Baías e Baronis – Braga 1 vs 1 FC Porto

Jantar de aniversário de um amigo a que não podia faltar. Restaurante tranquilo, com bom nível. Uma dourada grelhada maravilhosa. Bom verde da casa. Conversa animada, luzes a meio-gás, suave música ao vivo (esse conceito horrível que não compreendo como é que há quem goste, palavra) e uma televisão ligada ao meu lado. Mal começou o jogo alguém mudou a emissão de um extraordinariamente desinteressante concerto de um cantor espanhol qualquer e colocou as câmaras da SportTV em Braga a passar o seu feed na televisão. Lá se foi o jantar, a boa disposição, os momentos relaxados, a conversa simpática e o calor da dourada. Só ficou o nervosismo. E não me serviu de nada, porque voltamos a desperdiçar uma oportunidade de vencer um Braga mediano e mostramos que se conseguirmos chegar lá, seremos campeões apesar de Nuno e não devido a ele. Notas, sofridas, em baixo:

(+) Brahimi. Voltamos ao mesmo e se Yacine não se começar a chatear com isto é porque tem mais pachorra do que eu penso. Atiram-lhe a bola a cinquenta metros da baliza e esperam que saia dali um lance à Messi ou um golo à Beckenbauer. O argelino é o melhor jogador da equipa a fazer rupturas mas não se percebe que o resto dos colegas seja tão dependente dele quando querem jogar pela relva. Se nos alhearmos das várias vezes que Brahimi furou por entre vários gajos de vermelho e branco para não conseguir depois entrar na área ou rematar porque ninguém criava linhas de passe, só me diz que o jogador não tem culpa de se mostrar mais irreverente que os outros. O treinador, esse sim, tem de perceber se a equipa vai jogar com ele ou para ele. Até lá, vamos perdendo oportunidades umas atrás das outras.

(-) A entrada em jogo. Contra o Benfica escrevi isto: “Os piores dez minutos do FC Porto aconteceram logo no arranque. E foi pena que o Benfica tivesse tido exactamente a atitude oposta entrando estupendamente em jogo, agressivo no meio-campo, intenso e subido para recuperar a bola em zonas onde procurávamos ainda descobrir linhas de passe primárias que raramente existiram. O penalty acabou por ser um infeliz corolário a alguns minutos de intensa pressão e o Benfica fez por merecer isso.” Retirem “Benfica” e coloquem “Braga”, troquem “penalty” por “golo” e está explicado o porquê da desvantagem que poderia ter sido maior no final da primeira parte, não tivesse Deus tido misericórdia nossa e feito com que o enormíssimo cabrão do Pedro Santos falhasse o penalty, trazendo um pouco de justiça no sentido de lixar a noite de um estupor que até então tinha gozado de todos os privilégios possíveis por parte do árbitro. Ainda assim é mais um jogo em que entramos demasiado lentos, passivos, permissivos e acima de tudo distraídos. Não consigo perceber como é que Nuno permite que tal se repita, com homens no meio-campo a deixarem passar tudo por eles, os defesas demasiado recuados e lentos a agir e a intervir no jogo. Não percebo, a sério que não.

(-) Produção ofensiva. Pá, malta, temos todos de olhar para isto de uma forma consistente e coerente: não jogamos o suficiente para sermos campeões de uma forma assertiva. Até podemos chegar lá mas será sempre com mais acidentes do que seria expectável e nunca com a força das nossas exibições e a genialidade do nosso futebol. Nem sempre os campeões são feitos da massa que faz deles dignos de serem material para ser usado pelos Miguéis Ângelos deste mundo (o de Florença, não o de Cascais) para criarem as obras indeléveis da nossa história. A verdade é que o nosso jogo na relva, o que de facto produz golos e lances de perigo consistente, a maneira como tratamos a bola como equipa e como nos aproximamos da baliza adversária, não está a ser forte. Espremendo todo o caudal ofensivo, os apoios entre jogadores, a troca de bola e das posições entre colegas de equipa para propiciar hipóteses de marcar golos, dá muito pouco sumo e não estou a ver como podemos encarar qualquer jogo com tranquilidade quando os jogadores estão a jogar ao nível de um gajo com pouco treino mental a sentar-se em cima de uma cama de pregos e a tentar aguentar mais de cinco segundos sem furar as nádegas. Ainda podemos ser campeões mas vai ser sempre à custa de muito suor gasto pelos jogadores e muito pouca cabeça para lá chegar. Custa admitir mas é o que tenho visto.

