Baías e Baronis – Lille 0 vs 1 FC Porto

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Ao intervalo, vantagem de cá. E uma vantagem completamente merecida, depois de um jogo em que apesar do onze inicial poder indicar que fomos a França jogar para o empate, a verdade é que estivemos sempre com o jogo controlado e raramente houve problemas para a nossa defesa de uma forma consistente. E foi com a bola em nossa posse que estivemos em campo quase todo o jogo, com uma estratégia diferente do habitual (as alas mais recuadas com os laterais em apoio e dois médios de pensamento mais defensivo e estruturante) mas adequada à competição e à importância da mesma no desenrolar da época. Em suma: foi um jogo chatinho mas os três pontos assentam bem. Vamos a notas:

(+) Ruben Neves. Não quero começar a entrar para a carneirada que elogia o rapaz a cada toque que dá na bola. Mas a inteligência é inegável e se o primeiro teste a sério (a estreia absoluta) foi muito positivo, o segundo teste a sério (estreia na Champions) foi ainda mais positivo, com o jovem portista a fazer um jogo quase perfeito, com bom posicionamento a meio-campo e uma excelente capacidade de rotação de bola no momento certo para o sítio certo. Técnica acima da média, consciência adequada ao ritmo que o jogo vai apresentando e a noção de risco fazem dele um Gerrard em potência. Se continuar a jogar assim nem sequer chega a calçar na equipa B.

(+) Alex Sandro. Um jogo a fazer lembrar o “velho” Alex de 2011/2012. Rápido pela linha, sempre muito atento às subidas dos franceses pelo flanco e quase sempre bem a dobrar no centro (perdeu no posicionamento num cabeceamento de Corchia e não me lembro de mais nenhuma falha), foi sempre superior aos adversários, jogando bem com o corpo e apoiando bem o ataque sempre que era preciso. Mas foi precisamente na defesa que o rapaz mais brilhou, a transmitir segurança aos colegas com uma atitude prática, simples, de jogador feito. Finalmente. Danilo esteve bem do outro lado mas o colega de selecção (parabéns, malta!) foi superior.

(+) Um conjunto que promete. Não há nem pode haver qualquer dúvida acerca do talento que Lopetegui tem à sua disposição. Mas é também na articulação das peças, especialmente do meio-campo para a frente, que as grandes mais-valias do FC Porto 2014/2015 podem aparecer em grande e trazer a estrutura forte que desejamos, especialmente em jogos grandes. O adversário é mais físico? Bota Ruben ao lado de Casemiro, espeta Óliver/Quintero/Brahimi nas alas. O adversário só joga em contra-ataque pelas alas? Crava Brahimi ao meio, Quaresma e Tello na linha. Há uma variedade enorme de opções e alguma facilidade em rodar os “mecos” para agilizar a estratégia da equipa e traduzir o futebol da forma mais produtiva. Só precisamos que haja uma boa gestão individual, de egos e vontades…

(-) O exagerado recurso ao jogo directo. Continua a obsessão de Maicon com as bolas longas. Desde Zé Carlos que não temos um central que consiga colocar bolas longas com precisão mas a demanda continua e Maicon (com Indi a somar-se e Casemiro também a não querer ficar atrás) insiste em posicionar-se de lado para lançar bolas para Jackson…ou neste caso também para Óliver e Brahimi, que quais hobbits ficavam a ver a banda passar, incapazes de reter a posse de bola. Com tanto talento no meio-campo não é necessário recorrer a estes lances.

(-) Lille. Mas que belo bando de brutinhos que me saíram estes fulanos. Se é isto que o terceiro classificado do campeonato francês tem para oferecer à Champions League, começo a considerar uma questão de honra eliminá-los. Pancada a rodos no meio-campo, facilidade tremenda em usar os braços para empurrar (ou para puxar, como no penalty que ficou por marcar a nosso favor) e um tremendo cagaço em sair do meio-campo defensivo a não ser em três ou quatro oportunidades de contra-ataque quando o FC Porto facilitou um bocadinho na cobertura defensiva. Mantenho o que sempre disse: todas as equipas francesas têm de ser consideradas elimináveis, excepto o PSG.

