Hoje estou com pena deles, palavra

E olhem que é algo que me custa. Não me custa por serem quem são, pela inimizade que tantas vezes nos une nos campos da bola. Mas porque ter pena de alguém é um sentimento tão desprezível, tão vazio de esperança e de fé que me faz ter pena de ter pena. E podia continuar, mas opto por ser um poucochinho mais produtivo.

Estive a torcer pelos gajos. É verdade. Desde o início do jogo que me pareceram mais frescos, mais dinâmicos e com mais acerto que a malta do Chelski, confirmando o que pensava ser a mais natural reacção à patada nos dentes que tinham levado aqui no Dragão. Levantaram a cornadura e lá foram para a batalha no/a Arena para arrancar os bifes pelas pernas. Toscos não são porque nunca foram, mas o futebol não era certo, não era perigoso, assustava pelas rápidas trocas de bola a dezenas de metros mas pouco mais. Não foram incisivos, não foram letais, ao contrário dos rapazes do Rafa, que parecia emular aquele Liverpool enojante que defendia com todos que podia e mandava Kuyt e Gerrard para a frente com o Xabi Alonso de tempos mais ofensivos a patrulhar o centro. E não marcando, sofreram. E marcando, sofreram de novo. Aos noventa e picos. Outra vez.

Se o Benfica que veio ao Dragão no passado sábado mereceu perder porque jogou de forma a que tal não acontecesse, este que hoje correu e suou em Amsterdão merecia outra sorte. Nem que fossem a penalties, mas mereciam outra sorte. Sim, é verdade que pouco perigo criaram e que o Chelsea apareceu duas vezes na área e imediatamente pôs Artur a rezar à virgem. Mas ainda assim, não mereciam perder de uma forma tão sádica e infeliz.

Não sou adepto do Benfica, acho que é um facto bem estabelecido. Mas hoje consegui ver-me a torcer por eles, um pouco pelo patriotismo parolo que ainda vive dentro de mim, outro pedaço por solidariedade familiar, mas em grande parte porque me vi ali naquelas bancadas, aqui há dois anos em Dublin. E sei o que se sente um adepto que vê a sua equipa a chegar a uma final europeia, a presenciar ao vivo um momento de História para si, para o seu clube, para a sua vida. E sei o que é partilhar dessa emoção, do nervoso semi-alcoolizado de quem sabe que a outra equipa e os outros adeptos estão a sentir o mesmo.

E como Basileia teve lugar numa altura em que não distinguia os cueiros de uma toalha de linho, felizmente não sei o que é perder um jogo desses. Muito menos desta maneira. Fica um abraço de solidariedade para com os adeptos que conheço e que nesta altura estão num poço bem, bem, bem lá no fundo. É tramado, não tenho dúvida. E ainda vai ser mais tramado, espero, levar a estocada final no Domingo. Só não lamento afirmar que, se tudo correr bem, na altura quem vai fazer a festa sou eu. I hope.