Baías e Baronis – Málaga 2 vs 0 FC Porto

Na segunda-feira à tarde fiquei indisposto. Fui a um casamento no sábado e a máquina deve ter ficado abanada ao ponto do almoço de segunda me desengrenar o sistema e me pôr às portas da morte, como um homem normalmente fica quando está doente. Passei a terça-feira a trabalhar de casa, como se tivesse levado uma carga de pancada de quatro Mozers e dois Paulinhos Santos. E o jogo de hoje foi mais um pontapé na virilha a juntar-se ao molho que o meu corpo está a aguentar nos últimos dias. Vi um FC Porto amorfo, incapaz de lidar com um ritmo vários níveis acima do nosso, sem força nem capacidade física e mental para conseguir dar a volta a uma equipa que não nos é superior, numa competição que devia continuar a ser nossa e da qual saímos por culpa própria e sem nos podermos queixar de grande coisa. Jogámos mal, merecemos perder e fiquei com a ideia clara que a ilusão que tinha aquando do jogo da primeira mão, que conseguiríamos aguentar a vantagem mesmo contra as desventuras do jogo fora, não passou mesmo disso, de uma ilusão. Vamos a notas:

(+) Mangala e Otamendi. Não estiveram perfeitos, longe disso. Ninguém esteve perfeito hoje em Málaga. Raios, ninguém esteve *bem* em Málaga hoje à noite. Mas estes dois moços foram dos poucos que me conseguiram dar alguma réstia de esperança que a equipa não tinha caído naquele poço de infortúnio em que se baixam os braços, se agarram os joelhos e se pede a Deus que nos ajude. Tanto um como outro foram lutadores, esforçadíssimos e acima de tudo nunca desistiram, nunca viraram a cara nem os pitões à luta e tentaram de trás para a frente mudar um resultado que era justo pelos noventa minutos mas que, nas suas cabeças, não fazia sentido. Não conseguiram mas ninguém se pode queixar que não tentaram.

(+) Defour, até à expulsão. Tem de haver algum tipo de conspiração divina que faça com que o FC Porto tenha várias vezes uma expulsão absurda, ainda que totalmente merecida. No ano passado foi Fucile com aquela enorme estupidez de tentar segurar a bola com a mão em S.Petersburgo, este ano é este tolo a lixar a vida à equipa. E ainda por cima estava a fazer um jogo bem jeitoso (eu que tinha dito ainda durante a tarde que o belga ia ser titular, em conversa com amigos) na posição que o treinador lhe mandou jogar ou em qualquer uma das posições em que andou a percorrer enquanto esteve em campo. A expulsão é merecida, ainda que o acto que levou ao segundo cartão me tenha parecido fruto de algum desnorte…

(-) A diferença de ritmo. Hoje, como em várias outras oportunidades, senti nas minhas entranhas uma sensação de pequenez que já é habitual e que com o meu sempre latente pessimismo tende a tornar-se crónica. Esta equipa, que me iludiu a pensar que podia ser mais e melhor do que é, não o é. E em grande parte não o é porque não conseguiu lutar contra as adversidades de um árbitro amarelador, uma equipa contrária mais agressiva e um jogo em que pouco corre bem. Na Luz, depois do 0-1 virar 1-1 e do 1-2 se transformar em 2-2, pensei que essa mentalidade estaria longe, mas não está. Reparem bem na diferença de ritmo entre as duas equipas, na quantidade de vezes que Fernando perdeu bolas no meio-campo quando pressionado; nas vezes que Varela e Danilo, que é como quem diz “todo o flanco direito da nossa equipa”, se atiraram para o chão clamando por faltas que não existiram; na irascibilidade de tantos que percebendo que o oponente chega primeiro à bola, optam pela falta em vez de tentar batê-lo em velocidade e em poder de choque. Somos fracos nesse aspecto, muito fracos, inesperadamente fracos. Preferimos a falta à luta, reclamamos quando Toulalan abalroa Lucho mas não pensamos que Fernando tenha a lentidão do argentino. Mas tem. Insurgimo-nos quando Defour é pisado, mas não estranhamos quando Varela domina mal a bola e o adversário lá chega primeiro. Temos uma mentalidade baixa, débil, pobre, que é arrumada para o lado nestes jogos como já foi em Londres, em Liverpool, em Manchester, em Milão, em tantos outros estádios por essa Europa fora onde fomos jogar com alguma vantagem e a perdemos. Olhamos para os outros como sendo sempre mais fortes que nós, e nunca assumimos que somos ou podemos ser mais fortes que eles, só porque eles jogam todas as semanas contra equipas que lhes dão luta e nós temos de nos desamanhar contra Moreirenses e Nacionais. Somos fracos, amigos, e a grande maioria dos jogos europeus que perdemos a isso se deve. E sabem o que é mais frustrante? É perceber que lá no fundo…bem lá no fundo…somos bons. E custa-me que os nossos jogadores não joguem com essa altivez, com essa arrogância tão positiva que ganha jogos. Porque quando o fez…foi sempre longe. Mas a pensar assim…cai nos oitavos contra o Málaga e contra qualquer outro Málaga que apanhe.

