Baías e Baronis – Benfica 1 vs 1 FC Porto

Não foi um mau resultado. Afinal de contas jogamos no estádio mais complicado do país, contra o actual tricampeão, num ambiente difícil onde nos vimos a perder com meia dúzia de minutos jogados. E não desistimos, conseguimos um empate interessante numa partida onde o Benfica fez talvez o melhor jogo do ano e onde se notou a diferença entre um futebol mais cerebral e outro mais directo, onde tradicionalmente nestes jogos a equipa que é mais prática e incisiva acaba por vencer. No final, os maiores responsáveis pelo empate foram os guarda-redes, num jogo rijo e intenso que acaba com um resultado justo. Não era o que precisávamos mas não merecíamos mais. Vamos a notas:

(+) Maxi. Meu maravilhoso cabrão, que sofreste os meus insultos e sempre os encaraste de peito estoicamente empinado para a frente durante anos a fio, chegou a tua hora. A forma como celebraste o golo foi uma enorme prova da forma como vives e te empenhas pela equipa, seja qual for a camisola que defendas. És bruto, feio, duro, mas és um lutador e creio que morrerás como um lutador. Estou a ver-te a empurrar um pobre enfermeiro que te vá cateterizar quando tiveres os teus noventa anos, ou a pontapear a ceifeira nos cojones quando chegar perto de ti. É este espírito de luta de um homem que já passou os seus melhores anos mas que só vira a cara à luta de uma forma literal, se a luta lhe fizer frente. Escreveste uma página na tua história com a nossa camisola e fizeste-o no momento certo e acima de tudo no estádio certo. Só tenha pena que não tivesses arrancado uma orelha do Jonas à dentada, mas pouco mais se podia pedir.

(+) Casillas. Iker gosta de grandes jogos e hoje esteve mais uma vez em estupendo nível, um pouco à imagem do que tinha feito no ano passado neste mesmo estádio. Extraordinário em várias defesas consecutivas, muito bem a sair dos postes e acima de tudo com o timing certo a controlar o tempo de jogo (vês, Bruno Varela? é assim que se perde tempo com nível!). É um dos que mais mereceria ser campeão e se conseguirmos lá chegar será um dos mais satisfeitos com isso. Incrivelmente.

(+) André². Lutou como um touro no meio-campo e só não saiu porque estava a ser tão importante como primeira parede no meio-campo que Nuno optou por refrescar os três avançados e manter o meio-campo consistente. Com Danilo preso nas movimentações de Rafa e Óliver a tentar soltar-se para criar (também um jogo muito esforçado do espanhol, atenção!), foi André que mais se mostrou na defesa e no lançamento do contra-ataque, onde falhou alguns passes mas procurou sempre a melhor opção para manter a bola controlada. Fez um excelente jogo.

(-) A entrada em jogo. Os piores dez minutos do FC Porto aconteceram logo no arranque. E foi pena que o Benfica tivesse tido exactamente a atitude oposta entrando estupendamente em jogo, agressivo no meio-campo, intenso e subido para recuperar a bola em zonas onde procurávamos ainda descobrir linhas de passe primárias que raramente existiram. O penalty acabou por ser um infeliz corolário a alguns minutos de intensa pressão e o Benfica fez por merecer isso. E já agora, sobre o penalty. É perfeitamente normal que Xistra tenha assinalado a falta mesmo que depois da repetição se veja que é Jonas (mais sobre este imbecil abaixo) que acerta em Felipe e não o contrário, porque em jogo corrido é natural que Xistra veja uma falta que parece existir. Quando assim é não há nada a dizer e se eu em directo penso que até eu marcaria aquele penalty, não seria capaz de criticar o árbitro por tomar a mesma decisão. De qualquer forma, a entrada do Benfica foi muito melhor que a nossa e acabou por condicionar uma boa parte do primeiro terço do jogo. Felizmente conseguimos recuperar a moral e a rapaziada não se foi abaixo. Ufa.

