Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 2 Arouca

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imagem retirada do zerozero

Temos uma equipa partida. A alma está desfeita, o espírito dilacerado, as pernas em estado de decomposição. Pensei que as melhorias dos últimos jogos pudessem ter servido para animar um pouco mais os rapazes, para servir para que a moral deles não se abatesse com qualquer mínima contrariedade (como no jogo do Estoril, onde começámos a perder e recuperámos para uma boa vitória) e continuasse a puxar o barco para a frente, sempre para a frente. Acontece que o meu tradicional pessimismo, colocado de parte nos últimos tempos, estava bem alinhado. Infelizmente. Notas aqui em baixo:

(+) Danilo. Talvez o único que saiu da noite chuvosa de hoje com algum brilho e reconhecimento de bom trabalho por parte dos adeptos. Tremendo na intercepção, aguentou todo o meio-campo enquanto teve pernas para isso, mesmo depois de se ter agarrado à virilha num lance casual que todos no estádio temeram poder significar o adeus ao rapaz por um bom par de meses. Nada disso, Danilo voltou à luta e rapidamente regressou a força ao meio-campo e a única peça capaz de lutar com pernas e cabeça no sítio. Infelizmente não serviu de exemplo aos colegas.

(-) Formatar o sistema dá nisto. Imaginem que têm um computador usado que estão a pensar em usar de novo. Olham para ele e decidem formatá-lo, limpar o sistema operativo existente e instalar todos os programas que costumam usar, mas em vez daqueles com que estavam habituados a trabalhar, optam por pegar em coisas novas com melhores funcionalidades. E procedem a limpar aquilo tudo, mesmo com um disco antigo e um conjunto de memórias lentas e longe do topo da sua performance. O resultado é evidente: demoram tempo até que possam criar uma apresentação com gatinhos para mandar aos primos ou de actualizar o vosso CV. E é algo parecido que se nota neste FC Porto. Notou-se pouco depois do início da segunda parte e bem antes do segundo golo do Arouca. A equipa está partida, incapaz de produzir em zona adiantada, a tremer contra mais uma equipa em modo “firewall” (já chega de metáforas tecnológicas, não, Jorge?!) e com índices físicos assustadoramente baixos. Volto ao mesmo: uma pré-época em tempo de competição não dá jeito nenhum…e demora o seu tempo até que consiga produzir resultados. Tempo, esse é que não temos.

(-) Maicon. Não me surpreende o que fez durante o jogo. Afinal tem vindo a fazer exactamente o mesmo tipo de coisas há vários anos e este tipo de azares já deixaram de o ser há muito tempo. São marcas de personalidade competitiva, do jogador que entra em campo para uma posição onde sabe que nunca pode falhar e que deliberadamente procura todas as oportunidades para o fazer. Maicon não aprende e nunca pareceu querer aprender porque passou por vários treinadores e quando parece estar a melhorar um poucochinho nos lances como os que mostrou hoje, com os domínios de bola à Ricardinho ou as fintinhas no eixo da defesa com pressão adversária, cedo lhe acontece algo do género e perde a bola. Normalmente não dá golo. Hoje deu. E, como um exemplar vivo da Lei de Murphy, na pior altura. Mas surpreende-me e fiquei estático a tentar perceber o que os meus olhos viam quando reparei que “inventou” uma lesão e procedeu a sair de campo sem dar cavaco aos colegas, enfiando-se no banco sem falar, preso à memória da sua própria idiotice. Nunca pensei, em todos os anos que acompanho o FC Porto, de ver o seu capitão de equipa a ter a atitude que Maicon teve hoje, porque se errar é humano, não assumir os seus erros de peito erguido é infantil e indigno. Se dependesse de mim, Maicon perderia hoje a braçadeira de capitão e seria colocado em tratamento num sofá em conversa com um psicólogo e em baixa durante o tempo suficiente até se recuperar da enxurrada de imbecilidades que fez hoje e que tem vindo a fazer nos últimos anos. E depois era vendido. Não invejo o trabalho de recuperação mental do jogador, capitão, homem. Mas foi ele que fez a casa desabar por cima da sua cabeça, por isso terá de viver com isso. Longe da equipa, de preferência.

(-) Angel. Fraquíssimo. Um Ezequias espanhol. Incapaz de subir com confiança pelo flanco e cada vez mais inútil nos cruzamentos, parece quase impossível que mantenha um lugar no plantel tendo em conta o que tem vindo a fazer desde que cá chegou. Não tem nível para jogar no FC Porto e se vier algum clube dos distritais chineses que nos ofereça meia ovelha preta e uma mão-cheia de couscous para o levar, amanhã de manhã aviso o meu chefe que chego tarde e vou levá-lo ao aeroporto.


