Acéfalos

Chegou-me aos ouvidos que mais uma vez ia havendo molho n’o Dia Seguinte e não questionei o porquê, nem a causa maior do evento. São estas as vozes escolhidas a dedo por um canal de televisão para defenderem as cores dos seus clubes em frente a um público televisivo de tal maneira vidrado no enaltecimento da carneirada nacional que ainda se dá ao trabalho de ouvir o chorrilho de idiotices que se lembram de proclamar naquele ou em qualquer outro dia. Dá audiências, pois claro, porque os acéfalos que ainda têm pachorra para os ver e ouvir partilham do partidarismo saloio e apoia o inapoiável e defende o indefensável. A táctica é sempre a mesma, uma premissa parlamentar que tanto deputado desta nação podre usa e abusa, de dar a facada para depois questionar se a naifa está afiada. “Você é, se me permite, um enormíssimo filho de doze putas, meu caro! Não se exalte, veja lá, olhe que perde a razão quando levanta a voz!”. E o outro replica na mesma moeda. Gomes da Silva, Dias Ferreira e Guilherme Aguiar (que se livrou de ser candidato à minha Câmara e arriscar que eu e tantos outros constituintes votassem em grande número na estátua do Teixeira Lopes antes de pôr o xis nele) são o espelho de um país futebolisticamente tripartido, com ódios gerados e regenerados todas as semanas, onde cada um vê a sua côr e mais nenhuma, sem um grama de equidade, inteligência e retórica coerente no discurso. E riem-se, os parvos, e riem-se, pim.

É por estas e por tantas outras que deixei de ver este tipo de programas e gostava imenso que fizessem o mesmo. Nem me dou ao trabalho de pôr o video aqui porque decidi não dar nem mais um segundo de tempo de antena a símios. E vocês, os que pensam pela vossa cabeça, espero que me perdoem o desabafo.

25 comentários

  1. Meu caro, como benfiquista, este é dos poucos posts em que concordo a 100% consigo. Sendo esse o piorzinho de todos os programas, nenhum se safa a essa coisa de falar com palas nos olhos…

    Não vejo esse tipo de programas há anos, e apenas vou vendo essas “fantásticas” passagens nos blogs…

    cumps

  2. Há muito que adoptei o mesmo procedimento. É um desperdício de tempo, uma agressão à nossa inteligência, uma completa inutilidade ver ou ouvir este tipo de programas: não educam, não entretêm, geram a violência e ódios, e não têm qualquer autenticidade.

    Remígio Costa.

  3. Claro que não por o video fez com que tivesse que o ir procurar… sinceramente, nem uma frase de post merecia…
    O propósito da SIC não é falar de futebol, e apenas e só, ter peixeiradas em direto! Há que pagar aqueles ordenados mirabolantes!

  4. Essa corja é má demais – raras excepções. Além de se fustigarem em continuidade com repetições de lances em super slow-motion, valorizando detalhes à exaustão com o único intento de se insultarem a eles e quem os vê.

    Lixo de televisão.

  5. Totalmente de acordo.
    Estes programas começaram no inicio dos anos 90 com um trio (Santana Lopes, Fernando Seara e Pôncio Monteiro), e todos eles tinham uma diferença com os programas actuais, educação! E acima de tudo eram amigos fora do programa, nessa altura ainda me divertia…hoje em dia chamar palhaços a estes gajos é uma ofensa para tal profissão…

  6. o “trio d’ataque” foi, durante muito tempo, o único a que me permiti perder cerca de hora e meia semanal, da minha vida. fi-lo até o caríssimo Rui Moreira ter “amandado” aquela bofetada de luva azul-e-branca ao palhaço de serviço armado em cineasta.
    desde então, não dou para nenhum peditório que envolva discussões sobre Futebol onde estejam presentes lampiões. é uma pura perda de tempo. nunca concordaremos (seja no que for).
    abr@ço
    Miguel | Tomo II

