A coerência ou um pontapé nos tomates

“Sou a favor da identidade. Se o F.C. Porto está em Portugal, devia jogar com jogadores portugueses, em vez de comprar jogadores de outros países”

Michel Platini

 

O que mais me incomoda nestas declarações, para além da pessoa que as profere ser um demagogo incorrigível e uma pessoa que, aposto, não consegue passar mais de dez minutos sem se espumar por dinheiro, é a incongruência. Um homem que atribui a final da Champions de 2013 para Wembley porque a FA inglesa faz 150 anos (duas temporadas depois da final se ter realizado no mesmo estádio) é claramente um digno e honesto representante do futebol europeu, uma pessoa íntegra e com bons princípios, atenta aos fenómenos da globalização mundial e da sociologia de massas, que defende acima de tudo o futebol (principalmente aquele que é jogado pelo Arsenal – com um jogador inglês no onze, quando o tem – ou o Inter – com um jogador italiano no onze, quando o tem – ou qualquer outro clube europeu que chega a fases avançadas de competições europeias com a maioria de jogadores do seu país e que levou…zero críticas deste fulano) e de toda a sua componente ética e de defesa dos interesses próprios de cada um. Devemos, portanto, ouvir tudo o que diz com redobrada atenção, não vá sair uma tirada ao nível do “O Varela deixou o pé para trás, por isso é que foi pontapeado pelo Javi Garcia!” do Rui Gomes da Silva.

Descobri uma palavra nova: platinizar. Usem-na quando quiserem chamar hipócrita a alguém. Vão ver que a malta percebe.

Baías e Baronis 2010/2011 – Mariano González

 

Época: É difícil falar de Mariano nesta altura. Sinto-me impelido por uma força que bem conheço a dizer mal do gajo como se fosse o principal conselheiro do Pinochet. Por outro lado, saber que passou um calvário do caraças esta época, com a recuperação da lesão a impedir que fosse inscrito no campeonato e na Liga Europa, vendo que nunca levantou a voz o mínimo que fosse para protestar como é que um campeão olímpico e ex-vedeta do campeonato italiano é deixado a criar musgo nas laterais enquanto que outros, mais jovens e mais talentosos, lhe roubavam o lugar em frente aos seus olhos. Mariano, capitão do FC Porto, tem muitos defeitos, já apontados em tudo que é blog portista (incluindo o meu), mas também tem algumas virtudes. Provou que é um profissional à altura do clube onde está e merece o meu aplauso. Por isso está explicada a nota que leva, já que futebolisticamente a época de 2010/2011 foi pouco mais que nula. Sai do clube com a cabeça levantada e o gesto dos colegas na final da Taça de Portugal, ao permitirem que o homem que mais gostámos de odiar nos últimos anos erguesse o troféu como vencedor. Não posso ser hipócrita e agir como as pessoas que elogiam os mortos que tanto criticaram em vida, mas sinto necessidade de dizer que tenho pena de o ver sair porque acho que o FC Porto precisa de um jogador melhor no lugar dele, mas fico com a alma dorida por perceber que ficamos com menos um bom homem e bom profissional. Boa sorte, rapaz!

Momento: A final da Taça e o levantar do troféu em júbilo. Estou convencido que o Puyol se inspirou nesse momento para fazer o mesmo ao Abidal.

Nota final 2010/2011:

BAÍA

(pelo profissionalismo, não pela produtividade…)

 

Dragão escondido – Nº4 (RESPOSTA)

Os comentários foram interessantes e uma grande parte da malta acertou à primeira. Parece que estão a ficar bons nisto, meninos e meninas! Aqui está a resposta:

 

Foi mais fácil que no anterior desafio e fiquei muito satisfeito por ver que a maior parte do pessoal tem a história bem presente. O jogador, como já perceberam facilmente pela imagem, é Fredrik Söderström, internacional sueco e médio centro que chegou ao FC Porto vindo do Guimarães e que apenas fez parte do plantel principal na época 2001/2002. Gostava de o ver jogar porque era um rapaz empenhado, com boa disciplina táctica mas infelizmente, à imagem de Pavlin, não conseguiu convencer Mourinho a ficar com ele para a temporada da vitória na Taça UEFA e acabou por ser emprestado ao Standard Liége, Braga e Estrela da Amadora. Tive pena.

