Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 Setúbal

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Ninguém esperaria um resultado que fosse muito diferente do que atingimos hoje frente ao Setúbal, mas aposto que muitos, como eu, estariam à espera de algo um pouco mais substancial. Uma declaração de honra, de uma arrogância que ainda deveria existir e de uma manifestação de pujança física e mental que mostrasse aos adeptos que a equipa está viva, que manteve a dinâmica e a vontade de continuar a evoluir e a crescer como formação, fiel à identidade que quis transmitir desde o início da temporada. E o que tivemos foi um esforço mínimo para atravessar um oceano de complicações que não me deixa feliz. Apenas resignado. Vamos às notas:

(+) Óliver. O motor da equipa mostrou hoje o quão importante é para a manobra ofensiva em campo, pela dinâmica que transmitiu aos colegas, a constante procura da bola, a simplicidade de movimentos e de endosso da bola pela melhor zona possível, com uma tremenda facilidade de encontrar soluções que tem naqueles minúsculos pés sobre os quais assenta o seu também minúsculo corpo. Mas minúsculo não é a capacidade de criação de jogo e de manipulação das zonas tácticas no plano de ataque da equipa, onde Óliver, quando deixado sozinho, é rei. Puto, sim, mas um puto cheio de talento.

(+) Danilo. Não teve o melhor jogo do ano, mas fez por isso. Intenso nos duelos, foi sua a correria que deu origem ao primeiro penalty, depois de uma excelente desmarcação de Herrera. Nunca teve problemas defensivamente mas procurou sempre o entendimento com Quaresma pela linha (também muito activo e empenhado…quem diria que ainda veria este mesmo rapaz de novo a ajudar na defesa…) e nas deambulações por zonas mais centrais. Bem, mais uma vez.

(+) Campaña. Simples, sem inventar, foi exactamente o que precisávamos…até que deixámos de precisar dele, saindo de campo numa altura em que já não estava a ser útil à equipa, não por estar a jogar mal mas pela pura ausência de perigo, pressão e futebol em geral da equipa do Setúbal. Bom controlo curto da bola, jogador de recebe/passa e mais parecido com um trinco à antiga, pode não encaixar bem em todos os jogos e em particular no modelo de Lopetegui, mas serve perfeitamente para ir rodando com Casemiro e/ou Ruben.

(+) Penalties marcados. Marcamos dois penalties. Dois. Em duas tentativas. É certo que um foi apontado contra um guarda-redes “de campo”, mas entrou. Entraram dois. Deve ser histórico.

(-) Acordai!  Houve demasiados períodos de passe para trás, naquelas tabelinhas imediatas de primeira que me incomodam porque o jogador nem sequer se preocupa em saber se pode receber para progredir no terreno. Salvando-se Óliver, Quaresma e Danilo, houve um Alex Sandro a falhar no passe de uma forma constante, um Herrera distraído e muitas vezes mal posicionado, houve Indi sem saber muito bem o que fazer à bola, Jackson preso no meio de homens de roxo sem conseguir apoio, contra-ataques falhados de forma incompreensível e uma apatia generalizada que incomodou toda a gente pela incapacidade de sair daquele esforço mínimo. A primeira meia-hora da segunda parte foi sintomática da falta de inteligência emocional desta equipa, que hoje não teve ajuda da parte do treinador, que gritou continuamente para dentro do campo mas foi incapaz de transmitir aos seus jogadores, tanto pela retórica como pelas substituições, uma dinâmica vencedora que se traduzisse num resultado que acabou por ser, fruto de alguma sorte e da infeliz ausência de qualidade do adversário, tão grande quanto seria exigível. Depois da derrota com o Benfica, só tinham a ganhar em mostrar-se com vontade de dizerem: “Estamos aqui e estamos prontos para o que vier por aí! Semana passada foi só uma pedra no caminho, vão ver que estaremos sempre confiantes e dispostos a dar tudo!”. Não vi isso. Só vi malta tristonha em campo.

(-) Tello, quando lhe aparece um adversário pela frente. Algo se passa dentro da cabeça do Cristian depois de correr uns vinte ou trinta metros e quando se vê perante um oponente que lhe barre o caminho. Enquanto vê verde pela frente, tudo está razoavelmente bem porque é trapalhão mas rápido e ultrapassa em corrida os contrários com alguma facilidade. Mas coloquem-no numa situação de 1×1 e temos o cliché do veado em frente a um par de faróis, usando a metáfora anglo-saxónica. Para um gajo que veio das escolas do Barça, esperava melhor decisão nos lances individuais.

