Global Player Migration Report 2011

O relatório da Professional Football Players Observatory é uma excelente forma de percebermos os padrões migratórios daqueles que são os animais mais importantes do mundo, muito acima do banais gansos-de-faces-brancas ou dos pombos-torcazes: os jogadores de futebol.

Global Player Migration Report 2011 - página 22

Quando vemos que a grande maioria dos clubes portugueses que “importa” jogadores aos contentores, vindos de todos os pontos do Mundo mas preferencialmente do Brasil, é interessante avaliar alguns rácios que este relatório nos apresenta. Gosto particularmente dos trajectos de carreira trans-nacionais, como está exemplificado acima.

Olhando para o gráfico, reparem no padrão a verde, que liga por ordem Brasil – Portugal – Roménia. O mesmo poderia suceder com o Chipre ou com outros países de futebol inferior ao nosso. É curioso, mas nada que não soubéssemos por experiência. Citando do relatório:

The career paths of footballers are increasingly fragmented in many national associations. Contrary to the expectations of clubs, agents and the players themselves, transnational trajectories are more often downward than upward.
For example, many Brazilians who first migrate to Portugal are unable to move up to better leagues and end up playing for Cypriot, Romanian or Armenian clubs. Similarly, many Irish and Welsh footballers who move to England fail to settle in this country and are subsequently re-transferred to Scotland. The only significant transnational circuit in which the intermediate
association is a stepping stone is that leading players from Argentina to Mexico through Chile.

Podemos ver também que o FC Porto está no quarto lugar do ranking de clubes que mais exporta jogadores de qualquer nacionalidade, com 16 jogadores. O Benfica está em 2º com 22 e o Sporting em 16º com 12. Este rácio de rotação do plantel torna mais evidente a necessidade de comprar e vender em permanência para equilibrar balanças comerciais, ao contrário de clubes como o Barcelona ou o Chelsea, que compram pouco mas bom.

Podem fazer download do relatório completo aqui ou em alternativa no site da PFPO. Vale a pena.

Link:

FC Porto: Their Run for European Glory

 

Porto’s ability to put together a team of journeymen, as well as up-and-comers from smaller clubs, has made their model one that the top flight teams should use instead of overpaying by millions for big names. All of these players play vital roles that complement one another, making every player equally important.

 

Podem ler o artigo completo no Bleacher Report, um site americano que cometeu um erro no artigo, que pode ser lido na sua totalidade aqui: assumiu que o Mariano está a ser um jogador essencial. Se ainda fosse há dois anos…

Link:

Baías e Baronis – Spartak Moscovo vs FC Porto

 

foto retirada d'a bola

10-3. Dez contra três. E não foram 8-0 e depois uma derrota por 2-3. Foram duas vitórias consistentes, coerentes e por diferenças similares, porque depois da vantagem de quatro golos ganha no Dragão fomos a Moscovo enfiar mais cinco na pá russa. Surpreendente? Só para quem não viu os jogos. Este, especialmente na segunda parte, foi jogado a ritmo de treino com os jogadores a recusarem meter o pé às bolas contrárias, acabando por sofrer dois golos que não seriam facilmente digeríveis em situação normal de jogo (ver aquela torre manca a fazer uma cueca ao Otamendi e uma “comidela” ao Rolando…só a brincar) mas desta vez posso deixar passar sem lhes bater metaforicamente. Sorrisos, muitos sorrisos para todos os Portistas, porque estamos de novo numa meia-final europeia! Da notes:

 

(+) Guarín Mas este rapaz vai parar de marcar golos? Aparece em todo o lado na primeira parte, a arrumar jogo e a pressionar o Spartak no meio-campo deles, cheio de força e de vida, a jogar e a fazer jogar (muito embora continue a passar a bola com muita força) e, com maior surpresa ainda, a marcar. Conseguiu a proeza de tirar o lugar a um Belluschi que estava a fazer uma temporada excelente e cheia de futebol, esforço e sacrifício. Que grande mea-culpa que eu tenho de fazer, um dia destes em forma de ode, como fiz a Mariano no passado.

(+) Hulk Não só pelo primeiro golo mas pelo facto de ser notório que sempre que tinha a bola nos pés havia um tremor a atravessar a espinha dos russos, tal era o cagaço de ver Givanildo a voar por lá fora e eles sem capacidade pulmonar/muscular/anímica para conseguir chegar perto dele. É um perigo constante quando está em campo, esteja a brincar com passes de calcanhar ou a rematar de longe.

(+) Cristián Rodríguez Em 2010/2011 a visão do Cebola a fazer um jogo completo já é peculiar. Vê-lo a marcar um golo, ainda mais. De cabeça, upa upa. Depois de um canto? É a loucura, amigos! O rapaz jogou muito bem, com garra e alta intensidade, a mostrar que tem vontade de continuar a ser opção. A experiência que tem neste tipo de provas, a somar a algum cansaço de Varela fez dele uma escolha muito boa para este jogo, salvaguardando sempre uma eventual estupidez que o leve a apanhar um ou outro amarelo.

(+) Imagens de Villas-Boas no banco Vencer o Spartak por 5-2? Excelente. Arrumar a eliminatória com 10-3? Brilhante. Observar a euforia com que o nosso André celebrava cada golo da equipa? Priceless.