(-) Sub-rendimento de peças-chave. Moutinho fez uma primeira parte sofrível até ser substituído com dores. Lucho raramente conseguia meter o pé nos lances divididos. James perdeu mais tempo a rodar sobre si mesmo que a prosseguir com o jogo para a frente. Fernando fez passes consecutivamente maus, parecendo que tinha perdido em meia-dúzia de minutos a noção táctica que ganhou em cinco anos. Danilo não acerta um passe em condições e perdi a conta à quantidade de vezes que Joaquín apareceu nas costas de Alex Sandro. Não há equipa que aguente e se Jackson se pode queixar da ridícula quantidade de bolas longas que foi obrigado a lutar contra jogadores mais fortes e talhados para aquele tipo de lances, também Vitor Pereira se pode queixar do facto de nenhuma equipa aguentar tantos passes falhados e tanta inconsequência ofensiva dos mesmos jogadores que sufocaram este mesmo Málaga na primeira mão. Ponham Iniesta, Xavi, Busquets, Dani Alves e Messi em baixo de forma e atirem-nos para o campo contra uma equipa mais rápida e mais agressiva. Acontece-lhes o mesmo e não há maneira de dar a volta ao assunto.


Estou triste, mas não desisto. Abatido, mas nunca derrotado. Ou melhor, derrotado, mas nunca vencido. Estes rapazes têm muito mais para dar do que isto, apesar da excessiva dependência de algumas peças-chave que, quando em dias maus como o de hoje não surgem em patamares condizentes com o seu talento, fazem com que a equipa não consiga funcionar em pleno e se desmorone sem capacidade para se transformar na equipa de guerreiros que todos gostávamos de ter. Não caímos de pé como as putas das árvores. Caímos redondos no chão, de cara na relva, sem um ramo ou uma mão amiga para nos ajudar a levantar. Não tem mal, amigos como dantes. Venha o campeonato e voltemos às vitórias já na Madeira, para continuar com o principal objectivo, resignados a uma temporada em que devíamos ter feito mais na Europa mas que, por culpa própria, não conseguimos. Mais uma vez.

22 comentários

  1. Desiludido mas orgulhoso desta campanha feita, contudo digo, não foi este o FC Porto que vi jogar no Dragão… Ás oportunidades que desperdiçamos e ao show que lhes demos em casa, não merecíamos tal desfeita. Mas perdemos e bem Portistas, não fizemos uma exibição agradável, hoje em suma não fomos Porto… Noto que, há uns jogos que revelamos um nervoso miúdo, e sinceramente não vejo motivo para tal, só fintas e bolas precipitadas. Que se passa Porto??!! Que é isto… Hoje, para contentamento de milhões fomos eliminados, mas virando de tema, relembro que o campeonato ainda não findou e quem vai na frente todos nós sabemos… Parabens Malaga, boa sorte para voces… Uma nova era começa hoje…hasta

  2. Otamendi deixou-se completamente ficar nas covas no 2º golo.

    Estava a gostar de Alex sandro, achava que era dos menos maus do jogo… mas saiu.
    Não percebo como é que Vitor Pereira não equilibra o jogo depois da expulsão.
    Percebeu-se a entrada de Maicon, mas o jogo estava a pedir que jogássemos num 4-4-1, e ele deixa Lucho e Fernando sozinhos no meio campo a lutar contra os espanhóis.
    Se James já é um jogador que corre pouco atrás dos adversários, Atsu recupera poucas bolas, e Jackson estava com os bafos de fora, demos completamente a eliminatória ao Málaga.

