostraríamos em frente à baliza, quando comparada com a mesma (in)eficácia nos lances de que o Sporting dispôs na primeira parte (para lá do petardo do Capel à barra). Estes jogos travam-se com fibra mas vencem-se por detalhes.

(-) Bolas paradas ofensivas. Mais uma vez tivemos uma batelada de cantos e alguns livres, com zero perigo criado. Há muitos, muitos anos que continuamos com este tipo de incapacidade de semear o caos nas defesas adversárias através de lances de bola parada e mantemos a tremideira quando a bola aparece na mesma situação mas do nosso lado. Um canto, um golo…uma vitória. Era giro, não era?


Três empates consecutivos não são bons para um campeonato onde os pontos perdidos se podem tornar tão importantes em fases mais adiantadas da prova. O próximo jogo tem de trazer três pontos para o cofre. Sem desculpas.

Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 0 Boavista

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Amaldiçoo as palavras que proferi antes do início do jogo, enquanto o céu abria todas as torneiras que tinha, descarregando água com a força de onze deuses e a intensidade de outros onze. Nessa altura, protestava eu com o árbitro que avaliava as condições do pobre relvado e reclamava pela pouca celeridade da drenagem e das decisões dos fulanos de negro. E agora, penso que mais valia o jogo ter sido adiado. Talvez o passe de Tello tivesse chegado a Brahimi. Talvez Maicon não tivesse sido imprudente. Talvez os remates de Herrera tivessem chegado à baliza. Talvez Mika não tivesse agarrado as cabeçadas do Jackson. E talvez não estivesse agora com um mal-estar tremendo e cara de chateado. Talvez. Vamos a notas:

(+) Marcano. Bom jogo na estreia absoluta. Excelente a jogar pelo ar, de toque fino e prático, a colocar sempre a bola no chão antes de a passar para um colega. Apesar de raramente ter sido obrigado a desempenhar as tarefas inerentes à posição que ocupa, esteve perfeito nalguns cortes pelo relvado e quando Lopetegui o colocou quase no centro do esquema de três defesas (Casemiro foi mais volante que central) esteve seguro e sem tremideiras. Em Alvalade veremos se vale alguma coisa a defender contra uma equipa a sério.

(+) Danilo e José Angel. Tentaram tudo para que a equipa conseguisse criar situações de perigo na área e fizeram os dois flancos dezenas de vezes durante todo o jogo. O espanhol recebeu mais apoio que o brasileiro e pareceu sempre com vontade de colocar a bola na área mas fê-lo com critério e sem abandalhar nos cruzamentos excessivos. Falta-lhe a capacidade de furar como Alex Sandro mas parece ser uma boa alternativa, nivelando um pouco por baixo. Danilo começou mal o jogo, com muitas cruzamentos e passes falhados, mas foi subindo de produção e nunca desistiu. É essa uma das grandes mudanças em Danilo nesta época: a mental. Espero que assim continue.

(-) A expulsão de Maicon. Imagino que vai haver duzentas opiniões acerca do lance e mais de metade vai achar que não era motivo para expulsão. Porque era a meio-campo, porque a entrada foi 12 graus desviada na vertical do que se pode considerar “por trás”, porque foi a primeira falta, entre outras. Mas é na verdade muito simples de analisar o lance. Duas simples premissas: a entrada é dura, de pé levantado e acerta no jogador por trás (de lado, como quiserem). Maicon foi imprudente e colocou-se à mercê do árbitro, só isso. Já vi dezenas de lances iguais que não mereceram cartão, nem amarelo nem vermelho. E já vi outras tantas dezenas que acabaram com o faltoso a ser expulso. Calhou-nos a segunda. E, caros portistas, pensem no seguinte: se fosse de outra cor, o que diriam do árbitro se não expulsasse o rapaz?

(-) A condição física da equipa Estamos na 5ª jornada e já vejo vários rapazes do meio-campo para a frente a vomitarem-se todos para acabar um jogo. Sim, jogámos muito tempo com dez jogadores. Certo, estivemos quase sempre com a bola nos pés, o que cansa mais. Compreendo, Ruben Neves tem 17 anos, Herrera e Brahimi estiveram no Mundial. Mas não é bom sinal quando chegamos a meio da segunda parte e os dois jogadores mais importantes na construção ofensiva da equipa estão agarrados às pernas e o desequilibrador principal da equipa não aguenta mais que duas ou três corridas. Começo a pensar que a rotação imposta por Lopetegui se deve mais a factores físicos que tácticos…

(-) Tello. Trapalhão, incapaz de adiantar a bola uma distância aceitável e decente para a conseguir continuar a controlar em drible. Nada lhe correu bem, desde a assistência de morte para Brahimi que ficou na piscina, aos cruzamentos falhados e aos 1×1 inconsequentes. Muito fraco para alguém que sabe muito mais que isto e apesar de ser um homem de irreverência e velocidade, tem também de perceber que tem de fazer alguma coisa de jeito depois de acelerar ao largo do adversário. Hoje, não fez nem uma nem outra.

(-) As opções de Lopetegui. Ao intervalo íamos discutindo o que poderia ser feito para mudar o jogo. A jogar com menos um homem, as opções não eram muitas e cada uma era mais radical que a anterior. A ideia dos três defesas não seria impossível de funcionar, mas o consenso entre os colegas de bancada estava na mudança do tipo de jogo para um approach mais directo, mais incisivo, alheando um pouco da posse e atacando mais agressivamente a baliza adversária que até então pouco tinha sido alvejada. Sai Tello, entra Aboubakar (ou Adrián), passa Brahimi para o meio a ver se saca um livre ou um espaço entre os defesas, mandam-se subir os laterais e siga. Não seria fácil, com o meio-campo tão pouco elástico, lento demais para cobrir as subidas dos colegas pelas alas, mas era um risco que se aceitava. Tomadas as decisões, olhámos para o campo…e o jogo continuou como estava. Ninguém nega que podíamos perfeitamente ter marcado dois ou três golos durante os noventa minutos. Tivemos oportunidades, muita desinspiração e alguma incapacidade de rematar de longe em condições. Mas Lopetegui merece a minha crítica porque não mudou. Porque parece estar fixo na fidelidade a um modelo táctico que privilegia apenas a forma que ele vê como certa. Repare-se na entrada de Adrián. Colou-se o espanhol à linha esquerda, enquanto que Ruben definhava no meio-campo e Jackson continuava abandonado como um filho bastado à porta de um convento, esperando que um fugaz cruzamento de Quaresma ou uma jogada de Brahimi conseguissem criar algo que até então não tinham conseguido. Lopetegui mostrou a todos que é este o caminho que vai seguir. E se houver obstáculos nesse mesmo caminho, não está disposto a mudar muito para os contornar. Os teimosos são assim.


E lá vão quatro pontos. Quatro pontos desperdiçados numa fase tão incipiente da temporada, que nunca mais serão recuperados e que tanta falta nos podem fazer mais lá para a frente. Na sexta-feira, não podemos perder mais pontos.