Baías e Baronis – Benfica 0 vs 0 FC Porto

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Não tinha grande fezada para o jogo. Ainda assim, saí de casa e fui ver a bola com amigos para um café na baixa do Porto, rodeado de portistas que apoiavam a equipa mas lamentavam cada lance perdido, cada passe falhado e cada inconsequente ataque que a nossa equipa protagonizou perante um dos campeões em título que pode revalidar o troféu com o seu pior futebol dos últimos anos. Tinha logo de nos calhar um JJ resultadista quando percebeu que a jogar bonito raramente havia de ganhar. Enfim, os moços tentaram, lutaram e fizeram o que podiam fisica e mentalmente. Não chegou. Não há sumo para mais. Nem tomates. Parece que este ano esses também tem vindo a faltar. Vamos a notas:

(+) A pressão alta no centro. Se o Benfica permitiu que jogássemos com o bloco subido, também não é demérito nosso que o tenhamos ganho. Casemiro bem na zona recuada, Ruben prático no centro com Evandro e Óliver a rodar a bola como podiam no meio de tanta perna e pontapé à solta, conseguimos impôr alguma ordem e manter a bola como precisávamos. O facto de não ter havido incursões ofensivas suficientes devido à falta de um dos extremos deveu-se no fundo à opção de Lopetegui que não tendo conseguido ganhar o meio-campo na primeira volta, decidiu enchê-lo de gente na segunda. Ganhou o meio-campo, perdeu em acutilância e velocidade. Era expectável mas a aposta foi ganha. Não valeu de muito mas ainda assim conseguimos empurrar o Benfica para trás, o que nem todas as equipas conseguem.

(+) Alex Sandro. Foi um Alex de fina colheita, cheio de garra na luta individual e a aproveitar o facto de Gaitán estar a jogar tanto como Sálvio no jogo de hoje. Esteve forte, subiu com velocidade e não fossem algumas más decisões (e se tivesse sido só ele…) no último terço e teria sido bem mais importante no jogo. Mesmo assim é bom ver Alex a jogar com fibra e com convicção até à última, acabando o jogo esgotado como se viu num dos últimos lances em que não consegue controlar a bola em velocidade porque…já não a tinha.

(+) Casemiro. Cortes de carrinho é com esta versão brasileira e bem avantajada de Otamendi a trinco, porque não só se coloca na perfeição perante a progressão do adversário como usa bem o corpo para levar a bola e parar o ataque. Não parece o mesmo badocha que cá apareceu no início do ano e só tenho pena que provavelmente não o consigamos segurar por cá a não ser que haja contrapartidas extra na venda do Danilo ao Real Madrid.

(-) A quantidade absurda de passes falhados. E voltamos a isto, que desde o tempo de Vitor Pereira me enervava. Bola para Maicon, mão no sobrolho para tapar o sol e cá vai disto. Corre, Jackson, CATRAPUM, bola em Júlio César. É das maiores parvoíces que me lembro de ver a nível de organização de jogo de uma equipa de topo, onde apenas um avançado corre como um doido para apanhar a bola enviada do cimo de uma qualquer colina com um canhão napoleónico, com qualquer tipo de ridícula expectativa que o homem se vá posicionar para receber o esférico, controlá-lo na perfeição e esperar meia-hora que os colegas subam. E isto na zona recuada, porque a quantidade de passes desperdiçados em zona de preparação para finalização foi um dos motivos pela quase total ausência de situações de perigo que deixámos por criar hoje na Luz. Nervosismo, falta de pernas, seja o que for, não se podem falhar tantos passes.

(-) Herrera. Alguém se oferece para dar uma chapada a este gajo logo no início do jogo para ver se acorda? É tremenda a lentidão com que recebe a bola e o ritmo que tenta imprimir ao jogo quando tem a bola controlada em zona de pressão é tão elevado como a marcha fúnebre tocada em 12 rotações. Demora tanto tempo quando recebe a bola que lhe caía logo em cima o Samaris, o Pizzi, a águia Vitória que estava a comer erva em Monsanto, trinta gajos da claque que desceram do terceiro anel e doze toupeiras que por ali passavam. Herrera é muito lento e como dizia um amigo na semana passada, acha que todos os outros são lentos como ele. Nestes jogos então, onde cada metro do terreno é disputado com virilidade e velocidade, ainda se nota mais.

