Baías e Baronis – FC Porto 5 vs 0 Gil Vicente

foto retirada de desporto.sapo.pt

Uma exibição quase perfeita contra uma equipa absurdamente má. É verdade que tudo correu bem, as combinações saíam com naturalidade, subidas apoiadas pelos flancos, troca de bola com tranquilidade no centro do terreno, overlaps inteligentes nas laterais, jogo de área razoável e uma vontade de marcar mais golos do que é normal nestas circunstâncias. Mas também é verdade que o FC Porto fez por isso, mostrando a uma casa fraca no Dragão que quando se quer jogar à bola em condições e a cabeça está empenhada num objectivo, a qualidade tende a vir ao de cima. E hoje, mais uma vez, mostrámos que somos uma equipa à imagem do treinador, com construção cuidada, sem atropelos, de ritmo pausado e acelerações cuidadas e bem direccionadas, em que a técnica recebe o mérito e a velocidade só existe quando é necessário. A meio da segunda parte a posse de bola esteve 83% contra 17%. Estivemos muito bem, portanto. Vamos a notas:

(+) Danilo. O melhor jogo com a nossa camisola, sem dúvida. Sempre a inclinar para o meio, como de costume, aproveitou o espaço para marcar um bom golo e arrancar aplausos a todo o estádio, tal era a vontade dos adeptos de ver um dos maiores investimentos de sempre a render ao nível que todos esperam. Excelente no arranque das jogadas, continua a ser um jogador bastante diferente de Alex Sandro, porque enquanto que o esquerdino gosta do 1×1 e aproveita essas oportunidades, Danilo prefere receber a bola em movimento, à larga, com relva pela frente. Não baixou o ritmo na segunda parte e foi sempre um perigo a aparecer perto da área. E, mais uma vez, mostrou que é a médio-interior que preferia jogar…mas vai mesmo continuar a lateral. Só precisa de ser inteligente e perceber que mesmo na lateral consegue fazer a diferença se tiver cabecinha.

(+) Defour. Mais um excelente jogo de Defour, que até começou a um nível menos bom, com alguns maus controlos de bola e um falhanço à beirinha da baliza. Não é e nunca será um extremo mas acaba por jogar numa posição de interior, funcionando quase como segundo avançado ao lado do ponta-de-lança. Corre quilómetros, raramente desiste de uma bola e é acima de tudo um tipo de jogador certinho, que raramente será genial mas está sempre em bom nível. Uma espécie de Paulo Ferreira belga e mais versátil. Grande simulação e ainda melhor remate no golo que marcou, totalmente merecido.

(+) Moutinho. As jogadas de ataque do FC Porto não podem passar sem ele. Diria que toda a estratégia de criação de lances ofensivos passam por ele não só de uma forma literal, porque retém a bola durante o tempo necessário a que a equipa se posicione melhor para a receber, mas porque é ele que funciona como o metrónomo da equipa. É Moutinho que decide quando avançar, por onde e a que velocidade. É Moutinho que orienta a bola para o centro, a endossa para o lateral ou recua para o trinco. É Moutinho que mexe e faz o FC Porto mexer. É imprescindível e só espero que esteja no Olival a treinar na próxima sexta-feira, umas horas depois de fechar o mercado…

(-) Gil Vicente. À saída do relvado do Dragão, imagino o que estariam a sentir os jogadores do Gil. Dever cumprido? Trabalho bem feito? Esforço suficiente para honrarem a camisola e a profissão que praticam? Não creio, nenhuma delas. Não consigo compreender, por mais que tente, como é que uma equipa de futebol se desloca ao estádio de uma das equipas mais fortes do Mundo (sem hipérboles, afinal estamos ou não nas dezasseis melhores da Europa neste momento?) e apesar de sofrer dois golos em dez minutos, a atitude sempre foi um melindre absurdo de abdicar da posse de bola para ficar atrás, a ver jogar. Literalmente, porque as percentagens de posse de bola, sempre nos oitentas, só subiam a favor do Gil quando havia um lançamento ou uma fugaz troca de bola entre os centrais. Não entendo, palavra. O que há a perder? Arriscariam perder por cinco, seis, doze?! Dizia-me o colega do lado que na rádio diziam que o FC Porto tinha valores de posse de bola ao nível do Barcelona. Mas os culés nunca jogaram contra o Gil Vicente. Era para bater recordes, não duvido.