(-) Quaresma. Quando vi a equipa que ia jogar pensei que o Lopetegui estava maluco. Tirar Quaresma é uma decisão interessante, de um gajo que os tem no sítio, metaforica e fisicamente, porque o Ricardo é menino para lhe dar um pontapé nos ditos se entrar em modo amuadinho. Entrou aos 88 minutos. Andou a passear em campo, não passou a bola a ninguém, fez uma falta e mais nada. Não o vi sequer a agradecer aos adeptos (pode ser culpa da reportagem televisiva) e ficou-me a ideia que estava a fazer um favor a todos. Depois do jogo simpático contra o Marítimo, Quaresma mantém-se bipolar. O último a ter mão nele foi Adriaanse, espero que Lopetegui consiga colocá-lo a jogar para o grupo e não para o seu próprio umbigo. É que este ano há muito mais opções válidas e não me choca mesmo nada se Quaresma for colocado de lado se não souber aprender a ser um jogador de conjunto. Não me choca. Mesmo. Nada.


Está tudo bem alinhado para um jogo tranquilo no Dragão, mas nunca fiando. A defesa ainda não está com a estabilidade necessária e um erro pode deitar tudo a perder…e em jogos de Champions, mesmo contra equipas fracas como o Lille, um erro pode ser fatal.

Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 Marítimo

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Um Dragão cheio num final de tarde em Agosto é quase uma tradição. Juntam-se centenas de automóveis com matrículas do centro da Europa, mais outras centenas de camisolas novas compradas na loja oficial e mais francês nos ouvidos que quando cá vier o Lille e estamos prontos para um jogo onde o emigrante regressa à urbe que o viu nascer para matar as saudades do clube. A somar a esse típico arranque de época, temos um FC Porto novo, com métodos novos, jogadores novos e uma exibição agradável para começar bem uma temporada que será longa, difícil e onde cada ponto conquistado deve ser saboreado. Gostei das primeiras impressões a sério e ainda que nem tudo esteja bem, já se viu alguma coisa de positivo. Muita, aliás. Vamos a notas:

(+) Ruben Neves. Ouvi dezenas de vezes durante o jogo, em comentários atrás de mim: “17 anos!”. E realmente não dá para notar que o rapaz tem uma idade tão pouco habitual para um titular do FC Porto, porque a forma prática como joga, como recebe a bola e levanta a cabeça para descobrir a melhor opção de passe, como surge em zona de pressão com força e intensidade, mas especialmente como percebe o seu lugar e o que deve fazer em campo, tudo isto seria de esperar de um rapaz um pouco mais velho. Teve uma estreia que aposto não esquecerá e marcou pontos na luta pela titularidade.

(+) Brahimi. Continua a ser um dos nomes que mais me entusiasma de todos os reforços que chegaram até agora (até Clasie aparecer por aí…) pela capacidade técnica que tem e pela forma como a coloca em campo. Prende-se demais à bola, dizem alguns. É verdade, mas também a sabe soltar na altura certa e fá-lo habitualmente depois de retirar um adversário do caminho e de furar por entre outros dois. A posição de falso extremo serve-lhe bem para que possa agir como um…falso-interior, aproveitando a subida do lateral, que lhe facilita a abertura pelo flanco para que possa ziguezaguear pelo meio como parece gostar. Que continue assim, é o que desejo.

(+) Quaresma. O capitão (ainda é estranho chamar-lhe isso) esteve bem, menos exuberante que o argelino do outro lado mas prático e acima de tudo a jogar para a equipa, sem exageros individuais, sem que estivesse apenas focado em fazer o que lhe apetece. Quaresma é assim, bipolar, e nunca iremos entender se é este o verdadeiro Quaresma ou qualquer dos antigos Quaresmas que já vimos em campo tantas vezes e que nos enervou em dezenas de jogos. Hoje, gostei de o ver a ajudar os colegas e a trabalhar em conjunto.

(+) O passe e a recepção. Atrevo-me a dizer que é talvez a maior mudança do que se viu no ano passado, mais que a ausência de um trinco duro e exclusivamente defensivo, das não-subidas dos laterais e da camisola da Warrior: este ano, há talento. E muito, porque viu-se uma quantidade de transições com mudanças de flanco a quarenta metros com a bola a ser colocada nos pés do homem que a recebe e o receptor…de facto recebeu a bola e não a tentou controlar com dois pés no ar e uma cesta de pelota basca. Aproveitar o talento e a capacidade técnica de jogadores como Óliver, Brahimi e Casemiro é a tarefa do treinador, mas nunca se poderá queixar dos jogadores que tem à sua disposição. Ou, pelo menos, não o pode fazer alegando que são toscos.

