Baías e Baronis – Braga vs FCP


Saí de casa para um jantar de aniversário e deixei o jogo a gravar. Tive o azar do raio do restaurante ter uma televisão que me deixava ir vendo o jogo pelo reflexo no vidro à minha frente, e por isso quando saí de lá e regressei a casa sentei-me no meu sofá a ver a partida. O que vi foi mais ou menos o mesmo que tinha visto no referido reflexo. Mau, muito mau. Costumo ler os blogs e os jornais desportivos antes de fazer a minha análise, fundamentalmente para me acalmar e tentar perceber se todo o mundo vê os jogos como vejo, sempre tentando não me deixar influenciar pelo que leio. Hoje nem isso faço, só procurei uma foto e vou directo para a análise. Vamos a notas:

BAÍAS
(+) Num jogo de pouco trabalho defensivo, Rolando foi o melhor de todos. Admito que a pele Aloísica lhe fica bem, especialmente nas dobras e na colmatação das falhas consecutivas de Bruno Alves. Para continuar a titular.
(+) Fernando esteve bem, não tão eficaz como noutras partidas mas ainda assim acabou por tapar Hugo Viana e não o deixou fazer muito (sem contar com o lance do golo, que nasce de um lance de bola parada).
(+) Varela, apesar de notar-se alguma incapacidade de crescimento em função das primeiras exibições da temporada, é dos poucos que produz alguma coisa que se veja.
(+) O jantar de aniversário, com amigos e comida razoavelmente bem confeccionada. O aniversário de um amigo de longa data passa sempre à frente do futebol e este foi mais um. De salientar que o animal do meu amigo sempre que faz anos e marca um jantar, há-de calhar um jogo do FC Porto. E normalmente perdemos pontos. Não lhe bastava estar (mais) velho, também me lixa o clube. Raios te partam.
BARONIS
(-) Por onde começar? Num jogo em que aparentemente nenhuma das equipas quis vencer, o Braga, sem fazer muito por isso, acaba por marcar num chouriço do tamanho das sapatilhas do Shaquille O’Neal. Ainda assim, Helton não fica isento de responsabilidades no golo, o que depois da excelente exibição em Londres acaba por marcar o pleno regresso às displicências que nos habituou. Fraco.
(-) E lá vem Jesualdo inventar. Depois de alguma consistência conseguida com Belluschi, eis senão quando aparece Guarín de aparente pedra e cal na equipa, transformando um meio-campo já de si pouco criativo numa parede defensiva demasiado próxima dos centrais e a deixar um espaço extraordinário para os avançados. Falcao muito preso na área, Hulk a inventar e apenas Varela a conseguir produzir o mínimo aceitável, era confrangedor para não dizer vergonhoso ver o FC Porto a organizar jogo antes do meio-campo.
(-) Hulk. Estamos a perder batalhas atrás de batalhas na guerra de tentar transformar este fulano num jogador a sério. Não sei se está cansado do jogo de Inglaterra, mas depois da bela exibição frente ao Leixões teve dois jogos horríveis e voltou a ser o Hulk fintento, simulatório e ineficientíssimo, entre outras palavras com mais sílabas que deviam. Só lhe faltou reclamar com o árbitro para ser o velho Hulk que me habituei a insultar mais que elogiar. Vá lá.
(-) Álvaro Pereira é vítima dele próprio. A inconsistência exibicional parece ser patente no uruguaio, que talvez se dê bem melhor com Fucile do que os portistas gostariam. Como o colega de sector falha muito e em zonas fulcrais do terreno, sobe quando não deve e deixa muito espaço atrás para os extremos adversários. Terá que rever rapidamente estes erros posicionais porque vêm aí Simão e Aguero.
(-) Guarín não teve culpa de ter nascido com dois pés esquerdos e não saber usá-los. É incapaz de fazer um passe correcto a mais de 5 metros, e mesmo no intervalo entre 0 e 4,9 metros a vida afigura-se-lhe como complicada. Quem aposta nele é que já devia saber disso.
A primeira derrota na Liga Sagres aparece num momento complicado. Nesta altura aqui há um ano, regressávamos de uma coça em Londres para vencer em Alvalade. Hoje foi o contrário e a falta de capacidade ofensiva e o aparentemente desinteresse pela vitória (já nem falo do futebol ofensivo e bonito, deixo isso para o Benfica) deixa-me apreensivo. Mais um ano a subir o monte começa a custar…