(-) O amarelo de Mangala É um bom exemplo para se perceber que uma displicência chateia muita gente, mas várias chateiam muito mais. Mangala viu um cartão amarelo tão escusado como um retrato a óleo do Manuel Vilarinho de corpete a dançar o can-can, tudo porque decidiu não proteger a bola de uma forma conveniente e permitiu que o jogador do Gil lá chegasse primeiro. Viu-se obrigado a fazer falta para evitar que o rapaz corresse para a área e causasse perigo, e bastava ter tido a mesma inteligência no posicionamento defensivo que teve em centenas de outros lances idênticos, e este amarelo era poupado. E daqui a uns jogos, quando as suspensões começarem, vamos ver os amarelos que podíamos ter evitado. Aposto que muitos serão deste estilo.


WE’RE NUMBER ONE! WE’RE NUMBER ONE! WE’RE NUMBER ONE! Serve de pouco, é verdade, mas ainda assim é engraçado perceber que este campeonato, a correr normalmente até ao jogo contra o Benfica no Dragão, parece encaminhar-se para um festim semanal de diferenças entre golos marcados e sofridos, ou no caso do Record, “dos critérios assumidos por esta redacção”. Continuemos em primeiro, pois, até ao fim.

Baías e Baronis – FC Porto 2 vs 0 Paços de Ferreira

retirada de desporto.sapo.pt

Em primeiro lugar, gostava de dizer que estava um briol no Dragão que era capaz de arrefecer as almas mais ternurentas. Vento, chuva, frio…parece inverno na Invicta, palavra. E não sei se foi o fresquinho da noite que fez com que a primeira parte fosse abaixo da média, com a equipa muito lenta, um futebol que caía na rede bem montada pelo Paços, com várias oportunidades falhadas mas pouca produção ofensiva com inteligência. A segunda parte foi melhor, mais solta, mais interessante, e até a entrada de Izmaylov, que faz meia bancada temer que o pior possa acontecer ao russo (admito que ficava renitente sempre que o rapaz mudava de direcção rapidamente, temendo pelos joelhos dele…estarei a exagerar?), fez com que o FC Porto controlasse perfeitamente um jogo contra uma equipa rija, inteligente e que sabe jogar à bola. A vitória assenta bem, com alguma sorte (tenta fazer essa treta outra vez, Alex, desafio-te!) mas fruto de trabalho e paciência bem esticada por noventa duros minutos. Notas abaixo:

(+) Lucho. Trinta e dois anos. E parecia fresco como uma alface iceberg em campo, o que até é adequado face ao frio que apanhou hoje à noite. Correu quilómetros em alta rotação e foi sempre o primeiro a fazer pressão alta e a arrastar os colegas para situações de perigo, com bons passes e excelente visão de jogo, esteve em todo o lado que era preciso estar e foi mais uma vez o capitão que uma equipa deste nível exige. Com Moutinho menos bem, foi Lucho que usou a capacidade técnica e o ideal de um jogador vertical, inteligente e tacticamente culto para marcar a diferença na dinamização do ataque portista. Parabéns, puto. Sim, puto, que este catraio de 32 anos correu como poucos. E, mais que isso, correu bem.

