Milão ou São Petersburgo?

Acabei há pouco tempo de ler um bom livro sobre futebol focado na sua envolvência socio-económica, particularmente focado na econometria estatística. Para os que ainda estiverem acordados depois deste excitante prélio, aconselho comprarem o “Why England Lose” (ou “Soccernomics“, na versão americana), da autoria de Simon Kuper e Stefan Szymanski.

No livro, para além de muitas teorias baseadas em pura indução estatística, há uma secção inteira dedicada à forma como o futebol europeu, depois de muitos anos em que os clubes vencedores eram provenientes de cidades industriais da Europa democrática nos tempos mais recentes e das capitais dos países com uma liderança política totalitária nos primeiros tempos das competições profissionais (com exemplos como Manchester, Liverpool, Barcelona, Milão, Turim, Dortmund, Munique e Porto no primeiro grupo, juntando-se Madrid, Lisboa e Bucareste do segundo), os centros principais do futebol estão a alterar, muito em função das mudanças sociais que se verificam. Cada vez mais as cidades industriais estão a definhar, ao passo que as grandes cidades europeias mais orientadas ao aculturamento, ao cosmopolitismo e ao interesse crescente dos indivíduos nos melhores prazeres da vida.

Segundo a teoria de Simon e Stefan, aplicado à nova realidade do futebol moderno, vemos que uma grande maioria dos clubes que surgem como possíveis grandes do futebol são clubes que surgem das “novas” grandes cidades, como Londres, Istambul, Moscovo e … São Petersburgo, estas que são algumas das maiores urbes da Europa. Londres foi a primeira “new city” a crescer para lá da importância que tinha no meio do século passado, onde estava isolada fisica e mentalmente, com uma atitude de “não, não, já disse que não!” perante a malta de fora da ilha, para se transformar numa cidade moderna, cosmopolita, vibrante e com uma multiplicidade de estilos e culturas que a tornam mais apetecível para pessoas de todos os cantos do Mundo. Não foi de estranhar que Abramovich tenha decidido, por impulso, comprar um clube exactamente em Londres e não nos centros de futebol mais intensos, como Liverpool ou Manchester, cidades mais frias e menos apelativas para outsiders.

Com as mudanças que vão surgindo, é natural que os bons jogadores se sintam também atraídos por estas “novas” cidades. Há muito tempo que os grandes clubes de Istambul começaram a atrair estrelas da bola com futuros promissores ou de créditos já firmados (este ano chegaram Guti e Quaresma ao Besiktas, Stoch ao Fenerbahce, Juan Pablo Pino e Lorik Cana ao Galatasaray, mas quem se esquece de Roberto Carlos, Kewell, Anelka, Baros, Carew, Jay-Jay Okocha, Hagi, Popescu, Kostadinov, Van Hooijdonk, Kezman, De Boer, Elano, Taffarel, Ribery e até, porque não, Jardel e tantos outros), o que não seria previsível que pudesse acontecer nos anos 80 tornou-se um hábito nos tempos que correm. Houve um aumento de confiança, uma mudança nos hábitos e na cultura que já permite a um profissional pensar em mudar-se para um país com um estilo de vida que já não é tão diferente assim. A adaptação é mais fácil e as próprias famílias dos jogadores já podem ir com eles, desaparecendo assim o estigma do “jogador emigrante”, sozinho e abandonado.

É evidente que o prestígio de um Zenit ou de um Besiktas (ainda) não é o mesmo de um Milan ou um Liverpool. Mas alguém se lembra do Chelsea pré-Abramovich? Tinha vencido uma Taça das Taças e pouco mais, na Liga Inglesa ficava-se pela primeira metade da tabela e nem pensaria em ser o clube que é agora. O Arsenal pré-Wenger também sofria do mesmo mal, recordo. O Zenit (que venceu a Taça UEFA em 2008) ou o CSKA (vencedor da mesma competição em 2005), pode vir a ser um destes novos clubes que dominará o nosso futebol num futuro não muito distante.

