Baías e Baronis – Rio Ave 1 vs 2 FC Porto

foto retirada do Twitter oficial do FC Porto

Jogo tramado contra uma equipa tramada. O histórico de vitórias que temos em Vila do Conde raramente mostram as dificuldades que temos sempre que lá vamos, desde o vento às expulsões parvas, dos golos consentidos ao Tarantini. E hoje as coisas começaram mal novamente, com pouca eficácia na área e um jogo desligado que não parecia ter solução até que Sérgio mexeu sem precisar de mexer muito, colocando Marega a jogar na ala e a rebentar com o resto da estrutura do Rio Ave. Danilo abriu o marcador e Marega fez o resto. E eu continuo sem perceber nada disto. Sigam as notas:

(+) Marega. MVP. “Marega vale pontos”, seus anglófilos, tenham lá juízo, que este rapaz está com a corda toda e não está a dar hipótese aos defesas laterais esquerdos adversários que se vêem lixados para o parar, especialmente quando lhes aparece pela frente este chaimite reforçado em alta velocidade. Marega está a ser a grande surpresa da época e a melhor maneira de percebermos isto talvez se prenda com a forma como marcou o segundo golo, o quarto da temporada. Marega arrancou pela direita, levou tudo atrás e perdeu a bola, que foi recuperada por Brahimi, passando pelo defesa e retornando-a para Marega, que recebe e COM A PONTA DO PÉ ESQUERDO, atira-a lá para dentro. Assim mesmo, simples, no bullshit, no special effects, apenas biqueirada lá para dentro. E garanto que 80% das vezes é mais provável que entre do que em setenta e nove mil remates em jeito do Otávio. Mais um valente jogo.

(+) Danilo. Finalmente, animal! FINALMENTE um jogo em condições depois de duas partidas em que mais parecia que andavas a arrastar-te pelo campo. Bem na pressão, a roubar várias bolas no meio-campo contrário (algumas das quais Jorge Sousa considerou falta e que me deixaram sempre muitas dúvidas) mas especialmente bem na luta, na garra e na capacidade de condicionar os adversários. Marcou o primeiro golo e foi um dos elementos em maior destaque na equipa. Espero que continue assim, para compensar os dois jogos fraquinhos que antecederam este.

(+) A pressão a campo inteiro. Nem sempre resultou na perfeição mas a forma audaz com que Sérgio Conceição colocou os rapazes em campo fez-me sorrir e deve ter feito Cássio aborrecer-se um bocadinho porque os homens de laranja apareciam em todo o lado cortando linhas de passe habitualmente fáceis, forçando a várias bolas pelo ar que nem sempre tiveram o melhor destino. Gostei de ver.

(+) Mais um jogo com muitos portistas na bancada. Estou a gostar de ver o apoio de tantos portistas nas bancadas dos estádios adversários, pois já em Tondela e em Braga tínhamos tido uma quantidade considerável de dragões a puxarem pelos rapazes. Vem aí o Bessa não tarda nada e desta vez devo juntar-me ao meu povo!

(-) Otávio. O que disse em cima de Marega posso dizer aqui de Otávio mas ao contrário. Sempre mais um toque, sempre mais uma queda por sentir o contacto segundos depois de não largar a bola quando devia, mais um jogo horrível do brasileiro que não está a ter um bom arranque de época. Desaparecido do jogo quase toda a primeira parte, as únicas duas vezes que apareceu em lugar de destaque foram num corte de um contra-ataque com falta que lhe valeu amarelo e quando saiu para ser substituído. O resto do jogo? Um fantasma com a camisola 25.

(-) Felipe. Segundo Baroni da época para Felipe. É preocupante porque Felipe parece que meteu na cabeça que um corte para a bancada ou em balão para a frente está agora abaixo das suas capacidades e procura colocar a bola em jogo o mais possível, fazendo cagada atrás de cagada enquanto segue esse processo. O Felipe que ganhou a titularidade e conquistou os nossos corações no ano passado (pelo menos o meu) era o Felipe bruto que olhava para a bola e dizia: “deixa-me lá ver se eu te rebento as costuras, oh porca” e a atirava para a Santa Pila Murcha dos Acólitos Deitados. Este Felipe, o que causa desequilíbrios com cabeceamentos fraquinhos mesmo na altura em que meia equipa está a trocar de posições e assim oferecendo um golo ao adversário, está a espetar uma faca no meu lombo.

