Baías e Baronis – Benfica 1 vs 3 FC Porto

 

foto retirada de MaisFutebol

 

Ainda estou a pensar como é que foi possível. Depois do pior jogo da época nos ter ferido o orgulho quase de morte, incluía-me no grupo dos cépticos, nós que somos sempre mais negativos e que raramente acreditamos que se pode dar a volta a um resultado negativo deste nível. Quando o jogo chegou ao intervalo, dei comigo a pensar: “Bem, os rapazes até estão a tentar, mas está a faltar qualquer coisa. Se ao menos entrasse um golo, era só preciso um golo para lhes dar mais alento. Carago, povo, é só mais um bocadinho de querer, vamos a isso!!!”. Sim, eu penso com pontuação e tudo, é uma coisa minha, não questionem. Na segunda parte…Valhalla em Lisboa. Moutinho em grande forma, Hulk mais prático, Falcao mais acertado, Fernando com a mesma consistência, Otamendi e Rolando a defender muito bem e Álvaro a jogar quase como médio-ala, a pressão foi excelente, eficaz e converteu em golos alguma sorte que fizemos por merecer. Estamos na final! Vamos a notas:

 

(+) FC Porto É um jogo que define uma época. A vontade que hoje mostramos de tentar dar a volta a um resultado negativo é equivalente, perdoem-me a comparação, ao jogo da segunda mão da Taça UEFA de 2002/2003 onde a derrota nas Antas com o Panathinaikos levou ao famoso “esperem, isto ainda vai a meio” de Mourinho. Foi uma jornada fabulosa de querer, de garra e de total concentração num jogo em que partíamos com uma desvantagem muito complicada de conseguir anular. Porra, tínhamos perdido em casa com o Benfica por 2-0! Mais que isso, tínhamos perdido muito bem! Acredito que foi essa noção, o facto dos jogadores se aperceberem que o orgulho estava em jogo levou aquele extra de enfoque e compenetração que a vitória era a única opção. Notava-se isso nos jogadores, desde Beto a Falcao, desde Fernando a Hulk. Sempre a tentar, sempre a forçar, sempre a arriscar. Ganhámos e demos a volta a um resultado extremamente negativo com o contrário do que tínhamos mostrado na primeira mão: garra, luta, concentração e acima de tudo uma inabalável fé nas nossas próprias capacidades. A minha salva de palmas, meus amigos, foi memorável!

(+) João Moutinho De todos os jogadores do FC Porto que hoje calcaram o relvado da Luz, o mais importante e influente foi o mais pequeno. Moutinho fez hoje um dos melhores jogos que o vi a fazer com a bela camisola azul-e-branca, mostrando tudo o que esperamos dele e confirmando todo o talento que tem. Passes a rasgar, concentração no meio-campo, inteligência na rotação da bola e um cerrar de dentes de cada vez que disputava uma das muitas bolas divididas que venceu durante o jogo que aposto que até o Sereno não lhe mostrava os pitões num treino se a atitude fosse sempre aquela. O Sereno talvez, mas mais nenhum. A somar à influência na equipa, foi o marcador do primeiro golo, o arranque da louca sequência que abanou a estrutura do Benfica, num remate seco, forte, rasteiro, colocado. Perfeito.

(+) Fernando Se Moutinho pautou o jogo ofensivo da equipa, Fernando foi o garante da estrutura da defesa. Para além dos cortes providenciais (um dos quais deu origem a um dos golos num carrinho fabuloso a roubar a bola a Franco Jara), a forma confortável e controlada com que saiu da defesa e rodava a bola para os outros colegas do meio-campo e mesmo para o ataque deu segurança a todos e garantiu que as subidas dos laterais tinham cobertura quando havia uma perda de bola. Foi o Fernando do costume, o que diz tudo.

(+) Álvaro Pereira Sem ele o flanco esquerdo do ataque do FC Porto fica manco, a funcionar ao ritmo de serviços mínimos numa repartição de Finanças em dia de ponte. Álvaro dá energia à ala, subindo desenfreado ao nível de um Roberto Carlos de boca aberta, a tabelar com o médio centro e a ajudar os colegas em todas as jogadas que entra, somando a isso alguns cruzamentos de grande nível. É essencial que se mantenha em forma até ao final da temporada.

(+) Otamendi Mostrou hoje exactamente aquilo que o FC Porto precisava de ter desde a saída de Bruno Alves: a capacidade de sair da defesa com a bola controlada e criar desiquilíbrios no meio-campo adversário. É curioso e levemente irónico que o Benfica, a tapar bem os espaços na zona central do terreno, tenha sofrido com as subidas de Otamendi com a bola, a fazer lembrar um jovem guedelhudo que saiu do plantel aqui há uns meses. O argentino hoje mostrou a todos que é o único que pode ser fazer par com Rolando no eixo defensivo e fazer com que a equipa não tenha medo de qualquer falha.

 

(-) Carlos Xistra O penalty é um exemplo da má arbitragem. O problema é que mostrou a coerência de Xistra durante todo o jogo, marcando faltas atrás de faltas, qual delas a mais forçada. Houve tanta fita dos jogadores do Benfica na primeira parte que mais parecia que estava na serenata da Queima em plena Sé do Porto. E a somar a isso houve mais uma distribuição de cartões por tudo o que mexia pouco e nada de cartões para os que mexiam muito (Martins, segundo a Rodríguez), foras-de-jogo não marcados quando deviam (2º golo do FCP) e marcados quando não deviam (Álvaro Pereira quando ia a caminho da baliza), juntamente com uma tentativa parva de agarrar o jogo…matando-o. Felizmente os jogadores arrebitaram na segunda parte e deram uma imagem do futebol mais agressivo que Xistra tratou rapidamente de serenar, com mais faltas e mais cartões. Exagerado.