(-) Sem ovos e com poucos “huevos”. O busílis. O torcer de rabo da porca. O lançamento da moeda. Ou seja, aquilo que decidia o jogo. Lopetegui entrou em campo a tentar controlar o jogo e a manter o meio-campo nosso, esperando que a posse de bola decidisse a inclinação do campo e fizesse com que a equipa produzisse o suficiente para marcar um golo. Não conseguiu. E não conseguiu porque ao contrário do que Julen parece pensar, a equipa não carbura a esse nível. Os rapazes entraram com garra mas com pouca cabeça, dando ideia que o plano era não sofrer em vez de marcar dois. O título decidia-se neste jogo, por muito que possamos todos pensar que ainda faltam quatro jornadas e há hipótese do Benfica tropeçar e cair num qualquer estádio por aí fora. Não é provável. E ao ver isto, urgia que tivesse mais audácia ofensiva, que atirasse o cachecol para os quintos do caralho e se mandasse para cima deles com raiva e fúria, de orgulho ferido e fome de vitória. Não foi isso que vi. Talvez não seja só Lopetegui que não o fez, talvez Munique ainda andasse no córtex dos jogadores, temerários depois da enxaguadela de realidade que apanharam na terça-feira. Mas se a luta foi boa e os rapazes se bateram com garra e dedicação, o facto do jogo se ter travado a meio-campo por força da estratégia de Lopetegui foi o início do fim da história. Lembrei-me de Vitor Pereira naquele inacredivável 2-3 na Luz em 2012. Sim, Vitor Pereira tinha mais ovos (Hulk, Moutinho, Fernando, Lucho, James, por exemplo) para fazer uma omolete. Mas também teve mais “huevos”. E isso fez toda a diferença.


Quatro jogos, doze pontos. Vou telefonar ao Nate Silver para me dar a probabilidade de sermos campeões, mas aposto que não é alta. Não interessa, até ao fim vou acreditar. Vocês também deviam.

Baías e Baronis – Bayern Munique 6 vs 1 FC Porto

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Nota prévia: se notarem mais vernáculo que o costume, não me censurem. É o que sai neste momento.

“Se aquela puta entrasse”, dizia-me um dos vários companheiros portistas com quem vi o jogo. Referia-se à bola que Jackson rematou pouco depois de reduzirmos para 5-1, numa altura em que o Bayern descansava e nós tentávamos salvar mais um bocadinho dos pedaços em que se tinha transformado o sonho de chegar às meias-finais da Champions. E tinha razão, porque se aquele remate fosse para a rede, talvez conseguíssemos fazer tremer os alemães, que depois daquela primeira parte onde foram mais eficientes do que teriam imaginado possível, já descansavam em campo. A esperança era essa, a fome de mais um golo, mais uma fugaz tentativa de empurrar os rapazes de Guardiola para trás e de fazer alguma coisa com tão pouca cabeça e discernimento que coloquei as minhas expectativas todas naquele lance. Não entrou. Já tinham entrado suficientes para que a esperança fosse fútil. Enfim, de volta à Terra com estrondo. Vamos a notas:

(+) Jackson. Ele bem tentou mas a bola não chegava lá. Correu e procurou roubar as bolas ao adversário mas o puxão colectivo para trás fez com que também tivesse de recuar sob o risco de ficar completamente isolado do resto dos companheiros. Subiu na segunda parte, marcou um e podia ter marcado o segundo, mas ficou a centímetros. Se tivesse entrado…talvez pudéssemos ter feito o Bayern tremer um bocadinho. Assim, ficamos pela tentativa. Ainda assim, Jackson foi dos menos maus.

(+) A entrada de Ruben. Com o Bayern sem sequer tentar muito, foi Ruben que se mostrou no relvado do Allianz Arena e fez com que a equipa conseguisse rodar bem melhor a bola do que tinha feito na primeira parte. Corrijo, fez com que *finalmente* começasse a rodar a bola! Firme, bom no passe, estabilizou um meio-campo destroçado e deu algum ânimo a um grupo de colegas mentalmente destruídos.