(+) Jackson. Perfeito em tudo menos na finalização, o que pode fazer com que a nota seja menos que positiva, mas creio que o trabalho que desempenhou na recuperação de bolas, no uso do corpo como escudo protector frente aos fortes centrais contrários e na capacidade de reter a posse de bola tempo suficiente para desenrolar jogadas ofensivas fazem com que o “mais” seja merecido. Sim, devia ter marcado, mas não foi por falta de tentativas, porque apareceu sempre pronto para lhe colocarem a bola e tivesse um pouquinho de sorte e tinha marcado um ou dois golinhos. Tecnicamente é excelente e tem umas pernas que lhe permite esticar o jogo até ao limite da zona de passe e do espaço que lhe é permitido. Só falhou, mais uma vez, na finalização. Felizmente teve ajuda dos colegas nesse campo.

(-) Varela. Fraquinho, mais uma vez. Numa altura em que tem pouca pressão pela ausência de quarenta extremos do nosso plantel, nem a presença de Izmaylov que não o é, Sebá e Kelvin que ainda não o são e Defour que nunca o será, nenhum destes parece fazer mossa em Varela, que insiste em jogar a um nível que não lhe chegava sequer para ser suplente do suplente do Capucho. Suplente do suplente. Yeah, you heard me. Fez um jogo agradável na Luz, lutou, espeneou, foi guerreiro. Hoje voltou a não jogar um mínimo para se manter em campo até ao intervalo, quanto mais até ao fim do jogo.

(-) O relvado. Ora bem, alguém me consegue explicar como é que meia-dúzia de semanas depois de trocarmos o relvado todo, aquela coisa esverdeada que cobre o terreno entre as bancadas do Dragão está no estado que todos vimos?! Não sou jardineiro e sabe Deus o talento que tenho para plantas a não ser para cozinhar bróculos ao vapor, mas é inconcebível que o estado do relvado tenha sido planeado. Anyone? Alguém me explica? Por favor?

(-) Danilo, ou o que raio foi que eu vi!? Por favor digam-me que estou a imaginar coisas e que havia algum tipo de composto alucinogénico ali no sector do Dragão que me acolhe em todos os jogos em casa. É que eu pareceu-me ver o Danilo a dar – ou pelo menos a tentar, porque foi do outro lado do campo e não consegui perceber – um pontapé num qualquer adversário depois de perder a bola para ele, aí pelos…NOVENTA E TRÊS MINUTOS! Se é verdade e não estou a ficar louco, não percebo como é que não foi expulso (se aparecerem comentadores a insinuar frutas e afins, podem arranjar outra coisa para fazer com a vossa vida porque não estou com pachorra para teorias da conspiração depois da parvoíce da semana passada) e se eu fosse treinador punha-o no canto do balneário com um “chapéu de burro” a pensar no que tinha feito.


Falta ainda um jogo para chegarmos ao fim da primeira volta, mas se tudo correr de acordo com o plano, na pior das hipóteses ficaremos empatados com o Benfica no primeiro lugar. Na segunda volta regressa a Champions e continua a Taça da Liga…mas o campeonato tem de merecer sempre a atenção mais vincada. O plantel continua curto numa posição (ponta-de-lança) e até Liedson ou qualquer outro ser confirmado como Dragão, o mercado terá de ser encarado com inteligência e segurança nas contratações. E agora deixem-me ficar aqui no quentinho, por favor.

Baías e Baronis – Manchester City 4 vs 0 FC Porto

 

foto retirada de maisfutebol.pt

Foi uma espécie de jogo de gato e rato. Adaptando a metáfora, convém dizer que o gato era um tigre daqueles grandalhões, cheios de força e pujança física mesmo depois de acabarem um saboroso repasto, que mantiveram um tipo de rato esfomeado que usava as pequenas unhas para tentar arranhar o potente felino, ficando quase sempre longe de fazer um mínimo arranhão na pele do adversário. O gato…tigre, perdão, deixou o rato lutar, cansar-se, trabalhar como uma lenta cigarra desde o início e enfiou-lhe uma manápula no lombo logo no arranque da brincadeira. Mas o ratito, com mais força que todos os outros ratos com quem habitualmente passa os tempos, olhava de baixo para o tigre e espreitava o melhor sítio para lhe procurar as falhas. Não havia. O tigre deixou-se estar dentro da jaula com a chave na porta, até que se fartou e investiu. Duas. Três. Quatro vezes. E o rato recuou, exausto. Tinha feito o que podia. Não chegou, nunca chegaria. Vamos às notas:

 

(+) Vontade apesar da incapacidade Um golo aos vinte segundos é uma traulitada nas têmporas que ninguém merece. Talvez Otamendi, pela estupidez (já bastante repetida, infelizmente) do passe de ruptura quando os colegas da defesa estão mal colocados, mas o argentino levou o pagamento pela parvoíce na forma de uma patada de um colega. Teve azar, nas duas situações. Mas ninguém notou que tínhamos sofrido o golo e mesmo com a permissividade do City ao deixar-nos organizar o jogo como queríamos e apesar das situações de golo terem sido poucas e sem grande perigo, a verdade é que pegamos no jogo. Aos trambolhões, com a lentidão que as equipas portuguesas insistem em não querer mudar especialmente quando lutam contra britânicos, mas a bola estava nos nossos pés. E tivéssemos tido alguma sorte no jogo e uma bolinha lá tivesse entrado na baliza do albino titular da Inglaterra e a história podia ter sido diferente. Gostei de James, a recuar para vir buscar a bola. Gostei de Alex Sandro e Varela, a usarem bem o overlap pelo flanco esquerdo. Gostei de Moutinho e Lucho, que rodavam a bola de um lado para o outro à procura de espaços para furar. Gostei de Fernando, a tapar. Gostei de Maicon a aliviar. Gostei, pronto. Deram-me esperança, ténue, mas umas raspas de fé que era tão curta e tão necessária. Não foi esplêndido, não foi brilhante. Mas foi esforçado.

(+) Hulk É muito fácil, cada vez mais fácil culpar Hulk pelos maus resultados. E já houve jogos em que a insistência do brasileiro nos tramou as chances de podermos conseguir golos ou melhores exibições. Mas é penoso ver o rapaz a receber a bola com quarenta oponentes pela frente sem ter nenhum colega para o apoio rápido, nem que seja para lhe retornar a bola quando estiver numa situação impossível de transpôr. Maicon ou qualquer um dos laterais direitos TÊM de aparecer perto dele para que possam receber o esférico quando o rapaz não consegue furar pelas barreiras do adversário e como raramente acontece lá vai o moço como um tolinho a tentar desfazer os defesas. Ora quando os defesas são bons ou têm bom apoio…nada a fazer. Hoje lutou, tentou, rematou…mas não conseguiu melhor. Inúteis também os cruzamentos quase rasteiros para a pequena área quando não havia ninguém para empurrar para a baliza. Pois. Mas a culpa não é dele.

(+) Fernando Pouco mais há a dizer sobre uma nova excelente exibição de Fernando. Acho que posso afirmar com alguma certeza que é a última temporada do rapaz no FC Porto, porque é muito complicado manter no nosso campeonato um dos melhores jogadores do mundo naquela posição. Muito bem.

 

(-) Lentidão e falta de poder de choque Compreendo que Touré, Richards, Kompany e Lescott sejam grandes. Feios. Brutos. Rijos. Altos. Homens, pronto. Não me custa compreender como é que grande parte dos duelos que se travam entre os nossos jogadores e estas montanhas de granito tendam a ser vencidos pelos canastrões. Mas o que me desafia os poucos neurónios é que o mesmo acontece quando está Nasri, Silva, Aguero ou Clichy em vez de qualquer um daqueles nomes de cima. A velocidade de execução é baixa, sabemos disso e até podemos tirar partido disso, transmitindo uma espécie de falsa calma que se pode alternar com bons passes a desmarcar os jogadores mais rápidos do ataque (Hulk, portanto), mas a incapacidade de lutar no um-contra-um é assustadora. Veja-se o exemplo do Braga, com jogadores que têm capacidades físicas sensivelmente iguais às nossas…mas que diabo, os rapazes parecem ser mais lutadores. Conformismo ou fraqueza mental? Deixo-vos decidir.