(-) A tremideira no arranque a partir da baliza. Ora então o FC Porto começa as jogadas a partir da baliza através dos seus defesas centrais, não é? Toca a colocar dois grandalhões a tapar o espaço. Some-se um guarda-redes nervoso, laterais quase no meio-campo à espera da bola e um público enervante de tão pouco compreensivo que é…e temos uma receita para desastre como não se via há que tempos. Mas a verdade é que foram cometidos vários erros a meio da segunda parte que podiam ter sido complicados de recuperar. E acima de tudo o que mais enervou os adeptos foi a incapacidade de conseguir sair de uma pressão alta de uma forma prática (algo que foi melhorando à medida que o tempo ia passando), quanto mais não fosse através da melhor forma de se livrarem de problemas: tudo para a frente e biqueirada para diante. Não o fizeram e eriçaram o pelinho de muita malta. A rever.

(-) Muitos buracos no meio-campo defensivo. O Marítimo só se atreveu a ser…atrevido porque viu que se formavam espaços com demasiado…espaço (perdão) entre o meio-campo e a defesa portistas, por onde poderiam passear alegremente sem que fossem contrariados. E se é verdade que a pressão alta é útil para empurrar o adversário para trás e o forçar a cometer erros, também é verdade que sem cobertura adequada se torna muito arriscado de colocar em prática…


Um jogo, uma vitória. Não conto chegar ao trigésimo-quarto e continuar no mesmo ritmo, mas fiquei com boa moral e a sonhar em ver estes rapazes entrosados, porque em dia bom…oh yeah, parece que podemos mesmo vir a ter uma equipa este ano.

Baías e Baronis – West Bromwich Albion 1 vs 3 FC Porto

GALLERY  Baggies v FC Porto

At long fucking last! Não tendo sido brilhante, mais uma vez, foi um jogo seguro, tranquilo, com o FC Porto a mostrar que está a trilhar um caminho interessante e que motiva os adeptos mas, acima de tudo, motiva os próprios jogadores. Foi bom de ver a capacidade de explosão de Tello na ala, as fugas para diante de Brahimi, a capacidade concretizadora de Jackson e a calma olímpica de Maicon. Nem tudo foi bom, claro. Andrés Fernandez pareceu prático com os pés mas falhou no canto que deu o golo. Alex Sandro falhou passes demais, Adrián andou mais uma vez desaparecido e Herrera insiste em não ser constante e a não conseguir rematar à baliza como gente grande. Mas o último teste deu para perceber duas coisas: estamos a jogar um futebol que já é agradável de ver e temos opções muito mais válidas que no ano passado. Vamos a notas:

(+) Jackson. Que melhor maneira para motivar os adeptos que marcar dois golos à ponta-de-lança?! O primeiro é perfeito, depois do bom cruzamento de Quaresma (bom no sentido de 2+2=4, o que na perspectiva de um matemático pode ser “perfeito” mas a cobertura defensiva impede-me de raciocínios absolutos desse género) mas o segundo é de uma execução notável e digno de ser visto e revisto em aulas de “Finishing 101″. Continua bem na movimentação e precisa apenas de estar mais atento quando leva a bola a partir do meio-campo porque há várias jogadas que são perdidas porque Jackson nem sempre se apercebe dos ramos da árvore ofensiva que oscilam a seu lado. Mas não é isso que lhe é exigido na grande maioria das vezes…e se continuar a aparecer assim na área, o desenho de Lopetegui pode fazer dele o melhor marcador do campeonato pela terceira vez consecutiva.

(+) Maicon. Perfeito no corte, na intercepção e na cobertura da zona recuada. Parece mais magro, mais rápido sobre a bola e mais atento aos problemas que possam surgir não só dos pés dos colegas mas (e bem mais perigoso) às suas próprias falhas, que acontecem todos os jogos e acontecerão com naturalidade mas que no passado o pareciam afectar sem hipótese de recuperação. Hoje fez várias intercepções e foi obrigado a ser prático sempre que recuperava a posse de bola ao adversário. Fê-lo sempre com classe e sentido de responsabilidade. É actualmente o único central titular absoluto do FC Porto. Assusta, mas é verdade.