(+) Bayern Munique. Aquele terceiro golo devia ser recriado em computador e exibido sempre no arranque de um jogo a contar para qualquer competição profissional. Perfeito na recuperação defensiva, no endosso da bola para a lateral, na movimentação de dois avançados assimétricos no posicionamento e na criação de lances e a concretização quase perfeita. Para lá da forma como nos esventraram durante aquela primeira parte, com uma eficácia extraordinária e uma capacidade de rotação de bola acima de qualquer outra equipa no Mundo, foi a facilidade com que o fizeram que fez com que não conseguíssemos reagir a tempo. Sem Ribery e Robben, a equipa foi singularmente unida no centro e obteve os espaços que precisava para mostrar, à alemão, que os gajos quando estão chateados vão acabar por chatear terceiros. Não admira que, como dizia outro colega portista, “os dois eventos mundiais em que participaram dizem tudo”. E nós íamos sendo arrastados pelo terceiro. O FC Porto é capaz de ganhar um em cada dez jogos contra o Bayern. E o que ganhou só serviu para os enervar, como se uma formiga fizesse cócegas num elefante. Há equipas más, medíocres e boas. E depois há este nível.

(-) Aquela primeira parte. Uma mini antes do jogo arrancar. Começa a partida, um pontapé para a frente, duas perdas de bola, mais uma mini. Reyes perde a bola, Herrera não despacha, Quaresma chega tarde à dobra, Óliver desaparece do campo, Jackson está longe, onde andas Casemiro, Maicon recebe para trás, Fabiano chuta torto, Marcano atrasado, Indi a dar espaço e Brahimi perdido na relva. Mais uma mini. Golo de Thiago. Ainda lá vamos, calma, foi azar e o gajo apareceu ali sozinho, também havia muito espaço para o Bernat centrar, é preciso fechar melhor, sem problema, vamos lá, estrutura, ajuda, força rapazes. Mais uma mini, oh foda-se aí vem o Götze com o canto, não deixes, salta, vai, desce, vai, SALTA, ANDA!…merda. OK, miúdos, força, subam, subam a equipa, não se deixem ficar aí atrás, cuidado Casemiro com o contacto, vai com ele Indi não o deixes cruzar, ei de primei…olha o Mull…cuid…merda. Mais uma mini. E agora é só marcar um e empata-se isto, rapazes, vamos lá, ninguém desiste, ninguém se deixa ir abaixo, já recuperámos pior que isto, cuidado com o meio, não deixes o gajo…desviou? parece que desviou…oh Fabiano foda-se não me lixes, a bola até ia direita a ti, porra, nem o Helton em Paris ou em Londres com o Chelsea…agora está tramado, não sei se ainda lá vamos, mas ao menos não se deixem enrolar mais, fecha o gajo, Maicon, não o deixes rem…foda-se. Mais uma mini. Intervalo. Tou, pai? Ah, já estás a ver o Barcelona. Eu sei, eu é que sou doente, mas é o que temos. São uns meninos, pá, já viste que entraram cheios de medo? E eles são bons, tudo lhes corre bem. Pois é, não sei o que fazer. Ao menos que tentem agora fazer alguma coisa, não sei o quê, o Quaresma ainda vai prá rua não tarda nada, mais vale sair. É isso. Ainda faltam 45 minutos, não é? Estamos fodidos, é o que estamos. Não sei o que fazer. Não faço ideia. Nunca vi nada assim. Blitzkrieg o caralho que nós não somos a Polónia, mas parecemos. Tanques contra cavalos. Tanques contra póneis tuberculosos, é o que é.