    Nota
    1) Como é que Defour faz aquela falta na 2ª parte, é que não me cabe na cabeça. Num jogo que valia 4M€, valia o passar para a frente do Benfica no ranking Europeu, ele faz uma merda destas. era cortar metade do salário do belga até ao final da época. Simplesmente inadmissível no futebol profissional.

    2) Danilo. Eu podia fazer uma longa composição acerca dele, mas as crónicas do M.E.C. resumem aquilo que penso. Só me vem uma coisa á cabeça: 18M€???? Quando vi por aí escrito que o 11 titular do Málaga custou 24 milhões??

    3) Maritimo. Nós jogamos que o Benfica. Se não ganhamos na Madeira, eles podem galavanizar-se contra o Guimarães. Se vencermos (como acho que temos de vencer) vamos colocar uma pressão extra no clube dos galinácios, e eles vão baquear.

    Falhámos hoje. Não podemos falhar no sábado.

  3. Antes de mais há que felicitar os jogadores e a estrutura pela campanha europeia.
    Segundo este Málaga estava perfeitamente ao nosso alcance e penso que não passámos a eliminatória unicamente por nossa culpa.
    O jogo até á meia-hora estava a correr bem embora se notasse um certo nervosismo na maneira como se queria sempre sair a jogar (em posse) mesmo que a bola estivesse a 1 metro da grande área.
    O Málaga a partir dessa altura subiu a pressão e numa perda (das muitas) de bola lançou o ataque que deu origem ao 1º golo.
    Não sei porquê notava-se uma extrema necessidade de sair sempre a jogar para perder a bola por passes errados poucos metros depois , entendo que teria sido sempre mais util e prático nalguns momentos o alivio para reposiconar a defesa e meio-campo.
    Ficou bem visto que o plantel é curto , faltam médios , saíu o Moutinho e o meio campo ficou descoberto e ao Defour saíu a fava.
    Entendo que jogámos melhor com 10 do que com 11 na 1ª parte (a partir da meia-hora) pois fomos obrigados a simplificar o jogo.
    O Malaga mostrou algumas das nossas fraquezas: passes errados , plantel curto em soluções viáveis e nervosismo que aparece sem ser chamado no entanto há que aprender com os erros e no campeonato provar porque somos ( e somos mesmo) a melhor equipa Portuguesa.

    P.S. – O Helton tem estado sempre em bom nível e fez boas defesas neste e noutros jogos.

  4. E preciso ter sorte para ir longe na UCL, especialmente quando o plantel e curto.
    Isso nao so nos afectou neste jogo (Mourinho nao tem treinado e lesionouse, o James tem poucos jogos nas pernas) mas tambem afectou a forma dos jogadores neste jogo.
    Parece-me que na ausencia do James, e dada a falta de outro abre-latas no plantel, os outros jogadores teem tido de correr mais nos ultimos jogos. Talvez isso explique a perceptivel falta de pique do Martinez entre outros.
    A impossibilidade de rodar o plantel de forma conveniente desde o inicio da epoca tambem nos podera afectar.

  5. A equipa hoje voltou a provar a sua falta de “trinta metros”.Um estilo de jogo que potencia a posse e os rasgos em diagonais precisa de alguém (além do Jackson) com um mínimo poder de explosão no ultimo terço.
    Com Varela em péssima forma, James idem, os laterais em sub-rendimento, a equipa até conseguiu ter alguma bola enquanto estiveram 11 vs 11 mas nunca criou perigo.
    No campeonato a coisa disfarça-se pq são poucas as equipas que nos obrigam a jogar no campo todo mas na Europa essa falta de “explosão” vem ao de cima.E depois não tivemos as bolas paradas para salvar……

    ps-não percebi a de ultrapassar o benfica no ranking europeu. o FCP é neste momento a 7ª equipa do ranking (o SLB é 16º).O problema só se colocará para a época 14-15, mas até lá muito jogo europeu ainda teremos pela frente.

  6. Por motivos profissionais nao vi o jogo, mas ontem à tarde disse: os gajos ainda nos vão lixar, exactamente pelo facto de termos a mentalidade muito fraca fora do nosso pais. E pelo que me parece as avaliações ao jogo de ontem mostraram isso se isso…Viu se, desculpem me a ofensa, a típica mentalidade portuguesa de que nao somos capazes, de que toda a gente é melhor que nos. A culpa da falha não é so dos jogadores, do VP… É de tudo!! especialmente culpo os media por nunca nos sobrevalorizarem, culpo uma estrutura desportiva que este ano nao soube arranjar soluções, que nao valoriza a marca Porto no estrangeiro. somos conhecidos mas nao somos respeitados… Acho que isso é a nossa grande fraqueza, e isso reflete se quando jogamos no estrangeiro.

