Bodes expiatórios

No arranque do campeonato, o benfiquismo (as primeiras páginas de A Bola e do Record) fabricou um bode expiatório — Roberto. Castigando e humilhando Roberto salvava-se o Benfica: retire-se Roberto da baliza e temos a pureza virginal do Benfica, a que era apenas preciso acrescentar umas alas mais eficazes. Depois, Roberto defendeu um penalti e ganhou confiança — era o novo herói do Benfica, o vértice luminoso de um polígono de glórias destinado a subir pela tabela e atacar o título. A partir de agora, o benfiquismo (as primeiras páginas de A Bola e do Record) encontrou uma nova desculpa: Jesus, o homem que se limitou a desviar David Luiz para a faixa de Hulk, a fim de parar o tufão que no ano passado foi impedido de jogar. Humilhando Jesus, que no ano passado pôs o Benfica a jogar como não acontecia há vinte anos, salva-se o Benfica. É toda uma doutrina sobre danos colaterais.
E dizer, com clareza e simplicidade, que o FC Porto ganhou o jogo de ontem porque foi superior? Está quieto. Melhor é inventar um novo bode expiatório.

Francisco José Viegas in A Origem das Espécies.

Touché. Como já é hábito nos textos do onanista (no bom sentido…esperem, há um mau sentido?) dragão.

6 comentários

  1. Gosto do que este gajo escreve. É pena ao vivo nao conseguir aguentar-se contra as feras abestalhadas do futebol ou teriamos um comentador interessante nos pugrámas de 2a feira. Acho que é abafado quando o faz…

  2. Há uma coisa que ninguém falou ainda que e a falta de cair play dos jogadores do Benfica. Ao 20:40 javi Garcia recusa "dar a mão" ao belluschi…

  3. Está bem escrito sim Sr. Agora a culpa de terem levado 5 foi do David Luiz ter jogado a defesa esquerdo, os outros 10 não contam.

    reinododragao.blogspot.com

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