(-) Arbitragem caseirinha. É incrível como é que Pedro Santos chega ao fim do jogo sem ver um único amarelo por faltas iguais às que deram vários (VÁRIOS, CARALHO, NÃO FOI SÓ UM CASO, FORAM VÁRIOS!!!!) amarelos aos jogadores do FC Porto. É incrível como é que o Brahimi é expulso por whateverthefuck e vai ficar suspenso nas próximas jornadas. É incrível como é que o penalty pela mão do Óliver (justo) é apontado imediatamente mas o Felipe é engravatado na área e não se marca falta. É incrível como o Fede Cartabia pode andar à patada ao Telles e a impedir o Iker de lançar a bola para a frente e continua em campo depois dessa e várias outras. E é claro que houve lances com jogadores do FC Porto a abusarem da sorte (Maxi, mesmo Brahimi em campo, até Danilo numa cotovelada que me pareceu acidental mas acertou no adversário na mesma) mas esse desespero foi causado em grande parte pela arbitragem bem inclinadinha que, mais uma vez, nos prejudicou. Deu-me um certo orgulho ver Luís Gonçalves aos berros com os árbitros e admito que gosto de o ver semi-possuído no banco. Faz falta um gajo desses, palavra.


*suspiro* mais um empate, o terceiro nos últimos quatro jogos. Não é possível pedir grande tranquilidade aos adeptos quando vêem a sua equipa a desperdiçar tantos pontos em tão pouco tempo quando estamos na recta final da Liga. E esta dependência do próximo sábado…nem quero pensar.

8 comentários

  1. “mostramos que se conseguirmos chegar lá, seremos campeões apesar de Nuno e não devido a ele” – Meu caro, é mesmo isto. Sem tirar nem pôr. O NES e o Porto na grande maioria do campeonato é isto. Largos períodos de jogo oferecido e a força mental de um amendoim. Já desde Outubro que ando a dizer isto!!!!!
    Sofremos um golo e borramos logo a fraldinha. É sabido que NES é um gajo porreiro, que fomenta o espírito de balneário, a união da equipa mas num clube de topo é preciso mais. É preciso ser um bom psicólogo e um bom estratega. Ele (NES) não tem nenhuma destas qualidades e pior que isso acho que não saberá o que é. Mais, acho que é mesmo mau tacticamente e é com regularidade que comete graves equívocos nas substituições. Como é que um Cabrão destes (peço desculpa mas estou mesmo irritado) ainda tem a coragem de na sala de imprensa, ontem, dizer que esperava que o líder fosse derrotado para assim passar para a frente!!!!! Já teve essa oportunidade na Luz e nada… népias! E pensar que este senhor teve a distinta lata de pedir um quadro para explicar os conceitos com que regia a equipa. Cagança barata. Narcisismo puro. Um grande ZERO desenhado nesse mesmo quadro bastava para agora compreendermos o tipo de liderança que ele tem na equipa, quer em termos mentais e tácticos. Mas o que mais me chateia ainda é a insistência no slogan “Somos Porto” quando pelos vistos nem a pessoas que inventou a expressão sabe o que isso é. INACREDITÁVEL. Imagino como teria sido a época do Porto se o balão de oxigénio que foi a vinda do Soares não tinha acontecido!!!! Engraçado, ontem dei-me a pensar o seguinte… a sensação dos adeptos valencianos quando NES chegou ao Valência deve ter sido a mesma que nós, portistas tivemos, quando o Lopetegui foi anunciado como nosso treinador. Quem é este senhor e de onde é que ele vem!