 

(-) Álvaro Pereira É verdade que a equipa estava a jogar em ritmo de treino. Mas a partir do momento em que o Spartak começou a atacar pelo seu flanco, qualquer gajo de vermelho e branco que queria passar tinha uma passadeira a fazer lembrar a festa das flores de Campo Maior. Álvaro relaxou demais, confiou numa eventual lusitanização do árbitro húngaro (vá-se lá saber porquê) ao atirar-se para o chão ao mínimo contacto e pareceu sempre distraído e fora do jogo. Até um certo ponto compreendo o relaxamento, mas não perdoo. Foi das únicas notas negativas da equipa hoje em Moscovo, já que decido não incluir as falhas de Rolando e Otamendi ou as hesitações de Helton na segunda-parte porque percebi que não queriam abusar de entradas mais rijas para evitar cartões. Mas ao menos pareciam mais ou menos atentos, ao contrário do uruguaio.

(-) Lesão de Fucile Não sei se o problema foi do relvado ou só da infelicidade da queda do Jorginho. Mas o que é certo é que o perdemos para algum tempo e nesta altura em que estava cheio de moral, a jogar bem e a regressar à forma que mostrou no Mundial, é uma perda enorme para a equipa. Sapunaru não tem estado mal mas todos sabemos que são dois jogadores incomparáveis quando Fucile está em forma. As melhoras, muchacho!

 

 

Segue-se o Villarreal. Lembram-se de Abril de 2003? O adversário na altura chamava-se Lazio e tinha um plantel muito experiente, com jogadores de alto nível e, para além disso, eram italianos. Estes são de outro país, mais parecidos cá com a malta, mas igualmente perigosos e será um desafio enorme. Vai ser uma meia-final entre os dois principais favoritos (Benfica e Braga que me perdoem) à vitória final e vamos encontrar aquele que é na minha opinião o adversário mais forte que já encontramos até agora nesta época. Apelando à simetria, primeiro foi uma espanhola, depois uma russa e depois outra russa. Só falta…outra espanhola! Venha ela!

Link:

Ouve lá ó Mister – Spartak

André, perestroikador!

A roda não pára de girar e a tua loja continua no mesmo ritmo intenso que temos vindo a suportar desde o início de 2011. Acredito que não esteja a ser fácil para essas pernas andar a “passear” do Porto para Lisboa, para o Porto de novo e siga para Portimão para uns dias depois se enfiarem num avião para a Rússia, onde tinham estado há poucas semanas. Check-in, check-out, next customer please. É dose.

Mas ainda não acabou. Há muito em jogo hoje à tarde naquele pseudo-relvado do Luzhniki. Uma vitória e ninguém notará a diferença, um empate e o pessoal encolherá os ombros em indiferença. Uma derrota…e até o Sporting fica com ideias de cá vir ganhar porque os rapazes estão cansados e a treta do costume. Uma derrota por 4 golos…nem quero pensar nisso, amigo! Mais depressa imagino o Domingos Amaral a deixar o álcool que o FêQuêPê a levar tanto golo no pandeiro. No way, André.

Só te peço para não menosprezares os gajos. Já deu para ver o que eles jogam, que é suficiente para nos amolgar os planos mas não para os desfazer na totalidade. Até nem me importo que descanses um ou outro rapaz, desde que não alteres a estrutura da equipa, especialmente na zona da defesa. O ataque até pode ser um bocadinho diferente mas a defesa é que não. E lembra-te que o Maicon gosta muito de deixar a bola bater antes de lá meter a cornadura, por isso se o escolheres para jogar avisa-o que neste tapete a bola salta. Muito.

Vamos lá arrumar com os segundos russos da época. As meias-finais estão a noventa minutos de distância!

Sou quem sabes,
Jorge

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Dragão escondido – Nº1 (RESPOSTA)

Voilá…a resposta ao primeiro “Dragão escondido”:

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A maior parte da malta acertou e o rapaz é mesmo José Carlos, central brasileiro, marcador de livres e autor do famoso “olha para aqui, Artur Jorge!” enquanto batia na coxa a celebrar um golo marcado ao Benfica no Estádio das Antas, na altura em que o filólogo era treinador dos nossos rivais, como vingança pela pouca utilização que o técnico lhe tinha dado quando foi treinador do FC Porto em 1989/90 (se estiver enganado por favor corrijam-me!). A foto é de um jogo amigável no início da temporada 1994/95.

Entre as respostas que a malta deu:

  • Jorge Costa – a alternativa mais provável, fazia parte do plantel e era central, posição que tinha um elemento a menos nos jogadores visíveis;
  • Fernando Couto – tinha saído no Verão para o Parma;
  • Geraldão – tinha saído alguns anos antes para o Paris SG;
  • João Manuel Pinto – só chegou em 1995/96;
  • Paulinho Santos – possível, mas improvável tendo em conta a formação táctica;
  • Kostadinov – idem.

Gostei do resultado e vou repetir. A malta recordou o passado, voltou aos tempos do Robson e deu para um bocado de nostalgia que é tão porreira para todos. Afinal, sou da geração rasca…a original!

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