(-) O Rio Ave troca melhor a bola que o FC Porto. Custa admitir mas é verdade: o Rio Ave, durante largos períodos da partida, o Rio Ave foi melhor que o FC Porto em termos de controlo de jogo e de troca de bola entre os seus jogadores, com melhores posicionamentos para receber, movimentações mais consistentes e *suspiro* habilidade técnica acima da nossa média. Herrera, Otávio e Aboubakar em particular estiveram mal durante esta fase (quase toda a primeira parte, entenda-se) e não parecia haver maneira do FC Porto organizar o seu jogo sem ser com Brahimi a levar a bola no pé pela esquerda ou Marega a arrastar o jogo encostado à direita, adiantando mais a bola e ganhando metros com isso. Teve de ser o treinador a abrir ainda mais o jogo, retirando a bola do centro e das zonas de decisão, a facilitar o trabalho dos seus rapazes, esticando o nosso jogo e tornando-o menos confuso.


Seis jogos, seis vitórias. Não podíamos fazer melhor no campeonato por esta altura, minha gente, há que continuar a trabalhar bem!

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 3 Besiktas

Reality check, gente. Ainda não estamos lá. Não adianta termos cinco vitórias em cinco jogos no campeonato, zero golos sofridos e algum futebol interessante, quando tentámos subir de patamar espalhámo-nos ao comprido e os queixos ficaram doridos do estrondo. Muito nervosismo, tremenda falta de definição nas jogadas ofensivas, demasiada ansiedade e algumas peças-chave a desequilibrar pela negativa fizeram com que o Besiktas saísse daqui com três pontos merecidos e não há aplausos que tirem a amargura da derrota. Atenua, mas não remove. Notas abaixo:

(+) Brahimi. Foi dos poucos que fez uma exibição positiva no Dragão (Marega ficou próximo mas foi demasiado inconstante) e tentou tudo o que sabia para que a equipa conseguisse mais e melhor. Inúmeras fintas, arranques, dribles em progressão, tudo o que o argelino se poderia lembrar foi sendo colocado em campo ao serviço da equipa mas sem ter um grupo coeso e bem harmonizado, acabou por estar a espetar pregos numa parede para ninguém pendurar um quadro que se visse.

(+) Sérgio a tentar, mesmo sem sucesso. Entendi as substituições ao intervalo, apesar da maior parte das pessoas à minha volta terem criticado com força, voz grossa e sobrolho franzido. Óliver tinha tido uma primeira parte em que parecia pensar e executar ao dobro da velocidade dos colegas e a falta de capacidade deles para criar situações para o espanhol enviar passes de ruptura tornavam-no pouco mais que inútil. E Sérgio abdicou do pensador para introduzir um volante, alguém que arrastasse o jogo para os lados e transformasse o jogo ainda numa forma mais directa (e pueril o suficiente) e chegasse com a bola à área com maior facilidade, com tabelas curtas nas alas e cruzamentos mais intensos e a partir de zonas mais abertas. Os laterais estiveram muito mais em jogo na segunda parte por causa dessa mesma alteração, tanto como o movimento conhecido como Maregalargar o campo, que fez com que houvesse uma pressão intensa durante os primeiros 20/25 minutos da segunda parte. Louvo o treinador por tentar mudar algo, mesmo que não tenha resultado.

(-) Falta de calo e, infelizmente, de algum talento. Ui que isto doeu. Doeu não por ser inesperado (já disse que este grupo, se conseguirmos miraculosamente transmitir alguma tranquilidade aos jogadores, é bastante igual em termos da valia das suas formações) mas porque tinha fé que a equipa conseguisse fazer um step-up com menor dificuldade. No entanto, o modelo táctico que Sérgio implementou parece muito complicado de aguentar contra equipas fortes no centro e que estão rotinadas e prontas para este tipo de competições, com imensa experiência e hábitos de vencer. Não quero transformar o Besiktas no Bayern, mas é verdade que há gente com muito talento naquela formação e fez-nos corar pela incapacidade que tínhamos em conseguir retirar-lhes a bola dos pés. Parecemos sempre veados em frente a um par de faróis, com uma espécie de paralisia momentânea e indecisão na altura de perceber o que fazer. Houve vezes demais em que jogadores ficaram parados a defender com os olhos, vezes demais em que os passes foram verticais pelo desespero de perder a bola, vezes demais em que uma distracção causou um contra-ataque e vezes demais onde o apoio não surgia. Mostrámos o que somos: pouco. Somos pouco. Ainda somos pouco. E tenho de voltar à conversa das omeletes sem ovos mas com todas as desculpas que possamos arranjar, a verdade é que não há talento suficiente para abordarmos uma partida destas sem suspirar bem alto e lamentar aos céus a presença de pouca gente talentosa no plantel. E sim, tivemos algum azar, porque ainda conseguimos enviar uma bola ao poste, mais uma que foi salva em cima da linha de golo e mais uma ou duas defesas do verdalhão dos turcos, e se uma única bola tivesse entrado talvez o comentário fosse diferente. Mas não entrou e talvez tenha sido desta forma que vamos apanhar o tal reality check e perceber que nos falta muita coisa para competirmos com um Besiktas a não ser que a equipa se consolide até o próximo jogo da Champions.