O campeonato terá ido de vez com esta derrota, mas preocupa-me que sigam outras competições pelo cano. Se no ano passado fomos à Luz depois de apanhar seis em Munique, este ano vamos lá depois de uma derrota humilhante em casa. E depois seguimos para Dortmund. Vão ser duas semanas giras, vão sim senhor.

Baías e Baronis – Gil Vicente 0 vs 3 FC Porto

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Um jogo normal. Tinha saudades de poder dizer isto porque os últimos meses tinham sido tudo menos normais. Derrotas caseiras na Champions contra equipas de valia inferior, derrotas longe de casa com equipas de valia MUITO inferior, empates humilhantes e exibições paupérrimas. E ontem foi normal. Apenas mais um jogo de uma equipa grande contra um adversário do escalão abaixo, numa competição a eliminar apesar de ainda faltar um jogo e em que era expectável, em condições normais, que a vitória fosse natural. E foi. E tinha saudades disto, francamente. Vamos a notas:

(+) O envolvimento ofensivo da equipa. É das mudanças mais notadas (e acrescentaria notáveis) na equipa desde a chegada de Peseiro. A quantidade de jogadores que aparece em zona de finalização é suficiente para levar os adeptos a ficarem entusiasmados com qualquer lance de ataque depois do futebol enfadonho de Lopetegui. Há muitas oportunidades para lances individuais, de entendimento e triangulação com apoio central, avanço dos laterais e passes de ruptura pelo meio. O futebol assim acaba por ser mais interessante e acutilante…mas tem o seu ponto perigosamente negativo (ver abaixo). Ontem não houve negativos, ainda bem.

(+) Danilo. Parece mais seguro no duplo pivot do que Ruben, que jogando com um companheiro lateral não consegue fazer a bola rodar como já mostrou que sabe fazer. Danilo recuperou muitas bolas na zona defensiva mas foram as subidas com bola controlada e passe certeiro que o destacaram durante o jogo, ajudando a manter o jogo controlado e o resto do meio-campo e ataque bem subidos. Bom jogo.

(+) Varela. De vez em quando surpreendes-me, Silvestre. Não fosse a tua aparente incapacidade de controlar uma bola de primeiro sem que pareça que estás a jogar com uma bola de ténis num campo de cimento e até era menino para apostar em ter-te no onze mais vezes. Dinâmico pelo centro e muito útil nas combinações com Layún, Varela foi um dos jogadores mais em foco (I shit thee not) durante o jogo, criando oportunidades e entrosando-se bem no jogo ofensivo da equipa. Parecia…motivado. É isso, motivado! O Euro está à porta e pode ser que tenhamos o melhor Varela até ao fim do campeonato. Pelo menos que me obrigue a fazer um acto de contrição quando disse que não tinha lugar no FC Porto. Anda, contradiz-me!

(+) Layún. Mais um valor seguro que é titular em qualquer equipa do nosso campeonato e só peca por ser macio a defender. Sobe com força, com vontade e com a visão de produzir lances perigosos de uma forma consistente, não apenas como faz o seu agora concorrente directo (falo do Angel, não me referia ao Indi), que se limita a subir e a cruzar para o outro flanco. Literalmente. Layún é o meu novo Fucile. Quando cá chegou em 2006, entenda-se.

(-) As transições defensivas Aqui é que a Carolina rabiosca a cauda. Tanta gente na frente não é sinónimo de eficácia e quando se perde uma bola em zona de recuperação defensiva, é o cabo dos trabalhos para recuar em condições. Não me entendam mal, não é impossível que aconteça, mas é inviável e muito complicado conseguir equilibrar um ataque com muita gente com uma solidez defensiva adequada. Não é problema único e decorre da mentalidade do treinador, mas quando via o Avto a romper pelo flanco ou o Vitor Gonçalves pelo centro, bem apoiados pelo Vagner em velocidade…houve alguns arrepios de cagaço, não duvido. E vai demorar até que os jogadores consigam esse equilíbrio, não tenho dúvidas. Raios, o Peseiro anda nisto há umas décadas e as equipas dele ainda não conseguiram…

(-) Ruben no duplo pivot O nosso menino fica preso sem a liberdade (perdoem-me a redundância) de movimentos que vem de um controlo maior da zona central e isso não o favorece. Falha mais passes e acima de tudo tenta fazê-los de uma zona mais adiantada para a frente de ataque, algo que não está a conseguir calibrar em condições. A presença física de Danilo também serve como ponto de comparação infeliz, porque Ruben perde em grande para Danilo nesse campo e perderá sempre. A rever.