(-) Setúbal. Um dos piores exemplos de um sucedâneo de uma equipa de futebol que me lembro de ver nos últimos tempos. Fraquíssimos na construção de jogo, terríveis na deliberada perda de tempo desde o primeiro minuto, onde os jogadores se atiravam para o chão por vezes ANTES sequer de haver contacto. Na memória fica um salto do número 8 do Setúbal, Paulo Tavares, que já entrou para o “livrinho de ódios de estimação do Porta 19″. Vou estar atento, meu idiota.


O trabalho era fácil e foi completado com ainda maior facilidade mas não sem uma atitude de pouca entropia, que estranhei ainda mais dado o frio que se fazia sentir no Dragão. Quatro-zero? No papel até podiam e deviam ter sido mais, mas no relvado viu-se pouco que o justificasse. Enfim, três pontos, nada mau.

Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 2 Benfica

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Há dias em que nada corre bem. A cerveja está choca, o trânsito está um caos, o céu parece mais cinazento que o costume, as dobradiças estão a ranger e o soalho a estalar quando um gajo chega a casa meio bêbado às quatro da manhã e não quer acordar os pais mas acaba por largar a porta que dá um estrondo quando acerta no batente. Desses dias. E hoje, tanto Jackson, Herrera, Danilo e todo o resto dos jogadores de azul-e-branco que estiveram no Dragão não estiveram nos seus dias. Escolhi esses três, podia ter escolhido outros ou ainda outros três, porque raro foi o momento alto de uma equipa que, não tendo jogado mal, sucumbiu a uma sucessão de infortúnios e a uma tremenda eficácia adversária para ceder todos os pontos, todos os golos e toda a moral a uma equipa que fez para merecer a vitória com mais engenho que arte e mais astúcia que talento. Notas já aqui em baixo:

(+) Quaresma. Entrou cheio de força (apesar de ter perdido a bola logo na primeira jogada) e nunca virou a cara aos duelos contra um dos adversários que, aposto, mais gosta de defrontar e vencer. Tentou tudo o que conseguiu para furar a defesa do Benfica e forneceu mais que uma bola de golo que ninguém conseguiu meter lá dentro. Talvez tenha chegado a altura de substituir Brahimi no onze, porque parece em melhor forma e a tomar melhores decisões perto da área que o argelino.

(+) Casemiro a defender. Forte, rijo, agressivo…às vezes demais, porque arriscou o segundo amarelo em várias ocasiões, foi o tampão possível contra um meio-campo bastante mais forte do Benfica (em todos os sentidos, tanto no físico como no mental, nem falo da absurda diferença no jogo aéreo), servindo como principal homem na recuperação das bolas perdidas no centro do terreno. Só esteve mal nos passes longos, porque assume que consegue fazer o que nenhum trinco faz no FC Porto desde Kulkov. E assume mal.

(+) A eficácia do Benfica. Conto três oportunidades de golo para o Benfica: dois golos e um corte de Alex Sandro que tirou o terceiro. Num jogo deste nível, a equipa que é mais eficaz tende a ganhar e foi exactamente o que aconteceu, porque a forma como aproveitaram falhas de marcação e/ou lentidão na resposta dos jogadores da nossa linha defensiva foi letal e fez a diferença. Estiveram bem no meio-campo, saíam facilmente da zona de pressão no meio-campo e mataram o jogo na altura certa. O resto foi gerir, com bola para a frente, porque nada mais era preciso fazer. Já estava tudo feito, infelizmente para nós.

(-) Saída da defesa em posse. Das duas uma: ou se revêm as possibilidades de interligação entre defesa e meio-campo, ou se compram pés e cérebros novos para Indi, Marcano e Maicon. É que começa a ser absurda a quantidade de bolas desperdiçadas na saída da defesa por jogadores que não conseguem conduzir a bola para diante mais que uns metros e abanam tanto quando um adversário chega próximo o suficiente para lhes cheirarem o after-shave que assusta qualquer adepto. A invariável forma como o central procura o trinco para receber a tabela de volta, ou entrega na linha para o lateral procurar subir com o extremo na sua frente…torna-se previsível e fácil de anular. Hoje, com o Benfica a fechar muito bem nas linhas (Gaitán e Sálvio estiveram em grande na forma como conseguiram tapar o flanco) e o meio-campo a pressionar alto, não tivémos capacidade para fazer melhor que meia-dúzia de passes pelo ar, quase sempre inconsequentes. Se o meio-campo não se mobiliza para vir buscar a bola, vamos ter mais jogos com zero golos marcados.