(-) Ingenuidades Um dos mais invulgares e inesperados happenings é a ingenuidade de alguns jogadores do FC Porto em 2011/2012. Hulk cai demais, Otamendi falha passes parvos, Rolando reclama demais, Varela parece tratar a bola como um paralelo de calçada aos saltos. E o miúdo Alex Sandro, apesar do bom jogo, voltou a exibir algumas inconsistências mentais que não podem acontecer a este nível. Perdemos, é verdade, mas a quantidade de bolas que desperdiçamos com passes inconsequentes, maus domínios de bola e desorganização estrutural é abismal e não se entende.

 

Foi-se. Defender o troféu acabou por ser um gigantesco sonho que foi arrasado por uma excelente equipa inglesa de nome e universal em talento. Não tendo caído de pé mas a cambalear, a chamada à razão de todos os que não acreditavam que seria possível ir a Manchester vencer o jogo acaba por ser a pedra mais pesada do cinismo da realidade que é habitualmente contrariada pelos sonhadores como eu, que se dignam a ver os jogos do FC Porto até ao fim. Mesmo com quatro na pá. É isto, meus amigos, é aguentar os gozos dos moços que apoiam os outros clubes, sorrir e voltar ao combate. E reafirmo o que disse ontem: não me custa perder por quatro. Fiquei com a noção evidente que os rapazes tentaram. Só que não conseguiram o objectivo com um misto de mérito adversário e demérito próprio. Fizeram por isso. Palmas.

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 2 Manchester City

 

O ambiente prometia. Fiz o percurso do costume, carro, Bom Dia, café, “obrigado, vamos ver se corre bem!”, montes de gente em frente ao Café Estádio, como nos bons tempos do antigamente em que subia Fernão de Magalhães a pé a caminho das Antas. A noite, fria mas mais amena que nos últimos tempos, parecia trazer calor para uma atmosfera que se queria tão quente no exterior como na relva. O meu pai, amuleto de sorte em jogos grandes, ao meu lado. Fogo de artifício antes do jogo, tensão nas bancadas, pressão para fora, barrigas para dentro, siga a bola. Primeira parte forte, dinâmica, viva, nervosa, rija, boa. Bom resultado ao intervalo, “agora é aguentar, mais um golinho era bom, se conseguirmos aguentar o reinício, foi pena o Danilo, é empurrá-los para trás e não os deixar ter a bola, o Balotelli é um merdas”. E depois, o golo. E os ídolos azuis e brancos provincianizam-se, tremem, prostram-se, caem. Os passes saem tortos, as desmarcações desaparecem, a disputa dos lances pende para os mancunianos. Braços caídos, olhar em baixo, queixo no chão, calo-me. Não havia mais nada a dizer. Desistimos. Perdemos. Notas abaixo:

 

(+) Fernando Dos poucos que nunca desistiu, mesmo depois da estúpida conjugação de azares que o fez ocupar três posições durante um só jogo. Começou a trinco, onde patrulhou os espaços entre Touré e Silva. Não gosto de o ver com Moutinho ao lado mas funcionou durante 45 minutos e teria funcionado mais se o colega do lado e os outros colegas todos não tivessem abanado de tal maneira com o auto-golo do Palito. Baixou para central, rodou para a lateral direita, e tentou. Tentou sempre, com e sem cabeça, lutou e usou o corpo quando pôde e o anormal do árbitro turco permitiu e quando não o permitia mostrava a indignação dos guerreiros. Não mereceu o resultado.