(+) A rotação de bola no meio-campo. Casemiro e Herrera, com Óliver à frente e Brahimi ao canto. Ou então Ruben Neves e Óliver com Brahimi na frente e Quintero encostado na linha. Raios, até Quaresma e Tello ajudam a fazer que este FC Porto possa vir a enfeitiçar as bancadas com inteligentes trocas de bola no centro, nunca deixando um jogador sozinho e posicionando-se de maneira a recuperar rapidamente as bolas perdidas, forçando a que os laterais não subam tanto como dantes mas auxiliem bem as costas dos médios pelas linhas. É um desenho radicalmente diferente do de Paulo Fonseca e muda em relação a Vitor Pereira e Villas-Boas na medida em que não há destruidores-natos, apenas homens com capacidade de passe e onde a bola está onde deve estar durante o jogo: nos nossos pés. Roda a bola enquanto não rodam os jogadores (Brahimi terá de se adaptar a este estilo durante algum tempo mas compensa com a facilidade de drible) e os extremos são-no só enquanto for preciso. Nota-se que estou entusiasmado?

(-) Pouco jogo na área adversária. Acabei a primeira parte com um ligeiro travo amargo na boca, deixado pela incapacidade de chegar com perigo à área contrária. As trocas de bola no centro do terreno eram interessantes e podia ver que o trabalho realizado estava a começar a trazer alguns frutos, mas a falta de jogo na área contrária preocupava-me porque ao pensar na quantidade de equipas que vamos defrontar este ano e que enfiam onze gajos dentro dos últimos 25 metros, metade dos quais jogam nos últimos 15, torna-se complicado furar por um meio-campo tão populado sem por vezes recorrer a um jogo mais directo. Sim, todos queremos ser um pequeno Barcelona de Guardiola (eu gostava, porra!) e jogar sem preocupações em rematar de longe ou em acelerar o passo, mas a verdade é que tantas vezes dou comigo a berrar para o campo: “remata, porra!”. E temo que sem uma referência constante na área, ou em dia menos acertado de Jackson (ou de qualquer outro que lá esteja), tenhamos grandes dificuldades em marcar golos.

(-) A incerteza no passe dos elementos mais recuados. Continua a haver uma terrível e temível inconstância na pontaria do passe na zona defensiva. Danilo e Maicon estão melhores mas Reyes abana muito com a bola nos pés e 95% das vezes que a tem controlada insiste naquele passe que todo o mundo futebolístico já conhece: roda para a esquerda para Alex Sandro. Este, o eterno brincalhão, falha tantos passes simples que não sei que mais se possa fazer ao gajo a não ser amarrar-lhe uns barrotes aos pés para ter uma guia condutora. Casemiro é tecnicamente superior aos colegas mas ainda não mostra confiança para ser seguro e Herrera alterna o excelente com o medíocre mais depressa que um taxi a ultrapassar pela faixa da direita. Há que injectar cagaço nos gajos e o problema é que se acontece em dia de jogo estamos tramados com F grande.


Se pensarmos no que se passou hoje e quem calçou no The Hawthorns, Carlos Eduardo e Kelvin podem eventualmente ficar de fora do plantel. Sejam quais forem as escolhas…Pre-season over. Treinos over. Experiências over. Sexta-feira, pelas 20h, no Dragão, arrancam as hostilidades. Salivo de antecipação.

Baías e Baronis – Everton FC 1 vs 1 FC Porto

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Não foi glorioso, nem sequer excelente. Mas esta equipa do FC Porto, com a medida certa de trabalho táctico, empenho físico e moralização depois de algumas vitórias pode ser um prazer de ver a jogar. Já deu para perceber alguma rotina no meio-campo a nível da pressão depois da perda de bola mas o essencial foi perceber que o trabalho está a trazer frutos. Nota-se trabalho, percebe-se que há posições reaprendidas e uma calma aparente na movimentação dos jogadores que me enche de esperança para uma boa época. Ah, e Fabiano tem mesmo de aprender a jogar com os pés. Vamos a notas:

(+) Jackson. A diferença entre um bom ponta-de-lança e um homem que é eleito capitão e que recebe uma renovação de contrato e a vénia de toda uma organização perante o seu talento e a sua importância para uma equipa é esta: o primeiro vai marcando, o segundo precisa de marcar. E a pressão está toda do lado de Jackson para que produza de uma forma consistente, jogo após jogo, para que a equipa possa depender dele para que a produção ofensiva seja acima da média, que no fundo é o pretendido num clube como o FC Porto. Jackson picou o ponto, disse “presente”. Continuo a acreditar nele.

