A rotação – parte I

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Na primeira de uma série de três artigos não-opinativos sobre a rotação do plantel feita por Vitor Pereira, arranco pelo melhor ataque metafórico, a defesa. De notar que apenas apresento dados e é lógico que extrapolar a partir de meros números é esticar a corda e inferir verdades que não o serão, mas ainda assim, ficam os valores.

Estão assinalados os jogos dos dois “períodos negros” em termos de resultados neste início de temporada, mas ainda assim não consigo encontrar nenhuma tendência estatística que permita tirar qualquer conclusão, para além de Rolando ser o único titular absoluto no centro, com Otamendi a somar o maior número de jogos a seu lado e Álvaro sem rival à esquerda desde que chegou de férias e não saiu para o Chelsea. Foquemo-nos na rotação do defesa direito, olhando friamente para os números:

  • Sapunaru: 9 jogos
  • Fucile: 7 jogos
  • Maicon: 6 jogos

À primeira vista creio ser uma questão de gestão de plantel, mas não consigo dissociar essa opção do fraco rendimento de Fucile e da lesão do romeno. A alternância entre Otamendi e Mangala, mais visível em Outubro com Otamendi a jogar duas partidas pela Argentina, teve resultados mistos. Curioso o facto da presença de Mangala resultar no menor número de golos sofridos (apenas dois em seis jogos).

Parece evidente, no entanto, que três em quatro são titularíssimos. Resta saber quem será o quarto num futuro próximo.

Na estante da Porta19 – Nº6


É leitura de algibeira, não há dúvida, mas ainda assim divertido e interessante. Scott Murray e Rowan Walker trazem-nos em “Day of the Match: A History of Football in 365 Days” um conjunto de factóides e historietas que nos levam para perto da relva em dia de jogo, com eventos que se passaram em cada um dos dias do ano ao longo da história do Futebol. Desde finais de campeonatos do Mundo a visitas a estádios da décima divisão dos distritais, é um bom livro para manter na cabeceira e mesmo antes de ir dormir, folhear até ao dia corrente e mergulhar alguns anos no passado, pensando: “Então o que é que este dia trouxe de diferente ao mundo da bola?”. E ainda dão umas gargalhadas pelo meio.

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Baías e Baronis – Beira-Mar 1 vs 2 FC Porto

Vi a primeira parte calmo e a segunda parte no limite de um ataquinho nervoso. A vitória não podia pertencer a outra equipa que não ao FC Porto, mas os números são tão curtos para o que fizemos hoje em Aveiro que me deixa incomodado por não ver um zero à direita do dois no placard. Enfim, o que interessa neste tipo de jogos é sempre a vitória e mesmo a gestão antecipada (a partir dos 75 minutos oferecemos tempo demais a bola ao adversário) não a impediu. Não me posso focar só naquele último lance com Élio a apontar para canto em vez de para a baliza, mas o que é verdade é que as injustiças acontecem tantas vezes no futebol que já me enjoei de perder pontos em jogos que deviam ter sido ganhos e que por causa de um ressalto ou uma falha individual acabam por tramar o resto do bom trabalho que se fez durante o jogo. Correu bem e gostei de ver os nossos miúdos a jogar hoje na relva molhadíssima de Aveiro. Siga para as notas:

 

(+) James Excelente jogo do nosso colombiano-maravilha, em todos os sectores onde apareceu, fosse na ala a abrir espaços para as corridas de Hulk, no centro do terreno a pautar o jogo ou à entrada da área a finalizar. Surpreendeu-me pela disponibilidade física, o esforço que colocou em todos os lances e a atitude de nunca desistir de todas as bolas em que esteve envolvido. Um excelente golo e acima de tudo a imagem de um jogador que tem tido altos e baixos esta temporada mas que parece começar a mostrar qualidade suficiente para ser titular indiscutível no FC Porto. Para já, já o conseguiu.

(+) Fernando Pensei em dizer que me custa estar consistentemente a dar Baías ao Fernando, mas o que é verdade é que os tem merecido. Para lá de todas as bolas que recuperou no meio-campo, tem um movimento que faltou a Moutinho e a Belluschi hoje à noite em Aveiro: a colocação do corpo para proteger a segunda bola quando ela surge proveniente da área e o momento de pausa no jogo para reorganizar ideias, recuperar posições e retomar o ataque. Foi o médio mais inteligente da equipa. Estou sóbrio, garanto.