Ora a não ser que aconteça alguma catástrofe no jogo da segunda mão, estamos de viagem marcada para o Jamor. E até pode ser que consigamos ganhar alguma coisa este ano! A somar ao campeonato, claro… (fingers crossed!)

Baías e Baronis – Estoril 1 vs 3 FC Porto

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Bom jogo hoje na Amoreira. Boa atitude, excelentes trocas de bola, muitas oportunidades criadas, alguns falhanços anedóticos e uma vitória que assenta muito bem. Demos a volta a um resultado negativo, recuperamos alguma auto-confiança e mostrámos que estamos vivos e prontos para continuar a crescer. Vamos a notas, hoje com um sorriso agradável nos lábios:

(+) Vontade de ganhar. Ficou a noção que houve já alguma melhoria nos processos e na criação de lances de ataque. Viu-se na forma como a equipa variava de estilo e de approach no ataque, quer pela ala em velocidade ou em trocas de bola curtas pelo centro, mudando logo em seguida para uma tentativa de tabelinha no flanco e invertendo o papel do médio que transportava a bola para conseguir desequilíbrios no ataque. Mas acima de tudo viu-se vontade, garra, entusiasmo por praticar este desporto que nos pode edificar e destruir mediante a postura que mostrámos perante as adversidades. Foi nos choques de Maxi com Gerso, de Danilo com Mattheus ou de Aboubakar com Yohan Tavares, na luta entre Anderson e André ou nos remates que obrigámos Kieszek a defender à rasca. Foi a vontade de ganhar e o prazer de jogar futebol que pareceu voltar aos rostos dos jogadores e que me deixou deixou muito satisfeito.

(+) Layún na primeira parte, Herrera na segunda. Foram os grandes movimentadores de um ataque que teve os extremos em sub-produção e que dependeu destes dois rapazes para criar as (muitas) jogadas ofensivas da equipa. Layún esteve extremamente rápido pelo flanco e as duas assistências são um prémio para a forma como apoiou sempre o ataque e, em muitos casos, *foi* o ataque. Na segunda parte Herrera pegou no testemunho e ajudou a rodar a bola pelo centro de uma forma objectiva, inteligente, com bons passes a cruzar a relva e mostrou muita calma e bom entendimento com os colegas.

(+) André André. Falhou dois golos na primeira parte mas ajudou a desequilibrar no ataque com as permanentes subidas e deambulações para as alas. Muito activo, rijo na disputa de bola e na recuperação, é este o André que quero ver sempre em campo, não o fantasma que vi contra o Rio Ave no último jogo de Lopetegui. É aquele falso morder de punho, os dentes cerrados quando falha um passe ou um remate, a vontade de marcar e jogar e ganhar…é exactamente desta atitude que precisamos!

(+) A entrada de Varela. Sim, perdeu duas bolas quase consecutivas que iam lixando a equipa. Mas a forma como pautou bem a circulação a meio-campo e acalmou a construção ofensiva foi vital para conseguirmos o terceiro golo e para matarmos o jogo de vez. Continua a ser uma escolha que pode trazer mais-valias quando entra a partir do banco mas claramente um homem sem hipótese de ser titular. My two cents, just that.

(-) Demasiada permissividade no meio-campo. As subidas de André ajudavam a desequilibrar e a criar novas hipóteses para abrir a frente de ataque (que chegou a ter cinco homens de cada vez, algo quase impossível de acreditar aqui há umas semanas), mas criava um buraco assustador que Danilo e Herrera nem sempre conseguiram tapar. E tentaram, mas a diferença em números entre os nossos rapazes de branco e os outros de amarelo era sempre tão evidente que sempre que o Estoril passava a linha central, havia uma tremenda ausência de pressão que permitia que o adversário conseguisse progredir com pouca interferência da nossa parte. Peseiro fez com que a equipa pressionasse ainda mais alto e cortasse a facilidade de transição rasteira e em apoio por parte do Estoril, mas arriscou ao fazê-lo. Creio que será, a par do duplo pivot que pode aparecer noutro tipo de jogos, uma das imagens de marca do treinador. E assusta-me um bocadinho.

