Até o FC Porto regressar…o Porta 19 continua no Twitter!

Continuo por fora destas lides e a vaguear pelo cada-vez-mais-interessante mundo do Twitter. Está a ser uma experiência muito curiosa, que me está a agradar profundamente e que apesar de não ter conseguido acompanhar os jogos todos em directo, tenho feito o possível para seguir os que consigo. Como tal vou continuar a andar por lá até o FC Porto voltar ao trabalho, que será no dia 3 de Julho. Passa mais depressa do que pensam, acreditem.

Eis alguma da acção que estão a perder se não derem lá um salto de vez em quando:

Entretanto, podem esperar com alguma expectativa e um soupçon de excitação uma mudança importante que vai haver aqui no burgo. Até lá, meus caros, podem acompanhar-me em:

@portadezanove

Ouve lá ó Mister – Académica

Mister Paulo,

Atravessamos tempos conturbados, homem. A equipa não joga uma pontinha de um corninho de caracol e move-se à mesma velocidade do bicho. Tem sido penoso ver o futebol que temos vindo a apresentar e apesar de todos sabermos que não há mal que sempre dure, já começamos a questionar a passagem do tempo por esta ridícula travessia do Kalaári. Foda-se, Paulo, uma vitória e cinco empates a um nos últimos cinco jogos?! E já não ganhamos para o campeonato desde Outubro?! Não pode ser, pá, não pode ser mesmo.

Já vi que convocaste o Carlos Eduardo. Até podia ser uma boa opção, o rapaz anda moralizado e precisamos de um rasgo diferente no meio-campo. E eu apostava no Ricardo. É novo, está cheio de força e os outros dois mais “velhotes” que lhe tapam o lugar parece que não atinam dois jogos seguidos. Sim, Varela e Licá, estou a falar também para vocêses.

Faz lá o que te lembrares para conseguires pôr os rapazes a jogar. Muda a táctica, abana as campaínhas das cabeçorras dos gajos, dá-lhes choques eléctricos, cospe-lhes nas fotografias dos filhos, põe imagens do Sousa Cintra em pelota no balneário, faz o que te der na cabeça. Mas impõe alguma ordem naquela comandita e faz com que os gajos entrem em campo com vontade de rasgar as camisolas dos adversários, de comer a relva com uma pitada de pimenta e de dar pontapés sucessivos nos postes quando falharem um remate. Põe-lhes os tomates no sítio, pá, age como chefe e massacra a mona deles para que não joguem com a mesma vontade de um miúdo em fazer os deveres de Matemática.

Faz o que quiseres. Mas ganha o jogo.

Sou quem sabes,
Jorge

Ouve lá ó Mister – Nacional

Mister Paulo,

Que saudades de ver o fêcêpê a jogar, rapaz. Todo este reboliço da selecção e da taça e dos sorteios da taça e da Bola de Ouro que afinal ainda pode ser do Ronaldo e do Vieira a levar nas trombas por causa do BPN e do Jesus que foi suspenso e do Quaresma que agora dizem que pode vir e do Otamendi a titular na Argentina e do russo que ninguém vê há meses…toda esta variadíssima panóplia de eventos e não-histórias estão a desfocar a minha atenção daquilo que é mais importante: o meu clube, a disputar o campeonato do meu país, onde continua em primeiro e que já não faz um jogo em condições (tirando contra o Sporting, vá) há meses. E hoje é o dia ideal para regressares às boas graças do povo, sabes porquê?

Porque é um jogo como tantos outros. Exactamente por ser um jogo como tantos outros, uma partida contra um adversário que pode ser mais complicado ou menos complicado mediante o que a tua equipa dizer em campo. E é nestas partidas que se tem de manter o ritmo, tão afectado neste nosso absurdo calendário com competições da treta e viagens da FIFA, é exactamente nestes jogos que podes marcar a diferença e dizer: “estamos cá. estamos a melhorar. estamos a crescer. e daqui a um bocadinho, sem que derem por isso, estamos a jogar bem.”. Hoje pode ser o dia em que evoluímos de um futebol desorganizado e displicente para uma máquina semi-oleada que dá gosto ver.

Vou para o Dragão cedinho. Vou parar na alameda onde estiverem a vender castanhas e vou-me sentar num degrau a comer esses pedaços de ardósia forrados a carvão, contente da vida a cumprir uma tradição pessoal que já data do tempo das Antas. Mudam-se os tempos, mudam os embrulhos, mudam os percursos para o estádio, mas não mudam as castanhas, não muda o gajo, não muda a tradição. Venham elas e depois, quentinhas e boas no meu estômago, vamos para a vitória. Siga.

Sou quem sabes,
Jorge

Uma explosão ouvida por todo o mundo

Os amaricanos andam como os caranguejos

Um pequeno desvio da actualidade portista, se me permitem. Com todo o hype da SuperBowl a varrer os Estados Unidos como um daqueles robots que aspiram a casa sozinhos, deparei-me com um estudo interessante elaborado pela Harris Interactive, uma conhecida empresa especializada em pesquisas de mercado, sobre a evolução dos hábitos dos norte-americanos no que diz respeito às preferências em termos desportivos e à forma como têm vindo a mudar desde 1985, o primeiro ano que esta pergunta foi feita ao povo:

Se tivesse de escolher apenas UM, qual destes desportos era o seu preferido?

Os números são evidentes. O interesse no futebol (o nosso, não o deles) cifrava-se num singelo 1%, chegando a triplicar por alturas do Mundial lá disputado (1994) para uns enormes 3%, encontra-se em 2011…de volta ao 1%. Isto depois da MLS, de Beckham, Ljungberg, Henry e tantos outros, depois de excelentes prestações da selecção nacional nos campeonatos do mundo onde participou (com as mulheres sempre em excelente plano mas os homens também não se safaram nada mal) e da contínua exposição ao melhor que há no futebol europeu através de transmissões das Ligas Inglesa e Espanhola, para lá da Champions League e da Europa League. Podemos considerar que o período durante o qual o inquérito foi feito (início de Dezembro, quando a MLS está parada e a época de football está a entrar na fase decisiva) tenha alguma influência no resultado, mas até vendo o histórico recente podemos ver que nunca ultrapassou os 4% da preferência global do povo americano. E quando comparamos esse 1% com os 36% do futebol profissional ou a igualdade entre futebol universitário e baseball com 13% cada um, as diferenças são grandes demais para que possam sequer ser colocados no mesmo patamar de competitividade.

É uma verdade que o mercado é enorme e que 4% de 300 milhões já será um valor aceitável (afinal será mais que a população portuguesa) mas é indicativo do trabalho de marketing e contínua transformação de mentalidades que os fulanos da FIFA têm de continuar a fazer para insistir em quebrar os filhos do tio Sam. E para tentar fazer com que o processo de conversão prossiga e dessa forma evitar que a Time tenha de mudar constantemente a capa da revista que vende nos EUA até em termos desportivos. Porque se virar agulhas para a política, a comparação é demasiado evidente.

Se estiverem interessados em dar uma vista de olhos mais alargada pelo relatório, podem fazer download aqui.