(+) Álvaro Pereira Com Maicon a fingir que gostava muito de ser defesa-direito e a tentar por tudo mostrar serviço, as diferenças para Álvaro são abismais. Apareceu constantemente no apoio ao ataque e facturou uma assistência para o segundo golo do FC Porto, mas é principalmente no arranque dos lances ofensivos que se mostra mais importante. Arrasta consigo um defesa quando invariavelmente envia a bola para Moutinho/James no centro do terreno e zarpa por ali fora à procura da tabelinha, desiquilibrando instantaneamente a equipa adversária. Faz isso há anos e ainda ninguém o conseguiu parar. Estou a gostar de o ver jogar.

(+) Rolando Um raro Baía para o nosso internacional luso, com todo o mérito. Sem culpas no golo do Beira-Mar (Maicon foi o principal réu porque não atacou a bola como devia e deixou “o chinês”, como foi nomeado insistentemente pelos tele-comentadores cabecear à vontade), Rolando esteve impecável durante todo o jogo, sem falhas nem hesitações. Ao contrário do colega do lado, que não esteve mal mas continua a falhar passes em demasia, Rolando esteve quase sempre bem, com passes bem medidos e soube impôr o jogo físico quando sentiu que era necessário. Gostava que jogasse sempre assim.

 

(-) A ineficácia. Outra vez. Falhar tantos golos como fizemos hoje não é nenhuma novidade e a culpa não é de Vitor Pereira, de Villas-Boas ou de Jesualdo, para citar os últimos três treinadores da nossa equipa. Nem sei se será dos jogadores em si, talvez seja uma questão de mentalidade de todo um campeonato e, já que estou numa de extrapolação, de todo um povo. Porque todos nós que jogamos um futebol de pura carolice aos sábados à tarde ou domingos de manhã, todos nós falhamos golos porque a brincadeira apodera-se do nosso sentido prático e não resistimos a fazer um cabritinho ou um atraso de calcanhar para o guarda-redes. E quando estamos a ganhar por três ou quatro, até nem me importo muito. Mas quando um jogo está com o resultado ainda incerto e a diferença é pouca, quando se entrega o jogo ao adversário e se falham tantos golos como hoje…é o equivalente a meter gasolina enquanto se mantém alegremente o cigarro aceso no canto da boca. Pode correr bem e a bomba não explode. Mas também pode correr mal, e depois ficamos a lamentar porque raio tínhamos de fumar naquele momento.

(-) Xistra e os desculpadores A grande maioria dos jogadores do Beira-Mar (e alguns do FC Porto, é verdade), passaram o jogo a cair. Mas o que pareciam jogadas banalíssimas de contacto eram paradas por Xistra, um dos árbitros mais enojantes do nosso futebol, com amarelos parvos e aquela atitude de “pois é, rapaz, tem de ser” que tanta febre me faz. O pior de tudo eram os comentários na SportTV, onde qualquer falha do árbitro era desculpada com o tradicional “ah, mas realmente o árbitro está a ver a jogada e temos de perceber que é difícil”. E era sempre difícil, mesmo quando o árbitro estava a olhar para a bola e a ver perfeitamente o que se passava. Não eram propriamente Valdemares, porque não se sentia ali nenhum anti-portismo primário, mas é uma atitude que apesar de compreender, não concordo que seja aplicada quase a 100% dos lances como o foi hoje em Aveiro.

 

Ao mesmo tempo que consigo perceber como é que conseguem falhar tantos golos e criar tantas situações de perigo sem que se consiga enfiar a bola lá dentro, custa-me muito entender que se tente gerir uma vantagem de um golo quando parece evidente que a nossa defesa não pratica um futebol do mais estável que já se viu, longe disso. Depois do jogo contra o Zenit, o empenho foi notório, a força e garra dos jogadores parece de volta para ficar, mas já há vários anos que deixei de tentar fazer sentido às gestões de jogo quando damos a bola ao adversário e ficamos à espera do que possa vir a acontecer. Acontece com os meus amigos a jogar à bola aos sábados de manhã. Não aceito que o mesmo ocorra ao FC Porto, porque foram já tantas as situações em que vi uma vitória num jogo de 80 minutos a transformar-se num empate aos 90. Hoje, quase que acontecia o mesmo aos 95. Não pode ser.