  7. Resignado é a palavra certa para o meu sentimento!!! Não temos classe nem maturidade para estes jogos, raramente temos (exceção feita aos tempos de mourinho) jogamos com uma equipinha de nada e trememos por tudo que era lado… vemos na televisão que é o nosso lugar e o lugar que merecemos porque se não conseguimos eliminar estes tristes vamos eliminar quem???
    E fala-se da mentalidde do porto mas k mentalidade??? só se for aqui em portugal porque lá fora jogos grandes é perde-los todos, uma vergonha!
    E a equipa de rastos fisicamente e aqui a culpa tb é da administração essa que ninguem culpa que vende passes de jogadores por 2,55 e que recompra passado um ano por 8,75 e que depois nem soluçoes de qualidade tem no plantel!

  8. Decepção completa. Pelo resultado, pela exibição, pela eliminação e pelo estado do futebol actual da equipa.

    Há já alguns jogos que o FC Porto vem denotando descida de forma, jogando um futebol lento e previsível. Talvez seja o cansaço dos jogos acumulados a causar desgaste físico e psicológico.

    Ontem, mais uma vez, os Dragões estiveram uma sombra de si mesmos, em grande parte do encontro.

    Entraram relativamente bem no jogo conseguindo neutralizar as frágeis investidas ofensivas contrárias, porém não conseguiu dar profundidade ao seu jogo e nas poucas ocasiões para atirar à baliza fez-lo de forma deficiente (Danilo e Defour).

    Depois foi perdendo o controlo e a partir do golo anulado a Saviola, em lance em que a defesa andou às aranhas, com Helton a largar uma bola que era sua, a equipa perdeu consistência, abanou e caiu.

    A perder 1-0 ao invés de acalmar e explorar as fragilidades do adversário, voltou a cometer erros de palmatória com Defour a ser bem expulso e a hipotecar de vez a continuidade na prova.

    Já a perder por 2-0 e com menos um jogador, é verdade que os jogadores não baixaram os braços e procuraram marcar o golo da redenção.

    O jogo ficou obviamente partido. Pedia-se ao FC Porto clarividência, inteligência e espírito de sacrifício. Houve algumas destas qualidades mas pouca precisão.

    Era importante que os passes longos fossem cirúrgicos, tele-guiados e milimétricos.

    Das várias tentativas,três cumpriram estes desideratos: No primeiro Jackson que se desmarcou primorosamente, aparecendo na cara do guarda-redes, falhou a direcção e a bola perdeu-se junto ao poste; Nos outros dois a bola chegou a beijar as redes, mas quer Maicon quer Jackson estavam em fora de jogo.

    Resta-nos lutar pelo Campeonato Nacional, mas a dúvida que fica é se esta equipa tem ainda estofo para ser campeão.

    Um abraço

  9. O jogadores estão nervosos à mesma imagem do treinador. É muitas vezes em detalhes que se definem jogos, e eu sei o quanto o Jorge gosta de “defender” VP, eu já muitas vezes o defendi como muitas vezes o deitei abaixo, e para mim ontem é um dos jogos que não consigo perceber as opções dele. Sabendo que Moutinho não está bem tem lógica meter o gajo que o pode substituir também em campo, para mim não tem muita lógica. Aliás tem menos lógica quando é para adaptar Defour a um lado e deixamos dois gajos muito melhor do que ele no banco para essa posição. E se a substituição de Moutinho é normal, a entrada de Maicon para além de não acrescentar nada ofensivamente quando a eliminatória está empatada mostra à equipa que o resultado é apenas para segurar. E são estes detalhes que eu me refiro, um jogador tal como um adepto é um ser humano e a mensagem que passa com aquela substituição é apenas essa, vamos defender este empate. O Vitor esteve mal, muito mal, e ganhar a eliminatória a partir desse momento era algo que para mim me passou impossível.

    Depois ver este Varela e este Danilo a jogador só consigo pensar se estes gajos ganham dinheiro para jogar futebol!