(-) Danilo. Não sei o que se passa, não faço ideia se está a jogar inferiorizado fisicamente, não sei se levou uma pancada na cabeça e acordou a falar gaélico e a tocar cítara, mas a verdade é que este Danilo não tem sido o mesmo e a equipa nota isso e perde muito com a sua forma actual. Se Danilo é o elemento que dá equilíbrio ao meio-campo, a forma como anda perdido no relvado, sem mostrar capacidade física para reagir aos lances, para recuperar depois de uma bola perdida ou de tapar as subidas do colega do lado só pode deixar os colegas em pânico, os centrais expostos ao adversário e os avançados a necessitar de recuar para ajudar a defender. Preciso do meu Danilo de volta!


Foi só o primeiro jogo mas pode ser bem mais do que isso. Há que aprender com os erros e voltar a crescer. Mas a rampa é bem íngreme…

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Chaves

Um jogo entre muitos outros jogos que vamos ter este ano (e que temos todos os anos, há que admitir), onde as coisas não parecem correr bem até que aparece um rapaz com alguma sorte e abre a lata de vez. Mal jogado em grande parte do tempo, foi uma vitória que assenta bem mas que não mostra as dificuldades que tivemos para lá chegar, em grande parte por culpa da nossa própria inépcia física e criativa. Merecíamos vencer, mas os três golos parecem exagerados. Ah, e Marega foi o MVP. Yup, esse mesmo. Notas já abaixo:

(+) Marega. Começo a questionar seriamente a minha capacidade para analisar jogadores de futebol. Este homem, o mesmo que na primeira parte caiu sozinho tentando fazer um passe a meio de uma arrancada, num choque neuronal a fazer lembrar um acidente em cadeia (implicando que teria mais do que dois a funcionar, o que parece absurdo em conceito teórico aplicado ao rapaz), acabou o jogo como melhor jogador em campo. E nem merece discussão, tal foi a excelente segunda parte que fez, com Master Moussa a devastar tudo que era jogador do Chaves, desgastando-lhes o corpo e roubando-lhes metros atrás de metros, com investidas pela direita e algumas pelo centro que acabaram por marcar a diferença para os demais. Marega é titular do FC Porto e desde que isso aconteceu vemos um homem que trabalha, luta, produz e concretiza. Não percebo nada disto.

(+) A defesa aérea. Nem Marcano nem Felipe tiveram um jogo estelar do ponto de vista ofensivo, com várias falhas no passe e algumas hesitações na transição ofensiva, expectável e já aqui analisado tendo em conta a exposição ao erro a que estão sujeitos no esquema do Sérgio. Mas a defender estiveram quase perfeitos pelo ar e quase perfeitos pela relva, muito embora tenham permitido que o Chaves criasse dois lances de muito perigo pelo centro, um deles com Layún a colocar o adversário em jogo e no outro…bem, porque não dá para cobrirem o espaço todo se o resto não fizer o seu trabalho, não é? Ainda assim gostei das intervenções aéreas contra malta bem grandita.

(+) Cinco jogos, cinco vitórias, zero golos sofridos. Um dos melhores arranques que me lembro de ver apesar do futebol não ser (ainda) de elevadíssima qualidade. Nem prevejo que venha a ser, mas uma coisa é certa: os resultados estão a aparecer e por agora sem termos precisado sequer de um único Jonalty.

