Baías e Baronis – Chaves 0 vs 2 FC Porto

Vento a mais, futebol a menos. Foi um jogo aborrecido, mal jogado, com algumas oportunidades de golo mas uma eterna e enervante cerimónia no remate quando se exige sempre mais sentido prático. Continuamos a navegar à vista num campeonato que ainda pode ser nosso mas que parece cada vez mais longe. Safaram-se dois golos nas alturas certas e uma boa exibição de André², num jogo em que Nuno mexeu mais do que precisava…e fê-lo em boa altura. Vamos a notas:

(+) André². Um belo jogo do carregador de piano mais franzino que há memória no FC Porto, porque a posição que ocupa não se compadece com homens fracos e pequeninos, algo que André tenta contrariar sempre que pode. E o que é engraçado é que raramente o consegue, parecendo ficar quase sempre aquém do que deve fazer, mas não deixa de tentar, o que lhe dá algum mérito. Marcou um e assistiu outro, afirmando-se como titularíssimo neste plantel. Resta saber se continuaria a sê-lo se houvesse opções válidas para o seu lugar.

(+) Ruben Neves. É um jogo diferente quando o nosso menino está em campo em vez de Danilo. O que se perde em força ganha-se em organização, em construção sustentada e até em remate de longe. Melhorou nos livres directos e pode ser muito útil no último jogo quando o Benfica estiver a perder no Bessa e Ruben espetar um balázio nas redes do Moreirense. Leram aqui primeiro, não se esqueçam!

(+) Otávio, quando tem espaço. Belíssimo trabalho no segundo golo, onde esperou mesmo pelo momento certo para enfiar a bola pelo meio dos adversários e na passada de André². E progrediu sempre no terreno quando tinha a bola e acima de tudo com espaço pela frente, de uma forma que Óliver raramente executa e que nos últimos tempos tinha vindo a faltar. Continuo a preferir o espanhol (por um factor de sete triliões de vezes) mas ainda bem que a alternativa é razoável…apesar dos problemas que Otávio mostra quando não tem espaço e que podem ler em baixo.

(-) A entrada em jogo. OUTRA VEZ. Começa a ser complicado arrancar um jogo do FC Porto e não começar imediatamente a insultar quem quer que apareça no campo de visão. A forma da equipa entrar em campo é tão burguesa que não me admirava nada que puxassem de uma revista sobre decoração de interiores para lerem enquanto o adversário faz pela vida. Há tanta displicência, desconcentração, lentidão e pouca vontade de começar a jogar com garra que um dia destes vamos sofrer golos nos primeiro minut…oh wait.

(-) Otávio, quando não tem espaço. Leram o que escrevi em cima? Aquilo é só quando Otávio tem espaço para progredir e caminho livre, porque quando o rapaz se apanha com pernas pela frente…upa, é uma parvoíce de fintas inconsequentes, más decisões, nervosismo e uma postura de “vou ver se saco uma falta antes que perca a bola”. Não tenho grandes dúvidas que essa forma de se mexer em campo faz com que muitas das faltas (como a que teria dado um penalty a nosso favor e que mais uma vez não foi assinalada) sejam consideradas acções de interpretação cénica por parte do brasileiro. E era escusadíssimo, não era? Era, pois.

(-) Mais uma arbitragem simpática. Ora então mais um penalty por marcar. Ora então mais um ou dois amarelos por mostrar cedinho no jogo e que condicionariam os rapazes do Chaves para o resto do jogo. Ora então mais uma expulsão para o Maxi, o homem que foi expulso uma vez em mais de 250 jogos em competições nacionais pelo Benfica (fui verificar os números porque sou doente) e que teve dezenas, DEZENAS de lances iguais a este, com ou sem Xistra, acaba por ser expulso duas vezes em pouco mais de 60 jogos. A expulsão é justa, nada a dizer sobre o lance, mas é notável como a teoria das probabilidades leva uma facada das grandes quando se mete o Benfica ao barulho.