5 comentários

  1. Gostei da referêcia ao Benfica! Ainda estamos no ínicio e é verdade que todos perdem pontos e jogos. Vai chegar a nossa vez, mas espero que não seja para já!
    No mínimo, estou satisfeito com a atitude e qualidade do futebol do Benfica. Mas fico sempre preocupado: aquele penalti a favor do Braga na primeira parte é descarado! Fica um abraço para ti meu amigo, sei como sofres com estas coisas. Eu, infelizmente estou mais habituado :-)
    Abração da Madeira!

  2. Quando o melhor sector do F.C.Porto é a defesa – excluindo o Helton -, acho que há muito pouco para dizer.

    Uma desilusão. Se após Londres fiquei com a convicção que estavamos no bom caminho e não iamos passar pelo mesmo pesadelo que passamos por esta altura da época passada, agora, depois desta pobre exibição, já não tenho certezas nenhumas.

    Se em Stamford Bridge, pelo grau de exigência, até nos podemos conformar com a derrota, ontem, não há nada que possa abonar em nosso favor.
    Um meio-campo, onde o melhor, mais esclarecido, mais dinâmico e mais construtivo foi o Fernando, explica muito a nossa derrota justa. Sem meio-campo não há ataque que resista, embora quer a Hulk quer a Falcao, principalmente, fosse de pedir mais.

    Vem aí o Sporting e depois o A.Madrid. O grau de exigência não vai ser o mesmo de Inglaterra. Que Jesualdo seja capaz de encontar o antídoto para resolver a irregularidade e regressar às vitórias.

    Um abraço

  3. Este FC Porto tem ainda um longo percurso a percorrer para se aproximar das equipas que venceram o Tetracampeonato.

    Nas quatro jornadas anteriores, a equipa deu uma imagem pálida, só abrilhantada em alguns momentos dos jogos, recordo, contra equipas de segundo plano. Com o inicio do ciclo mais complicado (Chelsea, Braga, Sporting, Atlético Madrid)os Dragões abanam, apesar da melhor exibição da época em Londres, e já levam duas derrotas consecutivas.

    Talvez a «vitória moral» tenha contribuído para o mau desempenho de Braga. Os jogadores ter-se-ão envaidecido e convencido que a equipa portuguesa seria fácil de bater.

    É naturalmente especulativo tirar tais ilações, a verdade é que não é tolerável perder um jogo em que pouco ou nada se fez para vencer, e o pouco foi sempre muito mau.

    O Professor vai necessitar de muita reflexão e apostar sem medos nos atletas que melhor rendimento lhe garantam, sem olhar a nomes ou estatutos.

    O sinal de comando pertence-lhe e não basta confessar a sua vergonha.

    Vamos a isso enquanto é tempo.

    Um abraço

  4. Mau jogo, falta de sorte, desconcentração e nervosismo, foi isto tudo que estragou o jogo ao F.C.Porto, um golo do Braga estranho, defesas de Eduardo como ele nunca as fez, um Guarin a titular não sei porquê e só aos 60 minutos é que o F.C.Porto tem permissão para fazer substituições ( deve haver uma lei na liga que impeça o F.C.Porto de fazer substituições antes do minuto 60 ).
    Perdemos 3 pontos mas há que levantar a cabeça, agora só temos que pensar no próximo jogo.

    Um abraço, http://varanda-do-dragao.blogs.sapo.pt

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