Ouve lá ó Mister – Beira-Mar


Amigo Vítor,

Doeu a todos o jogo contra o Zenit. Não tenho dúvida que te doeu pessoalmente e também deve ter doído aos meninos que tu lideras, por motivos diferentes, mas o tempo para lamúrias acabou no momento em que tanto os teus jogadores como o resto da malta portista chegou a casa e desabafou com as mulheres ou com uma garrafa de Cardhu. Agora, só se volta a pensar em Europa, para lá das cimeiras, em Fevereiro. Até lá também tens alguns jogos para a outra taça, a da Liga, mas só tens uma prova fundamental: o campeonato.

Ninguém te vai perdoar se voltares à fase pré-Shakhtar, especialmente depois de termos visto a equipa a jogar com a força e o querer que mostrou na passada terça-feira. E em Aveiro, que já nos deu tanta alegria nos últimos anos, com duas Supertaças e mais algumas vitórias…lembra-te que foi exactamente em Aveiro que jogamos contra o Feirense e aquela exibição patética foi o início da fase negra. Lembras-te disso, concerteza, e não podes deixar que os rapazes te façam isso de novo.

Reparei que na convocatória incluíste o Iturbe e o Alex Sandro. Já que o Defour está lesionado (Samuel Defour, segundo a besta do jornalista da RTP que fez o spot sobre nós ontem no Telejornal, vê lá aqui a partir dos 46m49s), deixa-me armar em treinador de bancada um bocadinho, faço isso poucas vezes para não te chateares mas desta vez era capaz de ser engraçado experimentares uma de duas coisas: sabendo que gostas de trocar os três avançados entre eles, é menos provável que gostes da ideia, mas que tal tentares pôr o James no meio, o Álvaro como ala-esquerdo e o Alex Sandro atrás dele? É verdade que ficavas com um jogador mais fixo mas o flanco abria de certeza e o Hulk podia aproveitar um ou dois cruzamentos decentes. A outra ideia ainda é melhor: Iturbe a titular à esquerda, Hulk ao meio e Djalma na direita. Isso é que era uma tolice! Não? Eh pá, não sei, nem sei para que é que me havias de dar ouvidos, se calhar é mesmo melhor trocares “ela por ela” e espetares o Belluschi em vez do Samu…do Steven e siga a rusga.

Escolhas quem escolheres, o que me interessa é ganhar o jogo e mostrar que o líder não se deixa abater por tretas europeias. Ou pelo menos sabe recuperar quando é preciso.

Sou quem sabes,
Jorge

O segundo melhor romeno de sempre do FC Porto

A escolha não é imensa. Sinceramente só me lembro de três romenos que já jogaram no FC Porto (se estiver em falha por favor refresquem-me a memória):

  • Ion Timofte (1991/92 até 1993/94)
  • Nica Panduru (1998/99 até 2001/02)
  • Cristian Sapunaru (2008/09 até hoje)

Este último acabou de ser eleito o melhor jogador romeno do ano de 2011 na 15.ª Gala do Futebol do pais de Leste, organizada pela Associação Nacional de Treinadores, Clube de Imprensa Desportiva e Associação de Futebolistas Romenos.

Já falei tantas vezes dele e fiz montes de comparações entre ele e Fucile, mas agora vendo Maicon a jogar do lado direito da defesa, nunca tive tantas saudades de ver Sapunaru a jogar, por muitos olheiros da Juventus que possam aparecer no Dragão para ver o brasileiro a jogar. Não esqueço o pachorrento do Panduru mas também não olvido a recordação de Timofte, um dos melhores esquerdinos que tive o prazer de ver jogar pelo meu clube e um dos muito poucos que teve a honra de receber um aplauso das minhas mãos quando surgiu no Dragão com outra camisola, mas Sapunaru é um dos nossos, soube ganhar o seu lugar e conquistou os adeptos.

Parabéns, Sapu. Volta depressa, puto.