Nada mais há a dizer. Ou melhor, haveria muito para dizer mas é impossível conseguir elevar a moral três ou quatro horas depois do jogo. No Domingo, como disse Ricardo Quaresma, é para ganhar. Essa sim, será a única maneira de levantar o queixo depois do jogo de hoje.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Académica

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Na antecipação ao jogo disse a Lopetegui que não precisava de jogar bem nem tão pouco precisava de cansar os rapazes, só tinha era de ganhar o jogo. E devo dizer que não tinha o Julen como leitor aqui do tasco mas o que é certo é que foi exactamente o que a sua equipa fez: não jogou bem, não se cansou por aí fora e ganhou o jogo. O onze que apareceu em campo foi uma meia-surpresa e a falta de entendimento era natural, pelo que os únicos pontos negativos do jogo vão para algumas peças individuais e pela aparente cagufa de meter o pé contra uma equipa que tinha tanto de aguerrida como de pouco talentosa. Está ganho, venha de lá o túnel da Luz prá semana! Vamos a notas:

(+) Ruben Neves. Achei curiosa a colocação de Ruben como trinco em vez de Campaña porque sempre me pareceu que o espanhol era mais adequado para uma zona que precisa de mais músculo, mais altura e mais agressividade na disputa dos lances. Mas Ruben foi o escolhido e a forma como se colocava perante a maioria dos lances, recebendo a bola na perfeição, rodando e entregando no colega quer a cinco quer a vinte metros roçou a perfeição. Começa a ser complicado perceber como é que um puto de 18 anos tem muito mais inteligência táctica e astúcia competitiva que tantos outros que na sua posição se foram perdendo desde que chegaram ao FC Porto. Gostei, mais uma vez.

(+) Evandro. Correu mais que dois ou três colegas juntos e foi dos mais agressivos em campo na tentativa de fazer movimentar um meio-campo que pecava pela ausência de opções de passe curto, fruto da inexistência táctica de Quintero e da “onde-é-que-tu-estás-sai-da-linha” de Hernâni. Recuperou montanhas de bolas de carrinho e acabou o jogo a fazer agachamentos. Imagino como estarão aquelas pernas…(sounds gay. isn’t.)

(+) Hernâni. Um golo, vários piques em claro excesso de velocidade e sempre com vontade de fazer mais e melhor durante o tempo em que esteve em campo para mostrar a Lopetegui que pode contar com ele para Munique. E pode mesmo vir a fazer muito jeito na Baviera se conseguir impor a velocidade e aproveitar qualquer falha de marcação dos laterais alemães. Insiste em colocar-se na linha mesmo quando o jogo pede que se desloque um poucochinho para o meio para criar uma linha de passe. Não creio que sejam só instruções do treinador, por isso terá de rever o posicionamento.

(-) Quintero. O que fazes tu em campo, Juanfer? A sério, é mesmo isso que te pergunto, porque quase sempre que te tenho visto com a nossa camisola pareces alheio ao jogo, fazes passes que não lembram ao demónio e denotas uma quase incompreensível falta de fibra que me faz questionar se estarás já vendido e ao contrário de Danilo já te esqueceste quem te paga o salário. Para quem aqui há uns tempos disse que quando a equipa precisasse dele estaria pronto a responder, não estás a retorquir da forma mais certa, não achas? Um gajo com tanto talento como tu andar a desperdiçá-lo como tens vindo a fazer…não está correcto. Segundo um amigo e conviva habitual no Dragão, fazes lembrar o Deco quando cá chegou. Se fizeres o percurso dele, menos mal, mas não sei se aguentas tanto tempo como o “mágico”…

(-) Reyes. Uma coisa é certa: algo se passa. Diego Reyes não pode ser tão mau como o que vi hoje no Dragão (é de mim ou foi ele o capitão e não Alex Sandro como foi anunciado?), porque se é isto o máximo que um homem que está consistentemente numa das selecções de bom nível tem para nos oferecer, pode começar a fazer as malas porque não é possível que fique mais um ano por cá. Lento na saída, torto no corte, incapaz de tomar as decisões certas e aparente one-track-minded na recepção e passe (bola para o lado direito 98% dos passes que fez), o mexicano vai somando pontos negativos e cada vez há menos margem de manobra para se manter por aqui. Talvez um ano de empréstimo com futebol constante lhe faça bem…