(+) Maicon Começou muito mal. Muito, mas muito mal. Com hesitações parvas, incongruências posicionais, num regresso a 2010 que me enervou lá no fundo. Com a saída de Danilo voltou à lateral e melhorou. Cresceu perante Clichy e Nasri e não subiu mais porque os dois franceses faziam questão de lançar a grande maioria dos ataques do City e impediam que o nosso careca conseguisse ajudar mais o ataque. Voltou para central depois da saída de Mangala e juntou-se aos colegas no desalento mas foi dos menos maus.

(+) O lance do golo Era tão simples. Hulk, Lucho, Hulk, Varela, golo. Simples. Jogar ao primeiro toque quando a situação o exige traz uma dimensão prática ao futebol que pode ser rendilhado durante 10 minutos antes de uma oportunidade destas aparecer, mas quando surge, é desta maneira que tem de ser tratada. Foi pena não terem conseguido criar mais destas durante o resto do jogo.

(+) A capacidade técnica dos jogadores do Manchester City Um exemplo muito simples do que é talento no futebol moderno foi dado hoje pelo Manchester City no relvado do Dragão, aí pelo meio da segunda parte. Rolando tenta passar uma bola para Maicon, torta, pelo ar, aos saltos, e Maicon roda para Fernando, que trata o esférico como uma granada sem cavilha. A bola salta, fere ao mais pequeno toque, ganha vida e vai parar a De Jong. O holandês, calmamente, coloca-a no piso. Firme, parada. Roda para Touré, que passa de novo a De Jong, Nasri, Silva, Barry, Silva, De Jong, Touré e Lescott e já está do outro lado. Tudo ao primeiro toque, ainda que me possa ter enganado nos jogadores. Perfeito. Não houve uma…UMA vez que tivéssemos conseguido uma peladinha acidental daquele nível durante todo o jogo. Atrevo-me a dizer durante toda a época.

 

(-) A avassaladora angústia do desânimo Depois de uma boa primeira parte esperava-se que a equipa mantivesse o ritmo. Não conseguiu por mérito do City, que pegou na bola e começou a rodá-la entre aquele talento de preto e vermelho a que eles chamam “meio-campo”. As linhas desceram, a pressão desapareceu e os jogadores começaram a duvidar. Num ápice passaram várias imagens rápidas pelos meus olhos. Vi Chipre, vi São Petersburgo, vi Coimbra. Vi a bola longe dos nossos homens, a tremideira a aparecer, a desconfiança, a bola para o ar e o pontapé para a frente. E o golo foi um murro no abdómen. O FC Porto transfigurou-se e transformou-se num humilde subalterno, como um empregado de escritório a quem o chefe manda fazer todas as tarefas que os outros se recusam a fazer. E o pobre coitado lá vai, cabisbaixo, a uma bala do fim. As pernas aguentavam mas a cabeça estava longe, no fundo de um poço sem iluminação, e os nervos subiram de tal forma que deixei de perceber o que se passava. O empate parecia um bom resultado, mas o público pressionava e eles tremiam ainda mais e o segundo golo tornou-se impossível de aguentar. Tristes na bancada e mais tristes no campo, enquanto ouviam os cânticos dos eufóricos bêbedos anglicanos. Dói.

(-) Vitor Pereira e as substituições tardias A equipa estava de rastos e Vitor não mexia. Varela continuava a tentar tapar o flanco sem conseguir e falhava na transição com tão pouca velocidade que fazia uma tartaruga parecer o Usaín Bolt. Hulk brincava em campo, como se ao décimo toque de calcanhar conseguisse finalmente endossar a bola em boas condições para o lateral que nunca lá esteve. E Vitor não mexia. Lucho e Moutinho, cansados, fracos, tristes. James, desaparecido, lento, sem vida. E Vitor não mexia. É uma boa avaliação de um treinador perceber a forma como reage para tentar animar o jogo da sua equipa quando as coisas correm mal. Os loucos gastam as substituições todas aos 20 minutos, como o Oliveira. Os mais loucos esperam até aos 88 minutos como Robson e enfiam um defesa central a jogar na área contrária. Os indecisos, como Vitor Pereira, não querem tomar a iniciativa e esperam com fé inabalável que os zombies que lá estão dentro subitamente ganhem forças de outra dimensão e elevem o nível. E esta elevação acontece uma vez de cinco em cinco anos. A última vez que me lembro de o ver, Lisandro tinha acabado de marcar contra o Schalke. E já foi há uns anos.