(-) Jonas. É um bom jogador. Muito bom. Tecnicamente, tacticamente, é uma enorme mais-valia para o Benfica e para a nossa Liga. Mas é um enorme imbecil, um jogador sujo, vil, porco, um nojo. É daqueles gajos que dá vontade meter o guarda-redes suplente a defesa central a alguns minutos do fim do jogo e dizer-lhe: “vais ali ter com ele e cospes-lhe direitinho nos olhos e quando ele reclamar, dás-lhe um pontapé a sério nos tomates e enfias-lhe uma beringela no rabo. depois podes começar a pontapear-lhe as têmporas, sem pressas mas com comvicção. vai, rapaz, vive um bocado!”. Se os lances de arremesso para o relvado não fossem suficientes (o penalty que tenta sacar na segunda parte e que mereceria um cartão amarelo é só ridículo), aquela atitude que teve com Nuno era digna de levar quatro murros nos dentes e ficar a comer sopa passada durante uns meses. É simples: Jonas agrediu o treinador do FC Porto. Não há outra forma de ver o lance onde Jonas salta ostensivamente para empurrar Nuno e causar confusão perto do banco do FC Porto. Foi deliberado e é a imagem de um jogador que merecia ser castigado severamente ainda durante o jogo e fora dele, porque fê-lo com a única perspectiva de provocar o adversário, levar a que a malta se exaltasse e causasse uma ou outra expulsão. Foi um acto nojento de um homem nojento e que provou que continua a ser um dos jogadores mais protegidos do nosso campeonato em vários vectores.


Não dependemos apenas do nosso próprio esforço e suor para ganharmos esta treta. Temos um calendário mais complicado e uma equipa menos consistente. Mas temos alma, carago, temos vontade de lutar até ao fim e é isso que temos de fazer. Sempre.

Ouve lá ó Mister – Benfica

Companheiro Nuno,

É hoje, rapaz. O jogo que está nas nossas cabeças desde há várias semanas e que parecia nunca mais chegar. É hoje. Vais entrar para noventa dos minutos mais difíceis da tua vida e com a certeza que o resultado vai ditar muito do futuro dos teus rapazes e, convenhamos, também do teu. É hora de juntar a malta no balneário, sentar toda a gente e começar a conversa. Não é tempo para medos, receios, cagufa. Não é tempo para arrogância, sobranceria, gabarolice. É tempo de trabalho, de suor e de esforço. E é acima de tudo tempo para tomateira bem rija e bem grande.

Não há estádio mais complicado em Portugal que este que hoje vais pisar com os teus rapazes, se excluirmos o nosso. É um ambiente pesado, com dezenas de milhares nas bancadas a torcerem contra ti e a desejarem que pises excremento sempre que mexeres os pés. Vão estimar que a tua mãe fornique babuínos, que os teus filhos sejam alvo de bullying com prumos e maçaricos e que os teus cães faleçam em acidentes envolvendo fogo e metal derretido. Vão insultar-te, aos teus e ao teu clube. Vão fazer tudo para que não consigas ganhar o jogo. Não te deixes ir abaixo. Não cedas à pressão do medo fácil e mesmo que o sintas, não o transmitas aos teus rapazes. Para eles, tanto como para ti, é um jogo em que só homens resistem e só homens conseguem vencer.

Ninguém te pede uma vitória e tu sabes disso. Mas pedimos-te que sejas audaz, que sejas inteligente e que consigas fazer a gestão do jogo de uma forma esperta, com os timings certos e a dose correcta de cinismo e sentido prático que precisamos para vencer este jogo. Tens de tentar vencer. Tens de tentar vencer. TENS. DE. TENTAR! E depois, seja qual for o resultado, cá estaremos para apanahr as canas ou, em alternativa, rebentar os dedos com o resto dos foguetes. Força, Nuno! Força, equipa! Força, Porto!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto 1 vs 1 Benfica

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Naquele que foi um dos jogos contra o Benfica em que melhor estivemos nos últimos anos, o resultado é uma valente trampa. E ninguém que foi ao Dragão esperaria que tal acontecesse depois de um jogo em que estivemos quase sempre por cima do adversário, soçobrando perto do minuto K (bonito este murro no estômago, não?) e acabando com as mãos na cabeça. A razão? Muito simples: pensar e continuar a pensar pequeno. Vamos a notas:

(+) A equipa em campo. Não há quase nada a apontar aos jogadores e nem quero individualizar porque estiveram todos bem. Sim, o Corona por vezes falhou na decisão e tremeram-lhe as pernas. Certo, o Otávio podia ter sido mais prático nalgumas situações. Maxi não conseguiu cortar todas as bolas nem Telles cruzar com acerto. Mas houve empenho, entrega máxima, luta até cair para o lado que não teve um final correspondente por algum azar, más decisões do banco (voltaremos a elas em baixo) e uma excelente exibição de Ederson. André, Jota, Óliver, Danilo e todos os colegas lutaram até à exaustão e não mereciam este resultado depois de um jogo em que dominaram o Benfica durante largos períodos e mostraram um futebol interessante, prático até ao último terço e sem grandes invenções, distracções nem paralizações. Ões foram eles. Grandalhões, apesar da estatura. Mereciam, como já disse, outro resultado e mostraram que a montanha-russa de exibições não pára mas fez uma pausa neste jogo. Encararam o jogo como um clássico e estiveram à altura dele.