    1. desculpa, Jorge, mas, para mim e no Presente, é cada vez mais difícil não me exaltar com os lampiões – pois que os Benfiquistas, na sua larga maioria, não gravita pela bluegosfera a soltar a sua «gloriosa» ira, invectivando tudo e todos.
      recordo-me bem do meu início nesta aventura cibernáutica, nesse ido ano de 2008: era, para lá de um puto imberbe, um inocente. vê lá tu que perdia o meu tempo a responder-lhes, na esperança de obter o seu respeito. debalde, meu caro. a esmagadora maioria dos lampiões, para lá de acéfalos e de usarem óculos made in Penafiel, são mal educados – sobretudo connosco, portistas. e se sei que estou a ser rude com os lampiões é porque também tenho as minhas razões; por exemplo, basta fazer uma ronda por algumas das caixas de comentários da bluegosfera para se perceber da sua soberba e de como nos têm respeito…
      portanto, vais-me desculpar, mas já não consigo ter paciência para oslampiões. nem sequer o respeito que já me mereceram (e nem preciso recordar os comentários que diariamente tenho que eliminar lá no meu estaminé, todos eles com um teor de fazer corar, não só os seus progenitores, como as pedras da calçada que usam para nos agredir quando vamos ao ex-estádio da Lucy aka cesta do pão aka salão de festas…).
      estás à vontade em eliminares este meu desabafo, se considerares que ultrapassou o limite da boa educação.
      abr@ço
      Miguel | Tomo II

      1. pois eu continuo com respeito a todos, porque há facciosos de todas as cores. e compreendo que assim te sintas, que portista no seu perfeito juízo pode afirmar que nunca conheceu um ou mais benfiquistas doentes? e o contrário também é verdade, sem dúvida. mas como o karma é fodido e ataca sempre nas piores alturas, tento não entrar por esses caminhos.

        a ti permito-te porque és…tu :)

        abraço,
        Jorge

  7. ganda Jorge,Ola,eu queria evitar a questao mas contudo nao vao deixar de falar,no julio machado vaz e o sergio godinho que participaram num programa tipo e pelo qual eu tenho boa imagem……do porto sinceramente estou para VER,……………….o Porto enlouqueceu com a contratacao de liedson e agora com peseuda falta do luisao……..HA uns tempos um gajo afirmou ….que tal equipa e so pontape para a frente…………..agora gostava que alguem repenicasse que o Porto parece que so sabe jogar ao MEIOINHO roda roda e nao passa disso,….mais uns tempos volvidos um gajo teve a ejaculacao precoce de dizer ,,,demoramos tempo para estarmos assim ,no fim de guimaraes,agora pergunto eu ASSIM como de todos os jogos de cariz dificeis poucos foram os que o porto ganhou

  8. Totalmente de acordo. Já há muito que deixei de ver este género de programas. Não acrescentam nada, mas mesmo nada. São todos iguais, nenhum tem interesse em discutir futebol.

    Com tanto programa sobre futebol, era de esperar que já tivessem experimentado algo diferente, mas é sempre a mesma coisa. Convidam 3 adeptos facciosos que mal percebem de futebol e passam 1 hora a dizer generalidades e a lançar acusações.

  9. A única vantagem que os benfas têm, é que podem não ganhar mais nada até 2050, que continuam cá de pedra e cal, com petróleos, e drogas, e perdões, e favorecimentos bancários, e com empréstimos obrigacionistas com a conivência de milhões, etc etc etc.

    Ninguém pense, que se nada mudar, as nossas frentes desportivas não vão ter o mesmo futuro que o basquetebol…

    Futebol é negócio mais rentável, tudo bem. Mas no basquetebol, está a acontecer o mesmo que no futebol…Isto é, concorrência desleal…orçamentos e proporções de passivo enormes, e uma ideia que existe “muito benfiquista” e que por isso é um modelo de negócio sustentável.

    A verdade é que a maioria benfiquista ainda não percebeu que títulos vão ver poucos, e vão ser muito enchidos de propaganda oca, e claramente parcial, em todos os meios de comunicação.

    É incrível o esforço feito por Correios da Manhã, Sic Notícias, Expressos, TVIs, e todo o grupo Media Capital e grupo impresa para colocar opinião com estratégias do tipo, colocar membros de direcções em programas, escolher comentadores menos preparados dos clubes rivais do benfas. Garantir capas e posições de destaque para debate de temas que são favoráveis ao clube do regime e desfavorável aos rivais… etc etc

    Isto é, o modelo de negócios do benfas não é sustentável per si, é sustentável nas massas…

    O FCPorto tem de necessariamente combater isto…

    E isso é que devia fazer mover-nos…

  10. Há muito tempo que deixei de ter paciência para esse tipo de programas. Esse Rui Gomes da Silva é um dos maiores imbecis que vi em toda a minha vida. Já foi deputado, é por estas e por outras que o país está como está!