(-) Agora é permitido jogar com os braços. Sempre. Perdi a conta à quantidade de faltas que o Estoril fez por usar os braços. Foi um festival de empurrões, puxões e uso generalizado dos braços sempre que um jogador nosso recebia a bola no meio-campo adversário que mais parecia que Shiva ou Vishnu ou qualquer deus Hindu com cinquenta braços estava em campo e vestia de amarelo. Ah, e amarelos levamos nós aos montes, sei lá porquê.


Uma pequenina luz brilha agora ao fundo. Vi a equipa mais solta e com mais vontade de jogar e de criar bom futebol. Será para durar? Espero para ver.

Baías e Baronis – Feirense 2 vs 0 FC Porto

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Não creio que nenhum portista tenha visto este jogo como mais que uma oportunidade para experiências numa espécie de amigável em plena competição. Uma táctica diferente, jogadores pouco utilizados, alguns em posições alternativas e a ausência de qualquer interesse competitivo fizeram deste jogo um espectáculo recomendável para quem sofra de insónias

(+) Chidozie. Fez a primeira falta aos 76 minutos o que, apesar das poucas vezes em que o Feirense andou pela nossa zona defensiva, é curioso se tivermos em conta que o rapaz esteve muitas vezes em jogo e em bom plano. Certinho, sem inventar (viste, Maicon?), foi dos poucos jogadores em bom plano.

(+) André Silva. Fiquei com curiosidade para perceber porque é que Peseiro apostou em Varela a jogar a 10 quando André Silva podia ter sido bem mais produtivo. Falhou um golo de baliza aberta e claramente não se entendeu com Suk na linha da frente, mas quando recuava no terreno era sempre mais perigoso, criava mais desequilíbrios e abanava mais o jogo. Fiquei curioso, admito.

(-) A opção por Varela a 10. Quando pensamos em grandes números 10 do futebol mundial, Varela não figura na lista do top 10. Diria que ainda não se abateram árvores suficiente no Amazonas para fazer papel que chegue para finalmente listar a posição de Varela nessa lista, sem culpa própria…aliás, é um pouco como considerar Ovchinikov na lista dos melhores extremos direitos do mundo. Saiu portanto bem furada a experiência mas não foi por falta de empenho do Silvestre, que tentou fazer a sua função o melhor que sabia e falhou de uma forma tão evidente que me surpreende ter sido escolhido para essa posição. A incapacidade de controlar uma bola e de a “matar” nos pés, somado à enervante “adianto-a-bola-dez-metros-porque-era-só-o-que-me-faltava-alguém-ma-roubar”, sendo certinho que ia ficar sem o esférico rapidamente, tudo pequenos factores que me parecem eliminatórios para que Varela pudesse ser remotamente produtivo ali no centro. Não conseguiu um lance de perigo a partir daquela posição. Podem tirar “a partir daquela posição” e a frase fica a fazer sentido na mesma.

(-) Angel a cruzar e Suk a rematar. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. Pum, fora. E foi isto, todo o jogo.

(-) Imbula. Mais que o desgraçado do Varela que andou a tentar perceber o que havia de fazer em campo, é bem pior ver um jogador a jogar tão pouco quando pode dar tanto mais na sua posição. É a indolência de Imbula que não consigo perceber, mesmo num rapaz que sabe que cá está a prazo, porque não pode ser só aquilo que ele sabe fazer. Chateia-me ver potencial desperdiçado e se a sua incapacidade mental passa à frente da equipa, é altura de o mandar embora. Assim, a meio da época.

(-) Zero substituições. Tive pena porque havia vários putos da equipa B que estavam no banco e que podiam tentar dar um poucochinho mais de dinâmica à equipa, mesmo jogando num esquema diferente com que não tinham trabalhado. Mas Francisco Ramos no lugar de Imbula, Govea em vez de Ruben Neves ou Pité em vez de Angel (por muito que não goste de o ver a lateral esquerdo, mas às subidas do Angel…foi mais médio-ala que lateral) não faziam mal nenhum e podiam dar outras ideias e outras opções. To each his own, mas não vai ter muitos mais oportunidades destas para fazer experiências.


Nem sequer foi um bom treino. Foi só a constatação que temos muito tempo para andar e até chegarmos a um ponto decente vão passar muitos mais jogos…e possivelmente muitas mais derrotas.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 0 Marítimo

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A primeira vitória do ano sobre o Marítimo, ao fim de três tentativas. Um jogo de nervos num Dragão com mais gente do que pensava que iria aparecer a um jogo num Domingo de eleições, que mostrou mais uma vez um FC Porto com níveis de ansiedade ao nível de um adolescente borbulhento a segundos do primeiro beijo. Nada sai bem, os passes são tortos, os remates quase inexistentes, fraquíssima condição física, enervante permissividade no centro do terreno e uma carga enorme de nervos que começou no relvado e passou para a bancada. Peseiro tem muito para trabalhar com a matéria-prima que tem ao seu dispôr. Notas, já aqui em baixo.