  10. ganda Jorge,se permites, eu ,gostaria de puder disparatar em varias direcoes,desde de ja agradecer a sua franqueza de opiniao sobre ultimo jogo do campeonato(e tambem de alguns criticos fieis do regime instalado no clube que apregoaram o mesmo), DEPOIS eu me arrependo,que so AGORA chega, foi preciso CHEGAR ha um emarasmo de banalidades,(eu chamo de jogar ao MEIOINHO),isto sem chamar liedson ao barulho,Tu falas (joao pereira)EU para falar desta epoca falo liedson,AGORA ESTA DERROTA E eliminacao ,nao me desilude,a MIM desiludeme a abdicacao da identidade portista ,a quase uma decada,o seja ha energumeros que usam o cliche somos porto de forma leviana,COISA QUE JA NAO SOMOS HA UMA DECADA,mesmo na epoca de avb tivemos a felicidade de ter 2 bons jogadores (e alguns(varios) no ponto mais alto fisico da carreira),

  11. Ontem foi um daqueles dias em que uma pessoa dá por si a pensar que nunca mais vai dedicar o seu tempo ao futebol. Todas as derrotas custam é certo, mas esta, contra uma equipa que em 10 passavamos 8 ou 9, custa ainda mais.
    Eu nao desgosto de Vitor Pereira. Acho que é treinador para os proximos anos e que se lhe derem mais tempo, para aumentar a sua capacidade de liderança, podemos alcançar coisas boas ou muito boas. É um treinador taticamente muito forte, é inegavel, e sabe escolher os jogadores adequados para o estilo que quer na equipa.

    O problema ontem, foi que tremeu muita perna, em alguns jogadores. Nao pode ser…a partir do momento em que VP, escolhe um modelo que tenta mimetizar o Barcelona em muita coisa, nao há outra forma de encarar o jogo, a nao ser por posse de bola esmagadora. A equipa nao tem capacidade nenhuma em contra-ataque, nao sabe jogar encostada ao seu ultimo terço. Atençao que nao estou a criticar a opçao! So que um modelo destes, obriga a uma serie de competencias para o qual este plantel curto AINDA nao esta preparado. Enquanto James voava, tudo corria melhor. Para isto funcionar, ha que ter um fora de serie, que consiga encontrar soluçoes em ataque organizado e paciente, senao a sensaçao que fica é de um jogo mastigado, um longo bocejo.

    Depois, com um Fernando e os centrais com a ansiedade de ontem torna-se impossivel. Exige-se que mantenham o estilo, que nao despejem bolas e que tentem como sempre sair a jogar. Quantas vezes vimos ontem no inicio da organizaçao, o Fernando a recuar,para DC os 2 DC a tornarem-se laterais, e os laterais a avançarem, “afundando” a equipa adversaria? Rarissimo, porque ao Fernando e ao Mangala tremiam as pernas em posse…era biqueiro para o Jackson, assim que um dos velhinhos malaguenhos dava um sprint pressionante.

    Ao contrario de muitos, acho o Danilo uma boa aquisiçao. É certo que nao justifica o preço pago, mas a culpa nao é dele. Com ele e com Alexsandro, o Porto tem uma arma fortissima para o modelo que o VP propoe. Dois laterais, fortissimos em posse de bola. So que la esta, um modelo destes, exige um plantel cheio de soluçoes, porque basta uma das peças neste momento faltar, e tudo falha Se vai o Maicon para a direita ou o Mangala para a esquerda a coisa ja nao resulta.

    Gostava que todos os portistas se unissem, e fossem pacientes. Acredito que para o ano, serao contratados mais 1 ou 2 criativos com poder de explosao(que é necessaria no ultimo terço!), mais 1 lateral para suprir eventuais lesoes, que se vai conseguir manter todo o plantel(provavelmente à excepçao de Moutinho, isso depende da sua vontade), e teremos um Porto para atacar a Champions, Mas atacar mesmo, ate às ultimas fases! Jogar como o VP pretende exige tempo, para nao dependermos tanto da fortuna, como dependiamos este ano na Champions. Agora, se é o estilo esteticamente mais agradavel, isso ja é outra historia! Nao sou um fã, mas percebo como poderá trazer resultados soberbos.

    Por ultimo, quero-te dar os parabens Jorge. Leio sempre o teu blogue. És bem humorado, nao és um fanatico cego consumido pelo odio(como aquele artista do portistas de bancada), escreves bem e fazes boas analises.