  2. Parece q estamos em sintonia em tudo, meu caro. Falei deste jogo num grupo de futebol q administro no Facebook, focando tanto o mau jogo do Porto, a dependência de Brahimi, a sua substituição, as opções de NES, colocar as fichas todas no Sporting e, claro, da arbitragem. E deixei esta informação q agora partilho ctg, convosco. Bom dia.

    “Termino chamando a atenção para isto. Tenho estado a acompanhar a parte disciplinar mais ou menos desde o início da época. O link que deixo é do nº de cartões que cada equipa recebeu até agora neste campeonato. O FC Porto chegou a ser a equipa mais bem disciplinada até sensivelmente à 20ª jornada. Desde que FC Porto e Benfica lutam taco a taco, o tal pontinho, que o Porto não só perdeu esse 1º lugar como já foi ultrapassado pelo Vitória (de Setúbal). Actualmente está em 3º neste campeonato com quase mais 20 cartões amarelos que o Benfica. E isto aconteceu por causa de jogos como este, que têm sido constantes desde então, jogos com um critério disciplinar díspar e normalmente para nosso prejuízo. O FC Porto não consegue acabar um jogo sem levar 4, 5 amarelos em jogos tranquilos, ou em jogos em que não é claramente a equipa mais agressiva – no mau sentido. Marcano, que é um jogador que tenta sempre jogar limpo e prova disso era apenas ter um amarelo até há umas jornadas atrás, já tem 5. Maxi e Felipe, 8. Temos 3 jogadores à bica: Rúben Neves, Corona e Danilo. É, para mim, difícil de entender como é que uma equipa era a melhor do ponto de vista disciplinar, e desde que a luta pelo título se intensificou, já só tem direito ao bronze e a grande distância do outro candidato que parece não sofrer deste problema. A disciplina pode decidir campeonatos e no caso do FC Porto já se começou a decidir há algum tempo, infelizmente.

    http://www.zerozero.pt/edition_stats.php?v=et4&id_edicao=98399&ord=d

  3. sr carlos aqui á uns dias li algures,que este pais esta sempre na cauda da europa para as coisas boas,derivado ao facto de sermos um pais dos 6 milhoes (e por aquilo que se viu no slb vs fcp) e que a unica maneira de nos evoluirmos seria a emigraçao desses ditos 6 milhoes, toda a canalhada politica dos 6 milhoes e o resto dos “superiores”6 milhoes so os consigo comparar aqueles tipos que levam os outros com um macacao cor de laranja e se sentem uns herois por lhe cortarem a garganta.cumps helder oliveira

  4. Jorge
    Cada opinião vale o que vale,e eu para não ir contra a natureza humana tenho a minha opinião.
    Ponto e virgula o dito campeonato ainda não esta decidido,mas depois do resultado do jogo com o Setúbal o resultado de Braga foi normal e mesmo que o campeonato tenha um vencedor diferente do que actualmente está em primeiro,eu não irei ter uma opinião diferente sobre uma coletividade que me desiludiu por ter abdicado daquilo que eu penso ter sido aquilo a que se chama somos porto,como ter uma selecção portuguesa ter sido campeã europeia com estilo de jogo do qual o Porto consagrou mas se desinteressou,em prol de uma sociedade de consumo monetário em detrimento de uma mentalidade que estava enraizada na cidade do trabalho.
    O Porto actual vive de estilo,o invés da metodologia de processos criados para futebol,e pior viu os adversários directos evoluírem com alguns processos de futebol por ele desenvolvidos,e algumas das vitórias recentes do clube a terem resposta com lacunas, que os adversários colmataram ao invés. de ser qualidade do clube nas vitórias
    E no qual o papel actual inverteu se.
    Fui me não estou para escrever mais.

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