(-) Ricardo a defender (mais uma vez). Tremo ao pensar em Ribery ou em qualquer outro rapaz do Bayern em frente a Ricardo, pelo ar ou pela relva. Se Ivanildo (sim, o mesmo Ivanildo que se formou nas nossas escolas e que por cá andou há dez anos) conseguiu criar tantas dificuldades ao nosso extrem…later…defesa direito (brrr!), então um jogador de nível “ligeiramente” superior como o francês ou qualquer um que jogue na terça-feira vai fazer desabar qualquer possibilidade de Ricardo se vir a afirmar na posição. Mantém erros infantis no posicionamento defensivo e toma decisões que não cabem na cabeça de miúdos do Dragon Force que estiveram em grande hoje no Dragão. Fica-me na cabeça um lance na nossa área em que roda PARA DENTRO e tenta aliviar virado para o que era o equivalente à hora de ponta no metro de Tóquio. A bola ressaltou em sei-lá-quantos-gajos e só não entrou porque São Jotapê, anjinho da guarda dos defesas-direitos, disse: “ainda não é a tua hora, meu menino”. Espero que nunca venha a ser.


Vamos à Luz com a necessidade de vencer por 2-0 para ficarmos a depender só de nós para sermos campeões. Impossível? Não. Difícil? Claro. Vamos conseguir? Depende do que acontecer na terça-feira…

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 1 Bayern Munique

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Viena + 1. Meu Deus. Não esperava, juro que não, mas eu sou um pessimista crónico com tendência para o miserabilismo por isso raramente espero algo deste calibre. Foi uma noite grande, com uma gigantesca exibição do FC Porto a mostrar que os adeptos nem sempre acertam quando pesam os valores de ambas as equipas sob um escrutínio tão linear dos números. Hoje mostrámos a todo o mundo que os alemães também caem e que a garra, o querer, o esforço e a convicção podem fazer com que o sonho seja tão verdadeiro. Nada está ganho a nível da eliminatória, mas a alma, essa, está no topo. Vamos a notas:

(+) Jackson. Eu…quer dizer…nem sei muito bem o que dizer. Andou uma amiga a dizer-me desde semana passada: “Olha que ele vai jogar, é tudo esquema psicológico”, mas o FC Porto ia tapando tudo, com fotos no twitter sem que ele aparecesse, semeando a dúvida, criando a antecipação certa. E quando ouvi alguém no Bom Dia a dizer bem alto que ele ia jogar, temi que não estivesse em condições e apenas entraria para impôr respeito, sem que conseguisse movimentar-se muito. Boy, was I wrong. Correu imenso, pressionando alto os centrais (e Xabi, no lance do golo, onde podia perfeitamente ter sido falta e ainda bem que o árbitro não marcou…e depois não expulsou Neuer…mas sobre isso podem ler abaixo) e posicionando-se para aquele controlo de espaço aéreo e da zona de recepção como vi poucos a fazer. E o golo é uma pequena obra de arte de movimentação ofensiva, domínio de bola, aceleração, técnica para ultrapassar o guarda-redes e finalização perfeita. Vamos ter saudades tuas quando fores embora para o ano, Jackson, mas até lá vamos aproveitar todo o suminho que pudermos.

(+) Quaresma. Decisivo na marcação do penalty. Ficar calm, cool and collected na frente do melhor guarda-redes do mundo não é para todos, mas o que mais me impressiona é a forma como parece ter tomado o gosto pelos sprints na pressão da zona recuada do adversário, onde desata em correria doida na direcção do defesa contrário, um pouco à semelhança do que faziam Derlei e Lisandro, durante menos tempo mas com a mesma intensidade. O segundo golo é prova disso, roubando a bola ao absurdo Dante (que continua a pensar que o penteado faz o jogador, algo que o colega de selecção já provou o contrário, inclusive hoje em Paris), prosseguindo para a baliza e batendo Neuer pela segunda vez em dez minutos, vingando-se daquela noite em 2008 onde, vestindo uma camisola em tudo idêntica a uma que hoje levei no corpo para o Dragão, se rebaixou perante o Manuel deles. Hoje, foi ao contrário.

