A sede da rede

O mundo está diferente. Já houve alturas em que para falar com um jogador de futebol e saber o que ele pensava, um jornalista tinha de marcar uma entrevista e um jovem adepto teria que timidamente aproximar-se do ídolo à saída de um treino e tentar aproximar-se do rapaz para lhe pedir um autógrafo e perguntar: “Então, estás a gostar de cá estar?”, enquanto o Drulovic olha a namorada de cima a baixo com aquela cabeça de martelo, não me enganas oh sérvio que eu bem te vi a galar a gaja mas ela é minha e não quer ter nada contigo nem com nenhum gajo que tenha um primeiro nome que parece um jogo de construção para putos, ah pois é, incha! Divaguei outra vez, perdão.

Hoje em dia, basta abrir uma janela para navegar na uébe e rapidamente chegamos aos pensamentos e desabafos dos rapazolas que andam a correr na relva (ou a tropeçar, no caso do Mariano), aberta que está a proverbial caixa de Pandora tão temida pelos dirigentes e treinadores: a matraca dos pupilos. Quem manda agora sabe que um jogador mais insatisfeito com o que se passa no mundo pode sempre reclamar com o computador e tuítár ou feicebucar o que lhe apetecer, seja pelas próprias mãos ou através de “amigos” que lá colocam as mensagens subliminares ou não que assumem ter percebido. Não vale a pena fazer uma vigília para um regresso ao passado sombrio em que estávamos, mais personalizado, talvez, mas mais fechado e menos mediático. É o mundo em que vivemos e há que lidar com isso da melhor forma. É por isso que não me empertigo quando leio uma bocarra dos jogadores ou de um ou outro elemento a eles ligado. É normal.

O que dirigentes e treinadores têm de perceber é que a melhor forma de lidar com isto é…luzes, câmara…à moda antiga. Uma conversa, um tête-à-tête com o jogador para lhe fazer ver que este tipo de coisas não só o prejudica a ele como denigre a imagem do clube. Explicar-lhe que um desabafo, por singelo e sentido que seja, está a colocar em risco a solidariedade profissional e pessoal com os colegas que com ele convivem, com o clube que lhe paga o ordenado e com a “família” que tem no emprego. É assim que se têm de tratar estes assuntos para impedir que cresçam, que criem metástases graves e profundas e afectem o rendimento tanto em campo como fora dele.

Vedetas todos podemos ser, pelo menos ao espelho. Mas até as vedetas precisam de uma mão por baixo para serem estrelas.

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