(-) Falta de ratice. Eu sei que a equipa está cheia de gajos novos. Sei que há jogadores que não têm experiência a jogar clássicos. Mas também sei que as duas frases anteriores só são verdadeiras porque queremos acreditar nelas. Reparem em dois casos que ilustram bem a falta de inteligência emocional e de manha que estes miúdos não mostram e que fazem toda a diferença quando se encontram os Maxis deste mundo: André Almeida vê um amarelo logo no primeiro minuto por falta sobre Tello que lhe ganhou em velocidade. Onde esteve Tello e onde esteve a bola durante a meia-hora que se seguiu? Não sei, mas poucas vezes tentamos puxar o segundo amarelo a André Almeida, ou pelo menos forçar o rapaz a cometer um erro ou a alhear-se da bola com medo de ver o vermelho. Era algo que deveria ter sido aposta imediata (na minha cabeça, pelo menos) para a equipa, forçar o ataque para aquele flanco, massacrar o lombo do rapaz para fazer dele o defesa-esquerdo mais castigado desde que Hulk desfez David Luíz aqui há uns anos: a outra situação passou-se no primeiro golo do Benfica, em que Brahimi é obrigado a ficar a mais de dois metros da linha onde Maxi ia fazer o cruzamento…e ficou. Devia ter mexido os pés, continuamente reclamando com o árbitro, o fiscal de linha, levantando os braços, saltando, importunando o adversário, a chegar-se lenta mas continuamente para a frente (como o Benfica fez em TODOS os lançamentos laterais, claro, e bem) ou como abusou em todos os lances divididos ou nem tanto…até perdi a conta às vezes que Jardel usou os braços ou Samaris levantou os pés com o árbitro a deixar seguir…o que não fez com que os nossos rapazes se erguessem como Brahimi se devia ter erguido, aproximando-se um pedacinho de cada vez mais próximo da linha. Com manha, provocador, inteligente. Estes jogos nem sempre se ganham pelo futebol praticado mas pela tranquilidade e gestão emocional dos jogadores em campo. Hoje, não fomos espertos como eles.


Foi uma patada na traqueia, sem dúvida, mas nada está perdido. Pelo menos até chegar o Arsenal nos oitavos da Champions. E também nada vai estar perdido aí. Ou vai. Já não sei. Dormir, isso, dormir por cima disto e esperar que amanhã o sol brilhe. Vai ser um dia longo, foda-se.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Shakhtar Donetsk

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Um ambiente pacífico, relaxado e de bom convívio, a fazer lembrar saudosas noites das Antas, que enchiam de espaço vazio com a visita de um qualquer Famalicão, viveu-se hoje no Dragão. Um jogo tranquilo entre duas equipas com muito pouco a ganhar e ainda menos a perder, de onde se retiram três notas importantes: Ricardo a dizer que não está aqui só para jogar na B; Aboubakar a mostrar que de vez em quando um ou outro remate fora da área até podem dar jeito e Ruben Neves que começou cedo a tramar os joelhos. Vamos a notas:

(+) Ricardo (Pereira, ou “2”). Pezinhos de veludo, fibra nas bolas divididas e um bem-estar geral que contagiou o público e encorajou a equipa. Foi assim que Ricardo (Pereira, que isto de ter tantos Ricardos num plantel devia dar para aquelas palhaçadas à 80s do Ricardo 2 ou 3) se mostrou mais uma vez numa posição que não me agrada mas onde conseguiu uma excelente exibição. Preferia vê-lo como extremo, em alternativa a Tello ou Quaresma, mas compreendo que perca para os “nomes”, pelo menos por agora. Ainda assim, admito que se está a adaptar bem à posição e não é por ser magricelas que não lutou até não poder mais, interceptando bolas em zonas subidas, investindo pela lateral e jogando sempre em alta velocidade e intensidade, mostrando a Lopetegui que pode contar com ele e mandar Opare para outro lado porque este está cá para ficar. A não ser que saia em Janeiro, claro.

(+) O golo de Aboubakar. Vincent, meu filho, as redes ficam caras e se continuas com essas parvoíces vamos ter de te tirar o dinheiro para as arranjar direitinho do teu ordenado. Estamos entendidos? Que volte a acontecer, ouviste?