Entre as respostas que a malta deu:

  • Alenitchev – era talvez a melhor alternativa tendo em conta os esquemas de Octávio, com os seus “três tristes trincos”, como avançou o Vitor Hugo nos comentários, até pela proximidade posicional tendo em conta a táctica utilizada;
  • Quintana – aquele panzer paraguaio, que acabou por ir emprestado para o…Moreirense. Seria mais um trinco, adequar-se-ia bem, mas tendo em conta a estrutura física do gajo escondido era menos provável;
  • Cândido Costa – Se a táctica fosse um 4-3-3, era uma boa hipótese. Neste caso jogámos mesmo em 4-4-2…;
  • Clayton – um produto dos olheiros do Santa Clara e o primeiro “Mariano” que me lembro de ver a jogar. Tendo em conta que a ala esquerda estava deficitária era mais uma boa opção, mas o tom de pele indicava um rapaz mais branquinho…;
  • Rafael – à imagem do Clayton, a tez tira-lhe hipótese. Um jogador que se devia ter limitado ao futebol de praia e ao Paços de Ferreira, sinceramente…;
  • Rubens Júnior – definitivamente o pessoal está habituado ao 4-3-3 e não pensa noutra coisa. O agora DJ encaixaria na táctica imaginada porque fazia o flanco todo…só não o fazia muito bem;
  • Domingos – não fazia parte do plantel, ó Francisco!
  • Folha – não fazia parte do plantel, ó Pedro!
  • Pavlin – já o escolhi no número 3, ó Francisco!
  • Peixe – esteve emprestado ao Alverca em 2001/02;
  • Drulovic – transferiu-se para o…cof cof…Benfica, no início da época;

 

Obrigado pela participação, povo. Um colega queixou-se que era difícil demais só com fotos dos jogadores alinhados, por isso o próximo é um Dragão escondido numa situação de jogo, para ser mais interessante!

 

A minha primeira AG

Desloquei-me ao Dragão para me estrear em assembleias gerais. Mea culpa, é verdade, porque em quase vinte anos de associado ainda não tinha atravessado a experiência. Já tenho um passado longínquo de participação em associativismo, ainda que passivo e por intermédio familiar, por isso não seria algo que estaria distante da minha experiência. Mas este era um evento diferente, mais forte, que tocava cá no fundo e por isso mais pungente e intenso.

É interessante a mescla de sócios que comparecem numa assembleia-geral. Há de tudo, desde o idoso que se veste na sua melhor roupa para comparecer no fórum até ao mais jovem membro da claque de calções e sapatilhas, passando pelo executivo de fato e camisa branca e pelo engenheiro de pólo e calças de ganga. Todos unidos num só objectivo, com um único propósito, uma mole de indivíduos a puxar para o mesmo lado e com idênticas convicções. É o meu povo envolvido num acto orgânico, de fé e de princípios firmes, que se une perante adversidades e inimigos, onde cada um à sua maneira procura fazer com que o bem comum sirva o bem individual.

Não entrando em pormenores sobre a dita porque seria pouco ético fazê-lo, bastará citar pequenos pormenores que fazem deste clube qualquer coisa de diferente no nosso panorama. O discurso esforçado de Sardoeira Pinto, enaltecendo as virtudes de uma época extraordinária e louvando sem parcimónia a dedicação e bravura de Pôncio Monteiro, brindado com um minuto de silêncio como deve ser cumprido, em silência sepulcral, que nas entranhas do Dragão fez ecoar o reconhecimento de um povo azul-e-branco por tudo que fez pelos nossos; a brincadeira das claques no arranque do discurso do grande Lourenço, imitando com mestria vocal o seu mítico trompete e simpaticamente retirando a palavra de um símbolo do nosso clube para arrancar um aplauso espontâneo do público; os sócios que subiram ao palanque, discorrendo sobre os problemas que encontram e elogiando as virtudes que descobriram; o discurso trémulo de Angelino Ferreira, com maior talento com o ábaco que com o microfone, conseguiu explicar (e bem) a diferença entre uma gananciosa subida de quotas e o adequado nivelamento que a partir de agora todos iremos encontrar; a força e a destreza mental de Pinto da Costa, que respondendo a todos os sócios que usaram da palavra pelos nomes, respondendo às questões com a determinação de um general, de peito firme e cheio em frente ao olhar devoto de trezentos sócios que sentem nele o líder que outros gostariam de ter, de pé, em discurso directo e conciso, sem abanar nem abalar, terminando; e a discreta presença de tantos outros anónimos associados, como eu, que assistiam a tudo isto com um sorriso, cientes que estávamos a investir uma tranquila noite de segunda num novo passo para o clube.

Porque o clube, mais que a SAD, o James ou o Stempin…o clube, é nosso. E é ali que podemos e devemos estar se o queremos ver a crescer.