  11. A meu ver o grande problema é que as pessoas não sabem os seus limites. Não sabem quando têm de ceder, e muitas vezes mesmo estando erradas continuam a bater na parede. E depois nesses programas ve-se o que se ve. Mas isso não acontece só em Portugal, os espanhóis são peritos nisso.

    Bem olhem, não sei se é por ser noutra lingua, mas eu adoro ouvir os debates da NBA, e ouvir os debates da Premier league. Os gajos motivam, avaliam, não falam de cafes com leito, nem de coca cola. Falam de futebol, dos jogadores, da evolução deles, do treinador, enfim falam de futebol. Nos ditos “casos”, avaliam e pronto. Mas respeitam-se.

  12. Agora algo completamente diferente.
    Onde na verdade funciona o cerne da questão, e que se delicia ao saber que esses programas
    não tem credibilidade suficiente para os por em causa. Talvez seja essa a estratégia ao deixar que as peixeiradas andem em roda livre, sem que os assuntos sejam discutidos com elegancia, desportivismo e com factos.
    Como disse algo de completamente diferente. O cerne da questão foi, é , será, onde se formam e nomeiam arbitros.
    Quem é que a comissão nomeou para o jogo F C Porto – Estoril ? Tendo em conta que na cabeça dos jogadores, está em Málaga.
    Nomeou o Nuno, aquele que arbitrou com sucesso o F C Porto B – Benfica B, onde um dos jogadores da equipa das avermelhada só foi expulso depois de ter malhado por mais de 1hora forte e feio nos jogadores do F C Porto.
    Este artista, também não teve dúvidas quando aos 93 minutos ( depois de dar 5 minutos extra – num jogo banal) mal viu Gaitan amandar-se para o chão com o jogador da Académica, não teve dúvidas.
    TEMO o PIOR……..

  13. Caro Jorge, totalmente de acordo. O único programa que vale a pena ver é o “Grande Área”. Não há lugar para as exaustivas análises à arbitragem e os seus comentadores – especialmente o Carlos Daniel – conhecem o jogo e, fundamental, amam o futebol.

    1. o Carlos Daniel é tratado com algum desdém pela comunidade azul-e-branca pela suposta afiliação (ou simpatia) clubística, mas devo dizer que gosto de o ouvir. gosto de ouvir qualquer um que fale de futebol com gosto pelo futebol e não pela acintosidade do discurso e pelo gosto da auto-grafonolice. enfim, é o país que temos.

      um abraço e boa sorte para logo contra os franciús,
      Jorge

  14. Mas em Portugal existe algum programa de TV com paineleiros de cor clubística conhecida, em que se fale sobre futebol? Essa é nova para mim. O que existe neste país 3º mundista são programas onde 3 estarolas falam 99% do tempo sobre arbitragens.

    Esses 3 estarolas reflectem um país que supostamente gosta de futebol (e onde este desporto é promovido de maneira mais abjecta possível em detrimento das outras modalidades), mas que apenas consegue falar de árbitros. Tácticas de jogo e outras análises do género é que nem vê-las.

    Enquanto a cultura desportiva do tuga for inexistente, continuaremos a ver a nossa TV invadida por estes programas de treta, mas que são aquilo que a esmagadora dos adeptos gosta de ver pois os próprios adeptos também só sabem falar de árbitros antes,durante e após os jogos (basta ler alguns dos comentários a este post, onde até se fala de arbitragens em jogos das equipas B).

    Mas como já foi sugerido atrás, quando um destes programas da treta estiver a ser transmitido, metam a dar uma análise à jornada da EPL ou da NBA, que são bons exemplo de como falar sobre desporto.

    Um bem haja também para este blog, que consegue mostrar que se pode falar e analisar o nosso clube sem andar sempre a falar da mesma coisa (arbitragem).

    Abraço

    1. para conversas sucessivamente fúteis sobre arbitragem há muitos outros blogs e talvez muito mais frequentados que o meu. mas tenho a mania de usar um blog sobre o FC Porto para falar…do FC Porto. que tara, hã? :)

      abraço,
      Jorge

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