Ouve lá ó Mister – Naval

André, reiniciador de campeonato!

Até gosto de ópera, admito. É um espectáculo que é, à semelhança de um jogo de futebol, muito melhor visionado in loco do que em casa, sentado em frente à televisão, mesmo que se tivesse um copo de whiskey velho na mão e um Cohiba entre os dedos da outra mão…pera lá, e para mudar de canal no intervalo?…está a ficar complicado isto, é melhor chamar a mulher para servir de apoio…sim, querida, já vou!

Voltando ao assunto, gostei da tua conferência de imprensa de sexta-feira. Como de costume. Estás um mestre na maneira de lidar com os adeptos, na simplicidade com que atiras os jornalistas para os cadernos a escrevinhar com a energia de um jovem de 14 anos na fila para o último Harry Potter, obrigando-os a pensar em algo mais que o veneno nas suas perversas mentes. Gosto de te ouvir, rapaz.

Quanto a este jogo, nem quero entrar pelas metáforas da “Batalha Naval” ou “espero que não vão muitos tiros à água”, wakka wakka wakka!!! Nem tão pouco vou pedir para ganhares porque a tua contra-parte figueirense é o Mozer. Não tenho nada contra o rapaz, lá por se inclinar para o Benfica para ganhar uns cobres na TVI não quer dizer que seja má pessoa. O que eu quero, André, é que a equipa entre em campo e a faças alinhar com o trio de ataque do costume…se bem que cheira-me que vais espetar o James e o Hulk com o Falcao no meio (…acertei?) mas seja quem fôr que vá jogar, o que é preciso é limpar mais três pontos.

No domingo vê-se. E é para ganhar, para entrar na segunda volta com todo o gás!

Sou quem sabes,
Jorge

Baías e Baronis – FC Porto vs Pinhalnovense

Enquanto bebia mais um golo do meu copo de vinho, parecia que o jogo se tornava mais longo. Os ataques sucediam-se, nem sempre com a incisividade que se pedia e longe do fulgor da segunda parte frente ao Marítimo, mas eram constantes e sempre no mesmo sentido. Não se esperava outra coisa, porque o Pinhalnovense, apesar de se bater com galhardia e inteligência, não apresentava argumentos capazes de fazer com que o jogo invertesse o rumo natural. Ainda assim, foi pouco, foi (mais) um jogo em que não conseguimos fazer fluir o futebol melhor que temos e que acabamos por resolver, aqui sim à imagem do que se passou no Domingo, à bomba. Há 4 dias foi Guarín. Hoje, calhou a vez a Hulk. Vamos a notas:

(+) Hulk (os golos)  E se um rapaz rematar à baliza com força…é possível que seja o Hulk. Num jogo em que os movimentos conjuntos não conseguiam criar perigo para a baliza de Pedro Alves a não ser em remates quase inócuos, há que colocar a bola naquele que sabe mesmo rematar. E o primeiro golo, quase a papel químico do seu golo contra o Marítimo (o segundo do FC Porto), foi o abre-latas perfeito para uma situação que se começava a tornar perigosa e entediantemente perto de um prolongamento que os de azul-e-branco procuravam e que nenhum “amarelo” queria.

(+) James Rodriguez  Nota-se bem a diferença das primeiras para as segundas partes na produtividade do jovem colombiano. Entra tímido, recolhido, tristonho, mas quando está a jogar há vários minutos começa-se a soltar e a libertar a capacidade técnica e de ruptura aparentemente lenta mas continuamente em progressão que tem vindo a demonstrar. Pode ser bem melhor aproveitado a jogar no centro do terreno em vez de ser colocado nas alas, o que o faz uma alternativa excelente para um modelo em 4-4-2, como Villas-Boas experimentou na segunda parte.

(+) Belluschi  Foi irreverente e sempre que teve a bola nos pés tentou arrastar o jogo para a frente e/ou para os lados, fazendo o que Ruben teve grande dificuldade para conseguir. Era invariavelmente por ele que a bola passava nos movimentos ofensivos da equipa e ainda que as coisas não lhe tenham corrido sempre bem, não consigo censurar um jogador que coloca nos seus ombros essa responsabilidade e consegue pensar o jogo de uma forma mais acertada que outro rapaz, qual Atlas, com o mundo às costas, como Hulk.

(+) Sapunaru  Sempre seguro, teve a noção quase perfeita de quando devia subir e quando se devia manter um pouco mais atrás. É complicado neste momento tirar-lhe o lugar e mesmo Fucile não vai ter vida fácil para ser titular.

(+) Pedro Alves (guarda-redes do Pinhalnovense)  Defendeu quase tudo o que podia e apesar dos remates nem sempre levarem grande força, muitos deles foram bem colocados e levaram a que este rapaz fosse o melhor em campo. Não fosse ele e a falta de pujança nas bolas que saíam dos pés dos nossos homens e a vitória tinha sido garantida mais cedo e por números bem maiores.

(-) Hulk (para lá dos golos)  Compreendo os adeptos quando o assobiam. Não o faço mas compreendo. É preciso ver, fazendo um pouco o papel de advogado do diabo, que em Hulk recaem sempre as expectativas do comum mortal Portista, como em Quaresma, Deco, Capucho ou Madjer antes dele. São os irreverentes, os loucos, os que parecem alhear-se do jogo mas que os colegas procuram quando não sabem mais o que podem fazer. E esses talentos em forma de futebolista reagem, com raras excepções, quase sempre mal a este tipo de circunstâncias em jogos contra equipas que estão um pouco abaixo no nível motivacional. “Ah mas ganham muito dinheiro e têm de jogar!”, dirão. Pois é. E têm toda a razão. Todo este prélio para dizer uma simples frase: um jogador como Hulk tem de render muito mais num jogo contra o Pinhalnovense do que apenas dois bons remates que teve a fortuna de ver a bola a entrar. Muito mais.

(-) Emídio Rafael  Mais um jogo, mais uma prova que tem muito a aprender. Não sei se alguma vez será uma boa alternativa para jogar no lugar de Álvaro, já que quando Fucile estiver em condições acho que estará sempre à frente do português como escolha para a lateral esquerda. Continua nervoso, indeciso no passe, desconcentrado no posicionamento defensivo e inconsequente nos cruzamentos da ala. Posso estar a ser excessivo no nível de exigência mas acho que precisamos de um rapaz melhor ou pelo menos mais experiente.

(-) Fernando  Sei que está com pouco ritmo mas foi uma exibição muito fraca do “polvo”. Pouca clarividência no ataque, mau nos passes curtos, incapacidade de rematar à baliza em condições, não será a jogar assim que tira o lugar ao rapaz que, do alto da sua loucura, tem ocupado o “seu” lugar de uma forma tão prática e livre de grande contestação.

Ainda que tivesse ido ao jogo, era incapaz de assobiar. Lamento sempre a idiotice do assobio e não creio que seja vantajoso para quem quer que seja, dos jogadores ao treinador. Mas compreendo alguma indignação com a lentidão e a inépcia de algumas decisões no final de um número inusitado de jogadas perdidas acabam por enervar a malta. Foi fraquinho mas estamos nas meias-finais da Taça e isso é que interessa, com melhores ou piores exibições. Deu para rodar alguns jogadores e para descansar outros. Venha o próximo!