(+) Brahimi. Continuo entusiasmado com o argelino e com a sua capacidade de drible e de sair de espaços apertados com um único toque na bola. É um homem diferente de todos os outros (talvez Óliver seja o que mais se assemelhe a ele) na virtude de conseguir progressão com a bola de uma forma que desconcerta e alarma os defesas contrários, incapazes de perceber o que vai fazer a seguir. Parece muito empenhado em mostrar o seu valor, o que só nos pode ajudar.

(+) Jogar como equipa grande. Há muitos meses que não via o que hoje vi em Goodison Park: uma equipa que jogava com autoridade, com mentalidade de equipa vencedora e a calma de jogadores que têm a confiança no que podem fazer e não se agarram aos cabelos depois de cada lance falhado. Maicon, estável atrás ao lado de Indi, que não é genial mas pareceu rijo e certinho; Danilo e Alex a subirem com critério, sem exageros pelo corredor; Herrera melhor ao lado de um Evandro um pouco medroso, Ruben com segurança e sem abusar dos exageros posicionais de Fernando porque sabe que não consegue recuperar como o “polvo”; Tello com criatividade e sem peneiras; Quaresma a jogar para o colectivo e com menos parvoíces individualistas; e Óliver, inteligente na posse, só precisando de ser mais incisivo a soltar a bola no momento certo. Estou a gostar da evolução, estou a gostar da construção da equipa.

(-) Fabiano. Se vamos passar muito tempo com um guarda-redes à boa moda dos jogos de futsal aos sábados de manhã, “avançado”, a verdade é que Fabiano não será uma escolha que traga confiança ao povo. Sim, o homem é muito bom na baliza, elástico e com bom posicionamento. Mas sempre que recebe um atraso ao nível da relva, treme como um Kralj com bolas aéreas e a defesa abana toda. Sem ver Andrés Fernandez a jogar não serei mais um a pedir que Fabiano se mantenha na baliza, mas se o espanhol for jeitoso com os pés talvez ganhe vantagem na luta pelo lugar. Lembrem-se que um guarda-redes pode fazer uma boa defesa para salvar uma derrota…mas outro que faça essa mesma defesa e ajude a construir o ataque pode fazer com que a equipa faça golos suficientes para nem precisar dessa mesma defesa…

(-) Pouca consistência ofensiva. Sem Jackson a equipa trocou bem a bola mas nunca foi incisiva na área. Faltava colocação, luta com os centrais, posicionamento agressivo e facilidade de criação de espaços. Adrián nunca conseguiu movimentar-se por forma a criar a ilusão que o ataque tinha um elemento finalizador, um homem em quem pudéssemos depositar a confiança que o golo aparece mais facilmente através dos seus pés. O espanhol será mesmo para jogar numa ala, o que faz com que os extremos que temos sejam mais móveis que o previsível e menos colados à linha. E Quaresma? E Tello? E, já agora, Ricardo ou Kelvin? Muitas opções, pouca estrutura, pelo menos por agora…


O jogo com o WBA, último antes dos que começam a doer, vai tirar a limpo quem fica e quem sai, pelo menos de uma forma teórica já que até ao final do mercado não há certezas. Fiquei mais satisfeito, mais confiante…e mais ansioso que isto comece a sério!

Baías e Baronis – FC Porto 0 vs 0 Saint-Étienne

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Não foi uma estreia em grande, longe disso. Ficou a ideia que há muito talento na equipa, muito mais que no ano passado, mas que ainda vai demorar um bocadinho até podermos dizer que temos uma equipa que possa lutar para ser campeã em Portugal. Que há mais talento é evidente (então naquele meio-campo…upa upa), mas as rotinas ainda não existem, acumulam-se espaços vazios e zonas com mais densidade populacional que Tóquio, para que esta análise seja minimamente importante para o que aí vem daqui a poucas semanas. Só isso me assusta, para vos ser sincero: estamos a três semanas da estreia…e ainda há muito trabalho pela frente. Mas que me aguçou a curiosidade para perceber o que podemos fazer, isso aguçou. Vamos a notas:

(+) Maicon. Seguro na defesa, sem inventar (apesar de abusar dos passes longos) e a mostrar tranquilidade e bom posicionamento perante os adversários. Está no plantel há tempo suficiente para ser um dos “antigos” (é verdade. pensem nisso. pois.) e parece que este ano será um ano em que vai ser determinante a sua condição física e acima de tudo psicológica, porque ao ver a linha defensiva a jogar quase no meio-campo…vai ser assustador perceber que terá de haver uma sintonia quase perfeita entre os jogadores do sector recuado. Maicon pode ajudar, com a experiência que tem, a unir esse grupo.