      1. Gosto de facto do teu optimismo…

        Mas continuam a haver escolhas que me custam muito a entrar na cabeça. Vou chegar ao fim da época sem conseguir perceber aquele 11 que jogou em Braga para a taça, (talvez por ter visto ao vivo) como me custam muitas outras decisões de VP nestes dois últimos anos (todos os casos que teve com os jogadores (desvalorização de muitos activos) , a reestruturação da equipa técnica no ano passado a meia da época, a falta de liderança ainda ontem provada pelas declarações de James e os muitos jogos cinzentos que tivemos no seu “mandato”) deixam-me com pouca vontade de ver mais uma época à frente dos nossos destinos.

  12. Havia quem visse nas vitórias um Porto de qualidade que na minha opinião,não existiu,existe ou existirá,pelo menos na era VP.
    Posses de bola de 70% a jogar para trás ou para os lados …
    Uma equipa que nao tem arcaboiço para vencer este Sporting…
    Cair com o Málaga…
    Grande parte dos jogos da época que parecem autênticos soporíferos …
    Quem quiser que o continue a defender,que eu por mim só o quero ver bem longe!

  13. O AVB tambem passou dos 80 para os 8 nesta semana.

    O VP e um grande treinador que percebe muito de futebol. A opiniao nao e so minha mas tambem de outras pessoas que conheco que sabem de futebol (nao meros treinadores de bancada e grande parte deles nem sequer sao portugueses, nao tendo qualquer enviezamento nas suas avaliacoes).
    O problema e que neste jogo ha muitos factores que estao fora do controlo do treinador e mesmo dos proprios jogadores (e preciso de vez em quando pensar no que realmente se quer dizer quando se diz que os jogadores nao sao maquinas, nao tendo so a ver com o aspecto motivacional). O que um treinador pode fazer e preparar a equipa para aumentar a probabilidade de atingir certos objectivos.
    Mesmo o Barca, que tem um plantel (nao so 11 jogadores) de elevadissima qualidade e que ja vinha rotinado de anos a fio a jogar como uma das melhores equipas de futebol de sempre, pode ter jogos menos bem conseguidos. O caso recente e um bom exemplo disso. O Milan mostrou esta semana que nao e uma boa equipa (pela forma como aconteceram, as perdas de bola em transicao mostraram isso), no entanto ganhou a primeira mao por 2-0, num jogo em que o Barcelona nao criou grandes oportunidades de golo.
    O Porto nao tem um bom plantel. O James e um jogador essencial e o facto de ter estado lesionado exigiu mais do resto dos seus colegas nos ultimos meses contribuindo para o maior desgaste (maiores niveis de concentracao exigidos a jogadores que nao sao muito criativos) da equipa (vide o Martinez que parece cansado, talvez nao fisicamente mas os seus niveis de concentracao nao parecem ser os mesmos). O Mourinho esta lesionado e nao tem substituto (o colapso da equipa na primeira parte parece-me ligado a sua lesao). O Defour teve um reaccao erradissima, numa fraccao de segundos que teve grande impacto no desenrolar do jogo.
    Com o onze inicial em condicoes, em 10 jogos contra o Malaga ganhariamos 9.
    Nos jogos e visivel que o VP sabe o que esta a fazer e sabe por a equipa a jogar um futebol de uma qualidade excepcional. O nivel dos jogadores parece-me ser o que impede a equipa de atingir um nivel superior. Nao vejo muitos treinadores no mundo com a capacidade de porem uma equipa a jogar como o Porto joga e acredito que se o VP tivesse um plantel com a qualidade do plantel do Chelsea lutaria pela Champions todos os anos.

    1. Desculpa discordar Jorge.

      Até acho que o VP tem muita qualidade a nível técnico e percebe muito de futebol, isso não implica que seja um grande treinador. Os grande treinadores precisam disso mas de muito mais, e é isso que não vejo que o VP consiga algum dia lá chegar.

      VP não controla muitos factores, mas controla muitos outros que na minha opinião são mal controlados. O onze e as substituições são da responsabilidade dele correcto? Então porquê colocar Defour a titular com Izmailov e James no banco e até mesmo Atsu? Porquê meter um central quando a eliminatória está perdida e deixar o meio campo a Fernando e Lucho?

      Mas tirando este jogo que já falei bastante. Gostava que me explicassem algumas coisas.

      – Porquê é que o Rui Quintas foi retirado do banco do Porto no ano passado, porque foi introduzida na equipa técnica o Paulinho Santos, e foi contrato o Lucho a meio da época?