(-) Danilo. Um jogo muito fraquinho, bem abaixo do que consegue fazer. Desde o início que pareceu lento, com acelerações inexistentes e a um ritmo que fazia lembrar Sir William Carvalho mas sem o bigodinho à capanga nos anos 20. Perdeu demasiadas bolas, distraiu-se mais vezes do que o Marega tropeçou e raramente foi um elemento útil no meio-campo. Aliás, temi que fosse por ele que o Chaves conseguisse chegar com perigo à área, porque este Danilo que hoje vi no relvado parecia outro. Estaria apenas a ressacar de uma longa e arrastada tarde de reflexão, afinal o rapaz era aniversariante e tinha chegado à constatação do etéreo que é este nosso trajecto no planeta, à percepção que a idade não é apenas um número mas uma marca indelével que nos arrasta para um infinito triste, escuro, vazio, aproximando-se cada vez mais do fundo de um poço onde cairemos com a inevitabilidade da morte, tão próxima como definitiva. Ou então estava cansado, também podia ser isso.

(-) Corona.  Marega foi o melhor em campo em grande parte graças às arrancadas pela direita no lugar de Corona, a mostrar ao mexicano que não chega controlar a bola de primeira quando é lançada da Estação Espacial Internacional: é preciso fazer alguma coisa com ela. E Corona, mais uma vez, raramente o conseguiu, com lentidão de processos Boláttica e uma incompreensível falta de sentido prático em frente ao adversário directo. Tem ajudado mais na defesa mas exige-se que faça muito mais no ataque.

(-) O exagero vertical na primeira parte. E quando não há ideias nem pernas para mais, toca a mandar bolas para a área. Já agora: really? Já não há pernas? Eu sei que houve jogos de Selecções e esteve meia equipa a jogar enquanto que a outra só treinava, mas já estão todos partidinhos?! Não é cedo para se começarem a ver jogadores com pouca velocidade e ainda menos vontade de meter o pé? Ou já estava tudo à espera do Quaresma? De qualquer forma, houve demasiada verticalidade numa equipa que pode e deve organizar muito melhor o seu jogo. Valeu Brahimi a tentar furar pela relva mas, como de costume, perdeu-se e teve pouco apoio dos colegas, que preferiam enviar a bola direitinha para os avançados. Blergh.


E agora…Champions. Que FC Porto teremos? 4-4-2 do costume ou irá o Sérgio inventar um bocadinho? É já na quarta que vamos descobrir, stay tuned!

Baías e Baronis – Braga 0 vs 1 FC Porto

Ganhamos. E ganhamos bem por uma série de motivos. Porque o Braga raramente criou perigo suficiente para sequer pensar em justificar outro resultado. Porque marcamos um e podíamos (perdão, devíamos) ter marcado mais uns quatro ou cinco. Porque fomos bravos e rijos mas também calmos e inteligentes quando foi preciso. Mas arriscamos mais do que seria necessário e temi que uma bola aleatória entrasse na baliza nos últimos minutos e me fizesse lembrar daquele famoso jogo contra o Benfica no ano passado (onde foi NES que o perdeu, não o Herrera). No final, uma vitória merecida e doze pontos em doze possíveis antes da paragem. Goody. Sigam as notas:

(+) Danilo. Que parvoíce de jogo, rapaz. Impecável na cobertura, rijo na marcação e a subir com a bola, foi o bloqueio que precisávamos para conseguirmos arrancar as bolas no meio-campo e rodá-las rapidamente para as laterais, já que Óliver esteve muitas vezes preso por Fransérgio e Vukcevic, ao passo que os extremos inclinavam para o centro e precisavam da linha de passe. E quem a recebia? Danilo, pois claro. Foi o elemento mais constante num dia em que todos estiveram em boa forma e com espírito de luta. E quem vê esta equipa a jogar assim e a viu no ano passado…nem é bom pensar.

(+) Marega. Espero mesmo que não leiam esta frase com qualquer conotação racista, mas eu não resisto: o Marega é uma preview do que acontecerá quando o Bolt for jogar futebol. Corre imenso, joga razoavelmente bem mas esforça-se tanto que mesmo quando não marca golos não consigo criticar o rapaz. E é complicado não criticar porque pode parecer que estou satisfeito “só” com um Marega, até porque tenho a certeza que vai encostar quando o Soares estiver de volta, mas a verdade é que Marega está a fazer tudo para que o Sérgio tenha grandes dúvidas em tirá-lo da equipa. E nada mais lhe posso pedir.

(+) O golo de Corona. A meio da semana vaticinei numa conversa com amigos que íamos vencer o jogo com um golo de Corona. Juro que é verdade. Também disse que ia ser na segunda parte em contra-ataque, mas não nos foquemos nos falhanços e louvemos não só a minha visão oracular mas também o estupendo trabalho do único mexicano que ainda conta para alguma coisa e fiquemos maravilhados com aquele picar de bola por cima do adversário e o míssil que fez com que a bola passasse pelas coxas do Matheus e nos sacasse os três pontinhos que procurávamos. Corona está cheio de vontade e se continuar a fazer coisinhas destas tem lugar no onze de caras.