(+) A estratégia de Lopetegui e os que a puseram em prática. Apenas Herrera (tu és TÃO LENTO nas transições e distrais-te TANTAS VEZES que um dia destes vai correr mesmo mal) e até um certo ponto Brahimi (a receber a bola demasiado atrás com muita relva e demasiadas pernas alemãs pela frente) estiveram um poucochinho abaixo dos colegas, mas não o suficiente para Baronizações. O resto dos moços esteve num plano superior de mentalidade competitiva, inteligência no posicionamento (por vezes muito recuados, com Lopetegui a ir até à linha do meio-campo pedir que a equipa subisse) e astúcia na saída para a frente. Estivemos pressionantes na zona de início de construção do Bayern e rijos a defender. Abdicámos da posse de bola para tapar os espaços pelo centro e evitar o jogo de passe rápido e criação de lances nas costas dos médios, onde Casemiro e Óliver estiveram enormes a tapar e a receber. Danilo e Alex Sandro, especialmente este último, estiveram excelentes na agressividade e na subida sempre que possível. Os centrais, fortes e lutadores e Fabiano seguro com apenas uma falha num lance aéreo sem consequências. Acima de tudo, foi Lopetegui que lhes ensinou que para vencer o Bayern não temos de jogar o jogo deles; temos de saber como jogar o nosso ao mesmo tempo que os impedíamos de usar o deles, forçando a passagem pelo meio, bloqueando as alas o mais possível e furando com contra-ataques rápidos a subida dos laterais e a deslocação dos médios. Estivemos brilhantes e os jogadores deixaram tudo o que tinham em campo. Foi lindo de ver.

(+) O Dragão. Cinquenta mil almas a gritar, a apoiar a equipa, a incentivar os lances ofensivos e a premiar os defensivos com palmas. Este é o ambiente que deveria sempre estar em redor da equipa, com assobios e críticas longe, pelo menos enquanto o jogo estiver a decorrer. Houve sintonia, empatia total entre os jogadores e os adeptos, como há muito não via. E quero voltar a ver.

(-) Ser pequenino é tramado. É fácil expulsar jogadores do FC Porto (e de outras equipas portuguesas) quando jogamos contra grandalhões. Não há aqui grandes dúvidas e nem estou com isto a tentar insinuar corrupções e coisas do género. Só um excesso de humildade arbitral que tanta gente assume como prudência e que tem de ser chamado pelo que é: medo. Medo de expulsar Neuer no primeiro minuto de jogo, medo das consequências que possam daí advir se o melhor guarda-redes do mundo, alemão, não puder continuar em campo durante este e o próximo jogo, condicionando o trabalho da equipa por causa de um erro que todos podem cometer. E os amarelos perdoados a Rafinha e a Boateng, para lá do segundo a Bernat, por lances em tudo iguais aos que deram os amarelos a Danilo e a Alex Sandro. Todos cometemos erros, como disse atrás. O problema é que eles, como de costume, podem fazê-lo mais vezes que nós.

(-) Müller, Rafinha et al. Não sei como se diz “açaime” em alemão mas se houvesse hipótese de calar aquele enorme filho de sete cadelas pelo menos durante os noventa minutos do jogo, creio que todo o mundo agradeceria. Este tipo de jogadores são os que mais me enervam, os Müllers, os Rafinhas, os Sérgios Ramos, os Busquets, os Carlos Martinses. Cada jogada é um espalhafato de vernáculo e de reclamação, cada falta que sofrem é como se uma lança lhes atravessasse o lombo e cada outra que cometem é um acto ignóbil contra o próprio Criador. Foda-se se não me apetece rebentar-lhes os dentes. Oh Paulinho, tens planos para a próxima terça-feira? Precisamos de ti na Allianz para amordaçar aquele boche. À cotovelada.


Quem, como eu, pensava que íamos tentar salvar a face com uma exibição esforçada mas pouco produtiva, ficou de boca aberta. No próximo Sábado contra a Académica…nem que ponhas metade dos Bês, deixa alguns destes moços descansar um bocado. Merecem, oh se merecem!