      – Quantos jogadores desvalorizou VP? Alvaro Pereira, Rolando, Fucile, Sapunaru (entre outros)?

      – Que onze é aquele em Braga na eliminatória da taça? Onze que nunca mais jogou nem na taça da liga? Abdicando praticamente com aquele onze da taça e no jogo a seguir não conseguiu assegurar o primeiro lugar na champions?

      – Quantos espectadores tem a menos o dragão esta época, sei que VP dá enorme preferência à possa de bola, mas quantos maus jogos já se fez ao seu comando? Quantos jogos que deu muito muito sono?

      – Que liderança tem ele para James vir dizer logo a seguir ao jogo que aguenta 90 minutos?

      – Como é possível Danilo não ter concorrência para o lugar, e Fucile treinar à parte?

      – Para quê comprar Liedson se não há um plano para jogar com dois avançados?

      Estas são só algumas perguntas que eu não consigo perceber e que se eu muito me engano todas elas tem a mão de VP.

      Para mim é claro, ele não seria o meu treinador na próxima época.

      1. Peço desculpa, mas sinto-me muito tentado a responder. Antes de mais confesso que considero o Vítor Pereira um excelente treinador do ponto de vista táctico, mas fico com a impressão (que não passa disso, pois não sei o que se passa lá dentro) de que não é o melhor motivador. Adiante:

        Colocar o Defour a “extremo” não quer dizer que o VP espera que ele faça de Hulk ou de Atsu. Quer dizer que este vai descair para o centro para ajudar a controlar o meio-campo com outra opção de passe, em vez de correr para cima dos defesas, e oferece maior solidez defensiva. Se o VP devia ter jogado mais ao ataque logo de início é uma opinião, mas à partida faz sentido colocar Defour para controlar o jogo, se as outras opções são um James ou um Atsu em baixo de forma ou o Izmaylov com as suas limitações físicas.

        Meter um central a seguir à expulsão também é perfeitamente normal, o Porto passa a jogar recuado e precisa de defesas fortes no jogo aéreo e não tanto os rápidos. Defendem 3 centrais e sobem os laterais, numa espécie de 3-4-2. Com menos um jogador esperava mesmo que VP tentasse dominar o meio-campo, quando no início do jogo o conseguiu porque tinha lá mais um jogador que o Málaga? Isso sim, seria suicídio. A sua melhor aposta era a velocidade nas alas para o contra-ataque e aí sim, percebemos que o plantel do Porto é muito limitado. Quanto não suspirei eu pelo Hulk na quarta. Infelizmente só tínhamos Alex Sandro/Atsu que ainda correram, mas não são “incríveis”. Quantas vezes não parou o James a bola e rodou sobre ela até se fartar à procura de um gajo a desmarcar-se para lhe passar a bola? E coitado do ponta-de-lança que corre atrás da bola e a segura, para descobrir que não tem a quem a passar.

        Quanto ao que diz a seguir, não posso comentar, não estou no balneário para julgar o treinador nesses casos. Mas faz todo o sentido ter Liedson no plantel e não jogar com dois avançados. Se Jackson se lesiona, jogávamos com os miúdos da B e os adeptos, escandalizados, iriam comentar “porque raio não compraram outro avançado”? Aliás, para jogar com dois avançados precisávamos de mais no plantel.

        E é verdade que as assistências no Dragão têm sido incrivelmente mais baixas que no ano passado, mas neste ponto não penso que o treinador seja o culpado. Acho que aqui a crise fala mais alto.

  14. Vítor Pereira pode ter essas qualidades todas que por aqui leio, eu é que não as consigo vislumbrar.
    James para este senhor não é sequer um indiscutível , a questão da valorização de activos é outra, é gritante como o nosso clube não consegue valorizar os jogadores que tem.
    No que concerne ao seu palmarés é o título do ano passado,com as abebias dadas pelo catedrático da pastilha elástica,o que duvido volte a acontecer este ano o resto são eliminações da taça risíveis e campanhas europeias aquém do esperado para nao dizer mais, Mas o que mais preocupa é a sonolência que o futebol do Porto provoca na grande maioria dos jogos!
    Pode Pinto da Costa insistir e voltar a insistir,pois se até Fernando Santos durou 3 anos,mas desta cepa não sairá um Porto de excelência ou algo que se pareça.

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