(+) A resposta das segundas linhas que podiam ser primeiras. Gostei de Evandro no meio-campo, menos nervoso e mais prático que da última vez que o vi. Falta-lhe um pouco mais de audácia para subir no terreno como Herrera (eu, a elogiar Herrera. eu. vejam lá que a meio do jogo cheguei a dizer que o homem fazia falta para impôr ritmo naquele meio-campo. vou ao médico em breve, garanto) mas precisa de mais jogos, mais confiança; Ruben muito bem até à lesão (recupera rápido, puto!), Quaresma sem problemas em arriscar e a subir no terreno com o apoio dos colegas, apesar de algumas jogadas escusadamente “Quarésmicas”; Marcano a jogar fácil na defesa e a servir como tampão no meio-campo, a mostrar que na Europa pode ser muito útil em jogos de mangas arregaçadas e dentes cerrados; Fernández bem nas saídas da baliza com a cabeça e com os pés; Aboubakar a trabalhar muito sem conseguir ser produtivo, muito por culpa de Juanfer Quintero que hoje não estava para ali virado. Há ali alternativas no plantel e não sendo titulares de caras, podemos rodar algumas peças sem que se ouçam muitos riscos na agulha.

(-) Maicon. No jogo em Lviv, falei de Maicon assim: “Maicon chegou ao jogo contra o Boavista como um dos jogadores em melhor forma no plantel, imperial na defesa, perfeito no corte, tranquilo em posse e sem parvoíces de maior a apontar. E depois…foi expulso no Dragão por uma entrada idiota e hoje fez uma rosca à Maurício que ia dando auto-golo e cortou a bola para os pés do avançado do Shakhtar, dando origem ao 2-0.“. Hoje, o regresso do…aham, capitão foi marcado por mais uma avalanche de imbecilidades que fariam Stepanov corar de vergonha. Lento demais em posse, tremido no passe curto e absurdo no longo, foi mais um jogo que marca a diferença entre o Maicon de início de época e a contínua saga do careca que por ali anda a oferecer bolas aos avançados. Continua a facilitar em demasia nos jogos “fáceis” e faz com que comece a pensar em dar mais uma oportunidade a Reyes ou a primeira a Lichnovsky.

(-) Adrián. Uma simples frase: Bolatti conseguiria passar por ele em passo lento. Meu Deus, rapaz, se nem neste jogo, onde podias mostrar mais serviço, te dignas a mexer as pernas, não vejo como é que vais ganhar lugar na equipa. Nem tu, ao que parece.

(-) Quintero. O meu bobblehead preferido continua a não conseguir ganhar pontos em relação ao mais-que-provável dono do lugar na equipa principal (Óliver) porque é tão evidente a diferença de ritmo entre os dois como se estivéssemos a comparar Cristiano Ronaldo com o homónimo brasileiro em 2014. Lento, incapaz de se movimentar em condições para criar espaços no meio-campo e com pouca desenvoltura sem o apoio de Evandro. E Ruben. E depois Marcano. Não deve ter precisado de tomar banho, porque pouco fez hoje à noite.


Duas alemãs, uma suíça, uma italiana, uma francesa e…*suspiro*…duas inglesas. Venha qualquer uma das seis primeiras, por favor.

Baías e Baronis – Académica 0 vs 3 FC Porto

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É assim que todos os jogos do FC Porto deviam ser, pelo menos contra este tipo de equipas medíocres. Uma entrada fortíssima, sem mácula, com pressão intensa, golos fáceis e uma autoridade em campo que não mostra um mínimo de preocupação com a moral ou a capacidade de recuperação adversária. Jogar como os grandes que somos, no fundo. Dois ou três golos depois, a gestão, sempre com bola, com rotação de jogadores e manutenção de uma atitude de arrogância positiva, continuamente a criar perigo para a baliza contrária. Simples, não é? Foi, por nossa culpa. Vamos a notas:

(+) Um meio-campo que funcionou muito bem. A numerologia pode explicar muita coisa, desde os calendários Maias às cartas do professor Mambo, mas o meio-campo do FC Porto foi hoje um exemplo quase perfeito que a escolha de camisolas parece seguir uma inspiração divina que faz com que questionemos a raiz da nossa existência e o nosso lugar no Universo. Para lá do sentido da vida ser 42, como todos sabem, vejamos os números dos três centro-campistas que hoje alinharam em Coimbra com as nossas cores: 16, 30 e 36. Se Ruben Neves arrancou numa posição mais recuada, somemos Óliver à construção defensiva e teremos 36+30=66. Dois números “seis”, portanto, a alternar na combinação defensiva. Se colocarmos o outro 16 a passear ali pelo lado, o “seis” parece uma visão idílica que nunca aparece ao mesmo tempo que se mostra perfeito, em zona pouco criativa mas muito trabalhadora. E se tirarmos Óliver a Ruben e o deixarmos sozinho, 36-30=6, que ele não é mas mostra gostar de fingir ser. Mais pela frente, se subtrairmos Herrera a Ruben e subtrairmos esse número também a Óliver, quando o homem volta para apoiar, temos 30-(36-16)=10. O dez perfeito que também não existe mas que se compõe das ausências e presenças na zona certa, no momento certo. Todos a funcionar, a adicionarem-se e a subtrairem-se, como números em folhas de papel, manuseados por um Deus de lápis em riste. Só faltou um: o 6. Para a semana, talvez.

(+) Óliver. Impecável na zona defensiva em apoio à primeira fase de construção, perfeito na labuta do centro do terreno e trabalhador como poucos na altura de pressionar o adversário, parece estar a atravessar um bom momento e a jogar com a confiança que esperávamos desde o início da temporada. Excelente capacidade técnica, toque de bola de primeiro nível e uma inteligência táctica acima da média fazem dele titular na frente de Quintero e uma peça essencial do estilo de Lopetegui. Excelente jogo.

(+) Jackson. Dois golos perfeitos, um com cada pé, numa exibição que foi quase perfeita em termos de eficácia em frente à baliza. Trabalhou bem e apesar de não ter tido grande impacto no resto da partida, foi ele quem resolveu o jogo logo desde muito cedo e a perfeição com que aquele segundo remate (e segundo golo) entrou na baliza é uma obra de arte que deve ser vista, revista e trevista. Genial, filho do Jack, genial.

(+) O apoio dos adeptos. Quando se colocam bilhetes a dez euros para um jogo a uma hora de viagem de carro da Invicta, é natural que a malta alinhe e este foi um caso paradigmático do que se quer sempre que o FC Porto se desloque a um estádio para praticar o seu métier. Todo o jogo se ouviram os adeptos a cantar, a afastar o frio enquanto saltavam e entoavam os tradicionais cânticos de apoio à equipa e aos jogadores, aqueles que fazem a razão do nosso apoio e da nossa dedicação. Tive pena de não ter estado ali no meio dos nossos, parabéns, malta!

(-) Brahimi. Segundo jogo consecutivo em que Yacine não parece o mesmo de aqui há umas jornadas, o que não sendo algo que me deixe prostrado em posição fetal a lamentar os infortúnios das decisões dos deuses, chega para preocupar um bocadinho. Parece mais lento, menos activo, a complicar mais do que decide e sem perceber qual a melhor maneira de passar pelos adversários. A genialidade tem disto, quando a lâmpada não se acende por cima da sua cabeça naquela imagética tão tradicional dos desenhos animados…só sai borrada. Espero tempos melhores, rapaz, mas não te preocupes, ninguém deixou de acreditar em ti. Até os relógios normalmente certos podem parar de vez em quando.

(-) Académica. Muito, mas muito fraquinho. A entrada em jogo fazia prever uma estratégia tão defensiva que temi o pior caso não conseguíssemos trabalhar a partida de forma a mostrarmos em campo que somos melhores, e a forma como a Académica não ter obrigado Fabiano a fazer uma única defesa em condições num jogo disputado no seu próprio estádio é a prova que não há grande qualidade em Coimbra para lá de meia-dúzia de estudantes bem boas e alguns bares porreiros. Enfim, ebbs and flows da vida.


Jogo ganho, amarelados em risco que deixaram de estar em risco para o jogo contra o Benfica…all is well, venha o Shakhtar!

Baías e Baronis – FC Porto 5 vs 0 Rio Ave

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Quem saiu do estádio aos 85 minutos, como faz habitualmente, perdeu três golos, todos eles memoráveis. Desde o calcanhar de Alex Sandro (involuntário, note-se), aos pés esquerdos de Quintero e Danilo, por motivos diferentes, foi um festival de cinco minutos de golaços e alegria bem espalhada. Mas o resto do jogo não foi tão entusiasmante nem tão bem disposto, porque o FC Porto mostrou mais uma vez que ainda tem um bom caminho a percorrer até conseguir estabilizar a equipa até um ponto em que se possa considerar madura. Há ainda muita desorganização a meio-campo, especialmente sem bola, para que possamos olhar para um futuro próximo com o optimismo que todo aquele talento poderia fazer crer. Ainda assim, a vitória assenta bem. Vamos às notas:

(+) Danilo. Estás com uma moral, rapaz, que nem pareces o mesmo que cá chegou e andou dois anos a penar até conseguires fazer meia-dúzia de exibições decentes! Desde as intercepções na defesa, as subidas pelo flanco, as diagonais que fazes para o meio, estás a dar uma tremenda vida ao corredor direito, que já não via a ser tão explosivo desde que o Bosingwa por cá andava! O golo que marcaste então…upa upa, aos noventa e coiso minutos ainda tiveste pica para receber a bola no meio-campo e cavalgares por ali fora para rematares de pé esquerdo e meteres a bola na gaveta com uma pujança e o mérito de quem trabalhou para isso. Parabéns, homem!

(+) Tello. O melhor jogo dele desde que chegou ao FC Porto, foi dinâmico, vivo, alerta, trabalhador e uma tremenda enxaqueca para o lateral que o defendia. O golo é exactamente o que este rapaz deveria fazer em todas as circunstâncias em que se encontre olhos nos olhos com um defesa no centro da área: finta, drible, arranque, remate. Entrou desta vez e acredito que pode entrar muitas mais vezes se esta “motinha” continuar a ser prático e não abusar do adorno técnico. Esteve muito bem no resto da partida, a aproveitar as subidas de Danilo e a trocar bem a bola com ele. Gostei do entendimento e gostei do empenho.

(+) O enorme talento de Quintero no último passe. Recebe a bola à entrada da área e penso: “vai sair remate em banana, para o cantinho!”. O homem parou e deixou a defesa sem saber o que fazer. Pensei: “oh, porra, remata lá a bol…” e o gajo faz-me aquela parvoíce ao alcance dos deuses só lá do topo. Nada de deuses merdosos, responsáveis pelos figos ou pelos ribeiros secos. Zeus, Hermes, Apolo, os grandalhões. E fiquei com a nítida impressão que Óliver estava meio quilómetro fora de jogo quando recebeu o passe de Juanfer, mas já vi o lance na televisão e vou amanhã mesmo marcar consulta para oftalmologia.

(-) Sofreguidão na zona pressionante do meio-campo. Não é uma novidade mas assusta-me perceber que o FC Porto não consegue segurar-se quando se coloca em vantagem. Há qualquer tipo de entorpecimento mental, de permissividade que se apodera dos jogadores depois de marcarem o primeiro golo, que lhes retira a pressão da cabeça e os faz cometer parvoíces consecutivas, do guarda-redes ao ataque. Hoje, mais uma vez, o golo de Tello fez com que a maioria da rapaziada de cor-de-rosa não conseguisse assentar a cabeça e começasse a falhar passes, a arriscar em demasia com trocas de bola curtas em zonas proibidas, a fazer passes absurdos para a frente e a permitir lances sucessivos de potencial perigo para a nossa baliza. E a subida de um elemento para a pressão subida…é só visto. Óliver, Tello ou Quintero andavam a correr como doidos no meio-campo adversário, procurando interceptar a bola que estava a ser trocada entre a zona defensiva do Rio Ave, fazendo tantos estragos no oponente como uma formiga paralítica a cabecear um rinoceronte. No entanto, o dano era pior para a própria equipa, que se desposicionava no meio-campo e abria brechas bem aproveitadas que só não causaram mais perigo porque o adversário era modesto para o nível onde queremos jogar. É que se fizermos isto contra um Manchester City ou um Barcelona…

(-) Brahimi. Já disse há algum tempo que quando Yacine estiver em dia bom, vai ser um espectáculo vê-lo e devia haver quota extra para os bilhetes. Mas quando as coisas lhe correrem mal…é de fugir. E hoje foi um destes últimos, em que o argelino não acertava com os domínios de bola, os arranques em drible ou os (poucos) passes aos companheiros. E para compor o ramalhete, ainda deu um pontapé num adversário e merecia ter sido expulso. Belo jogo, rapaz. Não faças muitos destes, por favor.


Vinha preparadíssimo para uma crónica cheia de referências ao rabo do Alex Sandro, porque me pareceu que foi com essa parte do corpo que tinha marcado o golo. Eram piadas sobre os “anais da história” e afins. A repetição, que vi há pouco, tirou-me as dúvidas, e o calcanhar não é tão fácil/brejeiro para usar. Hélas.