Baías e Baronis – Rio Ave 1 vs 3 FC Porto

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O difícil torna-se fácil quando se quer. Particularmente quando se fala de uma equipa como o FC Porto, que tem tanto de bipolar como de notável na capacidade de criação de lances perigosos, já que os cria mas para os concretizar parece encontrar uma parede mental que os impede de rematar à baliza no momento certo. Quando o faz, como Danilo fez hoje com grande nível, é normal marcar mais golos e criar mais perigo. Mas insistimos no lance até à baliza, na finalização com a sola e no passe de morte que se quer sempre que saia perfeito. Nem sempre é preciso, meus caros. O jogo acabou por valer pela boa primeira parte e pelos eternos cálculos vilacondenses para determinar onde é que as bolas altas vão cair. Raio de terra. Vamos a notas:

(+) Os flancos. Com pouco trabalho defensivo, foi do meio-campo para a frente onde se mostraram sempre muito activos e a procurar não só acompanhar a equipa na criação de lances de desequilíbrio mas em particular na construção das jogadas, onde Alex/Brahimi e Danilo/Quaresma (vai ser uma pena partir a parceria agora que se entendem tão bem) voavam pelos corredores como pares de bailarinos olímpicos com trajes de camuflagem e ajudaram a desfazer a fraca resistência do Rio Ave. Destaco particularmente o bom jogo de Alex Sandro, que parece estar fisicamente melhor que no ano passado por esta altura.

(+) Quaresma. Continua a ser importante na forma como é o primeiro a querer atacar e o primeiro a ajudar na defesa. E continuo a achar tão estranho dizer isto e fazê-lo com seriedade e sem sarcasmos idiotas, porque aqui há meia-dúzia de anos era impossível ver este mesmo número sete a sprintar atrás dos adversários quando perde a bola e a auxiliar os colegas na pressão. Parece ter amadurecido mesmo na altura em que a parte física arranca o seu inevitável declínio, por isso é aproveitá-lo enquanto dura. Tem de ser mais eficaz nos cruzamentos, no entanto, porque só um em cada quatro ou cinco é que causam verdadeiro perigo.

(+) A pressão alta, especialmente na primeira parte. A equipa entrou cheia de garra e vontade de acabar com o jogo cedo e quase que marcava nos primeiros dez minutos, não fosse o fiscal de linha estar com qualquer problema de visão ao longe para ver um fora-de-jogo a Brahimi que ninguém percebeu. Ninguém se deixou afectar e continuaram a pressionar em cima do meio-campo do Rio Ave, contra o vento e um Ederson em bom plano, chegando ao dois-zero de uma forma natural, até esperada. Óliver, Casemiro mas também Quaresma e Aboubakar ajudaram defensivamente de uma forma inteligente e aguerrida. E espero que descansem bem para quarta-feira…

(-) Herrera. Consistente, sem dúvida. Falhou quase todos os passes, perdeu várias bolas em zona proibida e como cereja em cima do monte de esterco ainda fica na memória um atraso para Fabiano quase do meio-campo com a bola a saltar como doida e o nosso guarda-redes, já de si complicadinho que chegue no jogo de pés, ainda teve de se ver com essa. Hector, puto, tens de subir o nível, na quarta-feira mal recebas a bola vão-te cair alemães em cima tão depressa como na Polónia em 39!!!

(-) Jebor. Houve alguma disputa de bola em que o rapaz estivesse envolvido e que não resultou numa falta, assinalada ou não? Um fartote de braços no ar, atropelos na correria, parvoíce na finalização. Juro que foi dos piores pontas-de-lança titulares que vi a jogar desde que me lembro. E eu sou do tempo do Baroni e do Vinha.

(-) Alguém se lembrou do 2-2 há duas épocas? Eu lembrei-me. Era natural que baixássemos o ritmo e que não continuássemos a correr como doidos e ninguém com massa encefálica pensaria que íamos galgar relva como Traveller, o cavalo do General Lee. Mas a ineficácia que fez com que falhássemos dois ou três golos fáceis fez com que as más memórias daquela ridícula noite de Setembro de 2012 (também num jogo pré-Champions, curiosamente) onde uma vantagem de dois golos se transformou, culpa de Tarantini (sempre o mesmo estupor), num pesadelo que fez da segunda época de Vitor Pereira um…bem, quase pesadelo. Hernâni tratou de me acalmar mas já estava pronto para um chorrilho de disparates caso houvesse um daqueles resultados que faz com que a equipa de limpeza nos escritórios da Bola e do Record tenham de fazer horas extraordinárias a limpar sémen da parede. Vá lá.


Agora, é respirar e colocar a passadeira vermelha para a entrada de uma das maiores equipas do Mundo. E depois, quando o árbitro apitar para começar o jogo, ganhar-lhes.