Nothing to see here, move along

Todo este circo mediático que está a ser criado em torno do FC Porto vs Benfica é ridículo. Por vários motivos, nenhum dos quais pode ser mencionado por Rui Gomes da Silva, que ainda ontem conseguiu o feito quase inédito de fazer com que Guilherme Aguiar soasse como um rapaz normal, coerente e com argumentos para derrotar, diria até esmagar o pobre ex-ministro (vá-se lá saber como) até debaixo da pedra de onde surgiu. A tomada de posição de Dias Ferreira ontem no Dia Seguinte, exageradamente exaltado mas fiel à sua “persona”, foi perfeita para acalmar os ânimos e definir o que é de facto uma astuta estratégia montada de dentro para fora e que é, à falta de melhor termo, um win/win. Senão vejamos quais serão as prováveis reacções benfiquistas aos eventuais cenários:

  • O Benfica vence o jogo e há pedradas e violência gratuita antes e durante o jogo:
  • Luís Nazaré vem a terreiro afirmar a vitória do bem contra o mal, qual Aliança Rebelde contra o Império Galáctico do Mal, Frodo contra Sauron ou Jack contra Locke. Os bons triunfam e os maus, os violentos, os acintosos, os entes maléficos não conseguiram parar a cavalgada triunfal da luz, da esperança da Humanidade perante a vil, perniciosa influência da versão futebolística da negra Ceifeira. Jesus rejubila com a vitória, Villas-Boas é um menino malcriado e Pinto da Costa reuniu as tropas para gerar o Armagedão e vacilou perante a força do Bem e da irmandade entre os Homens.

  • O Benfica vence o jogo e não há pedradas nem nada do género:
  • A vitória dos grandes, da esperança do país em tempos de crise, do factor de união que é o Benfica. O melhor futebol dentro de campo imperou e o brilho das armaduras vermelhas que surgiram como um sinal de paz e que remeteram os vândalos do Norte para as suas covas, encolhidos de medo perante a demonstração de pujança dos ungidos pelo Cordeiro. Agora sim, a caminhada triunfal está estabelecida, o percurso será imaculado e o horizonte é brilhante. O Mal foi derrotado e o Bem está de volta.

  • O FC Porto vence o jogo, sem problemas cá fora:
  • Vieira, à saída do estádio, assume que a crise da verdade desportiva está no seu zénite e os problemas do país futebolísticos foram evidentes em campo. O senhor esteve condicionado pelo clima agreste criado pelos jogadores e pelo público, roubou descaradamente o Benfica e nunca se pensou chegar a este ponto. Jesus quase agride o flash-interviewer da SportTV mas depois admite que o Benfica não aguentou a pressão, que os jogadores deram boa réplica mas não conseguiram libertar-se das “algemas invisíveis” que o árbitro lhes colocou, inibindo o seu melhor futebol.

  • O FC Porto vence o jogo e há escaramuças à chegada:
  • A polícia entra em campo e impõe a ordem. Vieira reclama protecção individual para cada jogador no seu trajecto entre a sua casa e o centro de estágio e dirige-se mais uma vez a Rui Pereira para demolir o Estádio do Dragão para impedir que qualquer pessoa de bem possa ir lá e ser violado com paus com pregos na ponta. Clama-se pela implosão dos bairros sociais da urbe invicta e a violência e agressividade que se sentiam nas Antas são usados como case study para o Benfica pedir a perda de 45 pontos do FC Porto, arrecadados em todas as vitórias dos últimos anos. O Benfica admite não jogar em mais nenhum estádio acima do Carregado até que a situação esteja resolvida e sugere aos adeptos que não saiam de casa nem para comprar tabaco.

    Quando um gajo se olha ao espelho e não vê as evidências, das duas uma: ou é vampiro e deverá imediatamente deslocar-se a uma estação de televisão para ver se saca algum guito porque há-de haver mais uma novela prontinha para sair enquanto o estupor da moda durar; ou então é má pessoa.

    Por isso ficam dois apelos: em primeiro lugar façam como eu e a partir de hoje e até à semana do “clássico”, deixem de falar no FC Porto vs Benfica. Ainda temos de fazer 5 jogos até lá chegarmos (Taça, dois da Liga e dois da Europa League) e falta tempo demais para nos preocuparmos com fait-divers; e por favor deixem os rapazes chegar até ao Dragão sãos e salvos. Vamos fazer com que o ambiente seja hostil dentro do Estádio à custa não de pedras nem bolas de golf nem canivetes mas com as nossas vozes. E, acima de tudo, vamos ganhar o jogo em campo. Cá fora não interessa a ninguém.

    UPDATE: video do Dia Seguinte de ontem:

    8 comentários

    1. Como dizes e bem é uma win/win situation …
      Não tenhamos qualquer duvida que será assim e até ao fim do campeonato.

      Não vejo o dia seguinte no entanto por causa de umas dicas no facebook tive curiosidade de dar uma olhadela e viquei boquiaberto com o Ze Guilherme Aguiar, é a primeira vez que o vejo a altura de defender o nosso GRANDE clube.

      Um abraço

      http://www.fcportonoticias-dodragao.blogspot.com/

    2. penso que estamos a perder o fio à meada.

      o que o Benfica se prepara para fazer é mais rebuscado. é simular um ataque antes de chegar ao Porto e voltar para trá com os três pontos

      (neste caso quem os perde é o FCPorto). …

    3. Se fosse assim tão fácil como o hooligan escreve era difícil haver campeonato com jogos. Passava a haver campeonatos de arremesso de pedras aos autobus.

    4. eu não vi o dia seguinte mas vi um video de parte do programa (http://www.youtube.com/watch?v=aQpPks5pqYI )

      Não penso que o G. Aguiar represente o Porto porque me parece que tem uma postura demasiado displicente no programa e neste breve trecho vejo que o representante lampião ficou sem resposta quando recordou uma vez mais uma versão adulterada de um comentário do SAF.

      Assim, o Gomes da Silva como bom lampião adultera o sentido do comentário do SAF.

      SAF compara o titulo português a ir às compras no TESCO (a maior cadeia de retalho? no UK).
      Tal comparação apenas serviu para diminuir o campeonato português dizendo que é tão fácil ser campeão como ir? às compras ao Tesco, uma cadeia de preços baixos e de fácil acesso em qualquer ponto do Reino Unido.

      O que é muito diferente de comprar o campeonato.

      Foi pena que tivesse deixado passar a oportunidade.

    5. Com a relação actual entre os 2 presidentes e os 2 clubes, qualquer desfecho é loose / loose para os adeptos e para o nosso futebol

    6. Grande texto, essa é que é essa. O melhor que temos a fazer é deixar esses imbecis a falar sozinhos e chegar a dia sete, salvo erro, e espetar-lhes três secos, mesmo que apanhemos com um árbitro com simpatias vermelhas mais ou menos disfarçadas. E, claro, convém ganhar ao Leiria e em Coimbra, antes.

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