 

Saí do estádio contagiado pelos jogadores mas com uma aura negra à volta. Ia como um barril de pólvora forrado a parka a subir a alameda, a disparatar contra os jogadores, a questionar a mentalidade de falhanço, a incongruência do detentor do troféu se colocar em papel secundário perante um novo-rico da bola mundial. Não explodi. Acalmei-me, entrei no carro e desliguei o rádio. Ouvi música. A derrota bateu cá no fundo e a forma como aconteceu foi muito pior que o resultado. Porque não me matava perder um jogo contra o Manchester City com a quantidade de talento que eles tem ao dispôr. O que me incomoda é perder antes de tentar ganhar. E é muito mais doloroso.

Baías e Baronis – FC Porto 4 vs 0 União Leiria

Eu e mais 28 mil bravos portistas decidiram enfrentar o frio que se sentia na Invicta para estar uma hora e meia a ver futebol. Dá uma certa espécie de sentido de união, de alinhamento conjunto para combater as contínuas adversidades que continuam a ser colocadas pelos adversários mas também pelos nossos próprios jogadores. Numa fase onde se nota que os elementos novos e os antigos ainda precisam de tempo para criar novas sinergias (peço desculpa pelo uso de uma das palavras mais nojentas da lusa língua) dentro da equipa. Os números foram gordos, ao nível dos concorrentes daquele concurso ridículo do Gôdo mais Fóti ou Fóti mais Gôdo ou sei lá como se chama aquela treta, mas não espelham as dificuldades que tivemos em conseguir construir jogadas de perigo para a baliza de um miúdo que se continuar assim…ainda vai parar de volta ao Benfica. Acima de tudo fica a vitória que nos mantém a cinco pontos do primeiro lugar. E era tudo que se pedia. Vamos a notas:

 

(+) James Não me junto à brigada de linchamento de Vitor Pereira quando não colocou James a jogar de início porque Varela tinha vindo a subir de produção e com dois alas podíamos abrir o jogo melhor do que jogar com um falso “10”. Mas a verdade é que mal James entrou no jogo para o lugar do nosso 17 o impacto fez-se sentir quase de imediato, com passes certos, boas desmarcações para Álvaro que finalmente conseguiu ter um ponto de enfoque para o “passe-e-corta” até ao cruzamento final. Acima de tudo trouxe inteligência e domínio da bola de uma forma que Varela nunca conseguiu (alguma vez consegue?) e empurrou a equipa para a troca da bola à entrada da área, algo que até aí pouco se tinha visto. Se ao menos James conseguisse ser mais consistente nas exibições…

(+) Maicon e Mangala Certinhos, rápidos, interventivos no momento certo e com timing acertado. Não estarei muito enganado ao dizer que Mangala é um rapaz com futuro e Maicon está cada vez melhor quando joga a central depois da sua aventura no flanco direito ter terminado em crescendo, para além de ser o único jogador que causa perigo em bolas paradas ofensivas. O regresso de Rolando ao onze parece-me certo, mas não tenho tanta certeza quando falo de Nico Otamendi, porque as últimas exibições não foram nada para escrever no diário e um destes Émes pode tirar o lugar ao argentino, especialmente na quinta-feira onde um certo senhor Dzeko pode estar a jogar na nossa área…

