Nomes e mais nomes

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  • Vitor Pereira
  • José Mourinho
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  • Marco Silva
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  • Domingos Paciência
  • Nuno Espírito Santo
  • Paulo Bento
  • Carlos Queiroz
  • Sérgio Conceição
  • Claude Puel
  • Lito Vidigal
  • Jorge Jesus

A época acabou ontem. E ainda não vi José Peseiro na lista.

Not a single fuck shall be given

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Andava já desde segunda-feira para escrever umas linhas e enquanto ia adiando a prosa, o Tribunal antecipou-se (mais uma vez, numa saga que acompanho silenciosamente e que me faz sorrir por pensar que alguém pensa de uma forma semelhante à minha. e ainda bem!) e falou de um assunto que me tem vindo a chatear um bocadinho. Várias pessoas já me vieram dizer durante a semana que é uma miséria se ganharmos o jogo no sábado porque vamos oferecer o campeonato ao Benfica e que “mal por mal antes o Sporting” e nem quero imaginar o que vai acontecer se os vir outra vez a festejar e ai os cavaleiros do apocalipse e as pragas bíblicas todas juntas com urina extra pelas perninhas abaixo. Ó minha gente, gente boa, gente racional q.b. e que considero mentalmente estável ao ponto de manter uma conversa durante alguns minutos, leiam bem o que aqui escrevo e que tenho dito a quem quer que seja que me atira com mais uma dessas imbecilidades que nem o Nuno Luz se lembraria: eu não quero saber quem é que ganha o campeonato. Juro. Pode ser o Guimarães, o Unidos à Ponte da Badalhoca de Baixo ou o Benfica. Não. Quero. Saber. Se não for o FC Porto a conquistar mais um troféu de campeão para o museu, dou-vos a minha palavra de honra e que me cortem os tomates e os sirvam ao Putin no meio do borscht se estou a mentir: não quero saber quem ganha. Não vou festejar de qualquer forma.

Mas nunca, NUNCA me digam coisas como: “mais vale perder contra o Sporting porque assim ainda têm hipóteses de roubar o campeonato ao Benfica”. Começa-me a subir um calor pelo pescoço acima e enche-se-me logo o saquinho da pachorra (que já de si é bem curto) e só me apetece mandar gente para zonas com conotações fálicas. E tal como quando disse que um portista que seja digno do seu nome nunca assobia a equipa no Dragão, também posso avançar com outra: portista com um mínimo de orgulho quer que o seu clube vença todos os jogos. Todos. Podem ter os vossos odiozinhos de estimação, rezarem a um altar negro com velas negras e galinhas negras e naperons negros e até chamas negras se encontrarem material para isso, mas nunca pensem que é melhor perder para que esses ódios passem à frente do vosso amor. Soa powerpóintico a mais, mas não é com essa intenção.

Por isso no sábado vão até ao estádio. Afinal será o penúltimo jogo do ano no Dragão e não vão querer desperdiçar a hipótese de verem o Jesus a ajoelhar outra vez, pois não? Claro que não.

PS: para quem está excitadíssimo com os jogos do Atlético porque “estes é que jogam”, deixo também a minha opinião aqui, num off-topic que é bem on-topic. Nada me daria mais prazer que ver o Atlético a levar sete ou oito batatas em todos os jogos, com o Simeone a chorar no banco. É uma equipa de bullies, com onze Carlos Martins em campo que dão pancada em tudo que vêem, queixam-se de qualquer toque mínimo que sentem como se tivessem sido empalados pelo Vlad e só jogam futebol no intervalo do molho. Posses de bola na ordem dos 30%, mentalidade mais defensiva que o segundo Porto do Ivic e um grupo de imbecis que só apetece esbofetear com os dois lados das mãos em sucessão. Salvo dois: Saúl e Griezmann, por motivos diferentes. O resto é uma cambada que privilegia o cinismo e se alheia do futebol, por muito que gostem de os ver correr.

McClellan e os barcos largos

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Sou aquilo que se pode chamar um “buff” da Guerra Civil Americana. Leio blogs e artigos sobre o assunto, ouço podcasts, palestras e tertúlias, compro livros com mapas, descrições das batalhas físicas e políticas, um bocado de tudo que consigo descobrir. Fascina-me o conceito da guerra fraternal e acima de tudo a forma como os eventos se desenrolaram, desde os combates políticos do “antebellum” até à rendição em frente ao edifício do tribunal de Appomattox, continuando pelos eventos da reconstrução que fez do país um outro inferno no pós-guerra. Muito há para dizer sobre o assunto e não há teclas com resistência suficiente neste portátil onde escrevo para aguentar o que se poderia contar sobre isto. Ainda assim, vou tentando, pedaço a pedaço.

Um dos generais mais famosos da União (os do Norte, que vestiam de azul, vejam lá a coincidência) era um jovem que dava pelo nome George B. McClellan. Formado em West Point, seguia uma escola napoleónica de comando e assumiu uma pose quase messiânica em relação ao exército que comandava, “The Army of the Potomac”, em homenagem ao rio que atravessa Washington, a capital do país. Era idolatrado pelas tropas desse mesmo exército e foi chamado por Lincoln para comandar todos os exércitos da nação, uma espécie de Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, após um primeiro desaire numa incursão a sul, onde se travou a primeira batalha da guerra. Impiedoso nos comentários em relaçao aos seus iguais e até superiores, tinha um ar e um porte arrogante, febril com o poder que lhe era atribuído e ciente que o peso da responsabilidade às suas costas lhe dava uma liberdade para agir dessa forma quando outros nem perto lá chegavam. A uma dada altura, decidiu nomear um chefe de gabinete o seu próprio sogro, Randolph Marcy, debaixo do qual tinha servido alguns anos antes.