(+) Maxi. Teve três lances de perigo na área do Marítimo e dois deles deveriam ter sido considerados penalties pelo árbitro. Mas não foi só isso que o destacou do resto da triste exibição dos jogadores do FC Porto, porque foi dos poucos que lutou sem medo contra os jogadores contrários, que meteu o pé quando era preciso e que apesar das falhas de posicionamento dos colegas foi dos que mais tentou subir no terreno e arrastar a equipa para a frente. Quanto aos penalties…é tramado jogar com esta camisola, não é, Maxi? É, pois.

(-) Ansiedade. Medo. Medo de tudo. Medo de falhar, de passar, de correr, de arriscar. Medo do público, da relva, da bola e das pernas dos outros. Medo dos colegas, de si próprios, do que sabem e conseguem fazer. Há uma tremenda ansiedade que ultrapassa o razoável e roça o irracional, que tolhe o espírito e abafa os pulmões. Esta constante insegurança apoderou-se da equipa com o vírus Lopetegui ainda a fazer-se sentir pela forma como se dispõem em campo e como não conseguem perceber a melhor forma de jogar, recuando sem critério nem estratégia perante um adversário brigão, bully e sem ter o respeito que noutros tempos ainda íamos conseguindo impôr. Toda a gente via que o Marítimo jogava tão subido que qualquer bola nas costas da defesa (e que nascesse de uma entre tantas tentativas de desmarcação dos alas) podia dar golo ou pelo menos uma oportunidade clara para o fazer…mas aparecia sempre o medo…o medo de se aproximar dos jogadores adversários com intensidade, a forma passiva com que se vê jogar sem nada tentar fazer de uma forma concertada, apenas com um ou outro jogador a procurar interceptar a linha de passe, sem cabeça nem consistência táctica. Notou-se uma tentativa de jogar pelo centro em vez de privilegiar as alas de uma forma tão constante, mas as ideias de Peseiro vão demorar a entrar. Esta equipa, como me dizia o Statler ao meu lado, precisava de um estágio. De estar fechada um mês, sem jogos nem competições a doer, para trabalhar a cabeça e as pernas e para recuperar a sua confiança. Dava jeito, realmente.

(-) Os centrais. Não me lembro de ver um “casal” tão mau e que expusesse a equipa de uma forma tão constante. Se formos buscar alguns dos piores centrais do FC Porto desde que me lembro de acompanhar futebol ao vivo, casos de Stepanov, Díaz ou Matias, nenhum deles mostra tanta incapacidade para jogar como pedra basilar de um bloco defensivo como Indi e Marcano. Juntando a falta de sentido prático de Indi e o tempo que dá aos adversários (Layún também sofre muito desse mal) à tremenda incapacidade de Marcano em passar uma bola decente para a frente, temos receita para um desastre dos grandes. Vem aí o Dortmund, amigos. Ai.

(-) Os hunos da ilha. Três jogos consecutivos contra o Marítimo em que os rapazes de vermelho e verde acumulam nas suas camisolas todos os pequenos ódios que os portistas habitualmente guardam para quem usa essas mesmas cores separadamente. E os jogadores que mais uma vez nos defrontaram foram mais uma vez um bando de gentalha que merece que o avião aterre em segurança mas que abane com todas as putas das forças dos ventos a bufarem nas asas para que possam vomitarem-se todos uns por cima dos outros. Que nojo de gente, que aproveita mais uma vez a permissividade do árbitro, que deixou que os lançamentos fossem feitos a dez metros do local em que a bola saiu, que permitiu empurrões todo o jogo sem que pudéssemos fazer o mesmo, que perdoou dois penalties a Maxi (dois, porque há um que me parece que ele cai antes sequer de o homem do Marítimo lá chegar) e que fez com que os homens do Marítimo pudessem “picar” os jogadores do FC Porto sem qualquer problema disciplinar. Uma merda de gente, eles e o árbitro.


Era pior perder na estreia de Peseiro, mas a vitória não deixa grandes motivos para boa disposição. Há muita pedra para partir e José Peseiro precisa de, como dizem os ingleses, “hit the ground running”, porque não há tempo a perder. Nem pontos.