(+) Álvaro Houve uma certa altura em que pensei que o Palito estava obcecado por marcar um golo, praí para dedicar à namorada ou mulher ou quenga ou sei lá o que o rapaz tem como companhia feminina, transitória ou permanente. Esteve quase sempre bem a romper pelo flanco como de costume e não fosse a não-presença de um certo Sr.Silvestre ao seu lado para uma eventual tabelinha e a grande parte das jogadas teriam tido um melhor fim. Marcou um golo com um excelente toque de primeira e esteve perto pelo menos mais duas vezes de facturar. Para um defesa esquerdo não é nada mau.

(+) Oblak Se este blog fosse pertença de um benfi…benf…de um senhor apoiante do clube da águia, estaria a cantar ainda mais as glórias do moço. Mas a Oblak o que é de Oblak, e o rapaz que tem um nome que soa como se estivéssemos a chamar um amigo à razão (“Oblá(k), tem juízo!”) fez um jogaço hoje no Dragão. O tipo de verde na baliza do Leiria defendeu quase tudo o que lhe puseram pela frente, lançou-se como um louco para cima de Janko e lixou montes de jogadas de ataque do FC Porto que em situação normal – leia-se, com um guarda-redes sem o grau de inspiração Beethovenesca do esloveno – tinham ido parar ao fundo das redes. Enfim, apanhou quatro batatas mas não teve culpa em nenhuma. Parabéns.

 

(-) Os dois Vs Varela e Vitor Pereira por não tirar Varela de campo. Posso ser daqueles fulanos que tem a mania que sabe tudo e que se arma em treinador de bancada (afinal escrevo um blog sobre futebol, alguma arrogância tinha de vir cá para fora), mas ao ver a inepta exibição de Varela que o fez regredir alguns meses no espaço de quarenta e cinco minutos, não resistia a tirá-lo de campo ao intervalo e deixava-o no balneário a limpar as latrinas. E se não houvesse lá latrinas, mandava-as instalar só para que ele pudesse ir lá limpá-las. Foi tão pouco, Silvestre, tão pouco e tão mau que o meu próprio compincha da bola há tantos anos se virou para mim e disse: “Se eu estou aqui a desejar que entre o Djalma para sair o Varela, o que é que isso diz do Varela?”. Diz muito, rapaz.

(-) Bolas paradas, tanto ofensivas como defensivas Começa a ser patético, francamente. A maior parte dos cantos são marcados com a bola a pingar para a área e tão fáceis de interceptar pelos defesas como se lhes fosse arremessado um quilograma de algodão-em-rama com toda a força de uma anta tuberculosa. E os lances em que temos de defender a nossa própria baliza são ainda piores porque basta o adversário colocar um ou dois homens na área e é logo um número-de-Pena que se gera na nossa área. Não se consegue treinar estes lances em condições para que não tenhamos todos o coração, fígado e pâncreas nas mãos sempre que a bola para lá vai pelo ar?!

 

É verdade que os jogos parecem lamacentos, travados por nervosismo, falta de confiança e uma tremenda incapacidade de impôr velocidade quando a partida parece tremida. E a somar a esses pouco conseguidos elementos de jogo, a ansiedade que se apodera dos adeptos quando vêem os minutos a passar e agarrados a exibições brilhantes da época passada não conseguem perceber porque é que estes rapazes não conseguem jogar ao nível dos outros, eles que são tão parecidos à primeira vista. Mas não são. Porque na defesa houve mudanças, o meio-campo está com uma dinâmica alterada e o ataque oferece alternativas radicalmente diferentes das que tínhamos no ano passado. É preciso começarmos a ver os jogos com alguma distância emocional e perceber que este FC Porto da segunda metade da época tem tudo para ter sucesso. Mas não será com duas ou três semanas que vamos conseguir chegar ao nível que a malta pede…e quinta-feira, por esses motivos, é uma enorme incógnita.