(+) Fabiano. Várias defesas de diferentes graus de dificuldade, a mostrar que na baliza é um jogador excelente. A sair de lá…not so much. Algumas hesitações não mancham uma boa exibição e a garantia que temos a baliza bem guardada. Parece mais inteligente a jogar com os pés mas só o tempo dirá se mantém o lugar perante a iminente chegada de mais um guarda-redes.

(+) Brahimi. É talvez o reforço que mais expectativa me cria (juntamente com Tello) porque já o vi jogar montes de vezes na liga espanhola e sempre gostei da forma como rompe por entre os defesas em drible constante e no tempo do proverbial coçanço de olho do chifrudo consegue arrastar a equipa para uma situação de golo. Hoje fê-lo por duas ou três vezes e mostrou que pode ser muito importante em tantos e tantos daqueles jogos em que a posse de bola não parece ter fim e só precisávamos de um gajo que acelerasse o jogo. Brahimi pode ser esse homem.

(+) Óliver. Estupendo controlo da bola e noção perfeita da saída de espaços com ela controlada e a rodar para o sítio certo. Não sei se será titular (talvez não seja o melhor na cobertura defensiva) mas em muitos jogos pode trazer uma clarividência em posse que nos pode ser muito útil.

(+) Lopetegui a não jogar para o público. Fiquei surpreendido com a quantidade de alterações na equipa mas acima de tudo na insistência em assumir que este é um jogo de treino. E Lopetegui pareceu indiferente aos assobios das bancadas, o que me deixou agradado e me deu alguma confiança. Teremos, pois, um treinador que sabe o que quer e como o quer, que entende que o plantel está ainda verde e que tem muito trabalho pela frente. Não se preocupou em ganhar o jogo a qualquer custo mas a perceber quais são as melhores alternativas para os lugares-chave do plantel. A experiência dos três defesas podia ter corrido mal, mas Julen não quis saber. Treino? Treino. Não interessa onde. Não sei se manterá esta arrogância positiva mais lá para a frente, quando inevitavelmente houver um ou outro jogo que não corra bem, mas gostei do primeiro impacto, apesar do jogo não ter sido positivo.

(-) Carlos Eduardo. Estranho que fique no plantel porque há tantos jogadores que ficam de fora e se continua a ter esta quantidade de passes falhados e intervenção negativa em campo, ainda percebo menos porque é que ainda por cá está. Não joga bem a 10. Não joga bem a 6. É marginalmente melhor a 8. So what? Josué podia fazer o mesmo, Evandro pode fazê-lo bem melhor. Ou então sou eu que estou a embirrar com o moço.

(-) Casemiro. Já sei que o rapaz entrou na equipa há meia-dúzia de dias, mas o ritmo que mostrou foi demasiado lento para ser aceitável. Tem bom toque de bola mas precisa de trabalhar com afinco para ter um nível físico decente no arranque do campeonato. É que Ruben Neves está já aí prontinho a calçar…

(-) Novamente, os imbecis do assobio. Já começa a ser tradicional ouvir esta cáfila nos jogos que o FC Porto disputa no Dragão e nem é novidade aparecerem em amigáveis de pré-época. Mas enerva, oh se enerva, perceber que é esta cambada de idiotas que se diz portista e que começa a pressionar a equipa antes sequer de os rapazes se conhecerem pelo primeiro nome. Insisto: se não querem ver o jogo, vão embora. Xô. Andor violeta. Ninguém precisa de vos ter aqui, ninguém vos QUER ter aqui. Deixem as cadeiras vazias mas não enervem o resto da malta com a vossa atitude.


Os jogos em Inglaterra são já daqui a uma semana e aí já vamos poder perceber o que valemos. Acima de tudo, interessa saber quem são as primeiras escolhas de Lopetegui. Há muito nome de onde escolher…