(+) Telles (especialmente a defender). Safou várias vezes a equipa com cortes fundamentais a cruzamentos largos ou a ajudar a tapar quando Brahimi já estava sem pernas. Não esteve tão interventivo na frente apesar daquele remate cruzado que Matheus, mais uma vez, defendeu para o poste. Está em grande forma e há que sugar o rapaz até ao tutano. Ou não, já que alternativas não abundam…

(-) Xistra. É impossível jogar assim. É impossível estar constantemente a levar pancada e sermos os primeiros a levar um cartão amarelo. É impossível assistir a um jogo em que o adversário tem muito mais corda solta para poder usar a expressão “canela até ao pescoço” sem qualquer problema e usar os braços como se estivesse a pregar ao Santo Adelino dos Barrotes no Esfíncter. Xistra permitiu tudo isto e mais, com Fransérgio a ficar mais de meia-hora em campo a merecer não dois mas pelo menos três cartões amarelos, com Ricardo a levar um cartão amarelo igual ao que não foi dado VÁRIAS VEZES a Fábio Martins, com Sequeira a entrar a varrer de pés juntos, com pés levantados até ao céu durante todo o jogo, mais puxões que uma Black Friday no Nebraska. Aliás, se o Benfica empatou em Vila do Conde à custa daquele…pá, chamemos-lhe “Jonalty”, hoje tinha havido trinta Jonalties a nosso favor. Foi o Xistra do costume contra a equipa do costume. Nem sei porque é que espero outra coisa.

(-) Felipe. Não anda bem, este maravilhoso estupor. Nem é tanto nas falhas quando é obrigado a fazer um jogo vertical positivo (que é como quem diz mandar a bola para a frente), é mesmo na temporização da abordagem aos lances e na maneira infantil como se deixa “comer” pelos avançados em alturas que tem de proteger a bola e obrigar o adversário a fazer uma falta do tamanho de seis Maregas para lha tirar. E Felipe não anda a fazer nada do que fez quando cá chegou. Nem auto-golos (felizmente) nem cortes para a bancada (infelizmente). Assim não gosto, rapaz.

(-) 4-4-2 para 4-3-3 para 4-5-1 para… . Lembro-me bem de NES a tirar Corona e a meter o Ruben. E a fazer o mesmo com Óliver para entrar Layún. E depois Herrera no lugar de Jota. Lembro-me bem porque fui ver ao zerozero já que a minha memória tem capacidade equivalente a um ZX Spectrum. Partido. Anyway, tive um arrepio quando me apercebi que podia acontecer o mesmo e quando vi as três primeiras intervenções de Herrera depois de entrar…assustei-me mesmo (para memória futura, foram: a) tentar desviar a bola com grande intensidade oftalmológica, b) hesitar entre andar ou enveredar numa carreira de homem-estátua e c) tocar na bola com o braço cedendo um livre perigoso because why the fuck not). O final do jogo acalmou-me pela forma mais inteligente como gerimos o tempo e apesar de ser um jogo fora num dos estádios mais complicados, o que até justifica a atitude, é preciso ter cuidado para não perdermos a vontade de ganhar e eventualmente ganhemos a vontade de não perder.


Mais importante que termos vencido o jogo é o facto do Benfica ter perdido pontos e termos conseguido aproveitar isso. Há quanto tempo não acontecia? Depois não querem que um gajo fique com moral…

Baías e Baronis – FC Porto 3 vs 0 Moreirense

Uma caloraça como não sentia há uns anos no Dragão fez com que tivesse de comprar duas garrafas de água depois de levar com três finos no bucho antes do jogo. E estive sentadinho, sem grandes preocupações, a apreciar o espectáculo como um simples adepto rodeado de outros tantos simples adeptos. Continuei cheio de calor, a bufar e a suar, enquanto me mantinha sentado. Lá em baixo, no relvado, os moços corriam o suficiente para não desidratarem à louca (agora que é moda, devia ter havido pausa para auguinha da boa a meio de cada parte, não?), num jogo que foi tão fácil que nem censuro a falta de empenho ou aceleração em largos momentos de jogo. Notas, quentes como o tempo, já em baixo:

(+) Aboubakar. Há duas semanas teve seiscentas oportunidades para marcar e nem uma entrou. Semana passada em Tondela deu-nos a vitória e hoje voltou a trazer os três pontos para casa numa bela demonstração de variedade para um avançado: um golo de cabeça (naquele que foi talvez o único cruzamento decente do Telles em todo o jogo), um remate na área e um “encosto” oportuno. Mexeu-se sempre bem na área e fora dela, recolhendo a bola e entregando para os colegas direitinho, sem grandes invenções. Aproveitou também o facto dos centrais do Moreirense serem imensamente fracos, mas isso…já não é nossa culpa.