Assim sendo, não estranhemos que daqui a alguns anos, a par dos tradicionais Barcelona, Inter, Man Utd ou Bayern, se confirme cada vez mais a ascenção do Chelsea e do Arsenal e comecem também a aparecer os Zenits, os Besiktas e os CSKAs. E se nos quiserem comprar as estrelas como o Zenit acabou de fazer com Bruno Alves…que se cheguem à frente. Porque se há algo que não muda, é o dinheiro.

Órfãos?

Nesta teia de relações em campo há jogadores que são um pouco como os ‘pais’ dos outros. Os defesas-centrais, voltam a ser o exemplo. Há sempre um que na dupla cresce sob a ‘asa’ do outro. Não é um drama. É, até, natural, num plano técnico e humano de complementaridade sem comparação com outros lugares do campo. Pensamos num e logo imaginamos o outro. É o melhor que pode acontecer a uma equipa ao analisar os seus centrais.

Por isso, para o FC Porto perder Bruno Alves é perder mais do que um mero central. Sai, também. o ‘pai’ do outro… central. Gritando com todos, colegas e adversários, fazendo de cada corte uma afirmação de carácter, a seu lado qualquer central, mesmo saído do berço, se sente maior. Rolando foi o último exemplo. Sem esse seu ‘capitão natural’, perde-se uma base do ADN dos onzes azuis-e-brancos desde há décadas. Um traço que dá condições (primeiro mentais, depois técnicas) para os outros jogadores crescerem e serem melhores até do que verdadeiramente são.

Luís Freitas Lobo
in Expresso

O principal problema em perder Bruno Alves é este. A questão que se coloca é: quem virá para ser o novo “pai”?

?? ????????, Bruno!

A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo de princípio com o Football Club Zenit St. Petersburg (Zenit) para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Bruno Alves pelo valor de 22.000.000 € (vinte e dois milhões de euros).

Mais se informa que a formalização final deste acordo está dependente da celebração do contrato de trabalho do atleta com o Zenit, assim como da conclusão dos exames clínicos a que irá submeter-se, com o consentimento da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD.

O Conselho de Administração

Porto, 3 de Agosto de 2010

Ponto final. Kaput. Fim. Bruno Alves sai por 22 milhões para a Rússia. Não vou questionar os motivos para-financeiros, basta-me desejar boa sorte aquele que usou a nossa mítica camisola 2 e capitão nos últimos tempos. Continua a ser um excelente jogador que deu tudo o que tinha ao clube, que sempre o acarinhou e tratou como uma figura de topo do nosso clube. Teve os seus excessos e a sua agressividade será sempre considerada violenta por alguns e saudável por outros, mas Bruno nunca quis ser consensual. Numa altura em que muitos acreditam ter ficado uma época a mais no FC Porto, acaba por sair por uma bela quantia para um dos clubes em ascenção no futebol mundial.

Boa sorte e adeus, Bruno! Que tenhas tanta sorte na Rússia como tiveste na Invicta!

Não joga, ponto.

Para acabar de vez com as conversas do Bruno Alves poder ou não jogar a Supertaça:

Bruno Alves seria sempre carta fora do baralho para o jogo da Supertaça com o Benfica, porque cumpriria castigo.

in O Jogo

o central Bruno Alves não poderá alinhar, devido a castigo (foi expulso na final da Taça de Portugal da época passada)

in JN

Happy?

Dragões no Mundial (IV)

Continuando a acompanhar as prestações dos seis Dragões presentes no Mundial, segue o resumo dos jogos do “bota-fora”:

Portugal 0 – 1 Espanha
29 Junho 2010
Oitavos-de-Final

  • Bruno Alves – 90 minutos em campo, sem grandes destaques de nota.
  • Raúl Meireles – 90 minutos em campo, com boa mobilidade no meio-campo.
  • Rolando – Não saiu do banco.
  • Beto – Não saiu do banco.

Uruguai 2 – 1 Coreia do Sul
26 Junho 2010
Oitavos-de-Final

  • Fucile – 90 minutos em campo em bom nível, jogando a defesa lateral esquerdo.
  • Álvaro Pereira – Não saiu do banco.

Uruguai 1 – 1 Gana (5-3 em penaltis)
26 Junho 2010
Quartos-de-Final

  • Fucile – 120 minutos em campo sempre a grande rotação, lutando até à exaustão.
  • Álvaro Pereira – Não saiu do banco.