Ao planear uma movimentação de tropas para procurar bloquear o reforço de posições sulistas nas margens do rio Potomac, onde baterias de artilharia estavam já bem colocadas e impediam o tráfego normal de barcos nortenhos pelo rio abaixo (ou acima, francamente não me lembro, mas creio que seria abaixo), McClellan ordenou a construção de vários barcos para que pudessem transportar algumas dezenas de milhares de homens através de pontes construídas e colocadas pelos departamentos de engenharia. Tanto ele como Marcy ficaram responsáveis pelo plano e pela construção dos mesmos barcos, que transportariam as pontes para que os homens pudessem atravessar o rio em segurança, bem como o material que os auxiliaria no terreno. Ora acontece que os barcos foram construídos para passar através dos vários canais que conduziam o fluxo natural do rio, interligados por sistemas de comportas, um pouco como o nosso Douro. Ora o que aconteceu é que os barcos chegaram às comportas e não passavam porque tinham umas dezenas de centímetros de largura para lá do que seria possível enfiar pelas portinholas. Resultado: uma operação que tinha demorado meses a preparar e afinar foi (se me perdoam a piadola) afundada e mais de um milhão de dólares gasto para nada, tudo fruto da incompetência de meia-dúzia de homens vistos como figuras incontornáveis no panorama actual do país.

Não vou sequer fazer paralelismos com a nossa situação actual. Quem quiser, esteja à vontade.

O próximo é sempre mais complicado

Não é de agora e não creio que vá parar por aqui. Esta forma muito peculiar das equipas grandes abordarem os jogos contra outras que no plano teórico lhes serão inferiores é algo que me massacra a alma desde há muitos anos (vejo futebol desde o meio dos 80s e sempre fiquei lixado com estas tretas) e, mais uma vez, não me parece que termine a curto ou médio prazo. E este tipo de irracionalidades acontece por uma enormidade de razões possíveis, típicas de quem errou sabendo que não podia errar. É a Champions, pela dificuldade do jogo seguinte e pela montra para possíveis transferências a fazer com que o jogador tire o pé ou faça um sprint a menos; é a parte física, que não está ainda em condições e que impede o esforço extra; é o desconhecimento das características dos colegas, que fazem com que haja menor entrosamento; é a táctica que não entendem e a movimentação que não compreendem.

Bollocks.

É facilitismo, apenas isso. É a hubris de um grupo de homens que vê o adversário como um alvo fácil, como se a maçã do Guilherme Tell fosse uma abóbora e o seu filho fosse Tyrion Lannister. É ver o jogo como uma sucessão de passes e remates até que o próximo certamente vai entrar e o(s) golo(s) serão suficientes. É sempre isto e não consigo engolir esta casca de melancia que se atravessa na garganta quando olho para o resultado e vejo que sofremos dois golos evitáveis de uma equipa que está em lugares de descida, que se bateu com garra e com força contra nós e que não conseguimos mostrar em campo que somos melhores que ele no papel.

E decepciona-me ver que Lopetegui não consegue mudar esta maré.

A histeria em torno da histeria em torno de André André

Há uma componente do futebol moderno que surgiu há algum tempo e que invadiu o mundo como um exército de Átila depois de uma semana de pousio sem esventrar romanos. Proliferaram os analistas, desde o mais banal “X está a mais no meio-campo”, passando pelo típico “a namorada de Y tem uma influência tremenda na sua capacidade de marcação de livres directos como pode ser visto pela roupa que usa e as poses ousadas com que se deixa fotografar” acabando no “a emoção e a paixão são evidentes e caracterizam a sua conveniente tendência jungiana para o drible em zona central”. Há de tudo para todos, como deve ser.

Mas há entre esta neo-malta um núcleo que me enoja quase tanto como o Briguel de bikini: os que só sabem dizer mal. E há um em particular que está a atravessar um bom momento na sua perspectiva de “o mundo é uma merda e são todos uma merda e eu sou o único que não sou uma merda” é o Nuno do Entre Dez. Não o conheço e devo dizer que a ideia não me atrai. No último post que publicou, desatou em mais uma tirada sobre as qualidades de André André e que a caixa de Pandora do mundo da bola está exactamente no louvor às qualidades (inexistentes, na sua opinião) do agora nosso jogador, com ressalvas para “estes casos absurdos de jogadores sem o mínimo de talento que entusiasmam plateias inteiras”, “André André não tem talento”, “A sua decisão é sempre a mais óbvia” ou “André André é o típico médio de que se gostava muito há 15 anos”. E até tem razão na abordagem com que suporta estas afirmações, mas é a forma como as faz que me deixa a espumar. É aquela arrogância de quem sabe a teoria e não a põe na prática, de quem critica quem falha a esquadria que nunca existe no mundo ou de quem desenha um círculo perfeito apontando o dedo aos outros que, sabendo não existir tal coisa, se limitam às elipses que a vida nos põe pela frente.

Para Nuno e para tantos Nunos, só há equipas com Beckenbauers atrás, Pirlos ao meio e Zicos na frente. Tudo o resto é trampa. Não se deixem enganar pelos teóricos. Pensem por vocês e quando vos aparecer um André pela frente, com toda a falta de talento que tem, expliquem aos Nunos o quão embaraçante pode ser para uma equipa perfeita perder contra uma outra que corre um bocadinho mais. É só isso que é preciso para baixarem a puta da crista.