(+) Marcano. Certinho, muito bem na dobra a Telles e até a salvar algumas das parvoíces posicionais de Óliver e Danilo, mas sempre com o estilo típico do nosso “novo” capitão: calmo, com paz de alma e sem grandes preocupações visíveis. Nada o parece incomodar quando está de moral em alta e se no ano passado foi dos principais homens em que podíamos colocar as nossas apostas para o prémio de “gajo mais tranquilo do plantel”, parece trilhar o mesmo caminho este ano.

(+) Marega. Não posso dizer mal do Moussa. Para quem tem qualidade para o futebol ao nível do móvel que suporta a televisão da minha sala (apesar da maior dificuldade a controlar a bola, algo que a mobília não consegue trabalhar com o tempo), o rapaz tem feito pela vida e por muito que achemos – ou pelo menos, que eu ache – que não podemos querer ser campeões com Maregas no onze base, a verdade é que leva dois jogos a titular e jogou uma hora no primeiro…e tem trabalhado para continuar por lá. E se aquela bola à trave entrasse…tínhamos candidato para golo do ano!

(-) A entrada na segunda parte. Estavam aí uns 36 graus quando o jogo começou e não me parece que tenha baixado por aí fora à medida que a tarde ia passando. E é verdade que o adversário era fraquíssimo, o jogo estava quase ganho e a temperatura não ajudava a que houvesse uma capacidade física tremenda, mas aquela segunda parte foi quase toda pautada por um ritmo que tornou todo o Dragão numa espécie de nave com quase 50 mil almas a bocejarem de tédio e a lamentarem estar longe de uma qualquer esplanada a beber finos de penalty. Compreendo que seja uma reacção natural nos jogadores e cabe ao treinador fazer com que os rapazes acordem, algo que o próprio Sérgio se encarregava, gritando para o campo e levando a que se mexessem mais um bocadinho. Há uns anos, Sir Bobby mandava-os treinar no fim de um jogo destes. Sérgio, se daqui a uns anos cá estiveres e tiveres a autoridade moral que o Robson tinha…podes fazer o mesmo. Tens a minha bênção.

(-) Otávio. Um exemplo do Baroni de cima é a entrada de Otávio para o lugar de Brahimi, que esteve claramente com pouca capacidade física para estas coisas. Aliás, quando Brahimi tem a bola e não tenta fintar quinze adversários seguidos, algo está errado com o rapaz. Mas adiante para o brasileiro que o substituiu. Entrou lento, sem rasgo, sem “fome”, a tropeçar sozinho e a falhar todo o tipo de combinações, incluindo uma tabela que fez com Aboubakar e que depois se esqueceu de subir para receber a bola. Sérgio colocou-o ao meio e moveu Marega para a esquerda, onde o MegaMoussa continuou a correr o que podia e a esforçar-se bem…contrastando com Otávio, que teve ao todo dois lances interessantes, quando recuperou duas bolas que ele próprio tinha perdido. Não será assim que roubará a titularidade a ninguém, nem a Marega ou Soares como segundo avançado e muito menos a Brahimi.

(-) Titulares vs reservas. Já tivemos de tirar Soares e entrou Marega, até agora razoavelmente bem. E entrou também Maxi para o lugar de Ricardo, com menos força e muito menos acutilância ofensiva. E o resto? E se sai Danilo, como pareceu que iria acontecer a meio do jogo? E se Óliver desaparece por lesão ou Felipe por castigo ou Brahimi por uma possível venda? Há alternativas? O banco de hoje era composto por: Sá, Reyes, Layun, Herrera, André, Hernâni e Otávio. Quase todos recebem uma reacção da minha parte de…meh. O FC Porto 2017/2018 não está a procurar ser campeão tentando fazer omeletes sem ovos. Há ovos. Mas são de codorniz.


Se estes três primeiros jogos foram acessíveis, o próximo não será. Há que fazer com que não se tropece para manter a onda em alta. Para Braga, amigos, post-haste!