Faltam três jogos. Nove pontos. E o próximo, na Madeira, é ainda mais importante porque acontece antes do Rio Ave vs Benfica. Uma vitória coloca-os com mais pressão, mas qualquer coisa que não sejam os três pontos para nós…enfim, mais uma voltinha.

9 comentários

    1. ah também contamos com os mini-puxões? então não temos quinze ou dezasseis penalties a haver, temos uns quarenta, amigo. e nem sei porque é que ainda aprovo os teus comentários, palavra. devo ser um imbecil, a sério que devo.

    2. Palavra que quando vi o lance do Ponck pensei que seria pretexto para um Gomes da Silva da vida vir falar em penalty. Foi o Carlos, afinal… Deve passar os jogos do Porto de lupa à procura de qualquer coisa que legitime a escandaleira reinante na arbitragem.

  1. Quem sabe no próximo ano não poderemos juntar a Rúben Neves o seu companheiro de seleção (Bruno Fernandes) e jogar com essa dupla dos sub-21 que encanta qualquer adepto de futebol. Até lá, temos um campeonato para ganhar.

    1. O Bruno Fernandes queria vir, pelo que se soube, aparenta ser portista, mas por algum motivo não se aproveitou e agora parece-me que já está fora do nosso orçamento, principalmente numa altura em que temos de encaixar muito dinheiro…

      1. É pena, porque são dois jogadores com uma classe enorme, e que se complementam muito bem. E os dois tem uma característica que no porto mais ninguém tem: remate de fora da área.

  2. otavio e dos poucos jogadores abressivos do porto durante os 90 minutos quer tenha espaco quer nao tenha. O que me peturbou foram oa passes de r neves rapidos e sempre para a frente e via a maioria dos outros a nao correrem a pedirem a bola no pe, impressionante, ele a acelerar o jogo e os outros (filipe, maxi , marcano) a pedirem a bola no pe. Percebe se a pasmaceira com que a equipa entra sempre.

  3. Isto até podia ser uma equipa engracada se nao fosse um pequeno (enorme) detalhe.

    O Nuno planeou esta época para jogar no (eterno) 4-3-3. Um tempo antes de chegar ao mercado de Inverno lá percebeu que com equipas de autocarro o 433 do Porto era desorganizado e decidiu mudar para o 442. Só que para isso precisava de pelo menos duas coisas: outro avancado para fazer companhia ao André Silva e extremos com capacidade e hábito para jogar com a bola no pé a la Brahimi.

    Como estamos na situacao económica que se conhece, em Janeiro só deu para vir o Soares. E se por um lado disfarcamos (até por uma certa surpresa dos adversários pela “nova” táctica) já mais adiante o tal extremo e um médio centro ofensivo comecaram a fazer muita falta. E entao o NES decidiu inovar (one more time) e criar este 442 híbrido que eu confesso ter dificuldade em entender (o tal 4-1-3-2). Resumindo…a malta já nao entende nada. Andam perdidos entre um sistema e o outro (e o outro) e o NES vai mudando a táctica a seu gosto (ou do adversário) e a equipa nao acompanha estas mudancas. Aparte parece-me que o estado de espirítio dos jogadores é de que “já nao vao lá” e parece-me que da mesma maneira o NES nao está a conseguir ser o agente motivador. Em suma..mais uma temporada para o tecto que aparte de estarmos longe de ser campeoes, estamos longe de ser uma equipa com estofo de campeoes.

    Saudacoes portistas

  4. parece a teoria das probabilidades de o Benfica nos últimos 74 jogos de liga nunca jogar contra 10, excepto 3x nos descontos da segunda parte em jogos resolvidos. ou a teoria das probabilidades de o Porto ser sempre tão roubado e este ano ir com um balanço positivo de 270 minutos quanto a situações de superioridade numérica contra 50 minutos negativos do Benfica.

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