(-) Ineficácia no contra-ataque É uma das (poucas) falhas do FC Porto, apesar dos muitos golos marcados já nestas condições. Há uma estranha consistência nos constantes desperdícios de contra-ataques em que estamos em vantagem de 3 ou 4 atacantes para apenas um ou dois defesas e hoje voltamos a ver mais do mesmo. O que me incomoda é que a maioria destes lances acontecem em alturas que podem terminar o jogo e matar qualquer resistência do adversário. Como não damos a facada na carótida quando podemos…depois andamos a sofrer até ao fim, por demérito próprio. A rever.

(-) Sapunaru Não sei o que se passou. Não vi nada de especial mas acredito que tenha ficado lixado com qualquer coisa, talvez pelo penalty em que não teve culpa do que aconteceu. Seja pelo que fôr, não tem desculpa e tem de ser castigado.

 

 

Foi épica esta vitória em pleno Estádio da Luz. A forma clara como impusemos o nosso futebol, como empurramos o Benfica para trás e os obrigamos a defender com onze jogadores recuados, a maneira positivamente arrogante com que chegamos, entramos e dissemos: esta merda vai ser nossa! E três pancadas de Moliére depois, com uma outra leve pancadinha a causar algumas cócegas mas pouco mais que isso, o pano fechou-se sobre a carreira do Benfica na Taça. Vamos à final com mérito. Venha o Guimarães!

Ouve lá ó Mister – Benfica

André, farol da nossa esperança!

Big wheel keeps on turning! O Helton lá se estourou do joelho ou das costas ou lá do que raio o homem se queixava, não foi? Ficamos todos à rasca quando o gajo se estatelou na relva e torcemos todos para que ele volte rapidamente. Não é que não tenhamos confiança no Beto ou até no Pábél, mas não estou a ser um otário quando digo que o Helton é o principal guarda-redes por mérito próprio. Vai ser porreiro quando estiver em condições para escolher o lado certo da moeda que vai ao ar.

Mas divago do verdadeiro objectivo desta missiva: a visita à Luz.

Vamos com um belo lanço. É verdade que tem havido erros defensivos, que tão empolados têm sido pelos arautos da desgraça, tão voluntariosos a encontrar qualquer brecha na armadura que tens colocado em campo. Mas esses erros, por muito que tenham causado alguma mossa nos números surgiram toda a gente sabe, por muito que prefiram não admitir, surgiram em alturas de relax em jogos que estavam já controlados ou prestes a ficarem como tal. E não há Delgados nem Manhas suficientes no mundo que me convençam do contrário, sabes porquê? Porque eu vi esses jogos, porque eu assisti ao fluxo do jogo e vi a maneira como aconteceram. Não me preocupam. E além do mais, esses golos sofridos foram compensados pelo excelente número de 18 golos nos últimos 5 jogos. É isso, é uma média acima de 3 golos por jogo. Simpático, não é?

E são esses três golos que precisamos hoje. São só três golinhos, André, nada de mais. É, como me disse uma brilhante comentadora aqui no burgo, nada mais que se o anormal falhanço do Falcao na última vez que pusemos os pés neste relvado tivesse sido menos falhanço e mais acertanço. É só mais um pózinho do que fizemos aqui há 2 semanas e meia. Mesmo sem os balázios do Guarín.

Ninguém te pede que venças. Só que tentes. Não é fácil mas não é impossível. Tenta. É só o que peço.

Sou quem sabes,
Jorge

Littlewood's law

A Lei de Littlewood afirma que um indivíduo tem boas hipóteses que lhe aconteça um milagre por mês.

Vencer na Luz por mais de dois golos, para a grande maioria dos Portistas conscientes da dificuldade da tarefa, será pouco menos que isso.

Mas não será um milagre. Muito menos um evento cósmico.

Vai ser difícil. Vai ser muito difícil. Vai ser um confronto de vontades, de garra e de fibra.

Não temos nada a perder. Eles têm vantagem, e das boas, e nós temos de lutar para sairmos de lá com o bilhete para o Jamor.

Rapazes…estou convosco. Estamos todos convosco. Se vencerem, estamos convosco. Se não conseguirem, estamos convosco na mesma.

Força.

Dia 20. 20h30. Estádio da Luz.

You say the hill’s too steep to climb
Just climb it
You say you’d like to see me try
Climbing
You pick the place and I’ll choose the time
And I’ll climb
The hill in my own way
Just wait a while for the right day
And as I rise above the tree lines and the clouds
I look down
Hear the sound of the things you said today

Fearlessly, the idiot faced the crowd
Smiling
Merciless, the magistrate turns ‘round
Frowning
And who’s the fool who wears the crown?
And go down in your own way
And every day is the right day
And as you rise above the fear-lines in his brow
You look down
Hear the sound of the faces in the crowd

 

Fearless
Meddle
Pink Floyd

 

Se não conhecerem a música, procurem-na. É a banda sonora ideal para este jogo.