(+) O público do Dragão. Se houve jogo em que todos estiveram do lado da equipa, foi este. Apoio de princípio a fim, vozes calibradas, músicas moderadamente afinadas mas cantadas em voz alta e forte, o estádio esteve sempre a empurrar a equipa para que conseguisse ficar com os três pontos no bolso. Aplausos estrondosos para os substituídos, gargantas elevadíssimas no golo e uma vibração constante a ser transmitida para dentro de campo. Fosse sempre assim e nunca haveria assobiadores que resistissem.

(-) Liderança fraca. Numa equipa de futebol o principal responsável pela forma como se apresenta em campo é o treinador. Se os jogadores não correm, é ele que não os motiva, seja lá por que método for. Se os homens correm muito, é ele que os incentiva. Se jogam em posse, é por ordem dele e se a forma de jogar passa pelas transições rápidas ou pelo jogo directo, também é o treinador que os ordena a tal. Há sempre um ou outro que não segue as indicações e vai sendo corrigido em jogo ou numa das suas pausas. É ele que coordena a táctica, a estratégia e a disposição em campo que vai mudando durante a partida. Tudo isto para dizer uma coisa: a culpa do empate e de termos perdido dois pontos é de Nuno. Não é do Herrera que chutou a bola em vez de a segurar (foi ele como podia ter sido outro, tal foi o desespero injectado na equipa), não é do Casillas que não conseguiu defender o remate de cabeça, não é de André Silva que falhou a baliza uma ou duas vezes e nem é de Jota que “só” marcou um. É do treinador. E é dele porque transmitiu aos jogadores que é preferível segurar um golo de vantagem em vez de ir à procura do segundo. A culpa é dele porque fez três substituições defensivas num jogo em casa contra um rival que, apesar do jogo ser de tripla, pouco fazia para tentar sequer recuperar o golo sofrido. É dele porque a presunção da solidez defensiva cai por terra num fortuito lance de bola parada ou num ressalto que trai o guarda-redes. É dele porque as opções que toma dizem aos jogadores que não confia neles para conseguir dar a marrada nas têmporas do adversário e talvez seja melhor ficarem à espera que nos rebentem os dentes com uma bigorna que eventualmente cai do céu. A culpa é dele porque empurra a equipa para trás com as entradas de Layun e Herrera em vez de a manter na frente com Brahimi ou Depoitre. A atitude de um treinador é mais importante que a dos jogadores porque não é individual mas colectiva. Porque transmite aos jogadores que está com medo do que o adversário possa fazer e por muito que o adversário não tenha criado grande perigo em noventa minutos (aquele chouriço do Eliseu e o remate do Samaris que Iker defendeu para canto foram as únicas oportunidades decentes), acaba por acreditar e não desiste. Para terminar, a culpa é dele porque deixa a sorte decidir o que o nosso talento poderia ter decidido. E isso, aos meus olhos, não tem perdão.


Entramos a cinco pontos, saimos a cinco pontos. Ainda falta muito mas perdemos uma grande oportunidade de ficarmos a dois. E não vão haver muitas melhores que esta.

Ouve lá ó Mister – Rio Ave

Camarada José,

Faltam três jogos para terminar a época e estou triste. Triste pelo momento da equipa, triste pela forma como encaramos as partidas e acima de tudo triste por chegarmos a este momento do campeonato e estarmos a jogar para aquecer. E hoje quer-me parecer que esta metáfora vai ser mesmo concreta, porque pela maneira que o tempo tem andado, um joguinho em Vila do Conde, com chuva tocadinha a vento, vai ser bem bonito de ver. Pum, bola pró ar e quem estiver a favor do vento é abrir alas e rematar que a bola pode até ir lá para dentro com um chouriço que ninguém estava à espera. É assim todos os anos e este não será diferente.

Ainda pro cima já sei que vais andar a experimentar os rapazes e a tentar arranjar o melhor onze para ainda conseguires chegar à final da Taça e sacar alguma coisa desta miserável temporada. Inventa lá o que quiseres porque o terceiro lugar já ninguém nos tira (suspiro…) e só há uma coisa que interessa até ao fim do ano: ganhar no Jamor. Já desisti de pedir que puxes pelo orgulho dos teus homens porque está mais no fundo que um naco de carne podre atirado para o Douro. Assim sendo, lutem pela vitória mas tentem perceber qual é a melhor maneira de darmos a volta ao Braga daqui a duas semanas. E se conseguirem ganhar, menos mal. É assim que estamos, mister. Na trampa.

Sou quem sabes,
Jorge